CAFÉ EXPRESSO

Maio 29 2007

 

Tenho tantas coisas! Os meninos (entendam-se incluídas as meninas, evidentemente) querem sempre ter muitas coisas. Quando eu era pequenina, queria ter muitas coisas.

 

Mas isso foi só a partir de uma certa idade. A partir do momento em que entrei na adolescência da infância. Enquanto fui muito pequenina, naquela fase da infância da infância, não me preocupava  nada com palavras que contêm sentidos específicos como: quantidade, moderno, apelativo, tecnologicamente perfeito, dinâmico, dinheiro; ou com frases consolidadamente intencionais de certa espécie, tais como: eu tenho e tu não tens, o meu é melhor que o teu, tenho um problema grave, preciso de dinheiro, vou ligar para a Cofidis.

 

São exemplos de coisas com as quais não me preocupava. Apenas alguns. De facto, tenho a certeza que não me preocupava com nada... ou, eventualmente, a fome e o sono me perturbassem. Mas isso não era uma preocupação minha. Era um problema dos meus pais porque eram (ainda são) pais.

 

Sobre o legitimo questionar acerca da questão da memória infantil, ou seja, sobre a vontade de saber porque processos pode uma adulta lembrar-se dos seus desejos por coisas, durante o período da infância da sua infância, é de esclarecer que tais coisas não são passíveis de ser lembradas. Não me lembro, portanto. Mas sei.

 

Desde o Manel e do Miguel que sei. Desde que soube da história deles. O Manel e o Miguel são dois meninos que não são reais, segundo o conceito comum de vida. Fazem parte deste conto. Aqui vivem.

 

Revelo a minha imodéstia verdadeira e afirmo que sei escrever ficções. Era uma vez...

 

Uma mulher chamada Tereza que desejava ter filhos. Não se pode dizer que dentro de si vivia um desejo maior do que o desejo de outrém. Porém, também não era menor. Era um  desejo são, sereno, equilibrado, que foi crescendo de acordo com o seu próprio processo de maturação pessoal. Numa palavra, era um desejo Natural. 

 

Por causa das razões da vida, o seu desejo, embora sempre latente, foi sendo contornado, abafado, secundarizado ou esquecido. Teresa tinha os seus motivos. Estes motivos interessam para esta estória. Mas não posso contá-los. Teresa está viva dentro deste conto. Poderia não gostar. É muito importante respeitarmos esta mulher que desejava ter filhos.

 

Seja como for, certo dia, uma energia extraordinária veio trazida pelo o vento morno de uma tarde e transformou o desejo em sonho e o sonho em realidade. Tereza recebeu o Manel e o Miguel. Sem dores de parto,  mas com muitas complicações, anteriores e posteriores.

 

Confusa ainda hoje, Tereza suspeita  que foi por magia que tudo isto aconteceu.

 

Quando eles ainda estavam dentro da barriga, e já depois de lhes ter escolhido os nomes, Tereza esteve a pontos de os deixar. O fluxo mágico que lhe os anunciava, também lhe dava o sinal contrário. Tereza ia ser mãe, mas talvez nunca o chegasse a ser. Esta linguagem das fadas, de conteúdo contraditório emocionalmente violento, agitava-a. Agitava-a tanto, que ela não se conseguia mexer. Inerte pela força da esperança, Tereza deixou-se ficar à espera do melhor que, sabia bem, não viria a absorver.

 

Quando nasceram, eram como dois pequenos pintos amarelos diferentes um do outro. Todos os pintainhos parecem iguais. Mas isso não é verdade. Cada um nasce do seu ovo. Logo por aí começam a ser diferentes. Porém, não importa o ovo em si. Mesmo que não houvesse outro e que  todos os pintainhos do mundo tivessem que nascer do mesmo, mesmo assim, cada um seria diferente dos demais. Porquê? Ora, por razões de integridade fisica e emocional que as fadas inventaram para se aplicarem na Natureza. É apenas por isto. Não há mistério.

 

O Manel e o Miguel nasceram no mesmo dia, o primeiro um minuto depois do segundo. Têm portanto, a mesma idade. Mas o Manel é mais alto e mais forte.

 

 Tereza pensa que sim. Que é assim, pois, a partir de dada altura, nuncas mais os viu. Despediu-se deles aos abraços  numa tarde de Inverno com sol no jardim. Até ao dia deste dia, o Manel era fisicamente mais forte e desenvolto, embora, talvez, já não fosse mais alto.

 

A mãe encontrou os filhos na rua por acaso. Estavam a passear com as senhoras que tomavam conta deles. Nem dois anos tinham. Como o encontro foi por acaso, abraçaram-se os três cheios de alegria hipermetrofica. Tereza acabou por se despedir deles com beijos esmagados nas bochechas e foi para casa. Os bebés ainda ficaram, com as senhoras que tomavam conta deles, a brincar mais um bocadinho no jardim.

 

O que aconteceu entre um momento e outro é muito importante. É quase tudo o que Tereza tem para lembrar. Foi meia hora de vida de que restam sons e imagens impressivos de um tipo de dor comovente. Este espaço de tempo na vida é mais importante do que todos os outros que ficaram para trás. Apenas pela estúpida razão de ter sido o último. Realmente, as coisas que definem e rematam situações, as situações finais das situações nas vidas, têm mais potencial de serem lembradas do que quaisquer outras. Tereza sente assim.

 

Depois dos sorrisos humidos, esmagados e cheios de odores, o Manel decidiu correr com toda a energia que tinha. O mais rápido que podia. Foi o que fez. Correu por onde quis com a carteza absoluta de que Tereza viria também. Não para o impedir. Nunca. Não para o ajudar. Não seria, de certeza, preciso.  A mãe confiava nas capacidades dele. Ela vinha para o apoiar ou ensinar. Era assim desde que nascera. Ela sempre lhe dissera a sorrir que ele era um bebé "todo fabuloso!". E o Manel acreditava muito no que a mãe lhe dizia. É que, alémde tudo, ela nunca lhe mentiu, provando, em cada acto, tudo o que lhe dizia. Por isso o Manel era um menino corajoso.

 

Certa vez, ele subiu para cima de um móvel com quase o dobro da sua altura. Fê-lo sózinho, num daqueles momentos imprevisíveis para qualquer amor atento. Quando Tereza o viu, em pé, triunfante, cheio de confiança, em perigo de vida, ficou sem coração prestável. Ele olhou-a a sorrir, esperando pela habitual aprovação. Era um acto de superação, afinal! Ela, apesar do medo dorido, sorriu, superando-se também. Deu-lhe os parabéns por ser tão capaz e beijou-o. O Manel não sabia descer do móvel. Só era capaz de subir, por isso ficou ali à espera que a mãe viesse para o ensinar a descer. Assim aconteceu. 

 

No último encontro, corria pelo jardim em direcção a um muro, que desejava descer, para depois subir uma escada próxima, com cerca de 10 degraus. Ainda não tinha dois anos, nem falava. Fizeram tudo isso juntos.

 

A partir da primeira tentativa, ele cresceu ainda mais e lancou-se nas seguintes. De cada vez mais seguro, de cada vez mais confiante. Com a força, os passos e o equilíbrio de cada vez mais sólidos.

 

Ouviu-se, então,  ao longe, o gemido do Miguel. Num relançe, Tereza compreendeu-o e foi buscá-lo. Tinham que fazer os dois (mãe e filho) aquele exercíco também. O Miguel não se estimulava muito com a actividade fisica em si mesma. Não via nela as mesmas potencialidades de superação pessoal que o irmão, com naturalidade, explorava.. Por isso não os acompanhara inicialmente naquela corrida desenfreada e naquele jogo diferente.

 

O Miguel precisava muito de observar. De compreender. Demorava o seu tempo a tomar decisões. Chamou Tereza apenas no instante em que viu o significado correcto de tudo aquilo. Correu desajeitadamente, desceu trémulo o muro e subiu as escadas com fraqueza muscular. Fez o percurso algumas vezes. E cedo ficou cansado. A partilha e a superação estavam concluídas. Bastava-lhe isso porque era disso que necessitva.

 

Desde muito cedo, quase desde o dia em que vieram da maternidade, que costumavam dançar os três. A mãe colocava-os, um de cada vez, colados à barriga e ao peito, dentro de um daqueles coletes marsupiais, e punha música a tocar. Ouviram muitas vezes a Mariza, olhos nos olhos, e a sorrir devagarinho. Eles adormeciam

 

Segundo a opinião generalizada não expressa, o Miguel não era muito bonito. Era totalmente careca, tinha um narizinho grande para bebé e uma orelhas como pequenas couves. Pensava-se que não era tão bonito como o Manel. Generalizadamente, davam-lhe menos atenção. Também ajudava à sua generalizada quase-ostracização o facto de ele chorar menos e gostar mais de observar os objectos. Gostava de os ter nas mãzinhas seguras, que os revolviam concentradamente.

 

Por tudo, isto Tereza começou a pegar-lhe ao colo e a cantar-lhe baixinho ao ouvido, para os outros não ouvirem muito bem, aquela música: "it´s not easy being green" e começou a chamar-lhe ternamente "sapinho". 

 

O Miguel tem um cabelo liso muito brilhante cor de avelã, uns olhos belos e por motivos totalmente desconhecidos, presos a um sentido lógico ainda não descoberto,  sabe fazer pose de "galã". Dorme muito bem. Deita-se cedo e acorda cedo. Ele a mãe andavam a tentar conhecer-se através dos actos de amor de todos os dias. Ambos têm muito em comum a sinceridade nos afectos e um mau feitio intermitente. Para além da cor dos cabelos.

 

O Manel tem uns olhos quase asiáticos e o cabelo escurissimo ondulado. Gosta de adormecer tarde e de ficar na cama de manhã. Pensa-se que poderá vir a ser um notívago. Durante o sono agita-se tanto, que muda de posição inumeras vezes. É muito sensível às impressões que o colhem diariamente. Costuma acordar com a cabeça virada para os pés da cama. Em tudo isto é igual a Tereza. Entre ambos sempre existiu uma comunicação silenciosa muito eficaz e, portanto, um entendimento profundo.

 

Beber do copo de Tereza era das  coisas que os bebés mais gostavam de fazer. Ela ensinou-os a gostar de chocolate. A mãe recorda-os permanentemente em duas imagens:

 

O Miguel, à porta do quarto, com a sua pose de "galã" adulto de um ano e meio, em cueiros, pernitas magras, de belos olhos ligeiramente encobertos pelas enormes pestanas, sorriso tímido, cabelo de avelã comprido, caído sobre a testa, pronto a correr-lhe inesperadamente para os braços.

 

O Manel, naquele dia no jardim, de olhos postos ao longe, atravessado por um raio de sol que nasceu certamente apenas para o envolver naquele momento em que suspirou profundamente de felicidade e disse para Tereza: "mamã!"

 

Tamém costuma ouvir muitas vezes uns gritinhos contentes de ansiedade,que apontam com as pontas dos dedinhos indicadores: "Naná! Naná!".  Porque os seus meninos ainda não sabiam falar, Tereza disse-lhe que era assim que ele se chamava: ao Nodi

 

Tereza partiu.

 

Levou-os dentro do peito. Julga que para sempre. Não os verá jamais porque, desde o primeiro momento, viu que lhos queriam tirar num acto em tudo semelhante ao "assalto por esticão". Magou-se profundamente e, por isso, deixando-se despojar,  foi para um canto, de onde só saia de vez em quando. Não lutou. Perdeu.

 

Tereza chora. E continuará.    

  

publicado por Cat2007 às 10:03
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Maio 20 2007

Ter má opinião das outras pessoas enquanto posição de princípio é péssimo. Para eu, para tu, para ele ou ela, para nós, para vós, para eles ou elas. É péssimo. 

 

De acordo com as melhores convicções, vícios , manias, inconsciências actuantes, do egoísmo puro, é péssimo ter má opinião generalizada do outro, dos outros. Atrapalha os movimentos. Impede o fluir natural da vida própria. Provoca angustia por virtude da dúvida e, até, do medo. Numa (ou mais do que uma) palavra é um veneno para a espontaneidade e uma barreira para o amor recebido porque dado (qualquer género de amor, embora o amor profundo seja de um só género e possa acontecer em qualquer contexto, sentido  por nós em relação a qualquer pessoa - basta excluir o desejo sexual  desta impressão para se compreender como é verdadeiro e único o amor sentido na alma, o que dá vida). Pensar mal das outras pessoas, enquanto ponto de partida para a vida do dia de hoje, abre à solidão o caminho para o nosso espírito. Quanto mais longe do outro, mais distante de mim. Não sei se alguém já disse isto. Pode ser. Não sei. Eu digo. O bom egoísta, ou o discípulo de Adam Smith, aquele que acredita na mão invisível, acredita igual e forçosamente na bondade última do egoísmo. Eu procuro o melhor para mim e, nessa busca, contribuo para o bem dos outros e de todos. De outra forma, o bom negócio é aquele que trás vantagens para ambas (ou todas, se forem mais que duas) partes envolvidas. O mau egoísta é estúpido.

 

Pensar mal dos outros sem dados objectivos, sem vivenciar a dor pungente de um murro nos queixos ou, pior, sem o sentido da  experimentada fina agudez de uma facada nas costas, não é também correcto nem justo. Atrapalha as forças de mercado na sua actividade Esta é uma das razões pelas quais não existe mercado em concorrência perfeita. Vejamos, então, as razões da razão: falta de informação; preconceito, desjustamento de interesses (também dos interesses próprios), ignorância das necessidades, desconfiança quanto ao valor das coisas e incertezas sobre o que se tem para dar em troca num mercado de trocas.


O medo é, eventualmente a grande causa.  A causa que antecede todas as oputras razões. O medo. Talvez, primeiramente o instinto de sobrevivência desfocado pelo medo. O medo é uma espécie de edificio macabro. Uma casa assombrada. Não sei. É uma ideia. O medo começa por nos colocar a questão de termos medo. Por medo não agimos. Por medo paramos de agir. Por medo ficamos em casa. Por medo saímos de casa para ficarmos parados na rua junto a uma esquina qualquer. Sem a dobrar. O medo dá medo do medo. A paragem de vida dá-se pelo medo do medo sem saber do que se tinha medo. É do medo.

 

Freeze,  FBI!!!! Congele, somos do FBI!!!!! Isto é capaz de dar medo. Porém, na sala de cinema, sente-se uma libertação quase orgástica. O bem sobre o mal. Vencerá aquele bem sobre aquele mal. A moral hollyodesca impera sobre nós. E nós? Nós ficamos com o cérebro freeze. Enfim, não é tanto congelado, é mais atulhado de ideias. É como se o cérebro cheio de ideias ficasse tão incapaz como um estômago a pedir banda gástrica. Porém, apeteceu-me continuar a falar em freeze, embora não goste especialmente da água (da Frize, pois).

  

De facto revela-se bem por ali, pelo que está escrito atrás, a vontade de me rir, de gozar, de criticar... o outro. Não importa quem ele seja. Assim sendo, com os outros. O meu coração está pior que uma Frize. Desfeito em água com gás de sabor a figo? O figo desfez-se em agua pela acção dos gases? É verdade, o Figo deve estar a acabar a carreira de jogador profissional. É uma pena. É uma pena envelhecer do ponto de vista de uma pessoa como eu. É que, pelos vistos, tenho uma má impressão generalizada da vida. O melhor será começar a pensar a sério em tomar conta desta menina pequenina que está aflita dentro de mim. Freeze!

publicado por Cat2007 às 20:53
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Maio 15 2007

 

 

Há uns dias eu era perfeita. Hoje sou um flop ou a imperfeição deprimente. Ainda bem que não sou a Flappy . A Flappy era um esquilinho fêmea. Não que não goste de esquilos. Na verdade, aqueles que aparecem nos desenhos animados são sempre criaturas com um ar muito terno. Porém, acho que não quero ser um esquilo fêmea dos desenhos animados, ou a Flappy . É assim. Gosto da vida difícil. Se fosse a Flappy tinha uma vida fácil. Rejeito. Mesmo que não fosse a Flappy, mas um outro esquilo qualquer, até um esquilo real, teria uma vida mais fácil.

 

Não quero. Não gosto, mas a minha vida é andar na luta. Tudo se passa entre mim e comigo mesma. Ou não teria este blog.

Pensei ser melhor do que sou em coisas que achava que tinha a  certeza que era.  Estou sempre a ser surpreendida. Sou perfeita onde não sei. Sou uma desilusão pessoal em campos onde não podia imaginar.

 

Pelos vistos 6 anos de terapia não representam mais do que a infância da arte de me perceber. Quantas décadas terei de lá andar? E sobreviveremos os dois ao tempo? Eu e o meu terapeuta? Podemos ambos morrer sem resolver absolutamente nada. Porque o tempo passa e ninguém é eterno. Mas, mesmo que tudo se resolva antes do fim, mas perto do fim. Que vantagens virão disso? Talvez a descoberta de alguma verdade.

 

 

Eu, de facto, não sei viver. E, também de facto, não se pode dizer que sou imatura e esta é a causa. Sou diferente. Isto é tão verdade como é certo que há diferenças entre todas e cada pessoa. De qualquer modo, eu noto que me comporto de um modo diferente. Sou diferente no meu comportamento, portanto. É o que posso justamente dizer sem me precipitar em fantasiosas percepções.

 

Na verdade, embora tenha pretensões, eu não conheço as pessoas. Com efeito, embora goste de pensar que sou melhor do que os outros, a verdade é que acredito em super poderes alheios. De todos os alheios. Cada pessoa tem super poderes . Menos eu. Eu sou humana e frágil. É por isso que sou diferente. Os outros são humanos e fortes. Por isso são melhores do que eu. E podem sempre superiorizar-se naquilo que quiserem. Receio isto.

 

 

Eu dou o flanco. Porque tenho flanco para dar. Os outros têm flancos, mas não dão. Os flancos dos outros não são para dar. São para proteger. São flancos melhores que os meus. Merecem ser protegidos, enquanto os meus não.

 

Eu acredito no erro e no pedido de perdão. Assumo os meus erros, os meus equívocos  e as minhas mentiras com candura, franqueza e frontalidade automáticas. Creio na redenção e na possibilidade de melhorar aprendendo. Acredito que os outros são melhores do que eu e estão aqui para me ensinar. Mostro o flanco para me verem as feridas, ou os castigos pelos males anteriormente praticados. Mostro o flanco para se ver o desenho das minhas costelas de criança. Espero protecção. Mostro o flanco porque não levo a minha pele tão a sério que considere que tenho que a esconder permanentemente. Exibo as cicatrizes doas meus defeitos, fraquezas e debilidades. Espero ver a humanidade nos outros.

 

Não vejo nada. Também sou cega.

 

publicado por Cat2007 às 01:58
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Maio 12 2007

 

Não sei se é novidade, mas eu ando a namorar imenso. Há uns dias fui apresentada pelo objecto do meu desejo a uma pessoa. Não estava à espera, mas tratava-se de alguém de grande classe, personalidade forte, presença física imponente, vivência profissional, a todos os níveis, invejável. Adorei esta senhora.  Concerteza. Como não gostar de alguém assim?

 

 

Mas há mais, mais qualquer coisa que esta pessoa tem que a maior parte não tem. Algo que é possível transmitir, mas é muito difícil. De qualquer modo, trata-se de uma energia. Uma energia muito positiva. Algo invisível que me atraiu e envolveu. Até parece que por ali existe um caminho. Força e certeza. Um pilar. Há pessoas que, mais ou menos regularmente, nos vão aspirando a fé como que por uma palhinha. Há outras, como a senhora de que falo, que nos imprimem ondas de vontade de viver e de aprender. De continuar a acreditar. Faço-lhe aqui todas as minhas homenagens. É, no entanto, pouco. 

 

Na nossa conversa ela disse-me que não esperava que eu fosse assim. Assim como? Assim como é! Tinha construída uma imagem de alguém de quem apenas tinha ouvido falar com amor. Ela imaginava que eu tinha umas mãos pequeninas e uns pés atrofiados. Julgava, ainda, que eu era gordíssima . Sobre a minha personalidade, não sei muito bem o que pensava esta senhora.

 

Para o que importa, no entanto, é o que lhe aconteceu depois. Ela disse-o. Ao meu amor. Disse. Ela é perfeita!

 

Eu sou perfeita! Creio que mental, física e emocionalmente. Apenas tenho algumas poucas inseguranças incompreensíveis, que devem ter residência fixa muito lá para trás no meu passado.

 

Aquela senhora disse isto de mim! Não compreendo. Apenas compreendi que ela gostou de mim e disse-lho. Acho que gosta de mim. Mais nada. Não imaginava que ela me achava perfeita para o meu amor. Porque ela gosta muito do meu amor (com razão).

 

Reconheco em mim algum poder de um modo sentido. Sei, assim,  que tenho. Mas não sei para que serve. Nem, sequer, o sei classificar. Que tipo de poder. Que forma de poder. Que cor de poder. Que efeitos tem o meu poder. Não sei nada disto. Sei só que o sinto na alma. Vem-me da alma. E dá-lhe luz.. É um poder que me esmaga a mim própria. Compreende-se. Eu não precebo nada dele. Não o sei, portanto controlar. Usar. Talvez muita gente não goste de mim. Talvez muita gente desconfie de mim. Talvez muita gente se incomode comigo. Talvez muita gente se queira afastar. Talvez seja assim. Não é muito importante. Eu não desejo muita gente nas minhas envolvências. Basta-me esperar que quem vier venha e fazer. Depois, quem veio, pode partir. De vez ou ficar. Eu estou sempre aqui. Serei sempre a mesma que não sabe quem é.

 

Não. Não vejo nada de perfeito em mim. Vejo, pelo contrário, um sistema complexo perfeito composto de imperfeições elementares, que o são porque não se conjugam entre si. Por vezes o meu poder vê-se no tremor das mãos e ouve-se na ira que sai do meu peito.

 

publicado por Cat2007 às 13:53
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Maio 10 2007

 

Enfim, já estou ligada ao mundo outra vez. A placa está aqui. É muito bonita. Mas lenta. Não estou totalmente satisfeita. Porém, nunca estou totalmente satisfeita. Apenas muito satisfeita. Quase sempre.

 

A satisfação é um estado de espírito permanente que afecta qualquer ser humano. Apenas não é possível, as mais das vezes, e em âmbitos práticos, reconhecer esta evidência.

 

Estou satisfeita porque estou viva e não tenho nenhum problema incontornável com que conviver. A satisfação lato sensu é o pano de fundo de todos os dinamizadores emocionais. Dos mais potentes, aos mais débeis. Há momentos de insatisfação, os quais são passageiros. Na verdade, estes sediam-se em factos presentes de dimensão e impacto variáveis. As suas marcas (destes factos), mesmo que em alguns (poucos) casos sejam perenes não conseguem ser indeléveis. É por causa da síntese: Nós, o tempo e os factos. Logo, a mudança.

 

Gostava de ser uma pessoa de alta moral e elevado sentido ético. Como é evidente, não sou uma coisa nem outra. Apenas tenho pretensões, sendo, por isso, pretensiosa . Disse que é evidente porque é evidente que ninguém é, embora existam níveis. Ou seja, uns são mais outros menos. Morais e éticos, quero dizer.

 

 

O meu problema está no nível. Tenho ética e tenho moral. Porém, não as desejadas. É muito incómodo pensar assim. Aliás, é por ser assim que, logo no início afirmei que nunca estou totalmente satisfeita. Apenas muito satisfeita. Mas, entenda-se bem, não estou muito satisfeita por considerar ter um bom nível moral e excelente estatura ética. Não. Estou satisfeita por estar viva. Como disse. Porque os problemas são factos que passam.

 

Toda a gente compreende que, se deixarmos, a vida passa mais depressa do que os problemas que nos consomem. É por isso que nos temos que deixar consumir em pouco tempo. Dar intensidade aos problemas. Dotá-los com um sistema digestivo potente.  Aperfeiçoemos  a nossa máquina pessoal de criar e deglutir problemas. A máquina antropofágica. Vamos programá-la assim.

                                                                                     

 Há uns dias li um artigo sobre ética. Dele, entre outros elementos,  constavam 20 ou 30 dilemas éticos com as respostas eticamente correctas. Respondi erradamente a várias. Ainda estou indignada comigo por isso. Ando a punir-me em segredo. E, no entanto, severamente.

 

Por muito que me envergonhe, confesso: eu aproveitaria alegremente a internet do vizinho para poder navegar de graça. Ao que parece isto é possível (desconhecia!). O vizinho na casa dele e eu na minha. Ele paga e eu não. O único inconveniente é que o homem ficaria com a ligação um nadinha mais lenta. Pelo amor de Deus! Com base no principio universal que postula "não faças aos outros o que não desejas que te façam a ti", eu reafirmo, usaria a internet do vizinho, sim senhor. No entanto, é como disse, isto é antitético . Soube-o pelo aludido artigo. Logo, ando a autoflagelar-me . Comprei até um silício para aplicar na perna direita todos os dias de manhã, durante, pelo menos, meia hora. E não tenho nenhum vizinho que me disponibilize a internet dele de graça sem saber. Nem quero imaginar o que me faria se tivesse.

 

Enfim, mas estas palavras singelas trouxeram apenas e só o também singelo propósito de festejar o grande acontecimento: JÁ TENHO INTERNET!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

 

 

  ... e sou eu que pago.

 

 

publicado por Cat2007 às 18:53
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