CAFÉ EXPRESSO

Outubro 31 2010

 

 

Vou tentar escrever uma coisa difícil. Vou tentar contar uma estória verdadeira, que pode não ser. Começo já assim para lançar a confusão. Tenho este feitio. Bem, mas dizia que é difícil porque eu não sei se é uma história minha ou de outra pessoa. Lá está o meu mau feitio. E mais, nem sequer sei se é mesmo uma estória real. Pode ser tudo inventado. Pois claro, a imaginação. Sim... Está bem.

 

Então, a estória que se segue pode ser verdadeira ou não. E pode ser minha ou de outrem. Acabei de fazer uma síntese que nem sequer da estória é. Nem sei o que dizer sobre isto. Talvez seja melhor continuar... a ser complicativa.

 

Para complicar, acresce que não sei como contar o que quero contar nos moldes em que o desejo fazer. Não quero dar nomes, datas e locais. É que se isto for tudo verdade, não me posso comprometer. Se for tudo ficção, não quero mentir e mentir. Dá muito trabalho mentir. Porém, a ser verdade, quero dizer sem cronologias expressas, sem rostos concretos, sem exactidões fisico-materiais. O caminho será contar pela indicação e respectiva descrição de emoções. Das minhas emoções face à estória. 

 

Era uma vez...

 

Alguém que me disse eu amo-te. Pela segunda vez na minha vida estavam a dizer-me uma coisa destas com intenções de definitividade. E a primeira declaração análoga ainda me ecoava nos ouvidos até à surdez.

 

 

Antes de prosseguir, devo confessar que, de todas as vezes que interagi, e com todas as pessoas da interacção, eu disse amo-te. E, como é evidente, não fiz  trocas sistemáticas apenas duas vezes na vida. Mas disse. Porque não dizer, se era mesmo isso que sentia? Amor. Sentia, sim. Mas com que espírito? Falta de presença de espírito? Espírito romântico? Libertinagem cabotina? Complexo de Bela Adormecida? Vasco da Gama? A curiosidade matou o gato? Estou tão tonta que nem consigo pensar?O casamento de Carlos e Diana? A princesa Estefânia do Mónaco na sua época áurea? Os trapezistas do Circo Chen? Não sei. Sei que sentia. Vontade de dizer para aproveitar os feitos e os efeitos da coisa. 

 

E, no entanto, em verdade confesso, a consciência do efémero nunca se me perdeu. É que, antes de mais nada,  eu já tinha  lido o Livro do Desassossego de Bernardo Soares do Fernando Pessoa. Como esquecer que "não é possível comer-se um bolo sem ao mesmo tempo o perder"? Isto é uma simplicidade tão impressionante que se torna inesquecível. Igualzinho ao Cats do LLoyd Weber. Na simplicidade recta, quero dizer.

 

Sob o outro aspecto, o não imanente, o que mais em comum têm o Livro do Desassossego e o Cats é mesmo a perenidade destas obras criadas a propósito do efémero. Já para não falar do emprego do Bernardo Soares ao balcão da retrosaria, claro. Tão inconcebível e perdurável como aquela gata velha a cantar o Memories.

 

Pausa.

 

Ah, o Cats! Não posso continuar sem deixar um pequenino apontamento sobre o Cats. Não. Não vou falar do que toda a gente sabe. Vou dizer o que alguns ouviram da boca de uns tantos que foram a Londres e a Nova York, mas não viram o Cats. E de outros que não foram, mas que, se fossem, não veriam o Cats. Os mesmos que estiveram posteriormente no Coliseu a ver o Cats.  O A lógica deste ciclo é encontrada quando ouvimos esta gente a exprimir-se assim:" Fui ver o Cats. Estava à espera de um espectáculo extraordinário, e afinal aquilo não era nada de especial". Agora pergunto eu: é possível dizer uma saloiada maior do que esta? Não, não é possível.

 

Fim da pausa.

 

Apesar do Desassossego, das duas vezes em que me falaram de amor devotado para sempre, eu acreditei. E também achei que sim. Creio que uma pessoa gosta de ir na onda. Não compreendo porque não fazemos todos surf. Para sempre. O Amor, pois.

 

Da primeira vez era mais verdade do que a verdade do Vinicius de Moraes. Foi um amor mais eterno do que aquilo que durou. Até porque ainda existe, não ostentando qualquer aspecto de bolo de confeitaria francesa. A vida na memória da alma tem uma existência extremamente digna.

 

Pese embora, ao que consta, Jesus Cristo tenha afirmado que o passado e o futuro são meras irrealidades. O único momento temporal que é verdadeiro e existe materialmente é o presente. Duas conclusões. Nunca será inventada a máquina do tempo, por impossibilidade técnica permanente. Os AA e os NA estão certíssimos quando se auto impõem não beber ou não tomar drogas "só por hoje", respectivamente.

 

Da segunda vez era uma mentira das piores. Não há pior mentira do que aquela que é contada na convicção primária de que se está a dizer a mais pura das verdades. Há amores assim. Devotados para sempre. Atulhadinhos de problemas de identidade. Assim como quem se chama Pedro e afirma com todas as suas convicções que é Paulo. Amores que, em análises de primeiro nível, não sabem que não o são. Sentimentos pró-narcísicos. É o que são estes amores.

 

A pessoa que inventa o amor à força é principalmente um recipiente. Porque decide sobre o que precisa, projecta no outro e finalmente espera receber tudo. Todo o amor. Nem mais nem menos. É um recipiente, sublinho. Quem é o outro no meio deste processo? Quem era eu, se é de mim que estamos a falar? Não é importante. Tecnicamente, se era eu, podia ser qualquer uma.

 

Se houver alguma ponta de verdade nesta estória, tive um recipiente destes na minha vida. Um tupperware com sentimentos. Não faz sentido. Por isso, a impressão que dava é que estava sempre a transbordar de sopa feita anteontem. A tampa aguentava mal a pressão e caiam pelos lados pequenas porções de substâncias previamente levadas ao liquidificador. 

 

Portanto, fui confundida com um legume e passaram-me a varinha mágica. Fiquei pronta para sopa num instantinho. E num passo estava dentro de um bonito tupperware (admito, a beleza, quero dizer) e fomos viver para o interior do frigorífico.

 

Não sei se foi da tampa, mas não percebi logo onde estava metida. Enquanto isso, dizia o tupperware para a sopa: "eu amo-te muito e quero ficar contigo para o resto da vida". Isto é má fé! Qualquer caixa plástica de vão de escada sabe muito bem que as sopas, se não forem consumidas em tempo, azedam e têm de se deitar fora. What's the point em manter uma sopa para sempre enquanto dura dentro de um recipiente fechado no frigorífico? Ou, melhor, para quê fingir que se é uma caixa plástica, mesmo que seja de boa qualidade?

 

Bom, mas já não me é permitido continuar a recorrer às alegorias de Kitchnette (como raio se escreve isto? Será assim?). Não é possível continuar com a estória nestes termos. Não tenho talento para isso. Vou estragar tudo. Vou revelar o fim. O grupo final de emoções. O desfecho do novelão (de novela, não de novelo).

 

Foi-me dito que eu sou "um bluff muito bem montado, porém não incontornável". Não sei se esta construção é um original ou uma reprodução. O que sei é que fiquei a pensar no caso. Serei muito bem montada? Em que sentido? Acho que não percebo bem. Ser bem montada é, em princípio, uma coisa boa. Seja lá em que sentido for. Está lá dito: Bem. Bem é bom. Bom é bom. Bom é a forma masculina de boa. Logo, bom é boa. Então, obrigada pelo elogio. Smile!

 

Gosto de imaginar que sou uma boa égua de tourada. É fechar os olhos e pensar na beleza, no garbo, na elegância e, sobretudo, na nobreza e na coragem desta fêmea. Se os touros falassem, também diriam com irritação venenosa, depois de lhes ser aplicado um artístico par de banderillas: "esta égua, tão bem montada, é um bluff incontornável". OLÉ!

 

Espero que esta estória tenha sido contada de uma forma suficientemente confusa. A ver se não se percebeu por aqui muita coisa.

 

Muito obrigada!

publicado por Cat2007 às 16:45
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Outubro 23 2010

 

 Não sei se toda a gente precisa de referências na vida. Assim para se guiar. Coisas de que se vá lembrando de vez em quando. Quando de quando em vez dá por si parado. A reflectir. Eu preciso de guias de reflexão. Actualmente, e desde há uns anos, que tenho duas referências fundamentais. Duas pessoas que não são pessoas, são um conjunto precioso de valores morais e éticos, de inteligência e de capacidade de sobreviver, de conhecer a dor e de perceber o que significa a felicidade. Duas pessoas que são pessoas. Pois são. Dois seres humanos muito diferentes um do outro. Porém unidos dentro de mim por uma caracterisitca comum. Uma invulgar capacidade de ser humanitário.

 

Falo do António Victorino d'Almeida. De um amigo. De quem não vou falar agora. Ficará para depois.  É um sobredotado. Não é fácil falar duma complexidade destas, tendo em conta a simplicidade com que aparece. Igualmente, o tema que agora me motiva não está directamente relacionado com as referências que este homem personifica.

 

A outra é uma mulher. Chama-se Lúcia Esaguy Simões. Uma senhora! Não é uma amiga no sentido comum do termo. Mas há um laço de apreço profundo que me liga a ela. Talvez para sempre. Foi uma sorte termo-nos cruzado um dia na vida. E ainda no outro dia nos encontrámos. Sempre que isto acontece, acontece algo dentro de mim que me deixa comovida. Creio que é a admiração. Podemos comover-nos até às lágrimas quando admiramos uma pessoa. Porque há um nível de admiração que roça o amor.

 

 Na primeira vez que a vi recebi um impacto que silenciou tudo dentro de mim. E me obrigou a olhar para ela. Só para ela. Bastou entrar. Ia falar. E mal começou, emergiu  o puro poder. Aquele que não é solicitado. Aquele que não é concedido por terceiros. O poder que existe dentro do ser que foi capaz de o inventar e de o exercer sem pedir ou perguntar nada a ninguém. É um poder muito poderoso porque é interior, como disse. Porque vem do ser. Um poder assim está coberto de humanidade e por isso é bom. Perante ela foi possível desmascarar imediatamente um enorme conjunto de gente mesquinha. Creio que é fácil perceber porquê. Os que são apenas fracos também não conseguem conviver com ela. Com a Esaguy. Todos têm medo. Os mesquinhos e os fracos. E nem sabem bem de quê.

 

Certo dia, em conversa demorada confessou-me várias coisas e fez duas declarações em português abrasileirado. Foram muitos anos a viver lá. "Você muda, sim. Quando você precisa" e "Sempre encarei as dificuldades como oportunidades".

 

"Mas uma pessoa não muda aquilo que dentro de si é estrutural". Debatia-me eu. E ela: "Mas é disso mesmo que eu estou a falar. Da mudança interior. Na alteração da sua estrutura. Se Você precisa, você muda". O meu cérebro ficou vazio de todas as ideias. Tinha que ouvir a história. Compreendi que ilustrava a experiência que a obrigou a mudar estruturalmente num aspecto da sua estrutura. Algo que não estava bem integrado em face das circunstâncias com que a vida a confrontou. "Se você não muda, você morre.". Ela mudou. Pediu ajuda especializada. Fez um esforço alucinante. E mudou. Com esta mudança, primeiro, sobreviveu e, por fim, venceu.

 

"Mas existem determinadas dificuldades que podem ser insuperáveis". Continuava eu. Já não me debatia. Estava só a dar o mote. "Nenhuma dificuldade da vida, e não da morte, é insuperável. O que está à sua frente é um desafio à sua capacidade de superação. Você tem que vencer esse desafio porque, no final, você se transforma numa pessoa muito mais capaz". Abri muito os olhos para ver com detalhe um capítulo de vida que me ia ser apresentado. O filme rodou.

 

No fim, relaxei o meu peso sobre a cadeira. Estava contraditoriamente esmagada e viva. Quase tão morta, que pude ver uma luz incomum. Que me apelava em direcção a um estado de tranquilidade de que eu jamais ouvira falar. Deixei-a com as minhas mãos carregadas de instrumentos de trabalho para a vida. Que não pesavam. Sem querer, aquela senhora obrigou-me a rever muita matéria dada, mas mal apreendida. Conscencializei-me logo ali.

 

Porém, nada na minha vida tem efeitos imediatos. Não sei se é por estupidez pura. Pode ser apenas porque sou lenta a agir. Antes de mais nada, tenho que pensar, pensar, pensar... Trouxe nas mãos  um segredo. Não o usei até chegar à beira do abismo. E foi neste lugar que ouvi de novo. "Você muda porque precisa". Toquei os meus olhos encharcados. Apertei as minhas mãos feridas e sujas. Meti os dedos dentro dos buracos das calças nos joelhos. Senti o ardor da carne dilacerada pelos dentes que imaginei que a solidão tinha. Mudei! Na estrutura. Mudei! Agarrei-me à camisa branca da dor para a sujar e ser levada no seu embalo. Para me dar a oportunidade de ser, primeiro, uma pessoa mais capaz e, depois, um ser humano capaz.

 

 

Ando até hoje a tentar adaptar a minha capacidade de sofrimento. Quando sinto que estou a perder-me de mim, olho. "Estou a precisar de mudar alguma coisa séria?", pergunto-me. "Isto é alguma oportunidade, dada a dimensão das dificuldades", questiono o silêncio exterior a mim. E faço sempre alguma coisa. Mas ainda não estou boa nisto, confesso. Embora me encontre muito melhor, admito.

 

Sei muito bem porque a reconheci imediatamente. Àquela senhora. Eu entendo bem porque entendi todos os detalhes das histórias que me contou. Na verdade, contou-me a história da sua vida. Não me escapou a nuance mais densa. Sem arrogância digo que também tenho o poder de inventar o poder. Porém, o meu poder ainda me consome. Parece que não gosto dele. Obriga-me a lutar. E eu que tantas vezes só quero fechar os olhos e dormir. Na cama. Como se estivesse no útero.

 

É esta armadilha chamada carência afectiva que me afasta do senso de mim desde que me conheço. A grande diferença, é que esta espécie de alucinação já não caminha nas minhas costas. Eu virava-lhe sempre as costas para fingir que ela não existia. Hoje procuro olhá-la permanentemente nos olhos. Para a repelir. Na maior parte das vezes, consigo. Mas há momentos em que não. A carência volta a acertar o passo nas minhas costas.

 

Ainda muito recentemente vivi um desses momentos. Horas de inventar personalidades maravilhosas em corpos atraentes. Quando nem sequer sei ao certo um nome. Quando nem reparo bem num corpo. Mas eu mudei! Já há algum tempo que mudei, como disse. Peguei na carência pelo colarinhos e arrastei-a para a minha frente. Olhei-a bem de frente. Nos olhos. E empurrei-a para o chão. Virei-lhe as costas já indignada. Ficou lá estendida sem se atrever a seguir-me.

 

Na verdade, não importa o que os outros querem, dizem, fazem ou são. Na verdade, o que importa é a nossa própria integridade. A prática constante daquilo que verdadeiramente somos. Se somos. O discurso-referência da Lúcia Esaguy Simões é, em síntese, de integridade. Através do fenómeno do reflexo do espelho, verifico que sou uma mulher integra. Tenho orgulho nisto.

 

Muito obrigada.

 

publicado por Cat2007 às 03:44
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Outubro 21 2010

 

A beleza é uma característica humana, que não afecta todos os seres humanos por igual, e que é altamente conceituada em várias publicações da especialidade, bem como nos demais meios de comunicação, os quais estão também a tornar-se da especialidade. É assim que a beleza está em todo o lado menos à frente dos nossos olhos. Compreende-se isto. A beleza fulgurante não surge no nosso dia-a-dia rotineiro porque não seriamos capazes de a vislumbrar. Por causa do efeito de lupa, claro.

 

Nesta ordem de ideias, ou melhor, por causa destas ideias, ocorreu-me agora que no mundo existem umas pessoas que são papabiles e outras que são papáveis. Se quisermos tornar o termo papabile intraduzivél para português, poderemos afirmar com segurança que as primeiras são os cardeais candidatos ao lugar do Papa. A ideia aqui é sentar uma destas pessoas numa cadeira muito importante. Ao que consta, na cadeira de Pedro, o pescador. Não é espantoso? Pergunto-me se os pescadores da Nazaré, ou de outra localidade pesqueira qualquer, já tomaram bem consciência disto. Sobre as segundas, se, do mesmo modo, ficcionarmos a impossibilidade de tradução do vocábulo para o latim, é licito dizer que se trata de pessoas candidatas a serem deitadas em camas potencialmente importantes, muito importantes ou mesmo nada importantes. Tudo depende dos objectivos e da sorte. É claro que os papabiles também se deitam. Onde não sei porque nunca visitei o Vaticano.

 

Mas o certo é que a roupa e respectivos adereços contam muitíssimo para a beleza que cada um exibe. Então o que será mais bonito? Um vaporoso Dior ou as sumptuosas vestes de um cardeal? E será uma escolha fácil?

 

Há um homem que fala sobre as pessoas lindas e famosas. Não é o único. Com certeza. Mas este é talvez mais irritante que os outros que por aí andam. Refere-se ao pessoal da realeza como se fosse amigo lá de casa. Ou melhor, lá do palácio. Transmite, alias, imensas opiniões sobre as opiniões da princesa Diana. Como se ela lhe andasse a contar coisas mesmo depois de morta. Creio que, se ela estivesse viva, talvez fosse da opinião de que não deveria falar com um homem destes nem morta. Enfim, mas a questão nem se colocaria, uma vez que mais facilmente Lady Di poderia conviver com um pobre de Angola do que com esta criatura saudável e de barriga cheia, que mete jogadores de futebol e estrelas pop no mesmo saco azul dos legitimos membros das famílias reais. Este ser confuso que, diga-se, jamais terá entrada em qualquer palácio de vão de escada. A não ser talvez ali no Palácio de Belém no dia da celebração da República. Como foi agora no 5 de Outubro.

 

Mais informo que, num destes dias, o ouvi na rádio "não sei quantas", uma rádio que ninguém conhece, a comentar alguns aspectos da vida de miss Hilton. Já a mudar de posto, ainda consegui reter que o digníssimo não a achava "nada de especial, mas apenas engraçada". Não vou discutir a questão da beleza da visada, como é evidente. Vou é referir que não sei o que queria ele dizer. E que, seja como for, a P. Hilton não sabe quem ele é, para todos os efeitos. Designadamente para o efeito de não ser possível à criatura concretizar um dos seus grandes desejos na vida: ser amigo pessoal da própria loura Hilton.

 

Enfim, mas tudo isto para dizer que a maioria dos ilustres universalmente conhecidos dos nem por sombras tão ilustres jornalistas (?) cor-de-rosa e respectivo eleitorado, perdão, queria dizer dos seus leitores e ouvintes,  trabalham e têm responsabilidades monumentais. A Rainha Isabel II, por exemplo farta-se de trabalhar e só tem chatices. Tenho a certeza deste facto desde que vi o filme A Rainha. Não é linda, parece-me, mas é famosa. Porém não é papável porque não é católica. E aqui a tradução não está espartilhada. Jamais poderia alimentar aspirações ao papado. Seja como for, um inquérito feito em Inglaterra revelou que a maioria dos ingleses gostariam de a papar. Não sei se estão confusos com a hierarquia do clero inglês ou se se é por ela ser "apenas engraçada".

 

 

publicado por Cat2007 às 01:56
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Outubro 17 2010

 

Andava aqui por casa a fazer o que ainda não foi feito - e não estará concluído tão cedo - enquanto ouvia uma coisa chamada Soul Train. Trata-se de uma colectânea de 5 cds de conteúdo muito Motown gravado ao som da respectiva época áurea. Claro que ouvir o Al Jarreau a cantar o Lean on me é um prazer que não vale a pena descrever. Assim como não vou perder tempo a falar do incontornável Rainy Night in Georgia, pelo Brook Benton. A questão é que estou com uma dor de cabeça monumental. Já tomei um comprimido. Agora estou à espera que passe.

 

Entre ontem e hoje, ouvi cada música dos 5 cds. Em conclusão, nunca mais perco esta minha mania de recorrentemente recorrer ao autoflagelo. Deve ser a história da culpa católica. Tantos rugidos a cheirar a álcool e metais revoltados a abrir, destruiram quase irremediavelmente o meu sistema nervoso. Acrescento ainda que o melhor que a Tina Turner fez na vida foi separar-se do Ike. Portanto, ainda bem que o homem lhe batia. Para a motivar a dar o passo decisivo, quero dizer.

 

De modo que passei para uns easy moods do Michel Legrand. Instrumental. Está a tocar. Mas tenho que ir ali desligar rapidamente. É que estou com a sensação de aeroporto e com a impressão que não fiz o check in. Acresce que não gosto muito de andar de avião. Tenho medo. Tenho medo, uma vez que, estou certa, se pedir para pararem aquilo para eu sair, ninguém me vai ligar nenhuma. Bem, tenho mesmo que ir ali desligar. Senão isto aqui vai ficar péssimo. Volto já. Já voltei. Demorei cerca de 2 segundos. Foi um bom tempo. Começo a sentir os efeitos. Estou a ficar calma. Resta dizer que, graças ao Xanax, sempre voo. Estou, portanto, perfeitamente disponível para viajar. É pois preciso usar de algum cuidado quando se criticam as drogas

 

Quando abri a página do Sapo para entrar no editor do blog estava lá a notícia que o PCP ía chumbar o OE. Eu disse notícia? Enganei-me. Não me lembro quando foi a última vez que o Partido Comunista aprovou um Orçamento. Provavelmente não estava atenta. De qualquer modo, o actual secretário-geral (como é que ele se chama? ... ah, Jerónimo de Sousa!) argumenta que "o partido votará contra devido aos insuportáveis sacrifícios para os trabalhadores". Creio que, na óptica do PCP, todas as medidas, de todos os governos e em qualquer conjuntura, implicam sempre "insuportáveis sacrifícios" para os trabalhadores. Para além de considerar que é uma vergonha ser assim tão demagógico e hipócrita, também acho que alguém devia informar Jerónimo que não é presidente de nenhum sindicato.  

 

Era só um pequenino apontamento sobre a vida política nacional. Foi uma onda estranha que me tomou. Mas felizmente já se desfez. Como acontece a todas as ondas. Do mesmo modo que não gosto de discutir futebol, detesto falar de política. E, note-se, gosto muito de futebol e de política. Também gosto de pasteis de bacalhau. Mas tento comer em casa. Aquela imagem do copo de vinho tinto e do pastelinho é esmagadora. De facto, a política e o futebol despertam paixões de taberna, café da esquina, rulote ou autocarro. É em qualquer sítio onde calha o povo encontrar-se.

 

Observar o povo a fingir que se preocupa a sério com os problemas colectivos é demais para mim. O povo quer é saber de bola, de aconchegar o estômago e comentar da vida alheia. A este propósito, vou aqui introduzir um trecho do Pessoa. É pequenino e reza assim: " O povo é bom tipo. O povo nunca é humanitário. O que há de mais fundamental na criatura do povo é a atenção estreita aos seus interesses e a exclusão cuidadosa praticada, tanto quanto possível, dos interesses alheios". Sim. É do "Livro do Desassossego" de Bernardo Soares. Por fim, esclareço que não tenho simpatia particular por nenhum partido. Mas que, porém, sinto uma especial antipatia pelo PCP. No mais, sou orgulhosamente sócia do Benfica.

 

Mencionei as drogas a fechar o segundo parágrafo. Volto ao tema para dizer que a cocaína, a cafeína e a nicotina foram as únicas que me convenceram. Não sei muito bem que conclusão retirar daqui. Pode ter a ver com problemas de tensão. Tenho a pressão baixa. Para mim, abandonar uma grande paixão nunca constituiu problema insuperável. Faço uma coisas destas na mais completa descontracção no agir. Embora com a plena consciência que a dor... a dor dói. Por vezes, muito. Mas basta ser verdadeiramente necessário. Deixar. Assim, quando for verdadeiramente necessário, a nicotina também será abandonada.

 

Claro que estou a falar do meu instinto de sobrevivência. Está em forma. Melhor, sempre esteve. Nunca me faltou. Agradeço-lhe do fundo do coração. Já agora, também agradeço ao coração por saber bater-se tão bem com a dor. Nunca tive que lhe dizer "pára deixa de bater/eu não te acompanho mais". E, contudo, sempre vivi uma estranha forma de vida. No entanto, tenho um coração dependente.  Conclui-se assim que há dependências boas. E voar é preciso.

 

publicado por Cat2007 às 19:19
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Outubro 16 2010

 

De há uns dias para cá que não faço outra coisa senão espetar com músicas no Facebook. De facto. Não faço outra coisa. Nos meus tempos livres, claro. Mas digo assim porque quero dizer que só sei fazer bem uma coisa de cada vez. Esta é, aliás, a razão pela qual a maior parte das coisas que eu faço não tem a qualidade que devia ter. Vou verter umas lágrimas. Zzzzzz. Triiiimmmm! Ops! Afinal adormeci. Confesso: sou muito exigente comigo mesma. Tempo de sorrir agora. ................ Já sorri.

 

 

Ando como um copo de plástico com tampa cheio de líquido lá dentro. Só não digo que estou como um shaker porque não me sinto a abanar. Antes pelo contrário. É mais uma sensação de Tupperware (é assim que isto se escreve?). Creio que existem copos de plástico com tampa da marca Tupperware. Isto se for assim que se escreve. Caso contrário, não há copos destes. A figura de estilo, a metáfora, é paupérrima. Eu sei. Mas não me sinto mais poética. Ora, poética é a minha deixa. A deixa que eu precisava. Para falar das minhas músicas publicadas na rede social. Porém, vou deixar a deixa uns segundo. Só porque preciso de dizer uma coisa muito importante. Acho que é melhor fazer parágrafo.

 

Já no novo parágrafo. Então, tenho muito gosto no gosto que alguns (não muitos) dos meus amigos no Facebook revelam no que toca à identidade com os meus gostos. Gosto muito de partilhar tudo o que seja um gosto. Dar prazer é um prazer. No entanto ou coevo (coevo quer dizer o mesmo que no entanto... ridículo! Coevo lembra um coelho que gosta de covas. Hum...), tenho de confessar que não publico my songs no Facebook com espírito de partilha. Mas com alma de Adam Smith.

 

Um parêntesis. Será preciso explicar a teoria da Mão invisível agora? Ainda que seja, não o vou fazer. Por pura preguiça, recomendo uma pesquisa rápida no Google e  uma leitura atenta  do Raymon Barre ou do próprio tio Adam. Para quem não está a ver. Não? Porque não? A informação não enche o cérebro no sentido de o fazer explodir, embora haja quem credite nisso. Antes, o esforço intelectual desata imensos nós no raciocínio. Funciona quase como um óleo ou um lubrificante (é como se queira), por um lado, e como uma máquina de musculação, por outro. Embora, sobre este último ponto, eu não saiba se é correcto dizer que o cérebro pode ficar tonificado. Porque não é um músculo. É um órgão.

 

Órgão, pois. Podia já voltar à música através deste link. Mas não. Ainda não terminei o meu pequenino apontamento sobre a questão anterior. É preciso dizer ainda que o que cansa não é estudar os assuntos. O que realmente desgasta é a obrigação de tratar assuntos sem interesse, os maus métodos para abordar as questões interessantes e a falta de fé no interesse das questões que têm mesmo o maior dos interesses. E tudo isto que acabo de dizer pode ser visto numa perspectiva tabelar. Por exemplo, quem perceber as teorias económicas liberais, vai querer saber das keynesianas, depois das neoliberais e finalmente vai compreender que também na economia não vale a pena ser fundamentalista e que a crise do modelo português se verifica porque Portugal não tem  modelo nenhum de governação. Sim. Parece chato. Mas garantidamente não é. Além de que o conhecimento básico sobre estas questões poupa-nos ao ridículo de falarmos como um taxista com necessidades de desabafar, um puro adepto de futebol ou um jogador habitual de bingo. Isto é muito importante  num contexto em que estamos mesmo à beira da bancarrota e os cafés se enchem de gente que come pasteis de bacalhau e dá opiniões sobre a alta finança.

 

Informo que estou a encher o Face com as coisas que me apetecem ouvir neste momento e em cada momento que as coloco lá. Tenho em casa quase todas. Mas nem sempre estou em casa. Algumas tenho em DVD, mas uma minoria delas. É muito fácil abrir a página e escutar vendo. Uma e outra. Um pouco de uma e mais um bocadinho de outra. Repetir. Isto. É isto! Fica tudo muito ali à mão. Também  o processo de recolher e publicar é muito útil. Porque desencadeia emoções. Tudo começa numa emoção. Depois vem outra. E mais outra.  E mais e mais. Fico toda emocionada, afinal. É que as emoções são assim como as cerejas.  

 

No seu conjunto, tudo isto se refere a um exercício de descompressão. De quê? Da entrega total. Da minha entrega total e sem reservas ao trabalho. Neste momento estou muito apaixonada pelo meu trabalho. E por mais dois trabalhos, para além da minha actividade profissional principal. Mas que estão relacionados com ela. Todos os frutos do meus peditórios  são recolhidos e investidos nestas actividades. Disse apaixonada, mas não é a mesma coisa, como é evidente. Por isso reparo em mim um tanto vazia. Como que despojada das chamadas vivências emocionais puras. Aquelas que arrebatam. Simplificando, e deixando-me de tretas, estou naturalmente carente. A boa notícia é que a coisa é voluntária. Hierarquia das prioridades.

 

A música, como a leitura e a escrita sempre me fizeram viver. Vibrar. Os amores também. Muito mais, claro. Nada como um amor agora. É o que me apetece dizer. E fazer. Então um amor com música e leitura... Mas não pode ser. Decido. Não agora. Depois. Prometo. Agora não, que não confio em mim agora. Informo. Sou uma desvairada irresponsável. Tenho a certeza. Revelo. Tenho provas. Que vou guardar. Sou uma cedente e concedente. Capaz de deixar tudo por amor. Uma incapaz, portanto. Tenho testemunhas. Em tempos, devia ter sido inabilitada. Obrigada a andar com um tutor à perna. A minha familia só não me processou por causa do amor por é composta por um conjunto de corações moles.

 

Poética era a deixa. Afinal passaram muito mais do que alguns segundos e não fiz apenas um  parágrafo. Nunca mais apreendo o senso da disciplina! Pois, exacto, a disciplina. Já ia divagar outra vez. Por isso, disciplinadamente, vou voltar à palavra-deixa que já ia deixar de novo. Poética.

 

Poeta era a Florbela Espanca. Publiquei o Fanatismo cantado. Minha  alma de sonhar-te anda perdida/Meus olhos andam cegos de te ver. Foi assim o meu primeiro amor. Entre outras emoções, revivi nestes dias os momentos em que me foi lido este poema dos Sonetos. Lido sem roupa. Dentro de uma cama. Quanto tempo ficou esta cama por fazer? Não estou segura da resposta. Só  da violência daquela paixão que se manteve única até hoje. A minha questão da altura permanece. Why did you have to be a heartbreaker?

 

Porém, não vou contar agora aqui cada história cantada das minhas paixões encantadoras e dos meus desencantos.

 

Boa noite.

 

publicado por Cat2007 às 02:38
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Outubro 10 2010

 

Não há dúvida que escrever é preciso. Muda sempre alguma coisa. Por vezes o peito enche-se. Não sei se é de de mágoa. Não sei se é de raiva. Não sei se é de confusão. Não sei se é de angustia. Não sei se a angústia é tudo isto. Quando o peito não se enche estamos bem. Isto é só uma constatação de um fenómeno físico que nos acontece. E os fenómenos físicos são o nosso barómetro mais fiável. Ou seja,  o corpo é que sabe. Toda a gente sabe. Portanto, desconfio de afirmações como "o meu peito encheu-se de alegria". Não. Porque o peito está mais leve. Se está mais leve, não pode estar cheio, mas vazio ou a caminhar para isso.

 

A importância das coisas importantes da vida quanto vale no seu todo? Em que estado ficarão as nossas coisas importantes face à realidade espelhada no Orçamento do Estado ou na intervenção do FMI ou por causa de ambas as coisas? O que é importante? São as aquisições, as procissões, as exibições, as representações e as apresentações? O que me importa pode ser medido em função do PIB?

 

O que é importante para mim? faço esta pergunta a partir de um ponto em que me encontro descentrada de mim mesma. Pouco interessada nos meus interesses de consumo imediato. E lembro que dentro deste conceito de consumo imediato cabe o sexo, ou o amor, ou outro tipo de afecto ou lá o que se queira chamar aos fenómenos. O que é importante para mim? Faço a pergunta a pensar exclusivamente em mim. É assim que funciona. Embora pareça estranho. O que é importante para mim é uma questão universal que para o ser efectivamente deve ser colocada por cada um de nós. Por todos nós. E assim se atinge a universalidade. Cada pessoa a perguntar: "o que é importante para mim?".

 

Está errado por princípio questionar sobre o que é importante para os outros. E também está errado pelos princípios. Quando queremos saber dos outros antes de saber de nós raramente estamos de boa fé. Sustento esta afirmação com o instinto de sobrevivência. Uma pulsão natural que nos leva sempre a fazer as coisas mais correctas à luz dos princípios. E parece até que moral e instinto nada têm a ver. Mas têm. Com efeito, existe uma Lei Natural que rege todas estas coisas. De forma que tudo se encaixa. Nenhum ser humano mal preservado tem capacidade ou qualidade para partilhar positivo. Só negativo. Por vezes, meio negativo e meio positivo. Mas o meio negativo e o meio positivo não existem. Só a dúvida. A dúvida sobre a bondade de alguma coisa faz dela automaticamente uma coisa má. O bom não é meio nem mais ou menos. É bom. Se não é bom é mau. Por exemplo, uma casa mal construída será sempre uma má casa. Não é aceitável que se diga "é uma casa com um bom quintal, mas tem um mau telhado e uns péssimos esgotos. Embora, as paredes sejam muito sólidas. Assim, é uma casa mais ou menos boa". Ninguém quer uma casa mais ou menos boa. Mesmo que tenha uma grande área. O bom e o mau estão relacionados com a utilidade e a expectativa que as coisas podem dar às pessoas.

 

Quem quer dar o que não tem só pode estar a querer enganar os seus visados. As boas intenções são suportadas por capacidades sólidas. As boas intenções irritam qualquer um porque são mais um modo de tentar obter satisfações pessoais. Dar não pode ser um acto pensado nem com especificas motivações. Dar é uma pulsão natural do ser vivo que está bem. Dar a voz. Dar o olhar. Dar a pele. Dar o suor. Dar o ombro. Dar a mão. Dar o tempo. Dar por instinto. Não há outra forma efectiva e util de dar.

 

O que é importante para mim? O que me lava a angustia? O que me faz sorrir porque respiro na plena capacidade dos meus pulmões soltos? Sorrir a sério talvez seja a maior das dádivas. Pela boa energia que instala. O Orçamento do Estado e o FMI tiram-me a capacidade de sorrir? Em caso afirmativo, o caminho que tenho a percorrer ainda é longo. Se falo do Orçamento do Estado e do FMI é porque nem por sombras são para aqui chamados mas estão na ordem do dia. Procuro ser actual, portanto.

 

O consumo. O consumo engorda. Ponto final. As pessoas querem dar e receber coisas de consumo. Por aqui medem o nível da generosidade do mundo. E depois admiram-se que se vejam envolvidas numa teia de relações de interesses que em nada satisfaz as suas necessidades ou, quando satisfaz, cria outras piores. Coisas que ninguém estava à espera. O antidepressivos, por exemplo, são coisas que os seus actuais consumidores não estavam à espera de ter de consumir. O médico deu a receita. O doente pagou a consulta. O doente nunca pensou que um dia ficaria assim doente.

 

Na verdade, o nivel d consumo necessário também se mede pelos indicadores fornecidos pelo instinto de sobrevivência. Tudo o mais que precisamos são valores. Quem não percebe isto, não vive, inventa fantasias tão letais como as SCUTS.  instinto de sobrevivência manda essencialmente adquirir valores. A justiça, a lealdade, a verdade, a honestidade, o esforço, o trabalho. Os valores encaminham-nos para a paz pessoal. A paz pessoal liberta-nos os pulmões para nos abrir o sorriso. De sorriso aberto podemos dar tudo o que temos. Porque tudo o que temos pode ser dado sempre e a todos sem nunca se gastar.

  

 

 

 

 

publicado por Cat2007 às 18:31
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