CAFÉ EXPRESSO

Março 29 2009

 

 

 

Ontem fui ao Meco para ver se ía à praia. Tenho esta mania. Aos sábados os judeus descansam, eu vou para o Meco passar o dia todo (até à noite negra). Em termos latos, não se pode dizer que não tenha mesmo ido, mas, tecnicamente, não fui. Basicamente, tive que fugir daquela esplanada com vista para o mar porque fiquei com os ouvidos cheios de areia.

 

Uma hora depois estava nas Amoreiras a comprar o bilhete para ver o novo filme da Julia Roberts: "Duplicity". Ao intervalo estava de saída. Deste modo, não vale a pena acrescentar mais nada.

 

Por outro lado, se todas as pessoas tivessem o mesmo senso de humor, era excelente. Excelente para mim, que tenho imenso sentido de humor, e desejava que toda a gente compreendesse isto. Mas não. Acho que há diversos tipos de sentido de humor. Claro, provavelmente, não é o mesmo humor. Não temos todos o mesmo sentido de humor. É uma pena, insisto. Por exemplo, há quem se ria imenso com as piadas dos "Malucos do Riso" (SIC). Pessoalmente adoro o "Boston Legal" (Fox Crime) e a "Anatomia de Grey" (Fox Life).

 

É engraçado, eu que achava que não existia o filme favorito, a música favorita, o actor favorito, a série favorita. Acreditava que as pessoas só diziam estas coisas para se sentirem, e sobretudo, se mostrarem "special". E continuo a acreditar, de resto. Mas afinal, sempre  tenho que reconhecer que existem as séries favoritas.

 

Por falar em artes, estive a ouvir a Sherley Bassey (é um disquinho que tenho aqui). Um bocado metálica, a voz dela, concedo. No entanto, poderosa no ponto certo para me emocionar com "The greatest Peformance of my life" e "This is my life". Ninguém pode cantar estas duas coisas melhor do que ela. Já o "What's now my love" fez-me sentir saudades do Sinatra.

 

Nunca mais rodei os meus discos do Sinatra. Isto é grave. Estou-me a afundar. Literalmente. Não por causa do Sinatra, mas pela música que já me esqueço de ouvir. A música muda a vida das pessoas in a daily basis. Estou lixada, portanto... por enquanto e momentaneamente.

 

publicado por Cat2007 às 20:20
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Março 11 2009

  

 

Há dias em que nos afronta uma ansiedade tão poderosa... Hoje é um desses dias. Como é evidente, estou com dificuldades em raciocinar com jeito. De qualquer modo, tento perceber porquê. Da ansiedade. Tão poderosa. Que me está a tomar. Talvez seja de me levantar cedo. Já são três dias seguidos assim. E a adormecer tarde. Pois claro. Estou programada para nunca me deitar antes das duas da manhã. Não importa as horas a que me levante. Mas também estou programada para dormir, pelo menos, oito horas por dia, logo...Logo posso estar ansiosa por causa disto. E também perante a evidência de que isto não vai mudar. Esta ideia é tão aterradora, que já pensei em demitir-me e viver sei lá de quê. Porém, já desisti. E senti-me encurralada.  

 

Mas esta impressão de cárcere não resulta só dos (maus) horários que me enredam. Na verdade, não gostei de regressar ao trabalho. O ambiente não está bom. Não é nada comigo, mas não está bom. Há desentendimentos surdos entre as pessoas. Desconfianças. Posicionamentos defensivos. Posturas ofensivas. Anda tudo mal disposto. E, deste modo, a energia está tão pesada, que parece ter assentado por tempo indeterminado sobre a nossa cabeça.

 

Como disse, não é nada comigo. Cá por mim, fecho-me no gabinete e só saio em caso de necessidade. No entanto, sou como uma esponja. A má onda atravessa a porta da minha sala e atinge-me o sistema nervoso. Não sei o que faça para me proteger. As pessoas podiam relaxar um bocadinho. Mas talvez não possam porque têm interesses divergentes que colidem. 

 

Custa-me concentrar nos assuntos quando estou tomada pela má energia que não me diz directamente respeito. Assim os resultados são tirados a ferros. Porque a cabeça não está limpa.

 

As pessoas podiam andar a rir um bocado uma com as outras. Mas não, andam todas cheias de cuidados e medições. A tolerância ao erro é baixíssima e a pressão em relação aos prazos é enorme. Se as pessoas trabalhassem em equipa talvez se pudesse errar com um bocado mais de calma. Porque o erro é um instrumento de aprendizagem e de evolução. O erro estimula a criatividade. Numa equipa é possível minimizar os efeitos adversos dos erros: se eu não vi, tu vês. É assim. Não compreendo como as pessoas não compreendem estas coisas e se devotam ao exercício de um individualismo castrante, solitário e pernicioso.

 

No meio de tantas impressões, dou por mim calada, pensativa e distante. Distante daquela pessoa. Que já está a sentir, ressentindo-se. E eu, que vejo, não estou a conseguir desenredar-me. Pelo menos hoje. Especialmente hoje, em que a minha ansiedade está no auge. E que subiu também por causa disto. Por causa da distância com aquela pessoa que, por sua vez, está já pessoalmente um pouco distanciada também.

 

 

Agora vou tomar um xanax.

 

publicado por Cat2007 às 20:08
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Março 09 2009

 

Simone

 

 

 

Pois não adorei. Apeteciam-me outras músicas. Se não fosse isto tinha gostado muito mais. Mas também não tinha adorado. Mas isto por causa dos lugares. Precisamente. Para a próxima ninguém vai comprar os bilhetes por mim. É o que tenho a dizer. Só via as mulheres do joelho para cima, além de que não percebia bem as expressões das caras delas. Não gosto. Num espectáculo de música ao vivo, como no teatro, é muito importante apanhar bem as expressões dos actores. Para a próxima façam no Coliseu, por favor.

 

Por outro lado, eu não sou muito boa em estatística, mas tenho a impressão que 90% do público era constituído por mulheres. Fiquei impressionada. Mulheres que mandavam piropos. Á Simone especialmente. Piropos, piropos, assim mesmo à séria. Não acho próprio, mas foi muito divertido. Pelo menos o público riu. Atrás de mim estava uma que, em estado perfeitamente catatónico, só dizia: "ela está linda!". Bom, também não é preciso exagerar. A Simone está uma senhora bonita. Mas, enfim, uma senhora que já não vai exactamente para nova. Embora seja também verdade que velha não está. Talvez ainda longe disso. De qualquer modo, não sei o que dizer mais dos piropos. Pronto.

 

Exacto "Amigo é casa", porém, a certa altura do espectáculo comecei a duvidar daquela amizade. Achei que era mesmo um namoro. Depois, conclui que não. Que aquelas cenas todas tipo "eu estou louca por você", que elas desenvolviam enquanto desenrolavam o espectáculo, eram apenas isso mesmo, elementos integrantes do mesmo. Tudo feito para o público feminino se enlevar. Neste aspecto, o êxito foi pleno. E só faltou beijar. Mas não porque aquilo não era namoro a sério.

 

Além do mais, a Zélia Duncan é um bocado masculina demais, não? É só a minha opinião, podendo haver quem não ache. Bom mas eu acho e acho também que, sendo masculina demais, não se compreende a fatiota escolhida para o evento. Parecia um dançarino de sapateado dos anos cinquenta na América. Mas à parte disto, justiça artística para à Zélia, é uma cantora maravilhosa. Já a Simone, é a Simone. A própria. Muito bem. No entanto, ambas necessitam de ir ao ginásio com urgência. E como são amigas, poderiam combinar ir juntas, de mão dada, cantando e rindo, se assim o entendessem.

publicado por Cat2007 às 13:29
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Março 06 2009

 

Simone e Zélia Duncan

 

 

Imagino que a Simone e  Zélia Duncan sejam amigas. Hoje vou ao Campo Pequeno confirmar. Porém, estou um bocado preocupada porque, com excepção das touradas, nunca fui ao Campo Pequeno ver nenhum espetáculo musical. Claro, já me garantiram que estarão lugares colocados na própria arena, de forma que a minha terceira fila é um bom lugar. Um lugar onde se vem bem tudo. Estou a confiar. Enfim, Amigo é Casa, mas se for para ver ao longe, eu perfiro ir à FNAC comprar um DVD e ver em casa, pois claro. Estava para comprar bilhetes para a primeira fila, mas como a Marisa no Coliseu me deu cabo do pescoço, resolvi que era melhor não.

 

Segunda feira já tenho que ir trabalhar. Estou um bocado apreensiva. Perdi o hábito de me levantar cedo. Basicamente, é isso que me custa: acordar às 8 da manhã. Ninguém merece. No mais, nada mais me incomoda. Bom, na verdade, incomoda-me chegar a casa cheia de sono.

 

Agora terei de continuar a ler imenso quando chegar a casa. Em português, francês e inglês. Por incrível que pareca, é mais dificil ler em portugues. Em português não se inventa nada, o que existe são reproduções das ideias dos outros. Dos outros que são estrangeiros. Apenas tais reproduções têm de original um acréscimo de complexidade na forma de expôr, que dá um cansaço mortal.

 

Bom, mas isto também não é um grande assunto. Estou para aqui a falar destas coisas como quem está sem ideias para dizer mais nada. O que é verdade. De toda a maneira, devo acrescentar que sou um "bicho do mato". E esta é uma das razões pelas quais conduzo depressa demais. É como se estivesse a fugir das pessoas. Conclui isto na minha última sessão de terapia.

 

E este assunto leva-me de volta ao meu carro. Pois, não sei, afinal, talvez  fique com ele. Juro que me decidi mesmo pô-lo à venda. Mas tive um aperto no coração. Ainda não estou preparada para me separar deste autêntico sorvedouro de rendimento. Sou um bocado idiota, eu sei.

publicado por Cat2007 às 19:03
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Março 02 2009

 

Há uns temos atrás escrevi aqui coisas péssimas sobre o Holmes Place. Não retiro uma linha do que então disse. Porém, falta-me um pequenino apontamento de gratidão. E isto só prova como as coisas na vida são basicamente policromáticas. Bom, para ir directa ao assunto, devo começar por dizer que é bom fazer Personal Training em casa, e sobretudo, na cama. Pois é isto que eu tenho a agradecer ao Holmes Place. Se não fosse por eles eu não estaria hoje em tão boa forma global. Muito obrigada.

 

E a história começa assim: em 2000 estava casada; em 2001 continuava casada; em 2002, ainda casada, começei a frequentar o Holmes Place da Avª Defensores de Chaves (na verdade, eu tinha escritório da Avª Praia da Vitória e morava na Duque D´ Ávila, logo podia ir a pé para o ginásio, o que fazia diariamente). Isto, claro, até me chatear de morte pelas razões aduzidas em anterior post, e às quais não vou naturalmente voltar agora.

 

Para o que importa, fiquei um ano sem ir a ginásio nenhum, dedicando-me exclusivamente ao ténis. E continuava imersa no mesmissimo casamento. Mas como não dá para jogar ténis sem "malhar", rompi uma coisa no joelho. E tive de parar de jogar. Resolvi, então, que iria inscrever-me no "Clube VII". Estava tudo decidido. Porém, o cônjuge, que cada vez me fazia sentir mais casada no sentido pesado do termo, encetou uma manobra de antecipação: foi ao dito "Clube VII", resolveu unilateralmente que não gostava e convenceu-me que o melhor mesmo era um regresso (agora em conjunto) ao Holmes Place da Defensores de Chaves. Porque, na verdade, ficava mesmo ali à mão. Enfim, foi aquela pressão ao melhor estilo matrimonial, que me bateu pelo cansaço.

 

Fui. Mas muito contrariada. Porém, fui. Claro que me fartei de gritar com a menina que organizava os papeis da inscrição enquanto me ia inscrevendo: "porque este clube isto, e aquilo, e mais isto e sabe que mais? É detestável esta coisa de estar presa a uma organização durante uma ano. Parece uma casamento e eu não me quero casar convosco!". Pois de casamentos começava eu a ficar muito farta, na verdade (embora sem admitir). E estavamos no final de 2004.

 

Voltei, então aos meus treinos diários. Passava duas horas por dia no ginásio sózinha. Verificava-se uma feliz falta de coincidência de horários matrimoniais. E durante essas duas horas eu podia recuperar de uma asfixia inenarrável a que se resumia a minha vida privada. Já por isso, não queria falar com ninguém ali dentro. E muito menos com os PT. Sobretudo se estavam com aquela camisolinha encarnada das horas de MI (Member Interaction). Pois interacção era coisa que eu não podia mesmo suportar. Nestes propósitos, andei ali um ano seguido em que foi possível fintar tudo e todos. Eu era tão distante, que já ninguém se atrevia a tentar sequer falar comigo. Óptimo.

 

Mas eis que um dia surge uma novo membro do staff. Tinha vindo do Holmes da Quinta da Bloura. Era tão qualificado que lhe disseram para não ir para a Defensores de Chaves (porque era o clube mais antigo), mas para as Amoreiras (recém inaugurado). No entanto, este novo membro do grupo de Personal Trainers não quis. Por razões que ainda hoje não consegue explicar, decidiu firmemente ir trabalhar para a Defensores. Por mim, devo dizer que mal me defrontei com a pessoa entrei imediatamente em pânico. Era duma simpatia!!!!! Um verbo fácil, um sorriso leve e permanente... uma capacidade de chegar. Pensei: "estou lixada!" Como é que eu ia escapar? Eu tinha de escapar. Precisava daquelas duas horas de paz. Aquela criatura era uma ameaça! Uma armadilha, mesmo!

 

Engatei o ar mais antipático que consegui montar e evitei sempre qualquer tipo de proximidade. E, claro, "eye contact", nem pensar! Mas, enfim, se uma pessoa tem que cumprir um programa de exercícios é natural que fique presa a uma máquina e a outra durante um determinado período de tempo. É aqui que se fica mais à mercê de investidas, portanto. Mas eu metia os olhos no chão e tinha sempre o Ipod ligado. Estava preparada. A questão é que a pessoa mais simpática do universo foi-se aproximando de mim. E eu notava. E eu não queria! Mas aproximava-se, contudo. Quando estava a dar PT, arranjava forma de estar na máquina ao lado, quando fazia MI, resolvia interagir perto de mim. Pois, na verdade, já tinha resolvido que havia de me "desmontar". Par começar, porque eu era a maior antipática do mundo.

 

Um dia, estava eu na "Chest Press" e... exacto: apareceu na minha frente a sorrir: "posso corrigir-lhe os pulsos?". Perguntou em voz baixa. Fiz que sim com a cabeça. Antes de se inclinar sobre mim, olhou-me nos olhos. Depois avançou: "as mãos têm de estar na linha dos mamilos". E esticou o dedo que fez passar sem tocar mas por pouco sobre a dita linha dos MEUS mamilos! Finalmente, sorriu, virou-me as costas e foi-se embora. Fiquei aparvalhada. Pensei imediatamente que aquilo poderia muito bem ser uma inesperada,  imprópria e nada habitual manobra de engate. Mas não fiquei com certeza nenhuma. Bom, fosse o que fosse, agora é que eu tinha mesmo de fugir a sério porque, além do mais, eu estava casada para a vida. Cansada, mas casada. E pela força das ideias queria continuar assim. Desde que tivesse duas horas por dia no ginásio para encher o peito de ar, claro.

 

No dia seguinte apareceu-me estava eu a começar a minha meia hora de bicicleta. Nem queria crer! Não tirei os "head phones". Mas não podia sair dali. Tinha que fazer meia hora, claro. Não se importou. Sorria e falava. Eu fiz um ar cínico e tirei apens um dos auscultadores para mostrar a inoportunidade da abordagem. Não resultou. Plantou-se literalmente ali ao pé a falar. Irritada, tirei o outro auscultador. Nem tomou conhecimento. Continuou a falar no meio de um milhão de sorrisos. Resolvi colaborar, sob pena de passar por mal educada. Foi então que comecei a ouvir. Filhos, casamento há não sei quantos mil anos... Realizei, então, que não estava realmente a ser engatada. Exacto. Um alívio? Sim. Mas nem tanto assim, senti por uma fracção de segundo na altura. Mas, em termos gerais, um alívio.

 

E pronto, passei a ter uma amizade no Holmes Place. Pelo menos, meia hora da minha paz de espirito desvanecia-se todos os dias numa conversa, que não chegava a ser exactamente agradável porque eu dava por mim sempre muito tensa. Já não levava o Ipod muitas vezes, e estava sempre a dar aquela musica "Crazy". Lá no sisema de som local. Mexia comigo. Essa musica... Tudo. Resolvi fugir um bocadinho. Deixei de aparecer tanto. Mas ia aparecendo. E falava-lhe da minha mãe, e contava-lhe da minha relação sufocante... Ouvia tudo atentamente. Mediu-me o indice de massa muscular e em Junho ofereceu-me um manjerico. Largava os PT's para falar comigo um bocadinho, quando não estava de MI... Portanto, quando estava a fazer treino personalizado. Acho qe não podia muito fazer aquilo. Quer dizer, largar as pessoas. E eu estava sempre tensa. Passou um ano. E foi sempre assim. Tensão, casamento sólido, falta de ar... ah e muito humor. Tinha um sentido de humor que me desnorteava. Que me atraia escandalosamente.

 

A certa altura, pedi-lhe para me fazer a "Reprogramação". Fez. Durante, eu disse-lhe que, em geral, não gostava muito de pessoas. Perguntou-me imediatamente: "Mas de mim gosta, não gosta?". Deixei de ver o contexto. Não sabia o que responder: "De si gosto.". Corou muitissimo. Achei que aquilo não era realmente normal. No exercíco dos ombros colou o corpo nas minhas costas e eu achei que fez de propósito. E fez, mas não queria fazer. Foi sem querer, querendo, logo aconteceu.

 

Despareci por uns meses. Eu estava casada. Pesada. Sufocada. Conformadissima. Em principio parecia-me que estava bem. Em Outubro tinha uma viagem marcada para as Caraíbas. Não me pude imaginar em idilio conjugal numa praia deserta debaixo de duas palmeiras. "Olha, não podemos ir às Caraíbas, afinal. Sabes, o trabalho e tal...". Voltei ao Holmes da Defensores. Fui de manhã, como sempre. Mas decidi que aquela era a última semana de manhã. Na semana seguinte passaria a ir apenas à tarde. Era por causa do trabalho. Em principio, aquela amizade deixaria de ter pernas para andar poque a pessoa dos sorrisos só lá estava de manhã. Achei melhor fazer um convite para almoçar. Assim a título de despedida. Com o meu, nesse dia, tinha dois. Aceitou-me.

 

Fomos dali a dois dias. Não comemos nada. E durou até às cinco da tarde. Foi comigo buscar uns bilhetes para Barcelona, e depois eu fiz-lhe companhia até ao carro. "Venha treinar no sábado. Vou-lhe dar uma sessão de PT a sério". Disse que sim, mas, em segredo, decidi que não. Á noite ouvi uma musica no carro, parada num sinal vermelho. Era a "Carta", dos Toranja. E os sorrisos invadiram-me. Aquela parte da "chama minha e tua" perturbou-me tanto que arranquei do sinal à doida. "Eu não acredito, que isto me está a acontecer". Ía para casa. "Meu Deus! Não ponho mais os pés no Holmes Place!".  Tinha-lhe prometido um filme. Deixava na recepção e pronto.

 

No sábado telefonou-me. "Estou à sua espera". Respondi-lhe decidida: "não posso ir treinar. Vou passar agora aí para lhe dar o filme. Deixo na recepção". Estavamos em 2006. Outubro. Estava pronta para parar o jipe à porta, meter os quatro piscas e... Mas não. Estava lá fora à minha espera com o fato de PT vestido. Não achei normal. Parei. Abriu-me a porta. Entrou. Estendi-lhe o filme. Afastou o filme. Olhou-me e disse-me tudo. Respondi-lhe que, em pincipio, as pessoas não sentem essas coisas sozinhas. Saiu e, mais uma vez, arranquei deseperada.

 

Segunda feira fui à tarde. Estava lá. Esperou por mim. Era para me dar aquela sessão de pt do sábado. Está bem. Apertou comigo. Com os meus musculos. Disse-lhe que não queria nada. "Não tenho feitio para andar a enganar. Eu tenho uma relação há 6 anos e meio e você há muito mais, além disso, dois filhos. Não quero nada disto". Aumentou-me a carga no "Leg Press". Disse-me que também não queria nada disso. Queria ter uma relação comigo. "Mas não dá", disse eu. "Dá se nós sentirmos". Pensei que não podia ser. "Como?". Agora mandou-me correr na passadeira. "Vamos ter uma relação e se acharmos que vale a pena, você acaba com a sua e eu acabo com a minha". Eu estava doida com esta simplicidade. Achei tudo um absurdo. Não ia fazer nada disso.

 

Durante um mês namorámos todos os dias duas horas dentro do meu carro no jardim do Teatro da Praça de Espanha. Ao fim desse mês, eu já queria tudo, mas continuava a não decidir nada. Não fomos para a cama uma única vez. Mas em Novembro fomos então. Afinal estava tudo decidido dentro de mim. Em Dezembro sai de casa. A pessoa dos sorrisos veio viver comigo.

publicado por Cat2007 às 02:54
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