CAFÉ EXPRESSO

Março 30 2011

 

Uma vez li num livro de autoajuda que “a vida não teria interesse nenhum se nos limitássemos a viver sentados numa cadeira de baloiço a comer sorvetes”.

 

Em primeiro lugar, foi o primeiro e único livro de autoajuda que li em toda a minha vida. No entanto, até concordei. Naquele momento. Presentemente apetecia-me estar numa metáfora parecida. Igual não, que eu não tenho grande simpatia por sorvetes. É que a grande actividade e os excitantes desafios diários são uma enorme chatice. Porque não existem no sentido cinematográfico dos termos. Estou entediada, portanto. Não deprimida, pois. Acontece-me muito.

 

Os livros de autoajuda não ajudam a espantar o tédio. Nem a resolver problema nenhum, de resto. São receitas mágicas que ninguém consegue concretizar. E muito menos os seus autores. Estes escrevem os livros e realizam-se financeiramente com as suas vendas.  

 

As pessoas não são repositórios de instruções de bem fazer, tendo em vista realizar feitos incríveis como atingir a felicidade, a riqueza e até a saúde. Gostava muito de conhecer alguém que tivesse tirado real proveito de um produto destes. Portanto, uma pessoa que tenha ficado feliz, rica ou muito mais saudável depois de ler e seguir escrupulosamente estes segredos amplamente divulgados. Por definição, um segredo revelado deixa de o ser e perde o valor.

 

Bom, por enquanto, o que vejo é que os livros vendem imenso e o mundo corre da mesma forma. O único livro de autoajuda que pode ajudar é aquele que cada um estiver disposto a escrever a si próprio. E nem é preciso propriamente escrever.

 

Surge-me um nome. Francesco Alberoni. O sociólogo italiano que se metia a falar da vida das pessoas em todas os aspectos da afectividade humana. Este homem escrevia livros de autoajuda disfarçados de análises sociológicas. Acredito que esta foi a única forma que encontrou para produzir Best Sellers. Sexo, amor, dinheiro e saúde. Os temas que vendem. Que o digam os astrólogos.

 

Há uns tempos atrás não se podia ver ninguém que não trouxesse convicta e orgulhosamente debaixo do braço o “Enamoramento e Amor”. Uma praga! Abri. Li o primeiro parágrafo. Devolvi. Autoajuda. Na devolução tive que disfarçar. “Muito interessante”. Menti. Não gosto de magoar as pessoas sem necessidade.

 

As banalidades. Vamos ver?

 

“O que é o enamoramento? É o estado nascente de um movimento colectivo a dois”. Sim?  

 

Pois. “O enamoramento não é um fenómeno quotidiano…antes pode ser inserido numa classe de fenómenos já conhecidos, os movimentos colectivos”. Como?

 

De facto, “não pode ser confundido com outros tipos de movimentos colectivos, como a reforma protestante, o movimento estudantil, o feminista … ou o movimento islâmico de Khomeini”. Ah, bom!

 

“Contudo, pertence ao mesmo género, é um caso especial de movimento colectivo… as forças que se libertam e que actuam são do mesmo tipo, muitas das experiências de solidariedade, alegria de viver, renovação, são análogas”. Mau!

 

“A diferença fundamental está no facto de os grandes movimentos colectivos serem constituídos por muitíssimas pessoas e estarem abertos ao ingresso de outras mais”. Bem me parecia.

 

“Contrariamente, o enamoramento, sendo embora um movimento colectivo, nasce apenas entre duas pessoas, e o seu horizonte de dependência, qualquer que seja o valor universal que possa desencadear, está vinculado ao facto de ser completo com duas únicas pessoas”.

 

Com este livro, andou tudo a aprender o que é o amor, o enamoramento e o sexo. As pessoas apaixonavam-se e depois iam lá ver se batia certo, talvez. Também costumavam olhar para as relações dos outros e falar delas com propriedade, não sei.

 

Mas o que é isto? Quem é que precisa de um livro para saber aquilo que sente? Pelo menos o que sente. Valha-me Deus!

 

Agora já estou menos entediada.

 

publicado por Cat2007 às 20:58
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Março 28 2011

 

Se agora tivesse mais de meia hora… Se agora tivesse mais de meia hora era capaz de explicar a razão de ser desta espécie de depressão que de mim incide sobre quase tudo. A vontade de ficar sentada num sofá aconchegante forrado de veludo da cor do vinho tinto. É como me apetece estar. Talvez esteja autosugestionada pelas minhas próprias impressões, mas olho para as pessoas na rua e penso que também lhes deve apetecer fazer o mesmo. Ainda que talvez num sofá de outra cor forrado num tecido diferente.

 

Aparentemente, toda a gente deixou de fingir que é feliz só para mostrar aos outros. Desde que foi tornado público que existe um padecimento geral por causas da mesma natureza daquelas que fundamentavam a representação, que se verifica um relaxamento colectivo triste. O que isto, a ser verdade, pode ter de bom é que a autenticidade estará a vencer a hipocrisia apatetada pintada tipo máscara na face dos medíocres que o são por via da inconsciência (ausência de conhecimentos) e da falta de senso (de uma consciência) sobre o bem e o mal.

publicado por Cat2007 às 16:14
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Março 19 2011

 

 

Hoje é dia de Lua. A maior Lua de todos os tempos e de todas as décadas. Não sei. É a maior Lua de qualquer coisa num dado tempo histórico.

 

Ainda bem que somos todos um bocado infantis e gostamos de assinalar e festejar factos assim.

 

Via-a hà pouco. Estava bonita. Muito redonda numa cor diferente para o mais amarelo brilhante. Mas não era dourada.

 

O meu signo é Caranguejo. Logo, sou regida pela Lua. Mas como não acredito em astrologia estou-me a c...

 

Não não vou escrever a palavra. Detesto-a. E escrita parece que ainda soa pior.

 

Mas claro que não me importo de escrever Puta. Já se sabe.

 

publicado por Cat2007 às 21:24
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Março 18 2011

 

A propósito de alguém que eu um dia amei e me trocou deliberadamente por uma garrafa de whisky escrevi em tempos o seguinte:

 

"Guardo comigo o meu património que tenho a sorte de poder transportar dentro de mim para todo e qualquer  lado. O meu património e eu é tudo aquilo que tenho e sou.  A pessoa com quem eu vivi é um dos meus maiores espólios. A nossa grande vantagem foi termos conseguido ser em conjunto duas individualidades distintas, cada uma igual a si própria" - http://ogatogaga.blogs.sapo.pt/13800.html.

 

Apaixonei-me por esta pessoa quando tinha uns 12 anos. Estava em casa a ver televisão. Uma novela. Cerca de uma década depois estavamos a viver na mesma casa. O que durou por mais de seis anos.

 

Digo que me apaixonei com 12 anos porque há diferentes formas de isso acontecer. Na verdade, ficava presa àquele concreto personagem de uma novela que em mais nada me interessava. Gostava do timbre e da projecção de voz. Dos gestos e das poses. Gostava da entoação das suas palavras. Havia uma força. Depois esqueci.

 

Quando me voltei a apaixonar pela mesma pessoa, ela estava fora da televisão. Assim, acabei por amar. Porque havia uma força.

 

Depois acabou porque sim. JB. Mesmo assim, pensei que havia uma força.

 

Sei que fui amada com razão. Havia também uma força em mim.

 

No outro dia fiz um trabalho escrito. E tirei fotografias para um album de recordações. Tudo coisas minhas. A pessoa com quem eu vivi já não bebe. Por isso já devia ser capaz de gostar tanto de mim como eu dela. Mas não Gosta. Não é. Capaz. Por isso mandou-me a seguinte mensagem: "Abençoada pela luz, as fotos estão a matar! Quanto à liberdade que tiveste no texto... muito pouco credível e oco! Parabéns pelo feito! BJ". Parece veneno.

 

BJ? JB? Não BJ. Fico sentidamente grata à vida por não ser JB. Eu fico.

 

O que será que motiva uma coisa destas? É uma pergunta retórica. Cada vez estou menos preocupada. Tenho pena. Pelo património da pessoa com quem eu vivi.

 

 

publicado por Cat2007 às 18:47
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Março 14 2011

 

 

No outro dia perguntaram-me como sabia dizer tanto sobre putas. E clientes, já agora. Bem, leio. Quando se quer saber o que os homens pensam das mulheres, é pegar em alguns autores. Dos melhores aos piores. Do BuKovski ao Henry Miller. O que importa é que sejam misógenos. É só. É só, e a observação. Também se aprende um bocado fazendo as perguntas certas às pessoas. De uma vez que fui ao "Trombinhas" fartei-me de fazer perguntas a uma funcionária muito simpática que se prestou ao desabafo.

 

Agora o Kundera. Já nem sei há quanto tempo li este livro. "A Imortalidade". Inesquecível. E certas passagens dele não se apagam mesmo da minha memória. A que trancrevo já em seguida vem a propóstito.  Porque me contaram há dias que uma certa lésbica tinha uma gata. Nada de novo. Quase todas as lésbicas de um certo tipo têm gatas. E não gatos. Claro. O ar felpudo e aveludado que tudo isto tem, é inenarrável. Não passível de descrição, portanto. Paciência. Mas pior é que há pior. Esta lésbica dona de uma gata afirmava que a sua gata, que até tinha nome de bailarina das "Folie Bergere", era lésbica. 

 

Bem, ouve-se uma coisa destas e é preciso parar para respirar. Uma boa dose de oxigénio no cérebro é uma grande ajuda para arrumar as ideias. De ideias arrumadas respondi: "Não há gatas lésbicas. Há gatas de lésbicas". E, já agora, as gatas não têm culpa nenhuma dos nomes que lhes dão.

 

E posto isto vamos lá às gatas do Kundera:

 

"No nosso mundo em que todos os dias aparecem cada vez mais caras cada vez mais parecidas umas com as outras,não é fácil para o homem a tarefa de querer confirmar a originalidade do seu eu e convencer-se da sua inimitável unicidade... O método de Laura... para o seu eu mais visível, mais fácil de captar, para lhe dar mais espessura, acrescenta-lhe sem parar novos atributos,com os quais tenta identificar-se (correndo o risco de perder a essência do eu, sob a camada desses atributos adicionados).

 

Tomemos o exemplo da gata. Depois do divórcio, Laura ficou sozinha num grande apartamento e sentiu-se triste. Quis partilhar a sua solidão,que mais não fosse com um pequeno animal. A sua primeira ideia foi arranjar um cão, mas rapidamente compreendeu que um cão exigia cuidados que ela não estava em condições de lhe prodigalizar. Por isso arranjou uma gata. Era uma grande siamesa, bela e má. À força de viver com ela e de falar dela aos amigos, acabou por conceder a essa gata,escolhida quase ao acaso e sem grande convicção (porque afinal de contas, ela começara por querer um cão!), uma importância sempre crescente: gabou por todo o lado os méritos dela, obrigando toda a gente a admirá-la. Viu na gata a bela independência, o orgulho, a liberdade de atitude e a permanência de um encanto (muito diferente do encanto humano, que alterna sempre com momentos de falta de jeito e de desgraça); viu um modelo na sua gata reviu-se nela.

 

Não importa saber se, pelo seu carácter, Laura se parece ou não com a gata,o importante é que ela a desenhou no seu brasão e a gata se tornou um dos atributos do seu eu. Tendo vários dos seus amantes mostrado à partida a sua irritação perante aquele animal egocêntrico e malevolente que, por tudo e por nada, se punha a soprar e a arranhar, a siamesa transformou-se no teste do poder de Laura,que parecia dizer a cada um deles: ter-me-ás,mas tal como sou na realidade, quer dizer com a minha gata. A gata era a imagem da alma dela, e o amante devia começar por aceitar essa alma se queria depois possuir o seu corpo".

 

Creio que agora se compreende o raciocínio lésbico daquela lésbica quanto à sua gata que,  tanto quanto sei, também era má. Coitadas das gatas, ainda que más. É o que me resta dizer.

publicado por Cat2007 às 19:54
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Março 14 2011

 

Somos todos muito bons. Mas tão estúpidos que costumamos secretamente “comparar o nosso interior com o exterior dos outros”. As aspas aqui indicam obviamente que não estou a dizer coisas originais dentro das aspas. Foi um amigo que falou nisto no outro dia. Trocávamos ideias sobre autoestima. “Pois, eu visito aqueles sites porno. E às vezes fico lá horas”, dizia ele. E eu: “ o que tem isso?”. E ele: “Sinto-me mal. O vício, sabes?” E eu: “Não vejo onde está o problema. Qualquer um se vicia numa coisa dessas. Por definição é assim”. E ele: “Mas há tipos, amigos meus, que lá vão e não ficam tão obcecados.” E eu: “Quem te disse?”. E ele ficou calado. Acrescentei então: “Esses gajos não te contam o que tu me estás a contar agora. Talvez se sintam tão mal ou pior do que tu. Mas como se riem quando falam do caso, imaginas que estão cool. Tu também lhes deves parecer cool. Porque não lhes dizes como te sentes. Também te ris para eles, claro”. E foi aqui que ele soltou a frase. “Pois. Comparamos sempre o nosso interior com o exterior dos outros”. Ora nem mais. Somos tão bons que mostramos o nosso exterior no nosso melhor. Que é para ver se os outros se sentem menos do que nós quando secretamente o comparam com o interior deles. Assim, podemos fingir todos que somos todos muito bons.

 

O processo descrito cansa-me. Estou farta de pessoas impecáveis e bem sucedidas. Como eu. Eu significa toda a gente. Gente que sabe sempre o que diz e faz, dizendo e fazendo sempre as coisas mais acertadas. Cansa-me o brilhantismo e a pertinência. Estou saturada de feitos cheios de qualidade e bom senso.

 

Por outro lado, fico impressionada com a crítica. Enquanto críticos, somos todos muito exigentes. Isto é porque fingimos que somos todos muito bons. A crítica finge que aspira à excelência. Como se fosse um motor para a melhoria das coisas. Porém, no que se repara é que a critica só serve para contrariar. As pessoas e os factos que nos contrariam. A Clara Ferreira Alves é muito boa naquilo que faz. Por isso não percebo porque razão se disse no outro dia no Jugularque um texto dela era pobrezinho. A Clara Ferreira Alves tem direito a não ser brilhante em todos os momentos da vida em que está acordada. Nunca me preocupei em saber das suas preferências políticas ou das suas crenças estruturais. Sinto verticalidade e coerência. Também inteligência. A Clara Ferreira Alves é capaz de escrever textos pobrezinhos e dizer disparates. Era o que faltava que não fosse. Mas não era o caso, por acaso. Mas e se fosse? Tudo que é bom da Clara Ferreira Alves não passaria a pobrezinho e medíocre. Uma mulher tem direito a estar cansada. Sempre que estiver, terá a minha compreensão porque já disse coisas que me ensinaram coisas. Agradeço-lhe. Se não fosse humana, seria brilhante em todos os momentos. Ou seja, uma grande maçadora. Assim, é das mulheres portuguesas públicas que mais me prende a atenção. Talvez também por me parecer integra. E disto eu gosto muito. É integra no que me aparece. Logo, je l’aime.

 

Todos somos pessoas banais. E isto é muito bom. Só é má a parte em que não se aceita este facto. Por vezes fazemos coisas boas, mais ou menos ou excelentes. Por vezes temos mérito, pouco mérito, muito mérito ou mérito nenhum. Por vezes estamos cansados e só queremos ir para casa. A genialidade anda sempre acompanhada da estupidez pura. Por outro lado, a estupidez pura às vezes tem rasgos de génio. E isto ainda se aplica à Clara Ferreira Alves, que não é nada estúpida, antes pelo contrário. Mas serve para qualquer um de nós, que temos mais probabilidades de fazer coisas estúpidas do que brilhantes e que, em geral, somos apenas produtores banais. Acredito na excelência dentro de cada um de nós. Se não andarmos a fugir da nossa autenticidade, ela acabará por surgir aqui e ali. Nem sempre estúpidos. Nem sempre excelentes. Nem sempre banais. Mas nunca melhores do que os outros em termos globais. Por muito que uma verdade destas doa a alguns, muitos, de nós.

 

Acresce que estamos sempre a qualificar e a agrupar as coisas e os factos em conjuntos e grupos. Quem não cabe num é metido ou mete-se noutro. Quem não encaixa em nenhum é metido no grupo que está contra ou é desqualificado por não ser suficientemente mau e vai para este grupo. Li o que escreveu um sociólogo sobre “Os Homens da luta”. Pareceu-me que estava a lutar contra eles porque não concebia que estes tipos até agora não podem ser encaixados. Não se pode dizer que eles “acabaram por dar impacto ao evento que precisamente pretendiam ridicularizar”. Como é óbvio, ao aparecerem no Festival da Canção “Os homens da luta” foram capazes de sacudir para longe o nosso tédio. Mais nada. Por mim digo: ainda bem que valorizaram o Festival da Canção com isso. Não foram lá para ridicularizar nada. Este sociólogo fez uma declaração estúpida, portanto. E confirmou o que eu tenho vindo a dizer. Somos banais e a maior parte das vezes dizemos coisas estúpidas. Temos que ser compreensivos uns com os outros. Eu sou compreensiva com este sociólogo publicável. Mesmo que me irrite que o tipo ande cheio de si próprio. Nu, no fundo ele sabe que não é assim tão bom. E eu também sei. Qualquer um de nós percebe isto. Basta não compararmos o nosso interior com o exterior dele.

 

Ainda sobre o festival da canção, eu tenho boas recordações. Era uma coisa do tempo dos dois canais RTP. Faz parte da minha história de vida em crescimento crucial. Não queria que caminhasse em passo agoniado para a morte. Por isso obrigo-me a ver anualmente a coisa. Como um dever de lealdade para a cumprir. Atravessar uma verdadeira seca. Lá estava eu este ano outra vez. Desanimada.

 

Inesperadamente, diverti-me imenso. Os “Homens da luta” fizeram o favor de me fazer este favor. Eu não ando em luta nenhuma e nunca telefono para concursos. Foi tão bom, que liguei pela primeira vez o número. No fim, senti que ganhei. A participação e a vitória destes tipos não foi um facto destrutivo, mas um fenómeno desconstrutivo. Um balão de oxigénio. Agora é melhor repensar os propósitos do Festival RTP da Canção. Acho. Não sei. Acresce que não fui para a manifestação “À rasca”. E se fosse seria apenas para registar o que de eventualmente divertido se pudesse passar por lá. Lamento.

 

Sei lá o que foram os “Homens da luta” fazer ao dito festival. Talvez promoverem mais um bocado as coisas que andam a fazer. O seu trabalho. Não acredito que pensassem que ganhavam. Também não foram para lá gozar. Têm de ganhar dinheiro para viver e procurar por isso o seu nicho de mercado. Eventualmente, teriam mais convites para festas académicas. Como o Quim Barreiros já teve quando se deu a onda Quim Barreiros. O pessoal das universidades que lá estuda tem gostos diversificados desde que a cena seja para o incomum. Claro que os homens da luta nada têm a ver com o Quim Barreiros. Por mim, ainda bem. Não telefonava para lado nenhum por causa do Quim Barreiros. Talvez seja por causa do bigode demasiado farfalhudo e de concomitantemente estar sempre a cantar sexo. Parece que não faz em qualidade ou qualquer coisa assim.

 

Bom mas os "Homens da luta" apresentaram-se à RTP e ao público que sente muito pelo Festival da Canção como são. São um bocado anárquicos. Dizer que “são maus actores cómicos” e que “Ricardo Araújo Pereira é Ricardo Araújo Pereira” é querer outra vez meter as coisas em caixinhas muito organizadas. Há o Herman, há o Nicolau, há os “Malucos do riso”, há o Bruno Nogueira, há o “Gato Fedorento”. Caixinhas de estilos de humor. É preciso meter os tipos da luta numa destas caixinhas? Parece que sim porque dá mais conforto à cabeça. Isto é democracia. Igualdade e uniformidade. O que é diferente agrupa-se em diferentes grupos no objectivo da inclusão. Na verdade, em democracia há liberdade a mais. Se não se organiza a vida de toda a gente, ninguém se entende. É preciso qualificar as coisas de uma maneira qualquer. Não importa se bem ou mal. Importa arranjar uma fórmula para dizer o que é. Assim já sabemos todos do que estamos a falar. Em democracia ter parâmetros é muito importante. No império da crítica é necessário dar os nomes aos bois que é para dizer que este boi é bom e aquele é mau. O bom é meu amigo. E o mau é detestável. Falo da democracia portuguesa.

 

É verdade que nem sempre me ri com as cenas dos tipos na SIC Radical quando resolviam estar na luta. Gostava mais do "Carlinhos o machista gay". Mas muitas vezes ri-me. Se estes gajos estão a gozar com alguma coisa, é mesmo com as parvoíces revolucionárias e com todos os revolucionários e contrariadores em geral que são apenas isto. Ou seja, com os idealistas da canção, da guitarra e do bigode Cheguevara. Aquele pessoal que gosta imenso de estar nas manifs, mas pouco faz pelo próximo. Os homens da palavra e da cervejola que nunca foram capazes de ultrapassar com sucesso a questão do generation gap e depois, sem riscos e quando há oportunidade para isso, clamam que estão contra o mundo em geral. 

 

Neste quadro, o tipo de humor dos manos Duarte é outro. Improviso e coragem física, uma lata descomunal e a mania da provocação. Sempre gostei de pessoas que fazem o que lhes apetece e se divertem imenso a fazer isso. Aplaudo quando alguém consegue conquistar alguma coisa sendo assim. Espero que fiquem ricos. Como é óbvio, se começarem a levar-se muito a sério, talvez percam o melhor que têm agora. E talvez percam a graça também.  Não sei se já entraram por aí e já fingem que se preocupam com as cenas sociais e tal. Não leio as entrevistas. Gostei do que vi até à vitória no festival nacional. Faço apenas questão de ver como será na Europa. O meu registo é este. Festivais a cheirar a mofo e cheios de produtos de péssima qualidade, actualmente, vindos sobretudo do leste. Espero que me voltem a divertir. Porque o Festival Eurovisão da Canção é um verdadeiro massacre. E no entanto faz parte do meu património. É muito importante para mim não suportar este concurso e no entanto desejar que tenha, pelo menos, algumas coisas boas.

 

Enquanto Presidente da República, detesto o Cavaco Silva. A pessoa não conheço. Mas espero sempre que ele, o presidente, diga alguma coisa boa. Quero elogiá-lo, por favor. Não gosto de legumes e fazem bem à saúde, pelo que procuro sempre comer bastantes. Não estou, claro, a comparar Cavaco com um legume. Só com a esperança de que haja por ali alguma espécie de vitamina política. A verdade é que tenho que respeitar a vontade democrática e aceitar que este homem vai andar por aí a discursar por mais uns anos. Tem que tirar alguma coisa em condições da horta.

 

Há pessoas desonestas que por vezes não o são. Há pessoas honestas que roubam no supermercado. Fico contente com as duas coisas. Nem todas as piadas saiem bem. Nem todos os discursos são perfeitos. Há textos vazios. Cometem-se erros graves com influência nos destinos nacionais. Há muitas coisas boas e más produzidas por todos nós. Mas sobretudo, não há ideologia nenhuma. Se as pessoas tiverem valores e fizerem o melhor que podem, já não é nada mau. E o cansaço afecta toda a gente. Porque é que não podemos simplesmente fazer merda e pronto? É que fazemos. Todos.

publicado por Cat2007 às 00:58
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Março 13 2011

 

O meu texto está a bold. Podia dizer mais qualquer coisa. Mas não vale a pena. Só que já ouvi isto muitas vezes. E sempre me deu a raiva. Esta música e o Sinatra fazem-me sentir a raiva. De viver. Para viver. Eu acho que a vida se pode resumir numa  série de determinadas canções. E que sem fé não vamos exactamente a lado nenhum.

 

 That's life, that's what all the people say.
You're riding high in April,
Shot down in May
But I know I'm gonna change that tune,
When I'm back on top, back on top in June.

I said that's life, and as funny as it may seem
Some people get their kicks,
Stompin' on a dream
But I don't let it, let it get me down,
'Cause this fine ol' world it keeps spinning around

I've been a puppet, a pauper, a pirate,
A poet, a pawn and a king.
I've been up and down and over and out
And I know one thing:
Each time I find myself, flat on my face,
I pick myself up and get back in the race.

That's life
I tell ya, I can't deny it,
I thought of quitting baby,
But my heart just ain't gonna buy it.
And if I didn't think it was worth one single try,
I'd jump right on a big bird and then I'd fly

I've been a puppet, a pauper, a pirate,
A poet, a pawn and a king.
I've been up and down and over and out
And I know one thing:
Each time I find myself laying flat on my face,
I just pick myself up and get back in the race

That's life
That's life and I can't deny it
Many times I thought of cutting out
But my heart won't buy it
But if there's nothing shakin' come this here july
I'm gonna roll myself up in a big ball and die
My, My

 

publicado por Cat2007 às 00:08
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Março 12 2011

 Nº 358 10 Mar  a 16 Mar 2011

 

 

A revista Sábado publicou esta semana em destaque um "Relato na Primeira Pessoa", de Teresa Pinto, advogada de 38 anos. Neste artigo é descrita "a vida amorosa de uma bissexual" em alguns trechos de romances vividos (http://www.sabado.pt/epapper/)

 

No fim, Teresa revela que é homossexual mas que a sua experiência reflecte a vida de uma mulher bissexual. E, quanto a mim, é este o ponto mais interessante de toda a história. Porque em Dezembro de 2010 eu escrevi neste blog um texto sobre o mesmo tema (http://ogatogaga.blogs.sapo.pt/55730.html). Reedito agora alguns extractos. 

 

"Ser bissexual é como apanhar um barco que flutua num rio situado no meio de duas estradas paralelas... Começo por assinalar que os barcos só se apanham quando não há alternativas melhores. As estradas de que falei têm nomes. Heterossexualidade (HT) e homossexualidade (HM). Assim como o rio que, evidentemente, se chama bissexualidade (BI)."

 

"... não existe a bissexualidade. A terra firme da orientação sexual é a heterossexualidade ou a homossexualidade. A bissexualidade é um passeio de barco que nos faz bem para arejar ou para nos recompormos. Podemos fazer a viagem sempre que quisermos. Normalmente, ela acontece quando precisamos. Mas, como disse, não tem consistência. Porque as coisas não se passam em terra firme."

 

Ou seja, na minha opinião, não há bissexualidade que sempre dure. Porque a bissexualidade não é uma orientação sexual. Antes, é um estado de coisas emocional passageiro. Dure lá o tempo que durar.

 

 

  

publicado por Cat2007 às 04:31
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Março 09 2011

 

 

 

 

 

Olho para trás. E faço uma retrospectiva. Santo Deus! Estou a olhar para o tecto com olhos de prece. A quantidade de pessoas a quem eu disse “amo-te”. E o ror de vezes que me disseram isto. Continuo a olhar para o tecto. Quer dizer, no momento anterior a este em que voltei a olhar para as teclas do computador. É que aqui não há milagres. Ou se reza ou se escreve. Mas afinal não há o grande amor da nossa vida? Talvez. Mas não está no meu passado. Isso eu garanto. Se estivesse, morava também no meu presente. É óbvio.

 

Vou abrir um parêntesis para lembrar que as coisas não se passavam assim nas peças estruturantes da nossa educação infantil, como a Bela Adormecida ou na Gata Borralheira, por exemplo. Em princípio, cada um de nós tinha direito a um único amor na vida e as formas de amar reduziam-se a uma única. A que correspondia à fórmula “e viveram felizes para sempre” depois de terem enfrentado diversidades imensas por causa de pessoas feias e invejosas. Neste contexto, andar a foder para a esquerda e para a direita não tinha lugar. Pois claro.

 

E já que aqui estou. Neste assunto dos contos de fadas, aproveito para recordar que, nesta literatura didáctica para o são desenvolvimento dos valores humanos, se defendia que pessoas feias e invejosas eram gente má. Os feios, sobretudo as feias a bem da verdade, invejavam os bonitos e por isso faziam-lhes as maiores maldades. Tentativas de homicídio inclusivamente. Refazendo a prosa. As feias eram invejosas por causa da beleza das bonitas. A inveja levava às más práticas. E assim as feias eram más porque faziam maldades em virtude de serem feias. Em resumo. Uma mulher feia era uma mulher má. Se fosse bonita seria sempre muito boa pessoa.

 

Também merece nota o facto de a beleza feminina andar sempre ligada à brancura da pele. Não tenho dúvidas do preconceito de índole racista que subjaz a este entendimento não expresso. Uma preta jamais poderia ser bonita. Logo era má. De qualquer forma, para os autores dos textos em questão as pretas não existiam nos “Reinos Mágicos”, pelo que, como disse, é um entendimento não expresso. Não admira que tivesse ficado confusa quando vi a Sara. Uma menina que apareceu lá na minha classe na escola primária. Era preta, embora não fosse. E eu até lhe disse para a confortar: “Ó Sara não fiques triste. Chamam-te preta, mas não é verdade. Tu és castanha”.

 

Acresce que a pele muito branca era atributo das princesas. Porque só havia duas classes sociais, para além do clero. Os nobres e os camponeses. A avaliar pelas vestimentas dos personagens das histórias de encantar a nossa infância, o “Reino Mágico” tinha existência na era da economia de subsistência onde toda a riqueza provinha do que a terra podia directamente dar. Dado que as princesas não faziam nada e as camponesas trabalhavam, como o próprio nome indica, no campo, umas eram muito brancas e as outras tinham a pele queimada pelo sol. É que, embora existissem praias, estas não eram consideradas. Com efeito, a ideia do turismo só apareceu muito mais tarde. Portanto, e posto isto, as camponesas também eram feias. Quer dizer, as mulheres pobres também eram más.

 

Agora apareceu o Shrek a tentar desfazer alguns destes mitos. Porém, para a maioria de nos, tarde demais. A beleza é importantíssima. E toda a gente queria pelo menos ser rico. O mais perto que se pode estar da condição de príncipe, imagina-se. Enfim, anda meio mundo frustrado à conta de uns quantos contos infantis perversos. Parêntesis fechado.

 

Claro que, apesar da educação, lá conseguimos admitir que ninguém precisa de ser especialmente bonito ou ter muito dinheiro para aspirar ao amor. A amar e a ser amado. Assim, apetece-me imediatamente dizer que já declarei amor a uns quantos coirões que nem ricos eram. E veja-se como sou ácida, caraças! Parece que se não fossem coirões, pobres, coirões pobres ou coirões ricos teria sido bafejada pelo Grande Amor. Eu que definitivamente não sou um coirão nem pobre. Uma pessoa cresce mas as coisas da infância realmente não nos largam. É demais!

 

E era disto que eu queria falar realmente. Não. Não queria chamar “coirões” às pessoas. Queria dizer que as tretas dos contos de encantar são tretas e que designadamente não há só um amor na vida que nos afecta. Um único amor para a vida. Do princípio ao fim da vida. Pela vida fora vamos amando. O amor da nossa vida não existe se colocamos a questão em termos de perfeição das coisas teoricamente perfeitas com tiques de afectados por tops e rankings.

 

Eu gostei de várias pessoas. Vivi um tempo com algumas. Achei que queria lá ficar para sempre e ser feliz até à morte. Vale a pena esta ilusão enquanto se está no filme. É para ser mais leve e intenso. Amando, amei mais umas pessoas do que outras. No fim do filme sai sempre chateada. Mesmo quando fui eu a tomar a decisão. É que criam-se ideias sobre as pessoas para que elas nos sirvam melhor os interesses. Depois lá verificamos que têm imensos defeitos e alguns que não conseguimos mesmo contornar. E é isto que realmente me chateia quando acabo. Perceber que afinal as pessoas são apenas comuns e têm coisas que eu não gosto. Sinto-me enganada. Logo ressentida. Um disparate.

 

As relações passadas sempre me fizeram sentir um receio actual. Aceitar que gostava hoje das pessoas que estiveram lá comigo ontem. Debati-me sempre contra isto. Uma parvoíce. Porque é verdade. Gosto de todas as pessoas com quem andei. Hoje gosto. E dizer isto é muito diferente de declarar que ainda gosto. Não. Já não gosto. Antes pelo contrário, gosto. É diferente. Que alívio. Tinha medo que não fosse.

 

Apesar de muitas daquelas pessoas nada terem a ver comigo e malgrado algumas não terem muito bom carácter, gosto de todas. Porquê? Porque um dia gostei de uma forma especial. Temperada de ilusão, bem sei. Mas foi especial o que acabou por se viver. Senão não me tinha iludido. E é isto que me faz gostar dessas pessoas hoje. Mesmo sendo verdade que não me apetece nada ir ao cinema com nenhuma delas. Mas gosto e vou continuar a gostar. De um modo que não gosto do Zé da esquina.

 

Posto isto é fácil perceber porque me magoa que ex-amores que foram amores no passado andem hoje a portar-se mal comigo. Tenho dito.

 

publicado por Cat2007 às 22:51
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Março 07 2011

 

 

A resposta parece óbvia. As putas não beijam porque vendem o corpo mas não transaccionam afectos. Toda a gente sabe o significado de um beijo. Mesmo não sabendo explicar, toda a gente sente o significado de um beijo. Mesmo não sentindo, toda a gente sabe o que se pode sentir com um beijo. Num beijo há uma dádiva. Mais, num beijo, há uma troca de dádivas. Isto é pacífico para toda a gente. Ora, uma puta não faz dádivas. Em princípio, antes pelo contrário, vende matéria, líquidos e sons. Um cliente, por sua vez, também não faz dádivas. Paga o preço de um bem que deseja consumir no chamado “mercado do prazer”.

 

Porém, não é bem assim. Pois que a clientela não vai lá basicamente para se vir. Se fosse só para isso era mais simples e mais barato fazer como sugeria Bukowski. Partir um ovo cru na mão e meter a mão à obra (Bukowski, Charles, 1982, “Ham on Rye”). Ainda que se admita que a ejaculação seja melhor dentro de uma mulher ou logo depois se estar lá estar um bocado. Mesmo assim não podia dizer-se que um homem compra o sexo de uma puta para meter o seu próprio lá dentro com a finalidade de sentir o prazer prévio e o tal enorme alívio final. Ejacular. Porque isto só seria verdade se os clientes das putas não tivessem muitas possibilidades de foder com mulheres sem directamente pagar nada por isso. Claro que antigamente era mais ou menos assim. Hoje em dia, parece que não para a generalidade dos casos. Portanto, o desejo de partilhar uma ejaculação não pode logicamente ter por única finalidade a própria ejaculação. Parece que o que importa aqui realmente é, antes pelo contrário, a partilha.

 

Pois, de facto, uma puta também vende ilusões. Sobretudo ilusões. Afinal, o corpo que usa para ser usado é apenas o meio de lá chegar e de fazer chegar. Cada cliente leva a sua ilusão consigo. Cada ilusão vem disfarçada de fantasia sexual. Algumas fantasias são muito simples. Quase nem merecem a designação. São as fantasias do “agora vou despejar na gaja”. Outras são complexas. E podem até ser perigosas. E, quando não o são, pelo menos dolorosas e/ou humilhantes podem ser. Para a puta ou para o cliente. Depende do serviço encomendado. Também depende do que cada puta está disposta a fazer. Com efeito, nem todas as putas estão disponíveis para deferir todos os requerimentos que lhe são dirigidos. Nem que lhes paguem muito. Mas as situações limite não são a regra. Por isso, em princípio, uma puta está no seu posto pronta a satisfazer qualquer fantasia do seu cliente. E, também em princípio, é bem sucedida nisso. No entanto, o trabalho de transformar as fantasias concretizadas em ilusões satisfeitas é quase todo do cliente pagante. Essencialmente, porque raramente ele as confessa nos devidos termos. Percebe-se. Não é fácil dizer algo que não se reconhece.

 

Pois. As putas dizem que vendem o corpo por dinheiro. Pois. Toda a gente diz o mesmo. Mas não é assim. Podem não querer, mas as putas vendem é emoções. Afecto. Amor. Afecto é amor. No mercado da putaria a oferta e a procura incidem sobre o amor. Mas qual amor? O afecto. Dar afecto é dar amor. Não valem aqui os conceitos do amor romântico dos livros infantis dos príncipes e das princesas que nos deturparam o cérebro com ilusões. Mesmo que estas ilusões também possam entrar no rol daquelas que animam a clientela do putedo. Não se trata disso. Uma ilusão é concretizável apenas por momentos. Por definição não é perene ou perdurável. Por momentos, uma pessoa pode ser, fazer e sentir-se como quiser. A vida é dominada por impulsos ou pulsões sexuais. Os homens são mais sensíveis a isto que as mulheres. Parece que é por causa dos níveis de testosterona. Os homens que vão às putas querem uma mulher a olhar para eles e a fazer o que eles querem sem pedir nada em troca. A não ser dinheiro. O dinheiro custa muito a ganhar. Mesmo a quem tem muito. Mas vale bem a pena gastá-lo se o que está em causa é resolver uma angústia. O dinheiro dá algum poder. Exercitar o poder pagando é o que todos nós fazemos diariamente. Um homem que paga a uma mulher para se despir e partilhar toda a intimidade possível a ambos está a pedir afecto de uma forma simulada. O dinheiro é a aparência de poder que dissimula uma fragilidade, uma debilidade do espírito. Há uma não-concretização de qualquer coisa na vida de um homem assim. Que lhe é inaceitável. Por isso paga e não se importa que a puta não o beije. Prefere pensar que paga por prazer. É humilhante para qualquer ser humano ter que pagar para ser amado. Sobretudo porque sabe que também ali não será. Um homem que paga a uma puta não quer ser beijado. Uma puta não beija pelas mesmas razões. Não se pede dinheiro a quem precisa de afecto. Mas mais do que isto a verdade é que uma puta não pode beijar porque, beijando também recebe afecto. Como disse, um beijo é uma troca de dádivas emocionais entre duas pessoas. Uma puta não pode perder o controle. Um cliente não pode perder o controle. E ambos não podem igualmente perder a pose. De vez em quando isto não resulta. E lá se dão os casamentos improváveis.

 

publicado por Cat2007 às 20:57
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