CAFÉ EXPRESSO

Maio 25 2008

 

Pior do que a raiva, a indignação, a frustração ou outros produtos similares é o tédio. Porque o tédio é o fim da linha. O fim da acção. O tédio manifesta-se através do bocejo. Mesmo que não se boceje. Basta virar a cara para o lado. Dormir antes de bocejar. Pensar noutras coisas. Em futebol, por exemplo.

 

Estou convencida que a esmagadora maioria dos apaixonados pelo futebol são entediados. E quanto mais entediados estão em relação à vida, mais apaixonados se sentem pelo jogo. O futebol, como a musica ou o cinema, por exemplo, deveria ser mais uma forma de ocupação dos tempos livres. Mas, antes pelo contrário, o futebol é muito mais importante do que a namorada, o filho, o emprego, o país e o mundo.

 

Não é por acaso que os mais fervorosos adeptos de futebol são, em termos genéricos, de dois tipos: uns têm maus dentes, usam bigode (coisa que já só se admite nos países do médio oriente) e cheiram mal (o que se percebe perfeitamente através das imagens televisivas); outros usam a cabeça rapada, exibem tatuagens, berram em coro e transportam gigantescos lençois coloridos. Quanto a estes, não se sabe se andam todos armados, mas, admite-se essa possibilidade. Além do óbvio, e do facto de evidenciarem um mau domínio da língua, o que também une os géneros descritos são os hábitos de alimentação. Vão todos comer e beber às rulotes estacionadas junto aos estádios em dia de jogo. Penso que quando se chega a um ponto destes é difícil descer mais.

 

No decurso do Jornal da noite, a TVI promoveu um debate entre os quatro candidatos à liderança do PSD. Dado o interesse que três dos quatro suscitam na opinião pública, é evidente que todos queremos que a Manuela Ferreira Leite ganhe as eleições do partido. Digo isto sem simpatias políticas de nenhuma espécie. Não tenho simpatias políticas.

 

Portanto, dispensavam-se os cometários finais do Vasco Pulido Valente a dizer que a Drª Ferreira Leite ganhou o debate. Para começar, o Vasco Pulido Valente tem imensa dificuldade em respirar e parece que, a todo o momento, vai cair para o chão fulminado por um ataque cardíaco. Também sou fumadora. Não sei se os problemas dele vêm daí. Mas quase decido que é desta que vou parar com o vício. Só de o ver. De resto, desconfiar da sensibilidade e inteligência das pessoas deste modo tão desavergonhado dá vontade de bocejar. E pensar em... futebol. Por mim, fui logo ver se havia novidades sobre o novo treinador do Benfica.

 

Desconfio  que o resultado do Campenato Europeu de Futebol pode influenciar decisivamente as próxima eleições legislativas, se Portugal for campeão da Europa. Pátria, futebol, Governo. Tudo elementos de um só corpo. De um corpo sem cérebro, mas com cabeça. Cabeça para o boné da selecção e... para o bigode, claro!

 

 

 

 

publicado por Cat2007 às 14:32
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Maio 17 2008

 

Penso que faz sentido dar a minha opinião sobre o "Acordo Ortográfico". Tive necessidade de uma base informativa de apoio. Achei que o "Estado de São Paulo" seria uma boa fonte.  Acrescentarei o meu pequenino apontamento pessoal. Como disse, quero dar a minha opinião. No entanto, decidi usar um artigo de  Eduardo Prado Coelho sobre outra questão. Este, com as necessárias adaptações reflecte exactamente o que penso sobre o "Acordo Ortográfico". 

 

Assim, o texto em azul corresponde à notícia do jornal brasileiro. A reflexão do, recentemente falecido, Eduardo Prado Coelho é transcrita a verde. O meu ponto de vista vem na cor do costume. Comecemos.

 

Se fosse possível estar mais a favor do "Acordo Ortográfico", eu não poderia estar mais! A língua é NOSSA! Exactamente NOSSA! De todos os que falam português.

 

Se não queremos um acordo sobre a língua, então que os países de língua oficial portuguesa não falem português. Que falem como falam e que escrevam como escrevem. Em português, mas não lhe dêem esse nome. Chamem-lhe brasileiro ou angolano. Eles que arranjem outra língua oficial. E façam com que o mundo esqueça o português. Porque a língua é nossa e só nossa. E não deles. Eles não têm quaisquer direitos sobre a língua. E nós temos muito orgulho em pensar deste modo medíocre e egoísta.

 

Só Camões tem direito sobre o português porque, como nós concedemos, "o português é a língua de Camões", que está morto vais para alguns séculos. Camões  nunca pôde imaginar uma coisa destas em vida. Enquanto vivo, só imaginou que lhe poderia suceder o pior.  É deste género o nosso tipo de generosidade.

 

O acordo ortográfico é o pouco de alguma coisa que resta.  Tem a ver com a importância que ainda nos é conferida hoje pelo que fizemos no mundo na época dos nossos longínquos "Descobrimentos". Depois de séculos de pura mediocridade, eu também concordo que a língua portuguesa é o maior património que Portugal tem no mundo. E pelos nossos méritos actuais, talvez já nem o devêssemos ter.

 

 

Eduardo Prado Coelho -  in Público


A crença geral anterior era de que Santana Lopes  não servia, bem como Cavaco, Durão e Guterres.  Agora dizemos que Sócrates não serve.  E o que vier depois de Sócrates também não servirá para nada.  Por isso começo a suspeitar que o problema não  está no trapalhão que foi Santana Lopes ou na  farsa que é o Sócrates.


O problema está em nós. Nós como povo.  Nós como matéria prima de um país.

Porque pertenço a um país onde a ESPERTEZA é a moeda sempre valorizada, tanto ou mais do  que o euro.  Um país onde ficar rico da noite para o dia é uma  virtude mais apreciada do que formar uma família  baseada em valores e respeito aos demais.

 

Pertenço a um país onde, lamentavelmente, os  jornais jamais poderão ser vendidos como em  outros países, isto é, pondo umas caixas nos  passeios onde se paga por um só jornal  E SE TIRA UM SÓ JORNAL, DEIXANDO-SE  OS DEMAIS ONDE ESTÃO.

 

Pertenço ao país onde as EMPRESAS PRIVADAS  são fornecedoras particulares dos seus empregados  pouco honestos, que levam para casa, como se  fosse correcto, folhas de papel, lápis, canetas, clips  e tudo o que possa ser útil para os trabalhos de  escola dos filhos...e para eles mesmos.

 

Pertenço a um país onde as pessoas se sentem  espertas porque conseguiram comprar um  descodificador falso da TV Cabo, onde se frauda  a declaração de IRS para  não pagar ou  pagar menos impostos.

 

Pertenço a um país onde a falta de pontualidade é um hábito;
- Onde os directores das empresas não  valorizam o capital humano.
- Onde há pouco interesse pela ecologia, onde as  pessoas atiram lixo nas ruas e, depois, reclamam  do governo por não limpar os esgotos.
- Onde pessoas se queixam que a luz e a água são  serviços caros.
- Onde não existe a cultura pela leitura (onde os  nossos jovens dizem que é "muito chato ter
que ler") e não há consciência nem memória  política, histórica nem económica.
- Onde os nossos políticos trabalham dois dias por semana para aprovar projectos e leis que só servem para caçar ospobres, arreliar a classe  média e beneficiar alguns.

 

Pertenço a um país onde as cartas de condução  e as declarações médicas podem ser "compradas",  sem se fazer qualquer exame.
- Um país onde uma pessoa de idade avançada,  ou uma mulher com uma criança nos braços,  ou um inválido, fica em pé no autocarro,  enquanto a pessoa que está sentada finge que dorme para não lhe dar o lugar.
- Um país no qual a prioridade de passagem é  para o carro e não para o peão.
- Um país onde fazemos muitas coisas erradas,  mas estamos sempre a criticar os nossos
governantes.


- Quanto mais analiso os defeitos de Santana Lopes e de Sócrates, melhor me  sinto como
pessoa, apesar de que ainda ontem corrompi  um guarda de trânsito para não ser multado.
- Quanto mais digo o quanto o Cavaco é  culpado, melhor sou eu como português,
apesar de que ainda hoje pela manhã explorei  um cliente que confiava em mim, o que me
ajudou a pagar algumas dívidas.

 

Não. Não. Não. Já basta. Como "matéria prima" de um país, temos  muitas coisas boas, mas falta muito para  sermos os homens e as mulheres que o nosso país precisa.  Esses defeitos, essa "CHICO-ESPERTERTICE PORTUGUESA" congénita, essa desonestidade  em pequena escala, que depois cresce e evolui  até se converter em casos escandalosos na política, essa falta de qualidade humana, mais  do que Santana, Guterres, Cavaco ou Sócrates,  é que é real e honestamente má, porque todos  eles são portugueses como nós, ELEITOS POR  NÓS. Nascidos aqui, não noutra parte...

 

Fico triste.  Porque, ainda que Sócrates se fosse embora hoje,  o próximo que o suceder terá que continuar a trabalhar com a mesma matéria prima defeituosa que, como povo, somos nós mesmos. E não poderá fazer nada...


Não tenho nenhuma garantia de que alguém possa fazer melhor, mas enquanto alguém não  sinalizar um caminho destinado a erradicar primeiro os vícios que temos como povo,  ninguém servirá. Nem serviu Santana, nem  serviu Guterres, não serviu Cavaco, nem serve
Sócrates e nem servirá o que vier.

 

Qual é a alternativa? 

 

Precisamos de mais um ditador, para que nos  faça cumprir a lei com a força e por meio do
terror?


Aqui faz falta outra coisa. E enquanto essa  "outra coisa" não comece a surgir de baixo  para cima, ou de cima para baixo, ou do centro  para os lados, ou como queiram, seguiremos igualmente condenados, igualmente  estancados....igualmente abusados! É muito bom ser português. Mas quando essa  portugalidade autóctone começa a ser um empecilho às nossas possibilidades de desenvolvimento como Nação, então tudo  muda... Não esperemos acender uma vela a todos os santos, a ver se nos mandam  um messias.

 

Nós temos que mudar. Um novo governante com os mesmos portugueses nada poderá fazer. Está muito claro... Somos nós que temos que mudar.


Sim, creio que isto encaixa muito bem em  tudo o que anda a acontecer-nos: Desculpamos a mediocridade de programas de  televisão nefastos e, francamente, tolerantes com o fracasso.

 

É a indústria da desculpa e da estupidez. Agora, depois desta mensagem,francamente,  decidi procurar o responsável, não para o  castigar, mas para lhe exigir (sim, exigir)  que melhore o seu comportamento e que não se faça de mouco, de desentendido.

 

Sim, decidi procurar o responsável e ESTOU SEGURO DE QUE O  ENCONTRAREI QUANDO ME OLHAR  NO ESPELHO. AÍ ESTÁ. NÃO PRECISO PROCURÁ-LO NOUTRO LADO.

 

E você, o que pensa?.... MEDITE!

 

EDUARDO PRADO COELHO

 

 

As pessoas que falam português, para além dos portugueses, são milhões e milhões. Se, por absurdo, esvaziassem a cidade de São Paulo, no Brasil, e nos metessem a todos lá dentro, a qualidade de vida ´local subia em flecha porque a população reduzia quase a metade.

 

 

 

 

Portugal aceita unificação ortográfica

 

 Só três deputados votaram contra tratado de uniformização; Angola e Moçambique relutam em ratificar acordo

 

Jair Rattner e Alexandre Gonçalves

 

 

Portugal aprovou ontem o acordo que unifica a ortografia em todos os países de língua portuguesa. Segundo decisão do parlamento português, as mudanças deverão entrar em vigor dentro de seis anos.

Apesar dos protestos de intelectuais e políticos promovidos nas últimas semanas, apenas 3 dos 230 parlamentares votaram contra. A principal crítica ao acordo, levantada pelo partido Centro Democrático Social (CDS), é que ele representa uma concessão aos “interesses brasileiros”. “A língua portuguesa é o maior patrimônio que Portugal tem no mundo”, afirmou o deputado Mota Soares.

 

Uma das iniciativas que geraram maior mobilização foi um abaixo-assinado na internet, iniciado no dia 2 de maio, que recolheu mais de 35 mil assinaturas. Mas dois deputados que encabeçaram a petição na internet contra o acordo - Zita Seabra e Vasco Graça Moura - não estavam no plenário na hora da votação. Zita alegou que, como é editora, havia conflito de interesses.

 

O QUE MUDA

Segundo o acordo - assinado em Lisboa em 1990 e já ratificado pelo Brasil e outros dois países de língua portuguesa -, a norma escrita em Portugal terá 1,42% das suas palavras modificadas. No Brasil apenas 0,43% das palavras mudam.

Para os portugueses, caem as letras não pronunciadas, como o “c” em “acto” e “director”, o “p” em “Egipto” e “óptimo”, o acento que distingue o pretérito perfeito do presente (em Portugal escreve-se “levámos”, no passado, e “levamos”, no presente). A utilização do hífen também será uniformizada (mais informações nesta página).

Apesar do acordo, continuará a haver diferenças no português dos dois lados do Atlântico. Os portugueses vão continuar a escrever “António” e “género” com acento agudo, enquanto no Brasil fica o circunflexo. Também vão manter o “c” em “facto”, porque “fato” em Portugal é roupa - e tiram o “p” que não pronunciam na palavra “recepção”.

NEGÓCIOS

A presidente da Câmara Brasileira de Livros (CBL), Rosely Boschini, recebeu bem a decisão do parlamento português. “A unificação da escrita vai fortalecer a língua portuguesa”, afirma. “Além disso, abrirá um novo mercado para as editoras brasileiras.” Questionada sobre o potencial risco que as empresas portuguesas podem representar para o mercado de livros no Brasil, Rosely aposta na produção editoral do País. “Nossas editoras estão bem evoluídas. A concorrência vai ser difícil para os portugueses aqui.”

Sérgio Molina, editor e tradutor da Editora 34, lembra que o acordo pode abrir a África para os brasileiros. “Até agora, (os países africanos) são como uma reserva de mercado de Portugal, pois adotam a mesma ortografia. Com a padronização, as editoras brasileiras, especialmente as maiores, terão mais facilidade para entrar lá”, afirma.

Mesmo assim, Molina lembra que o “maior abismo” entre o português do Brasil e o de Portugal não é a ortografia, mas “a gíria, o fraseado, o léxico”. “Não vamos vender traduções de literatura inglesa para os portugueses, por exemplo”, avalia.

DIDÁTICOS

O diretor presidente da Associação Brasileira de Editores de Livros, Jorge Yunes, considera positiva a aprovação do acordo pelo parlamento português, mas ainda é cético quanto aos impactos comerciais da medida para os livros didáticos. “O currículo escolar é muito diferente de um país para outro. Seria necessário uma unificação curricular para que entrássemos em outros mercados”, aponta. “Quanto aos outros livros, precisaremos de grande capacidade comercial, porque as editoras portuguesas também são muito boas.”

Em Portugal, esta semana saíram os dois primeiros dicionários portugueses que já incluem modificações previstas. “Tínhamos certeza de que o acordo seria aprovado”, diz Paulo Gonçalves, porta-voz da Porto Editora. Mas Gonçalves chama a atenção para a resistência dos dois maiores países africanos de língua portuguesa às mudanças: “Há sinais evidentes de que por parte de Moçambique e Angola o acordo ortográfico não vai ser bem acolhido pelas autoridades.”

Ainda em sua avaliação, o acordo não aproxima o português falado em Portugal do falado no Brasil. “Tenho dúvidas de que vá levar a uma aproximação.”

No Brasil, o acordo deve entrar em vigor já em 2009 - só depende da assinatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O Ministério da Educação enviará a Lula nos próximos dias minuta de decreto com essa previsão.

 

 

 

publicado por Cat2007 às 12:42
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Maio 13 2008

 

 

Acabei de ler o último parágrafo do post anterior. Aquela coisa do "e tal". Daí surgiu-me esta ideia de escrever com o mínimo esforço possível. Escrever assim como quem fala. Mas não só. Escrever como quem  fala o que não pensa. Não, não é como quem diz o que não pensa, embora pense. É, antes, escrever como quem diz o que pensa, mas pensa pouco, ou mal, ou nunca pensou no assunto. O melhor é começar para ver se me faço entender.

 

Sei lá! No outro dia vi na internet uma coisa sobre uma miss América de um dos estados que os americanos têm imensos. Ela fez um discurso sobre uma pergunta que lhe fizeram... bem! Nem dá para acreditar no que a mulher respondeu! Acho que era por causa dos mapas. Não me lembro bem, mas acho que há muitos americanos que não sabem bem onde fica a própria América. Sei lá! Acho que era uma coisa assim. Mas ela disse que eles deviam todos ter um mapa e que assim resolviam o problema. Até porque, sabendo onde ficava a América, já sabiam onde era o Iraque, e daí que o progresso era imenso porque o terrorismo acabava porque o mundo precisava de paz.

 

Eu não acho que as mulheres que vão a concursos de Misses sejam objectos sexuais ou candidatas a tanto, mas, não sei porquê, lembro-me agora que, no outro dia na praia um homem estava a masturbar-se para eu ver. Foi um nojo! Por causa da areia, claro! Depois uma pessoa anda lá com o pés descalços, e é muito chato! Mas eu fiquei a ver porque... sei lá! Se o homem estava a fazer aquilo publicamente! Não é? Agora, o que eu estranhei foi que ele não gostou que eu desatasse a rir. Quer dizer, eu ri-me e ele perdeu o entusiasmo. Foi estranhíssimo! De qualquer forma, tenho que dizer que o homem ainda se esforçou um bocado para continuar. Por mim, enquanto ele se esforçou, continuei sempre a olhar atentamente para ele. Não é todos os dias que uma pessoa tem oportunidade de ver alguém numa figura daquelas. E sem pagar bilhete! Não é? Depois, ele desistiu e foi ao mar lavar-se. Foi aí que pensei: "bem! Não volto a nadar nesta praia". Claro que "há mar e mar, há ir e voltar", que a água já não está suja, mas...sei lá, acho que é psicológico.

 

Ah! Pois esqueci-me de dizer porque via tão bem o homem. É que ele foi colocar-se num ponto estratégico. Entre mim e o mar. Ali mesmo á minha frente. Depois, quando voltou da água, resolveu ir para as minhas costas. Era para eu não ver. Não sei porquê. Mas uma amiga minha disse-me que ele continuou. De qualquer maneira, já não pude ver grande coisa porque, entretanto, estava com fome e fui até à esplanada. Também já era tarde. O sol não estava o mesmo por isso uma pessoa sentia também um bocado de frio.

 

 Agora, vou tentar continuar a escrever o no meu estilo normal. Bom, então, pois, a masturbação em público. Ocorre-me a ideia de atentado ao pudor. Porém, é uma má ideia. Falar em atentado, quero dizer. Claro que quem tenta cometer suicido atenta contra a sua própria vida. No entanto, não é muito correcto dizer que tal pessoa cometeu um atentado. Dizemos que se suicidou, se foi bem sucedida, ou que tentou suicidar-se, no caso contrário. Acresce que um atentado é uma acção danosa praticada por um sujeito  contra terceiros. Portanto, no caso de um publico masturbador não existe atentado ao pudor porque o dano provocado pela acção reflecte-se sobre o próprio agente. Ou seja, o masturbador atenta contra o seu próprio pudor, embora não cometa nenhum atentado. Estamos, então, perante um caso de suicídio moral, chamemos-lhe assim.

 

Um suicídio moral, de facto. O que pode pensar uma mulher de um homem que se presta a um papel destes? O que pensei eu daquele homem? Honestamente, considerei que era um pobre coitado. Foi, aliás, por isso que não consegui manter o riso cínico por muito tempo. Nem o olhar. Achei que o meu riso e o meu olhar eram demasiado invasivos. Apesar da situação. Claro que eu não sou assim tão boa pessoa. Por isso fiquei a invadi-lo pelo tempo suficiente para que perdesse a tesão.

 

publicado por Cat2007 às 18:55
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Maio 10 2008

 

Escritor britânico George Orwell

 

"A LUA" foi um post que eu escrevi em Outubro de 2007. Agora, em Maio de 2008, apareceu lá um comentário da... TVI! Da TELEVISÃO???????????? Pois. Creio que desejavam que eu fosse, já na próxima segunda feira, à televisão dizer porque não gosto do trabalho que faço. QUEM EU?!

 

Reacção pessoal:  QUEREM QUE EU VÁ À TELEVISÃO! OH! E a isto se seguiu uma manifestação de jubilo impossível de reproduzir por palavras. E depois veio a expressão de toda a minha gratidão sob a forma de oração: "Obrigada Senhor por me dares esta oportunidade de conquistar os 15 minutos de fama prometidos por teu filho e servo, o santo George Orwell. Ámen". Não sei por quanto tempo me quedei de joelhos ainda. 

 

Enfim, reli o post. É uma construção feita na linha do desabafo semipúblico (porque isto é um blog pessoal público). Coisa muitíssimo desinteressante, portanto (o desabafo, não o blog, bem entendido). Com efeito, este tipo de desabafos respondem a momentos de crise pouco profunda. A estados temperamentais momentâneos ou, pelo menos, passageiros. Não têm qualquer tipo de valor.. hum... cientifico? ou...enfim, outro que valha a pena considerar. No mais, os desabafos são coisas para fazer em casa. Actos de trazer por casa, como aquelas peças de roupa que já não temos coragem de usar em lado nenhum, mas que nos fazem sentir confortáveis. Já os abafos, não. Os abafos são coisas muito úteis para levar à rua nos dias de inverno. Portanto, já se vê: os abafos são socialmente muito mais aceitáveis do que os desabafos.  

 

Todos nós gostaríamos muito de ir falar à televisão. Há, até, gente que, de resto, se submete aos piores embaraços só para aparecer na televisão. E porquê? Porque falar na televisão é garantia de que muitos milhares de pessoas nos ouvem. Isto para quem todos os dias é sujeito a desconsiderações, desvalorizações, agressões e manifestações de desinteresse de toda a espécie é muito importante. Mesmo fundamental, eu diria. Falar na televisão representa o ganho de atenção e de importância, ainda que não perdurável, que as pessoas sentem que não têm. Pela minha parte, penso que "chutar" drogas duras ou começar a beber a sério, também pode ajudar.  

 

E, já agora, porque razão a generalidade das pessoas não gosta do seu trabalho? Pois, haveria tanto para dizer sobre o assunto... Mas, infelizmente não temos tempo! Ou, por outro lado...está bem. Só um minutinho. Então lá vai: basicamente, as pessoas que trabalham estão, em princípio,  integradas em estruturas organizacionais. Estas estruturas parecem máquinas. Embora não o sejam verdadeiramente. E porquê? Porque os seus elementos fundamentais são seres humanos. Esquecido este "porque", voltamos à preposição inicial. As organizações parecem máquinas. Logo, as pessoas que nelas trabalham são confundidas com peças da engrenagem. Ora, nenhuma peça mecânica tem importância por si só e todas as peças são substituíveis. E quando digo todas, são mesmo TODAS!

 

Bem, mas, vou permitir-me falar do meu caso pessoal. Apenas para sublinhar uma evidência. Eu não gosto do meu trabalho porque o que eu queria era ser escritora, cronista, e coisa tal deste género e tal, coisa e tal. Claro. É muito mais giro do que ser jurista. Enfim, coisa e tal. Tenho este blog e tal. Assim posso ser mais ou  menos isso e tal. É que assim e tal eu não tinha que pensar muito e tal. E a minha vida era mais fácil e tal. Talvez eu possa escrever um livro de auto-ajuda e tal, que parece ser super fácil e tal, e pode ser um top de vendas e tal. E depois, e tal vou à televisão falar do livro e tal. E é mesmo giro e tal porque fico logo conhecida e tal, e assim toda a gente me conheçe e me vai adorar e tal. É uma forma mais fácil de ganhar a vida e tal. E portanto e tal fim de conversa e tal. 

 

publicado por Cat2007 às 11:43
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