CAFÉ EXPRESSO

Junho 24 2008
 
 
 
 
 
Algumas pessoas com baixa auto-estima têm anorexia da alma. Isso faz com que elas se vejam de forma distorcida e diferente da forma como as pessoas a sua volta as vêem. Outros não. Outros se vêem além (ou aquém) do que mostram aos outros e justamente por serem conscientes do que representam em seu meio, evitam se expor e por conseguinte, evitam à rejeição. Embora a maioria associe a baixa auto-estima à aparecência física, o pior tipo de sentimento de inferioridade é considerar-se inferior moral e espiritualmente. Para esses a velhice e a morte não colocam as coisas nos devidos lugares. E eles sabem que a longa espera à decreptude é no fim das contas muito breve, e não termina alí. Não posso divagar sobre o amor. Creio que tendo, como quase todos, a pensar que alguem com baixa auto-estima não ame com entrega com medo de logo perder, mas pode ocorrer justamente o contrário. Na impossibilidade de amar a si mesmo, poderíamos amar ao outro e negociar o sentimento de posse com filosofias ilusórias de um amor maior, desapegado, ainda que saibamos que o desapego é apenas uma estratégia para superar a perda.
 
 
Sorry. Achei que estava preparada pra dissertar melhor mas ainda não consigo organizar-me de modo a traduzir verbalmente o que penso/sinto, que não difere tanto assim. Emotividade racional. Já tem algum livro de auto-ajuda sobre o tema?

 

Ass: LEE

publicado por Cat2007 às 21:02
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Junho 07 2008

 

A baixa auto-estima é uma tragédia que afecta imensa gente. A busca de afecto é incessante. O lema é "gostem de mim, por favor!". Todos. Se alguém não gostar é o caos. Mesmo que esse alguém seja ninguém especial. Daí vem o medo da rejeição. Assim, medo e necessidade são os sentimentos dominantes que enredam o individuo numa malha de solidão. De afastamento das pessoas e do mundo.

 

Lembrei-me, há uns dias, que se podem resolver os problemas de baixa auto-estima através da acção. Pequenas acções. Grandes esforços, é certo. Mas agir. Agir. Agir. Fazer. Fazer. Fazer. Esquecer o eu. Meter a cara (como os brasileiros têm expressões que dão tanto jeito ao expressar!). Esquecer o eu. Mesmo que o ego doa.  A alma ameace esfumar-se. Cair abaixo do abismo do optimismo. Mesmo com o evidente medo. Abrir o peito. Jogar tudo. Jogar o medo. A morrer de medo. E agir. Agir. Mesmo com medo. E afogar o medo. A morrer de medo. Mas agir virado, concentrado no mundo. Nas outras pessoas. Fazer um esforço pelos outros. Esquecer o eu. Agir. Não esperar. Esperar apenas o reflexo dos actos.

 

Pois a ideia é essa: o resultado do reflexo dos actos próprios. Se é verdade que a necessidade é do afecto dos outros, mais certo é ainda que falta muito afecto próprio. Se é correcto que se sente muito a falta de aceitação por terceiros, o maior drama é a aceitação pessoal pelo próprio. É por isso que eu digo que o segredo está no agir. Os actos, ao contrário dos pensamentos, produzem os seus efeitos no mundo exterior. Os pensamentos são invisíveis. Ao contrário, o resultado dos actos é apreensível como o que se vê a partir do reflexo de um espelho. O indivíduo tem de agir para ser ver a partir de fora. Ver as coisas apreciáveis que é capaz de concretizar através de um reflexo de fora para dentro. O ser actua no mundo. O mundo reflecte o acto que apenas deste modo é visível para o próprio. A auto consideração sobe, assim, gradativamente com o agir. O maior obstáculo à vida de quem não tem amor próprio é o vício de ver sempre tudo de dentro para fora, quando o ponto de vista correcto é aquele cujo percurso ocorre de fora para dentro. É preciso perceber, repito, que o individuo luta pela aceitação e estima de si por si mesmo.

 

 A propósito de tudo isto lembrei-me também do tema "quando uma relação acaba". Quando uma relação acaba, na maioria dos casos há sempre alguém que fica mais magoado. É aquele que não queria que a relação acabasse. Quando uma relação acaba porque um deixou de gostar primeiro do que o outro, este fica pior do que o primeiro. Quando uma relação acaba, acabam-se as rotinas viciantes, os hábitos agradáveis, as habitualidades desagradáveis e tudo o que demais compõe uma realidade conjuntural. O fim de tudo isto representa uma mudança. Quem não tomou a decisão não está preparado para a mudança. Daí a aflição. Mas pior é a rejeição. Que não é exactamente uma rejeição, mas é vista assim. Quem é deixado sente-se afectado em toda a sua pessoa. Como se prestasse pouco. Como se valesse menos enquanto pessoa. O que é totalmente falso. O amor romântico ou a paixão não têm essa capacidade de fazer. De desfazer uma pessoa. O amor romântico ou a paixão terminam por razões que pouco têm a ver com a qualidade de cada um dos indivíduos.

 

publicado por Cat2007 às 23:50
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Junho 02 2008

Escultura representando um anjo

 

Responsabilização. Faz-se sobre as pessoas em relação às coisas que elas não fizeram bem, mas deviam. Está delimitado o âmbito. Mais do que isto é abuso. Menos do que isto é laxismo. O sentido de justiça é o princípio que rege a matéria.

 

Como diz, e bem, a Joss Tone, todos tem os o direito de errar. "The right to be wrong". Errar é, aliás um exercício de grande utilidade. O erro liberta o espírito de embaraços supréfulos e é um dos mais eficazes instrumentos de aprendizagem. Sobretudo porque não há quem não erre. Não errar é desumano. Por isso seria um absurdo proclamar "no right to be wrong".  

 

O que importa é medir os danos. É preciso responder pelos danos. Na medida certa. Ou seja, a medida do pagamento tem de ser igual ao montante dos prejuízos. Assim mesmo. Se mais. Sem menos. Com certeza que os danos morais e as expectativas legítimas estão aqui incluídos. São contabilizáveis. Embora de conta difícil. Porém, não impossível.

 

Pedir desculpa é bom. Faz bem à contraparte, mas se for só isso é um facto de baixa produtividade e de nenhum interesse. Pedir desculpa é só a primeira parte. O primeiro acto. O acto que fica sem sentido se não for seguido pelos demais correspondentes.

 

E voltando atrás, os erros pagam-se em função dos danos. É natural que este processo implique dor. Temos pena. Mas temos mais pena de quem pede cabeças. Eu sou contra a pena de morte. Porque o princípio aqui em causa é o da justiça. Justiça sem humanidade não faz sentido. Humano é o erro. Não pode ser tão irreversível como a morte.

 

 Não há nada pior do que desejar a queda de um anjo. Só porque ele pôde voar durante tanto tempo, e nós não. Porque isto não é justo. Logo, não é humano. Porque é irracional. E um ser racional só pode ser humano. Pelo menos, até a Ciência nos fornecer dados novos. Nós rezamos aos anjos. Só os humanos rezam. Nos termos dos dados científicos conhecidos, certamente. Rezar é viver um estado ansioso que aspira ao alívio. Nós rezamos aos anjos. Também aos santos. Nós também rezamos aos santos. Não é justo que os queiramos fora dos seus altares. Se eles não estivessem nos altares, nunca lhes rezaríamos. Porque não eram santos. Nem anjos. Então, se eram, são. Não é justo dizer que um anjo não é anjo e que um santo não é santo, só porque caiu. O anjo não tem culpa que nós imaginássemos que a sua queda era impossível. Nem que, depois de tantos pedidos que lhe fizemos, não sejamos capazes de lhe dar a mão para o ajudar a levantar.

publicado por Cat2007 às 20:54
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Junho 01 2008

  

 

Até hoje estou incrédula com o espectáculo da Amy Winehouse no Rock in Rio. Inesquecível! Estava mesmo para escrever sobre isso. Porque estou realmente incrédula, como disse. Mas, afinal, não me apetece. Ela é mesmo talentosa. O disco dela é verdadeiramente genial. Os prémios que ganhou foram efectivamente merecidos. Compro o próximo, se ela não morrer antes de o fazer. Vê-la ao vivo está fora de questão porque ninguém pode garantir que ela apareça ou, aparecendo, que faça o que lhe compete. Fazer o que lhe compete, passa, em primeira linha, por não deprimir e assustar as pessoas. Eu fiquei muito deprimida e assustada. Agora tenho muita pena da Amy Winehouse. E estou preocupada com ela. E REAB é uma boa ideia. Desde o inicio que se viu logo que era.

 

publicado por Cat2007 às 18:55
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