CAFÉ EXPRESSO

Julho 27 2009

 

 

 

Não, não. Isto não é tirado de uma novela mexicana dobrada em português do Brasil. Não. Isto é real e passou-se comigo há umas semanas atrás no Jardim do Príncepe Real. Passou-se comigo, ou seja, passou-se contra mim. Gostava de dizer que a pessoa se passou. Que foi um mau momento. Uma falha no processamento dos elementos químicos do cérebro. Que não é portuguesa, mas brasileira, o que atenuaria imenso a coisa. Mas não. Eu não tenho por hábito mentir, pelo que não vou começar agora. A pessoa que se expôs e me expôs a um ridiculo destes é portuguesa e muito convicta. Não fuma. Não bebe. Não toma comprimidos. Eu cá tomo Xanax, para que fique registado. No mais, precisei de vários naquele momento. No entanto, não tomei nenhum porque estava paralisada.

 

Tudo começou em Abril de há dez anos atrás. Abril é um mês muito importante para Portugal. Para mim também, que sou portuguesa.  E livre. Contudo, em Abril de 1998 eu não era livre. Amava profundamente uma pessoa. E vivia intensamente com essa pessoa. E discutia destrutivamente com essa pessoa. E sofria descompensadamente com essa pessoa. E era amada por essa pessoa. Tanto, que nunca mais fui amada assim.

 

E eis que surge um abutre esganado de fome. Agucou o olhar, tirou-me as medidas. Eu era suficientemente boa para comer (como, alíás, continuo a ser) e estava no ponto: perto de me tornar um cadáver. E o abutre caiu sobre mim. Meteu o bico. Eu estava quase morta. De amor. Assim que os abutres fazem: investem sobre carne morta. E perdi mais um pouco da vida desse amor, da ligação que existia com a pessoa que eu amava. Voltou a meter o bico. As consequências, claro, foram as mesmas. As asas enormes e o bico deste abutre cortaram todo o espaço por onde entrava o oxigénio do meu amor. A última bicada cortou a relação. Toda a gente sabe que os abutres não têm sentimentos. Por isso, se fossem humanos, eram típicos psicopatas.

 

Parti de mão dada com o abutre pensando que era uma águia real que me levava pelos céus. Note-se que isto é muito importante porque eu sou do Benfica.

 

Há fortes suspeitas sobre a enorme falta de inteligência dos abutres. Este, pelo menos, era desgradavelmente estúpido. É que achou que o trabalho estava completo e deu um salto para trás. Pretendia descansar um pouco para depois se atirar sobre a minha ligação de amor morta e devorar tudo até ao fim. Portanto, deu-me espaço. Logo, oxigénio. Logo, pude voltar a respirar e ver o meu amor. Apenas, a ligação estava muito danificada. Parecia-me impossível recompô-la. Além de que estava demasiado fraca. É preciso sublinhar que, se o abutre fosse um ser humano, poderia dizer-se que era amigo de longa data da pessoa que eu amava. Mas, como estamos a falar de abutres, é um disparate colocar assim a questão.

 

Pois andei em passeio breve sobre o dorso de uma águia real imaginada pela minha cabeça. No entanto, rapidamente notei que não tinha penas na cabeça. O que é completamente impossível para uma águia decente. Depois, tinha aquele pescoço nu muito comprido. E, Santo Deus!, aquelas asas tortas. Voava muito mal. Pensei que a águia estava doente. Fiquei com pena. O abutre investia mais e mais. Mas a minha ligação ao meu amor já se tinha revigorado. Porque era de uma força enorme. Na verdade, parecia mais morta do que na realidade estava. Mas fiquei com pena da águia doente. Resolvi ficar ali ao pé para, pelo menos, a ajudar a reaprender a voar. O que, como é bom de ver, não podia acontecer jamais. Porque, lá está, não era uma águia. Era um abutre.

 

A certa altura, senti o fio invisível que me ligava à pessoa que eu amava a puxar-me. Saltei do dorso da águia. Espantei-me por não me ter partido na queda. Julgava que estava a voar alto, mas, afinal, andei a pouco mais de um metro do chão. Foi tão fácil correr de volta. E corri, corri. Mas havia cortes importantes no fio que não se reconstituiam. Só o nosso amor se mantinha ali. Sofrido. Inalterdo. Mas sofrido. Dois anos depois. Partimos o fio em conjunto porque não era possível continuar. Já tinhamos as mãos a sangrar.

 

Reconstrui a minha vida com outra pessoa. Apaixonei-me. Ainda podia vir a amar. Talvez. O abutre voltou. Fazia um ano que eu estava apaixonada. O abutre fez a mesma manobra. Acontece que eu vi o abutre. Não vi qualquer águia. Peguei numa fisga, e mandei-lhe uma pedrada naquela cabeça feia.

 

Oito anos volvidos, o abutre veio de bico em riste. Abriu o dito bico, e disse a frase que faz o título deste post. É claro que este abutre fala porque faz parte do staff dos "gatos- pingados" que constam sempre de qualquer aventura dos livros do Lucky Luke. A questão é que este vai ser despedido. Os abutres não fazem casamentos. Fazem funerais.

 

publicado por Cat2007 às 15:50
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Julho 15 2009

 

Sempre tive medo de morrer de amor. Sempre. Tive algumas relações na vida. Algumas muito sérias. Elas sérias, eu nem por isso. Tinha de me concentrar em controlar os fluxos de sangue no meu coração e no cérebro. Estava muito séria nesta tarefa. Como me sentia culpada, cedia e concedia. Em muito e demais para mim. Mas isto não era mau porque me fortalecia as razões para a tarefa. O fim aparecia sempre no princípio, como se tivesse em mãos um projecto de arquitectura para a construção de um edifício fantástico, cujo projecto de execução eu haveria sempre de boicotar.

 

Tudo isto seria perfeito se eu não fosse uma pessoa muito carente e que, por acaso, até sabe amar. É por isso que me acontece sempre sair das relações a ser amada. Realmente, nem sei como consigo fazer estas coisas. Quero dizer, amar sem dar tudo, parecendo que mais não posso dar.

 Agora, e por mais alguns dias, ando a dormir com a mãe. Aproveitei que o pai não está em Lisboa. Meti-me na cama da minha mãe. Tal e qual. Isto porque acho que ela tem muitas culpas nesta matéria específica. Penso que sem saber, e não admitindo por isso a culpa, a mãe procura compensar-me de tudo. Tem sido um namoro pegado. Até colo ela me dá. Além de que me prepara sobremesas de fruta com imensa ternura. Já lhe disse que tem de ser só fruta, que eu não estou para engordar. As mães fazem tudo para engordar os filhos. É impressionante! Voltei àquela fase entre os cinco e os sete em que a mãe andava demasiado estrangulada para me dar atenção. Agora está a fazer tudo o que não fez.

Toda a gente pensa que a relação pai/filha é que é. A tal. A perfeita. A que funciona. Talvez até seja. Mas as mães… as mães lixam-nos. A nós, às filhas delas. A minha mãe é o amor da minha vida. Morrer de amor… só por ela mesmo.

 

publicado por Cat2007 às 13:38
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Julho 15 2009

 

Este post vem fora de tempo. Mas escrevi-o antes. Depois perdi-o para aqui nestas coisas da web, e agora apareceu. Não percebo nada disto. Não interessa. Vou publicar a coisa na mesma.

 

 

 

Jesus

 

 

Estava a pensar que devia escrever aqui alguma coisa. Mas o que seria interessante? Só posso escrever coisas que me interessem. Isso é que é interessante. E, aliás, é uma das regras deste blog. Sim, que eu criei regras, critérios, para isto. Portanto, todas as coisas que me interessam é que são interessantes. NOTE-SE, QUE O BLOG É MEU. Quando outras pessoas se interessam por coisas que eu escrevo aqui, é pura coincidência. Ou, melhor, pode não pura ser coincidência, mas é puramente involuntário.

 

Ultimamente, ando interessada no desfecho da novela "Quique Flores". Mas não muito. Sou do Benfica e gosto de futebol. Por esta ordem. Gosto de ver jogos. Do Benfica, de preferência. Posso ficar entusiasmada, aborrecida, irritada ou feliz. Mas isto só dura pelo tempo do jogo, e mais algum tempo depois (pouco). O que me interessa é que o Benfica ganhe. Se não ganha, também me interessa, mas as questões da minha vida pessoal não se projectam nestas coisas, para o bem ou para o mal. É que tenho mais em que pensar. E porque tenho mais em que pensar, não penso muito nas questões de bastidores do mundo do futebol. São tão estimulantes como a melhor das novelas mexicanas. Estimulam quem têm de estimular.

 

O futebol só é muito importante porque tem milhões e milhões de adeptos, logo uma imensidão de potenciais consumidores, telespectadores, ouvintes de rádio, leitores de jornais, etc. Daí que é um bocadinho ingénuo, para não dizer imbecil, perguntar qual é o interesse do futebol. Bom, e assim se explica a existência de tantos sábios, sacerdotes, eruditos, aspirantes e seguidores do fenómeno da bola. Portanto, nós, os meros espectadores, devemos esforçar-nos para estar sempre por fora disso e concentrarmo-nos nos incidentes e nos resultados dos jogos.

 

Em síntese, não quero saber por quais processos vamos ficar a saber quem é o próximo treinador do Benfica. E mais, seria incapaz de comprar um jornal desportivo.

publicado por Cat2007 às 13:35
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