CAFÉ EXPRESSO

Setembro 15 2007

 

  

Toda a gente quer sair do anonimato desde que o ser humano abandonou o nomadismo e as tribos viraram cidades cheias de complexidades. As aldeias hoje perdidas ao largo das autoestradas cortantes previamente expropriatórias, não contam. Actualmente ninguém conhece ou quer conhecer o vizinho do andar de cima. Hoje toda a gente quer ser conhecido por mais alguém para além do pai e da mãe. Para além da família nuclear, melhor dizendo. Enfim, do pai e da mãe, como disse.

 

Vivemos na era da democracia, o que, em termos simples, significa que este é o período histórico do "Zé Ninguém". Trata-se do melhor sistema de entre os piores possíveis. Assim o aceitamos humildemente, lembrando com vagos tremores  as exaltações executórias de indole também circense como as crucificações, os enforcamentos, as decapitações, as purificações na fogueira  ou, assim mais recentemente, a frescura ambiental ali da prisão de Caxias. E, no entanto, continuamos, como continuaremos, infelizes.

 

Em tempos fui assessora de imprensa. Um nome pomposo para algo que não quer dizer mais nada, para além de que conhecia muitos jornalistas especializados (creio eu) na área das atribuições e competências específicas onde o meu trabalho pairava.
 
Havia lá um senhor na baiuca (onde eu assessorava para a imprensa, portanto) que estava permanentemente em bicos de pés. Primeiro achei que a frustração dele era nunca ter sido admitido na Companhia Nacional de Bailado. Depois, vendo melhor a coisa, veio-me à cabeça que o seu sonho poderia ter sido em tempos o próprio Bolshoi, dado ter mencionado uma vez o nome de Dostoievsky (que, embora fosse apenas escritor, sempre era Russo. Aliás, claramente Ucraniano, mas isso não vem agora ao caso).

 

Afinal, o homem só queria aparecer na televisão, o que conseguiu por diversas vezes. E daqui não veio nenhum mal ao mundo. Mas bem é que não trouxe também e tudo o que se faz na vida deve ser por bem ou por mérito. Mas o problema principal  residiu sempre na postura. Sempre em bicos de pés. Um tanto ridículo, não?
 
Eu própria apareci na televisão em Setembro de 2000. Tive um acidente brutal de carro, mas que parecia de mota, dados os danos físicos, e toda a gente que estava a ver as notícias achou que eu estava morta. Ainda bem que os meus pais, pessoas para quem eu sou conhecida, já se tinham ido deitar.  Como se pode verificar, eu não estava em bicos de pés para aparecer na televisão. Encontrava-me previamente ao volante de um automóvel que deixou de ter este nome e passou a ser designado por salvado. Pronto.
publicado por Cat2007 às 11:01
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