CAFÉ EXPRESSO

Novembro 15 2017

Resultado de imagem para medo

 

Viver é respirar. Sorrir. Andar literalmente de cabeça levantada. E de coração disponível. Viver bem não se mede, pois, pela quantidade de coisas que se faz num dia, pelas vezes que se vai jantar fora ou às artes por semana ou pelo número de viagens que se faz num ano. Viver é respirar bem. Pode ser em casa dentro do sofá a não olhar atentamente para a televisão, por exemplo. Viver também é partilhar. É por isso que digo coração disponível. Partilhar com os outros cada passo e compasso da vida. Não é preciso ser alguém especial. Basta que respire bem.

 

Na vida acontecem contratempos, contrariedades e outras coisas igualmente desagradáveis, bem como outras que são muito graves no sentido em que nos prejudicam o bom temperamento, a saúde e/ou as finanças, constituindo-se, por vezes, como factos traumatizantes. Na sequência do trauma, quando existe, há pessoas que ficam medrosas.

 

Um amigo indicou-me certa vez os efeitos do medo numa síntese tão perfeita que não consigo reproduzir agora aqui, embora gostasse muito. No entanto, sei, como toda a gente sabe, que o medo paralisa.

 

Só que, na verdade, o medo não paralisa. O medo faz com que se ande no sentido contrário àquilo que faz medo. Assim, as pessoas fogem. E, fugindo, nunca chegam a saber dos reais contornos do que temem (não sabem que muito provavelmente pouco ou nada têm a temer). Mas quando as pessoas fogem, para além deste ato, praticam outros que são de autoproteção. Normalmente, isolam-se para, imaginam, não estarem expostas. E assim o medo provoca a abstinência e a abstenção. Talvez seja por isto que se diz que o medo paralisa. Mas, como se verifica, é só uma fórmula para simplificar.

 

Acresce que o medo tem um caráter infecioso. Não basta ao medo o medo de uma determinada coisa. O medo tem tendências para se espalhar e instalar. Assim, o sentir passa a ser abstrato. Tem-se medo sobre nada de muito concreto. Apenas, face a este ou aquele constrangimento do dia-a-dia, se antecipa que algo de mal vai acontecer e fica-se com medo. Fica-se doente.

 

Seja como for, creio que é natural ter medo em certas circunstâncias. Anote-se que não há pessoas corajosas sem medo. E a coragem é uma característica muito importante porque faz o ser humano subir de nível. Alterar a forma do seu espírito. É também certo que a coragem depende da Fé.

 

publicado por Cat2007 às 16:52
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Novembro 09 2017

 

Resultado de imagem para irresponsabilidade

 

Penso no meu senso de irresponsabilidade. Digo bem. Senso. Ter senso significa possuir capacidade de avaliação. E eu, como disse, tenho senso de irresponsabilidade. O que, portanto, quer dizer que, quando estou a ser irresponsável, sei muito bem o que faço.

 

É irresponsável quem não pensa ou não quer pensar nas consequências que os seus atos podem ter. Eu sou, então, das irresponsáveis que pensa mas não quer pensar. Que pensa que as coisas podem suceder de uma determinada forma mas que é possível que aconteçam de outra.  

 

Certa vez embarquei num projeto muito sério que tinha quase tudo para não dar certo. Mas, se desse, se desse certo, tratava-se da concretização de um sonho. Eu ligo muito a sonhos. Acredito neles. Nos sonhos em que se imagina o melhor enquanto se está acordado. E nos sonhos eu invisto. Porque está em causa tornar a vida um bocadinho mais feliz.

 

Creio que vale a pena arriscar quando as coisas são assim. Ser irresponsável com o senso de que se teria muito mais a ganhar do que aquilo que provavelmente se vai perder.

 

publicado por Cat2007 às 15:22
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Novembro 03 2017

Resultado de imagem para surpresas

 

 

O meu pai sempre me disse que é fundamental “ter os pés bem assentes na terra”. Só assim se pode ser nomeadamente corajoso. No princípio pensei que ele estava a falar de realismo: temos que olhar para as coisas como elas são e não como gostaríamos que fossem.

 

Mas não era disto que ele tratava. Antes, falava em contexto. No contexto pessoal. De ter a exata noção das regras e factos que, respetivamente, regem e determinam a nossa experiência de vida. Quer dizer, saber quem somos (no sentido de saber quais são as nossas capacidades) e ter a noção daquilo com que contamos. No fundo, poder viver sem surpresas.

 

E, com efeito, não gosto de surpresas que não sejam daquelas que ocorrem em datas festivas. Gosto das surpresas dos presentes de Natal e de aniversário. E é claro que também gosto daquelas surpresas que tornam as datas festivas. Por exemplo, reencontrar um amigo de abraço. De resto, não gosto de surpresas. Basicamente, não gosto de ser surpreendida. Não quero que me aconteçam coisas que eu não espero, portanto. Embora elas sucedam, ainda assim. Porque é a vida.

 

publicado por Cat2007 às 15:32
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Outubro 31 2017

 

 

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Sempre tive problemas de consciência em relação a tudo o que tenha a ver com as minhas pequenas ou grandes prevaricações. Sejam por ação ou por omissão. Por exemplo, lembro-me de ser pequena e roubar por uma única vez uma laranja numa loja de rua. Fiquei toda a tremer no e no após o ato, sendo certo que, ato contínuo, deitei fora a laranja e fui para casa chorar e rezar, pedindo mil perdões a Nosso Senhor pelo imenso mal que tinha feito. Isto malgrado ter uma colega que todos os dias praticava o ato e comia a laranja muito satisfeita à minha frente.

 

Relacionado com o antedito estará o facto, calculo, de, na altura, ir muito à missa com os meus pais. Em criança era obrigada a ir à missa, pois. Claro que me distraia imenso enquanto lá estava porque aquilo não é sítio para crianças. Mas o certo é que, mal ou bem, assimilei os princípios estratégicos do catolicismo. Assim, aprendi que não podia sair da linha. Senão ia para o inferno. Ora, a expetativa do inferno consubstancia-se já em parte do inferno em si. É por isso que tremia. E ainda tremo quando faço alguma. Mesmo que seja ligeira e compreensível. Mesmo que não seja apanhada. De qualquer maneira, não consigo abstrair do ar de satisfação das inúmeras pessoas que eu vejo a comer a laranja.

 

publicado por Cat2007 às 16:44
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Outubro 27 2017

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Confesso que tenho trabalhado imenso. E, já por isso, hoje, pela tarde que é agora, resolvi que já não trabalho mais. Daí que estou aqui a escrever para fazer tempo. Ora, se estou a fazer tempo, é porque não tenho nenhum assunto assim em concreto para falar.

 

Sempre ouvi dizer que, quando não se tem nada para dizer, fala-se do tempo. Porém, não me apetece falar do tempo. Sobretudo porque está ótimo. De facto, falar de um dia bonito de sol quando a nossa vida se passa dentro de um gabinete fechado e a seguir nas instalações fechadas de um ginásio, é estar a fingir. A fingir que se aproveita o dia assim bonito como está quando, na verdade, o que se aproveita é o facto de não se apanhar a chuva de outono, nos momentos em que passamos entre um lugar fechado e outro. Chuva que, a bem da verdade, já podia estar muito bem a molhar-nos até à paciência. Outono estranho este.

 

Verifica-se que, afinal, sempre falei um bocadinho do tempo. Deve ser porque é inevitável nas circunstâncias em que me encontro: não ter nada para dizer.

 

publicado por Cat2007 às 15:46
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Outubro 26 2017

 

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Por vezes ouço dizer que A ou B “sabe viver” e que por isso a respetiva vida é boa. Confesso que não entendo a expressão. Eu que não tenho paciência para fazer “amizades” por conveniência. Que, com jeitinho, não sei como levar “a água ao meu moinho”. Até porque tenho uma consciência que, felizmente, raramente me atormenta.

 

De facto, eu não sei o que quer dizer “saber viver”. Mas, mesmo não sabendo, tenho a impressão de que é preciso uma pessoa estar formatada para o efeito. Na verdade, ser dona de um determinado feitio, de uma certa forma de ser.

 

Há umas semanas estive num almoço de “englobalização”. E, numa perspetiva de englobalizar, eu devia ter sido encantadora e cativante. Mas eu, antes pelo contrário, meti a cabeça no prato e pus-me atentamente a comer. Porque os assuntos “puxados” para a conversa enchiam-me de tédio. E eu sem sal não consigo ingerir. Por seu turno, a comida estava bem temperada. Daí a opção.

 

publicado por Cat2007 às 17:24
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Outubro 23 2017

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O amor é o sentimento mais profundo que envolve as pessoas. Em princípio é recíproco ou partilhado. Não. Não é em princípio. É sempre recíproco ou partilhado.

 

O amor é aquilo que sentimos pelas pessoas que nos são estruturais. Pela família, claro. Também por um ou dois amigos, certamente. Mas por alguém que não é da família nem dos amigos, sem dúvida.

 

É deste último tipo que quero falar. Que todos queremos falar. Chamo-lhe tipo especial. Porque em princípio este é dos tipos o único que não nos acontece pelos laços de sangue ou pela convivência. Pacificamente.

 

Antes pelo contrário, por este tipo é preciso procurar e lutar. E, ainda assim, ele não aparece quando se procura e morre sempre quando há luta.

 

Fazemos amor sem saber o que é o amor. Só sabemos do desejo. E daquele extraordinário tipo de empatia que vem do desejo e que se chama paixão. Através da paixão estabelece-se uma convivência próxima muito pouco pacífica mas incontornável e feliz.

 

Porém, um dia a paixão acaba e as pessoas ainda estão a conviver. Mas já não será por muito tempo. É um acordar doloroso. Neste caso, quem aguardava o tipo especial enganou-se. E é capaz de sofrer um bocado. Quem não o esperava fica bem assim ou no vazio identificado com a ausência de dor. Sempre que a paixão morre o amor não aconteceu. Por isso o que é preciso é entender a paixão.

publicado por Cat2007 às 18:30
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Outubro 19 2017

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Ando a sonhar todos os dias. Sei disso porque acordo e lembro-me de algumas coisas. Embora nunca muito organizadas. Gostava de me lembrar dos sonhos todinhos e sequencialmente. São pequenas estórias com um princípio meio e fim que importam. Porque são vividas. De uma outra forma, mas são vividas. Já me contaram que é possível ter orgasmos a dormir. Ou melhor, a sonhar. Eu nunca tive essa sorte. Declaro.

 

publicado por Cat2007 às 16:26
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Outubro 17 2017

Resultado de imagem para roupeiros modernos

 

Hoje vou mais cedo para casa porque tenho lá uma profissional que vai tirar medidas para construir um roupeiro até ao teto, e onde se encaixa a cama, dentro do meu quarto. Chateia-me isto. Não queria que a mulher lá fosse. Uma pessoa não está à vontade. Tinha vontade de me descalçar e ir lanchar para o sofá já em pijama. Ver televisão e não me preocupar com nada.

 

Assim não. É preciso fazer sala. Oferecer-lhe o que beber. Da primeira vez que lá foi perguntei-lhe se queria vinho branco. E ela: “é a primeira vez que um cliente me oferece vinho branco”. Não percebi. Talvez não seja conveniente beber enquanto tira as medidas às coisas.

 

Por outro lado, já estou contente apenas com a expetativa do roupeiro que somente fica pronto em novembro. É que não tenho mais onde arrumar a roupa. E agora que fui ao Norte e comprei mais umas pazadas dela, estou sem saber para onde me virar. Além do mais, o desenho do dito móvel é espetacular, pelo que o quarto vai ficar muito bonito.

 

É de acrescentar que a referida senhora tem medo de cães. Ora, eu tenho dois, sendo que o mais pequeno decidiu que quer estar sempre ao pé dela. Por vezes trocam ideias. O cão mete literalmente o nariz nos papéis e ela fala-lhe, explicando que “não sou muito de fazer festas, sabes?”. Mas vai tolerando o pequeno animal, enquanto fica mais um bocadinho nervosa a cada minuto que passa.

 

Pois, como referi, ela vai lá hoje daqui a um bocado. E eu tenho que ir.

 

publicado por Cat2007 às 16:26
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Outubro 16 2017

 

Resultado de imagem para working in progress

 

Tenho para aqui isto tudo parado. Na verdade, tudo se deve à falta de inspiração. E a falta de inspiração tem na raiz a ausência de um estímulo.De qualquer maneira, também não disse bem. Nem tudo é falta de inspiração. Porque tenho trabalhado imenso.

 

Quando se trabalha muito não há tempo para muitas pausas. E eu escrevo normalmente nas pausas do trabalho. Embora, algumas vezes, também me ponha a encher o blog quando estou em casa. Mas é raro. Uma pessoa sai do trabalho um bocado alérgica aos computadores. Por isso, se quero entrar na net, só mexo no meu telefone. Ora, no telefone não dá muito jeito escrever posts do género daqueles que eu publico aqui.

 

Bem, vou trabalhar.

publicado por Cat2007 às 17:15
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