Abril 26 2013

 

Gostaria de escrever uma coisa sobre paixões do passado. Sobre como é bom não guardar mágoas delas. Não pensar “mas como é que eu me fui meter naquilo?”. Mas estou a emperrar. A princípio pensei que não conseguia porque estou assim. Devagar e titubeante. Nos pensamentos. Na organização das emoções. Mas agora vejo que talvez não seja isso. Eventualmente, não estou convencida a pensar corretamente. Sim. Ainda acredito na frase atrás dita. "Mas como é que eu me fui meter naquilo?". E isto não é bom. Para mim. Como é evidente.

 

publicado por Cat2007 às 17:57
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Abril 15 2013

 

 

Realmente as coisas que achamos dependem dos dias em que achamos as coisas. Disse eu que detesto fazer conversa. Mas hoje dei por mim a forçar a nota e a querer prolongar uma conversa sobre limões e os benefícios que ingeri-los pode trazer à saúde. Tirando o resto, não posso dizer que não me interessou a ideia de uma limonada. Há que tempos que não bebo uma limonada, caraças! No entanto, a questão tem a ver com a questão de querer ficar a falar sobre isso muito para além da ideia. Pois hoje convinha-me fazer passar um bocado o tempo. Assim, qualquer conversa à sombra de um limoeiro me servia bem e pouco me incomodava. Portanto, fazer conversa, ou essencialmente fazer passar o tempo, pode ser, senão útil, pelo menos muito conveniente.

 

publicado por Cat2007 às 18:07
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Abril 12 2013

 

 

Tenho imensas dificuldades em fazer conversa. Porque, em princípio, não sei o que dizer. O que na verdade me apetece é estar calada a observar. Era bom que me deixassem observar. Mas não. As pessoas não gostam de ser observadas. E talvez também não tenham vontade de observar. Por isso falam e falam. Quase sempre sobre coisas desinteressantes. O que acentua o meu esforço. E define o nível de interesse que cada um tem pelos outros.

 

Dantes eu sofria do terror dos silêncios nestas circunstâncias. Por isso enchia-me de uma espécie de energia de reserva para falar e falar. Era capaz de agendar na minha cabeça um número razoável de assuntos para “puxar” de acordo com o tempo que a coisa deveria durar. E assim, na maior parte do tempo, quem falava era eu. Chegava a ser chata. E saia esgotada.

 

Agora não quero saber. Mantenho os assuntos enquanto os assuntos me mantêm a imaginação a funcionar. Ainda que em esforço. Na mesma. Mas depois até me posso calar e deixar emergir um silêncio. Paciência. Não sou só eu a ficar afetada. Noto que assim, no entanto, as pessoas me dão muito menos atenção.

 

publicado por Cat2007 às 17:54
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Abril 11 2013

 

Finalmente uma tarde de sol seguro. Nestas circunstâncias, o ânimo levanta e parece que tudo parece melhor. Há quem não se deixe afetar muito. Mas para mim aqueles intermináveis dias de chuva cinzenta e opaca foram uma agonia vivida a preto e branco.

 

Estou para aqui a escrever em hora de trabalho. É só um bocadinho. Aproveitar uma pausa depois da conclusão de uma tarefa bem feita. Sem pausas não é possível trabalhar com rendimento. E por falar em rendimento, seria interessante saber o quanto antes sobre as medidas que aí vêm depois do chumbo do Tribunal Constitucional. Só para sabermos com o que podemos contar. Ou como é que vamos passar a contar o dinheiro. Para já, não é possível fazer despesas no âmbito dos ministérios por conta de um despacho de Vitor Gaspar. Agora a Direção Geral Orçamento está entupido de pedidos feitos pelas diversas entidades. No mais, parece que está tudo aflito.

 

Eu por mim quero ver o jogo do Benfica hoje. Estou com aquela confiança. Mas mesmo que não estivesse e o Newcastle fosse um colosso do futebol à escala mundial, eu queria ver na mesma. Quero sempre ver o Benfica. Sei que é pobre mas o que me tem entretido ultimamente é o futebol encarnado e a novela brasileira do fim da noite na SIC. De resto, trabalho e vivo um tanto insegura.

 

A minha terapeuta diz que não há muito a fazer quando se perde um terapeuta de 10 anos e a mãe de toda a vida com poucos meses de distância. É verdade. Dá uma sensação de perda das duas asas. Embora eu, por acaso, sinta que perdi as duas pernas. Perdi ou magoei seriamente. Tanto que, quando ando, sinto alguns tremeliques. E isto é verdade.

 

Antes, talvez esteja com a tensão demasiado baixa, por outro lado. Ou alta. O que espero não seja muito provável. A verdade é que estou sempre um bocado cansada. E negativa. Quase catastrófica. Tudo vai correr mal. E depois o que vai correr mal corre bem ou muito bem. Não vou conseguir fazer isto ou aquilo. Por causa da tensão baixa e dos tremeliques nas pernas. E depois consigo fazer tudo o que é suposto. E bem. Devia achar-me uma grande coisa à conta destes feitos. Porém, a verdade não é essa. A verdade é o que eu disse. Tenho tremeliques e por vezes insónias à espera do pior que há-de vir.

 

Seja como for, espero não inspirar aquele tipo de sentimentos que se tem sempre pelos pobrezinhos e desvalidos. Pena e compreensão. Eu não mereço tanto. Porque sou pessoa com muito bom humor.

 

 

publicado por Cat2007 às 18:00
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Março 09 2013

 


O tempo tem estado uma merda. Hoje até não choveu daquela forma incessantemente cinzenta e encharcada dos últimos dias. Quando não há muito para dizer, diz-se que se fala do tempo. Não é verdade. Dizer do tempo é dizer alguma coisa. Falar com as pessoas, seja sobre o que for, é importante. Obriga à relação.

 

Estou farta de optar por ficar em casa porque sair é sempre desagradável. Hoje, apesar do sol, estava um vento estupidamente agressivo. E frio. O rio tinha imensa espuma. Havia um barquinho que parecia ir afundar a começar pela proa. Perguntei se a proa era a frente do barco. Faço sempre confusões deste estilo. Era a proa. Metia o nariz na água por causa das ondas. Relativamente pequenas mas incessantes que o abanavam de trás para a frente. O chão mole por  onde ia caminhando o barco era totalmente cinzento. Apesar de não haver nuvens. Não sei porquê.  Doía-me as costas de repente. E quis vir para casa descansar.

 

Tenho vontade de fazer dias de praia. Apanhar com o sol em cheio na cara e cerrar os olhos de impressão do excesso de luz que queima. Quero sentir o sabor do sal na boca. E caminhar cansada sobre a areia húmida da beira mar. 


publicado por Cat2007 às 22:42
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Março 04 2013

Alguém me disse que se sentia essencialmente apático. Sem saber explicar muito bem as causas, sendo que tinha razões sólidas e respeitáveis para estar triste e inseguro. As quais me expôs. Pensei que a tristeza e a insegurança tinham outra consequência. A angústia. Neste caso, a angústia no superlativo. Mas não. Neste caso é a apatia. Uma forma de estar quieto e afastado de tudo o que a vida tem para oferecer. As boas e as más ofertas.

 

Com efeito, a apatia é uma defesa do organismo. Um apático está física e mentalmente diminuído. E é por isso que se esconde. A tristeza e a insegurança devem ser de grau muito alto. Para além do superlativo. Senão não tinham causado danos tão elevados. Física e mentalmente diminuído é como se sente o apático que falou comigo sobre o assunto. Estou a sublinhar o estado. Um apático não está indiferente. Só muitíssimo cansado. Tanto, que já não sente a tristeza e muitas inseguranças lhe passam ao lado.

 

Quem está muito próximo do limite do cansaço físico e mental tem que ter cuidado. Tem que ficar apático. Porque, de outro modo, pode ceder. E ceder até pode ser partir para um outro estágio e não retornar. Não estou a falar de morte. Pode ser um esgotamento clínico. Pode ser o buraco. Ou um buraco qualquer. O organismo reconhece um buraco quando o vê ao longe. Por isso pára de caminhar. De ir na sua direção. Pára e fica exatamente onde está. Não muda de rumo. Nem volta para trás. Fica ali. Deitado. À espera. Que as forças retornem aos poucos. Testando devagarinho as pernas, os braços, a capacidade de atenção e a forma de respirar.

 

Acredito que um dia a apatia passa. Porque o descanso, a espera, vai dar frutos. Estou a contar com isso. Alguém me disse que se sentia essencialmente apático. O que eu não consigo acreditar que dure por demasiado tempo. Como se vê pelas razões expostas.

 

publicado por Cat2007 às 17:22
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Fevereiro 09 2013


Não percebo aquelas pessoas que dizem “digo-lhe com toda a franqueza” e “honestamente lhe digo”. Não sei. Parece assim à primeira vista que são mais francas e honestas do que o resto do mundo. E  dá também a ideia que estão a dizer aos outros “eu sei que não é habitual jogar-se este jogo mas comigo é assim. Franqueza e honestidade”. Uma agressão, portanto, e por um lado. E uma mentira óbvia,  por outro.  


publicado por Cat2007 às 19:26

Fevereiro 09 2013

 

Deixei de ser cool. Desde que a minha mãe morreu. Já não me acho. Grande coisa. O senso da mortalidade atigiu-me mesmo no meio. No core. E no coeur. 

publicado por Cat2007 às 18:58
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Fevereiro 09 2013

 



No outro dia contava à minha terapeuta que nao gosto de revelar os meus afetos a ninguém. Os afetos que sinto pelas pessoas por quem tenho afeto a sério. Por exemplo se o meu pai me telefonar para o emprego eu trato-o friamente. Não gosto que se perceba exatamente o que eu gosto do meu pai. E com o amor é igual. Trato o meu amor com distanciamento se me fala para sítios fora de casa. Claro que com estas coisas acabo por confundir toda a gente. Menos a mim. E isso é que importa.

 

Pois aqui o que importa é manter segredo. Porque é fundamental alimentar o personagem.  Em cada contexto eu sou um personagem. Não uma pessoa diferente de mim. Mas alguém que se dá apenas por partes. Verdadeiras. Mas por partes. Em casa sou como sou por inteiro. E é por isso que é fundamental estar em casa.


Enfim, continuo sem conseguir dar novidades a ninguém. E é por isso que este meu personagem aqui do blog anda tão calado. 



publicado por Cat2007 às 13:28
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Fevereiro 02 2013


Empatia é a disponibilidade para alcançar a dimensão dos outros. Significa estar disponível para perceber o outro. Já não sei onde é que li que isto nos faz muito bem e contribui muito para a nossa felicidade. No entanto, não tenho dúvidas de que sofro de défice de empatia. Por isso não aguentei mais de duas sessões de uma terapia de grupo que me foi sugerida mas que não era para mim.


Estava lá um Joaquim com quem consegui estabelecer logo uma relação de grande antipatia. O tipo estava sempre a lamentar-se porque nada na vida era como ele queria. Estava desempregado porque não aceitava qualquer emprego, rejeitando propostas, e não tinha namorada porque só aceitava mulheres do tipo Adriana Lima para cima. E claro, nunca tinha coragem de falar com elas. Depois ia para ali lamentar-se.


Pois eu disse logo ao médico que aquele Joaquim me irritava porque me parecia ser um “merdas”. E se ele julgava que eu ia agora partilhar as minhas fragilidades com um “merdas”, enganava-se. E pronto. Lá se acabaram as sessões de terapia de grupo para mim. Contudo,o médico disse-me que o Joaquim estava a sofrer. Tentei então ser empática à distância mas como se depreende deste texto, não resultou.


publicado por Cat2007 às 19:12
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"A minha frase favorita é a minha quando me sai bem"
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