CAFÉ EXPRESSO

Janeiro 29 2009

 

 

 

 

Um dia estive muito carente porque acabava de sair dos escombros de um castelo de emoções meio foleiro que inventei à pressa. Estava na estrada a sacudir o pó, e apareceu por acaso alguém que foi a primeira pessoa que apareceu. Foi a primeira que apareceu, mas isso não tem importância nenhuma para o que aconteceu depois. Porque me apaixonei dolorosamente, sem esperar.

 

 

Foi uma paixão carnal sem ser altamente sexual. Foi um caso de intensidade extrema porque ocorreu uma combinação epidérmica especial. Aconteceu-me uma necessidade permanente e incontornável de encostar a minha pele naquela pele. De deixar correr a sensibilidade. E de não querer sair dali nunca. Assim os breves, porque necessários, afastamentos que ocorriam eram tão dolorosos como o ardor dos pedacinhos de pele que se arrancavam no processo. 

 

Um dia, contra a minha vontade, e a despeito da minha necessidade profunda,  a minha pele foi arrancada daquela pele. À força, totalmente e de vez. Creio que isto aconteceu porque tinha mesmo que ser assim. Não sei bem. Nem me interessa. Para o que importa, a dor do ardor ficou-me na carne pelo tempo em que aquelas feridas enormes levaram a sarar. Chorei um bocado. Por vezes choro.

 

Ainda hoje sinto alguns reflexos desse modo de sentir aquela dor. É natural. São as cicatrizes, feridas fechadas.

 

Durante algum tempo, custou-me compreender bem que este acidente foi apenas um episódio da vida que passou. E tantas paixões me consumiram depois desta!

 

 

Por outro lado, as tampas existem. Servem para tapar tachos e panelas, por exemplo. Têm uma certa utilidade. E é esta a importância das tampas na vida, se o ego não é distorcido. Concedo, no entanto, que as tampas não deviam ser atiradas quentes ou cheias de tinta plástica  à cara das pessoas. De todo o modo, as mesmas pessoas também não deviam por a cara a jeito para levar com uma tampa em cheio. Seja como for, as tampas não têm interesse nenhum.

 

Hoje eu não invento castelos. Contruo-os. Pedra por pedra. Com todas as pedras que fui recolhendo no caminho que percorri até aqui. Os meus castelos já não são pessoas. E já não são castelos, mas só um. É a minha vida. Só apanhei pedras. Deixei as tampas. No meu castelo moro com quem amo profundamente. Ainda estamos a construir. E este sentido daquilo que deve ser comum é que é a minha grande novidade actual

 

publicado por Cat2007 às 17:12
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Janeiro 23 2009

 

 

 

 

Tenho andado a pensar nesta coisa de que se fala imenso: ser bom ou boa na cama. Numa primeira abordagem, parece-me que, seguramente, uma pessoa que tenha um desempenho análogo aos actores de filmes pornográficos não é boa na cama. E ponto. Porquê. Ora, basta referir que aquela gente não se beija. Não interessam as posições que fazem, os uivos que dão, os objectos que usam, as fantasias que pretendem recriar. Não são bons na cama porque não se beijam. E como não se beijam, também não se olham nos olhos, não se tocam, não se focam... no essencial. 

 

Na cama o essencial é a outra pessoa. A importância que ela tem. O corpo e o prazer são instrumentos de aproximação. Coisas para estreitar a intimidade e, por consequência, a partilha de uma qualidade de afectos única.

 

As pessoas são diferentes. E é por isso que não se pode ser bom na cama com diferentes pessoas se o nosso comportamento é padronizado. Mesmo que se faça tudo, se "pinte a manta". Há pessoas que não gostam de mantas com pintas. Podem preferir mantas riscadas. Ou não querem manta nenhuma. E eu disse querer, mas é mais sentir. Por exemplo, fazer amor dentro duma piscina não é nada confortável. Nem sensual. Nem aveludado. Mas cai muito bem nos filmes. Até parece o contrário. É assim que se criam os conceitos e as convicções despropositados. Mas eu disse fazer amor numa piscina, como podia ter referido outra coisa qualquer verdadeiramente ousada de que agora não me estou a lembrar.

 

A prática do "one night stand" é um disparate. A menos que as pessoas não tenham entrado nisso com tal intenção, e a coisa não correu bem. Mas se entraram mesmo para isso, o que queriam era afecto a qualquer preço. Quando esta prática já se tornou um vicio, as pessoas ficam-se pelos serviços mínimos porque estão quase vazias. Deprimente.

 

As pessoas que são boas na cama são aquelas que têm uma natural predisposição para amar quando vão fazer sexo e que, por isso fazem amor. Amar é qualquer coisa que tem menos a ver com a nossa satisfação pessoal e mais com a nossa capacidade de compreender e de dar.

 

publicado por Cat2007 às 14:04
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Janeiro 14 2009

 

 

 

 http://shemuses.net/category/musings/page/4/

 

 

Irrita-me que não gostem de mim. Logo eu que sou tão boa pessoa! Tenho de dizer que há sempre alguém que não gosta de mim. Para onde quer que vá. Onde quer que esteja. Depois, também há quem goste muito de mim. O que parece não existir aqui é um meio termo.

 

Exponho as minhas fragilidades com naturalidade. Logo exponho-me. Não sei. Não quero viver de outra maneira. A exposição solar é perigosa. Toda a gente sabe. Mas viver é, em termos gerais, perigoso, e ninguém se vai suicidar agora por isso.

 

Acho que era a Maria Filomena Mónica quem se horrorizava imenso com a mediocridade. Nisto estou com ela. Até porque, em geral, os medíocres de coração não gostam em geral de mim. Porque, em geral, eu não sou medíocre. Mesmo que tenha outras coisas de que me deva envergonhar.

 

As pessoas saloias também não gostam de mim. É este meu ar desempoeirado. É este meu estar à vontade em pleno Palácio de Belém. Nas tintas para os protocolos. Em geral, os presidentes adoram-me! Os guardiães dos protocolos são, na generalidade, intimamente uns grandes saloios. Os protocolos são para respeitar, mas com um sorriso de divertimento disfarçado. Nem os donos das hierarquias acreditam verdadeiramente que detém o poder hierárquico. De resto, um homem ou uma mulher num cargo de poder pode não ter poder nenhum. Aquele  que vive nestas circunstâncias é um refinado saloio.

 

publicado por Cat2007 às 14:19
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Janeiro 06 2009

 

                                                                                Mini solittaire

 

 

Abri o Laptop para ir jogar ao "Solitário Spider". Em primeiro lugar, porque sou mesmo uma espécie de aranha solitária. Solitária porque não conto a ninguém sobre a verdade dos meus medos. Aranha porque o nome do jogo é assim. Spider. Já agora, gosto do Spider Man. E, de resto, de todos os heróis da Marvel.

 

Porém, não. Não fui ao jogo. Preferi vir ao blog. Como se viesse a jogo. Vim, como se vê, fazer trocadilhos. Estou mal disposta. Mas não se pense que é por causa do carro. Não. Deixá-lo estar na oficina. Estou mal disposta porque não consigo tomar conta de mim própria. Só por isto. Ou, talvez, porque considero que não consigo tomar conta de mim própria, embora consiga e não perceba. O que é suficiente, ainda assim, para me deixar neste estado.

 

Em princípio, e em termos gerais, o medo é f... porque não se consegue fazer nada de jeito na vida por causa dele. Eu tenho um medo de sentido abstracto. Portanto, tenho medo de mim mesma. Nunca soube como agir antes. Quero dizer, nunca soube prever os meus comportamentos perante as situações. Por isso tenho medo do que virá. Do que não conheço. A propósito, a informação técnica sobre o Qren valeu-me as devidas superiores concordâncias. Como é evidente, a primeira versão estava óptima. Não era preciso mandar a terceira. Mas foi a terceira que eu mandei. E que foi aprovada. E que estava pior do que a primeira. Portanto, só agora tenho a certeza que a primeira é que devia ter ido. Portanto, não há saco para mim.

 

Pois é. O medo. A minha querida amiga Filipa C L gosta muito de abrir os seus grandes olhos azuis para me esfregar isso na cara. Que eu morro de medo. Pois é verdade! E que posso eu fazer? Ela diz-mo como se eu pudesse fazer alguma coisa. Fala-me de todas as minhas grandes qualidades. Que ela vê, mas eu não. Eu acho, realmente, que ela está enganada. Perante as coisas, vejo-me incapaz. Mesmo que as faça bem, não fui eu quem fez.

 

A propósito, como vou eu fazer bem a dissertação da tese? Nas duas últimas semanas fartaram-se de sair diplomas que interessam. Tenho tanto medo que li o último e não percebi nada. Depois perguntaram-me uma opinião sobre o mesmo, e pareceu-me que talvez tenha percebido. Ainda não sei. Neste preciso momento, devia estar a ler umas coisas do Peters, mas estou aqui a escrever sobre este medo que não me larga.

 

No dia 27 vou ser operada à garganta. Tenho que extrair um quisto (benigno).  Ainda não percebi se estou com medo. Disto. Da operação. Não percebi porque não sou eu quem vai operar, mas o médico. De outro modo, era óbvio. Por outro lado, devo estar com medo. Porque, como disse, tenho medo de mim mesma. Portanto... enfim, não vale a pena continuar nesta linha de raciocínio.

 

Se tivesse fé, não tinha medo. Isto é óbvio para qualquer pessoa. O meu drama consiste em ter sido educada segundo as tradições da fé católica. O catolicismo, com as suas crenças e práticas tão inconsistentes roubou-me a fé. E, agora, não tendo mais nada em que acreditar, se eu  não acredito em mim mesma, o que vou fazer?

 

Estou para aqui a dizer coisas. A escrever coisas. Mas isto não resolve. Tenho que ir falar com o meu medo. Percebê-lo. Ser compreensiva com ele. Respeitá-lo. Pode ser que assim ele me trate bem e me dê bons conselhos. Aposto que sim. Que dará.

 

Parei aqui. Voltei atrás. Li tudo o que escrevi. Sinto agora menos medo. Já estou mais confiante. Não sei porquê.

 

publicado por Cat2007 às 20:06
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Janeiro 02 2009

Eu sou demasiado euzista. É só.

 

publicado por Cat2007 às 14:59
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Janeiro 02 2009

 

Eu. Esta sou eu. Metade de eu. A minha metade-cara. O meu lado esquerdo. Apresento-o porque sou canhota. De óculos escuros porque não me conheço muito bem. Mostro metade porque existe a outra. Metade, claro. Eu estou com vontade de mim. Por isso mostro eu. Escrevo sobre eu.

 

No "Tarot", eu sou uma Rainha de Copas. Se eu acreditasse no "Tarot". Como não acredito, esqueci-me do significado da Rainha de Copas do "Tarot". Fizeram-me um lançamento de "Tarot". A eu. Foi excelente, segundo os ditames cósmicos-energéticos das "cartas". Eu fiquei bem disposta. É sempre bom ouvirmos aquilo que queremos. No fim deste ano, todos vão ouvir falar da Rainha de Copas. É o que diz o cosmos. Tudo por causa da minha tese de mestrado.

 

Agora eu, que já andava um bocado preocupada com a tese estou muito mais descansada. Pena que, de ontem para hoje, já me esqueci porquê. Não importa. O que eu preciso é de andar mais descansada. Que é para ficar mais confiante. Sou muito desconfiada de mim. Porém, e ao que consta, a Rainha de Copas acertou em cheio no tema da tese. Ela é uma mulher poderosa e sabe, portanto, o que importa no reino. O tema da minha tese tem impacte. Ainda bem que foi ela quem escolheu. Eu, cá por mim, tive apenas um bocadinho de sensibilidade. E meti-me numa carga de trabalhos. Porque não vai ser fácil. Sei isto sem ter que perguntar ao "Tarot". Bem, mas no fim de tudo, como resultado final daquele excelente lançamento, apareceu a imperatriz. Portanto, a rainha de copas vai tornar-se imperatriz. Sabedoria, poder máximo, tudo quanto há. Enfim... É bom começar o ano cheia de boas ilusões. Contudo, como se trata apenas disso, de ilusões, só mostro a minha cara a metade. E de óculos escuros.

 

publicado por Cat2007 às 14:21
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