CAFÉ EXPRESSO

Agosto 20 2008

 

 

"Volver" é um filme do Almodovar. Toda a gente sabe, pelo que não é esta a novidade que quero dar. Falo nele por causa do título do presente post: "Viver". Não sei exactamente porque estabeleci a relação. É claro que existe uma certa identidade no som que fazem ambas as palavras. Porém, não é só isso. Comigo nunca é só isso. Comigo estabelecem-se relações mais profundas e complexas entre as coisas, muito para além do óbvio. Viver e voltar parecem-me duas coisas cheias de afinidades entre si.

 

Em "Volver" acontece um regresso ao passado essencial para ultrapassar determinadas obscuridades vivenciadas e sobretudo uma tragédia pessoal enorme. Um regresso a um determinado ponto. Em "Volver" o presente repete de certa forma o passado, como se os factos marcantes da vida das pessoas se repetissem sempre, malgrado as diferenças nas formas, na cores, nas palavras, nos contextos. Ao que parece, na nossa estória apenas se altera o acessório e a nossa evolução progride no sentido do retorno pontual mas regular às coisas que mais nos agitam o espírito. E a canção começa assim "Yo adivino el parpadeo/ de las luces que a lo lejos/van marcando mi retorno./Son las mismas que alumbraron con sus p�idos reflejos/hondas horas de dolor".
 

publicado por Cat2007 às 15:14
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Agosto 14 2008

 

 

 

Uma revisão consiste num acto de rever algo para verificar se está tudo bem ou para relembrar matéria dada. Rever uma determinada pessoa, constitui por si só uma revisão, como é evidente;  e pode obrigar a fazer revisões.

 

Em tempos, quando eu achei que o meu sentido da moral andava muito em alta, quebrei alguns relacionamentos. Sobretudo com amigos de quem gostava. Foi um espécie de "limpeza santa" (género guerra santa) que eu levei a efeito na minha vida. Saberá o santo Deus porquê. Talvez acreditasse na altura que iria ganhar o Céu. Enfim, uma coisa muito à Velho Testamento. Algo que devia ter a ver com uma necessidade de purificação, ou coisa que o valha.

 

Basicamente, tudo tinha a ver com dores pessoais; com fragilidades próprias. Logo, com emoções adoecidas. E uma recusa em aceitar que as pessoas são defeituosas e frágeis, tal como eu. Ninguém vira as costas a ninguém de quem já gosta porque foram cometidos erros. É um erro. Além do mais, atitudes destas têm sempre por base julgamento do mais parcial que pode haver. O nosso. É por isso que, malgrado as costas viradas, se continua a gostar. Gostar não é uma escolha,  gostar de alguém acontece.

 

Agora ando a recuperar os meus amigos, que, incrivelmente, estão disponíveis para isso. Mesmo sabendo, eu nem sei o que me deu no passado. Tantas desculpas para fazer disparates. Uma pessoa tem que ter "cabedal" para dizer o que não gostou. Parece-me que ninguém fala deste tipo de sentimentos com medo de cair no ridiculo. Eu, pelo menos.  

 

Enfim, é bem verdade que continuo a não gostar de falar de sentimentos. Dos meus (dos dos outros, adoro!). Quando me abordam nessas matérias, tenho por hábito pôr-me a coçar o cotovelo. É uma manobra de diversão como outra qualquer. De resto, compreendo que não vale a pena pensar que não há um bom bocado da vida que é asolutamente individual, independente e solitário. Com efeito, para além dos actos do nascimento, da morte e das idas à casa de banho diárias, o exercíco de viver tem momentos desprotegidos. Outrora, esperava dos outros impossibilidades humanas. Aliás, como também procurava fazer os impossíveis.

 

A base dos relacionamentos é o afecto. E o afecto coloca tudo no sítio. No que toca às relações, quero dizer. Eu desvalorizava o afecto, pensando que os valores rígidos de uma moral inventada para conveniências domésticas é que era bom. I was wrong. But  i´m still very good of course.

 

publicado por Cat2007 às 13:09
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Agosto 11 2008

 

 

 

Recordo os terrores da juventude de  Bertrand Russell. Ser adulto apenas não é mais terrível do que podia ser porque já nos falta menos tempo de vida do que outrora faltou (quer dizer, quando tinhamos 10 anos). Com certeza que não vou fazer seguidamente uma declaração suicida. Nem revelar uma depressão funda e incontornável. Vou só afirmar candidamente que viver é uma violência que impõe grande capacidade de adaptação a toda a gente. Embora, talvez, valha a pena. Com efeito, não me consigo imaginar morta. Portanto, isto não passa de uma reclamação. Estou como que a escrever numa espécie de "Livro de Reclamações" inexistente. O que me faz todo o sentido.

 

Estou para aqui a divagar, dizendo coisas vagas. Estou, portanto, a vaguear. Daí o título deste post. Sempre gostei de vaguear. O que é quase o mesmo que vadiar. Desde que me lembro de mim com ideias, sei que nunca desejei nada definitivamente. A minha praia é sempre a outra praia. Preciso das chamadas rotinas de sustentação, e no demais quero tudo sempre a mudar. Gosto de chegar, ficar por um tempo para conhecer a fundo, guardar o essencial e, depois, partir. Isto não é muito diferente daquilo que fazem os empresários modernos. Chegar, criar, especializar, desenvolver e inovar para crescer. Este é mais ou menos o percurso de vida das grandes transnacionais. Eu quero ser uma transnacional porque tenho espírito para isso. Trata-se de acumular património.

 

A auto-estima não pode ser uma realidade estanque. Ninguém está sempre cheio dela. Há quem tenha sempre muito pouca, por outro lado. Eu já fui mais ou menos assim. Já tive pouca auto-estima. Agora penso que isso já não é bem verdade. No fundo, gosto mesmo de mim  e acho que toda a gente devia gostar. Because i'm good.

 

 

publicado por Cat2007 às 12:06
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