CAFÉ EXPRESSO

Julho 27 2011
 
 

A sabedoria popular, quando expressa em máximas e chavões escritos ou reproduzidos em voz alta para alavancar os discursos, é qualquer coisa que em principio e logo à partida me causa um certo malestar. Porque tenho vergonha das pessoas que fazem isso. Antes de mais nada denota preguiça mental e ignorância. Depois, toda a gente sabe, quando se parte de uma premissa errada, conclui-se mal. Ora, más conclusões conduzem ao erro. E o erro, embora saudável enquanto instrumento de aprendizagem, é muitas vezes trágico quando praticado sem critério.

 

Já ouvi dizer que “a mulher quer-se pequenina como a sardinha” e que “homem pequenino ou é velhaco ou dançarino”. Nestes termos, as mulheres baixinhas são, com as devidas adaptações, para comer e, por exemplo, o António Vitorino do PS deve ser um velhaco dos piores, já que em princípio não dança.

 

A propósito do Vitorino, é certo que no congresso do partido, que reelegeu Sócrates antes das últimas legislativas, escapou por pouco de uma apoplexia no momento em que clamava todo sufocado ao “Zé” e que agora apoiou seguro, fazendo notar que afinal houve muitos erros na governação do anterior Prime Minister. Pergunta-se, isto é um sinal de velhacaria? Não sei bem. Há certas experiências da política que só com experiência da política é que podem ser bem entendidas. Eu não tenho.

 

Sobre comer mulheres, e passando ao lado da antropofágica sugestão desta frase, fica-me a questão de saber do sabor. Ou seja, sendo pequena uma mulher sabe melhor? Estou a pensar nas zonas do corpo que se podem provar, desde que se queira. A minha experiência diz-me que não. Melhor, diz-me que depende dos casos e não depende da altura. E os homens? Não conheço nenhum refrão popular para saborear. Embora talvez exista. De qualquer forma, o único namorado baixo que tive incomodava-me por ser mais baixo do que eu e não pelo sabor. Seja como for, agrada-me muito mais mulheres e homens que estejam acima de um certo patamar quando se olha para a fita métrica. Ou pelo menos que não estejam a baixo. Independentemente do sabor.

 

Ía continuar. Falaria sobre o complexo dos baixos. Homens e mulheres. Nota-se. Como é evidente, as frases supraditas não fazem sentido nenhum. Mas os homens e mulheres baixinhos são aparentemente e em geral uns agitados. O que me faz suspeitar da existência de complexos. Porém, existem excepções verdadeiramente agradáveis. Talvez volte ao assunto depois. Deixo apenas uma convicção. A altura é um estado mental.

 

publicado por Cat2007 às 19:13
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Julho 24 2011

 

Caraças, não recuperou! Amy Winehouse. Morreu (http://www.publico.pt/Cultura/uma-vida-de-tropecoes-ate-a-queda-final_1504518). A vida não é definitivamente como Hollywood nos quer fazer crer. É jovem. Tem um talento incomparável. E tanto ainda para dar. Está na mó de baixo. Luta com problemas gravíssimos. Drogas duras e álcool. Uma imensa montanha para escalar. Por pouco não morre. Mas at the end, in extremis, escapa. E vai fazer dezenas de discos maravilhosos. Como o Back to Black que contém o fantástico Rehab escrito por ela. Parece que a letra é autobiográfica. Perante os factos ninguém duvida. At the end não escapou. Um dia ainda dou por mim a frequentar o King, o Nimas e a Cinemateca. Só.

 

Antes de mais, é capaz de ser justo dizer que Winehouse é o nome artístico de uma arrogante que por isso o terá escolhido. Imagino. Apesar de ser o nome de família. Bem entendido. Porque, na verdade, ela decide: “I’m gonna lose my babe/ So I always keep a bottle near”. Rehab é autobiográfico. Pois. Por isso dificilmente conseguimos afastar a ideia de uma morte inconscientemente anunciada pela própria logo a abrir o êxito. Aparentemente, Amy Winehouse acreditava que estava acima do vício. O erro classico do toxicodependente que não voltará. Veja-se:

 

They tried to make me go to rehab/But I said 'no, no, no'/Yes, I've been black, but when I come back/You'll know-know-know/I ain't got the time/And if my daddy thinks I'm fine/He's triedto make me go to rehab/But I won't go-go-go/I'd rather be at home with Ray/I ain't got seventy days/'Cause there's nothing/There's nothing you can teach me/That I can't learn from Mr. Hathaway/I didn't get a lot in class/But I know it don't come in a shot glass/The man said "why do you think you're here?"/I said "I got no idea./I'm gonna, I'm gonna lose my baby,/So I always keep a bottle near."/He said "I just think you're depressed,/Kiss me here, baby, and go rest."/I don't ever want to drink again/I just, ooh, I just need a friend/I'm not going to spend ten weeks/And have everyone think I'm on the mend/It's not just my pride/It's just 'til these tears have dried.

 

De facto, a vida não corre como um argumento do cinema americano de grande audiência. Assim, as coisas nem sempre acabam bem. Isto deixa uma pessoa indignada. A esperança vendida por Hollywood é um logro. Eu não queria. Pensei que apesar da estúpida declaração de intenções que escreveu (“pró rehab é que eu não vou”), não podendo, Amy podia mudar de ideias. Sou infantil e acho que ela não tinha o direito de nos fazer isto. Que era obrigada. Como se dependesse dela. Como se fosse obrigada a ter a força necessária. Quem tem um dom é especial. E não é só para cantar e compor.Tem de ser para tudo.

 

Sinto a baba a escorregar pelo canto da boca por causa da chupeta que não largo. Vou pensando que as pessoas que têm em si muito para dar aos outros deviam estar impedidas de morrer. Pelo menos não antes de darem tudo o que tinham para dar. Podia ser Deus a instituir esta proibição. Sim. Isto parece uma espécie de nazismo do kindergarden. Não sei. Sei que as crianças tendem a nutrir este tipo de sentimentos.

 

Em Outubro do ano passado escrevi sobre a soul music e o R&B, o campo de Winehouse. Dizia então o seguinte: “Entre ontem e hoje, ouvi cada música dos 5 cds [de uma coletânea chamda Soul Train]. Em conclusão, nunca mais perco esta minha mania de recorrentemente recorrer ao autoflagelo... Tantos rugidos a cheirar a álcool e metais revoltados a abrir, destruiram quase irremediavelmente o meu sistema nervoso. Acrescento ainda que o melhor que a Tina Turner fez na vida foi separar-se do Ike. Portanto, ainda bem que o homem lhe batia. Para a motivar a dar o passo decisivo, quero dizer.” (http://ogatogaga.blogs.sapo.pt/52306.html). Mas antes disso, noutro post, dizia que “Ela [Amy Winehouse] é mesmo talentosa. O disco dela é verdadeiramente genial. Os prémios que ganhou foram efectivamente merecidos. Compro o próximo, se ela não morrer antes de o fazer. Vê-la ao vivo está fora de questão porque ninguém pode garantir que ela apareça ou, aparecendo, que faça o que lhe compete. Fazer o que lhe compete, passa, em primeira linha, por não deprimir e assustar as pessoas.”  Acrescentei ainda: “E estou preocupada com ela. E REAB é uma boa ideia. Desde o inicio que se viu logo que era.” (http://ogatogaga.blogs.sapo.pt/26520.html).

 

A primeira vez que ouvi a música estava distraída a conduzir. Rehab. “Olha, este soul esgalhado não é esgalhado do género cacofónico. Acho que vou abrir uma excepção. Dado que a cabeça não me dói. Tiraram o ruído lateral. Assim sabe bem. Sabe ótimo.” Depois  pensei melhor. “Tiraram o ruído lateral? No no no. Não tiraram nada. A música é de agora. Mas… é de agora ou é uma versão actual de uma antiga que eu nunca tinha ouvido? Bem… é excelente. E esta voz… é um tipo, certo? Um tipo negro. Extraordinária voz. Perfeitamente integrada na música produzida pela feliz conjugação do som de todos os instrumentos utilizados.”.

 

Mais tarde venho a saber que se tratava de um original criado e interpretado por uma rapariga inglesa. Ia com uma namorada da altura ao lado. Mais uma vez no carro. Disse-lhe: “Ouve bem esta música. É genial. Não é menos do que isso. Genial!” Observo uns olhos esbugalhados e uma expressão vazia. “Não achas?” Os olhos eram esbugalhados. Não estavam. Era mesmo feitio. Senti-me impelida a insistir. Assim como quem quer trazer alguém para a luz. Espírito de missão, portanto. “Isto é um trabalho incrível. É uma mulher que está a cantar. E foi ela quem escreveu. A tipa conseguiu recrear o soul. Modernizou-o sem lhe tirar a essência. Não é retro. É uma originalidade. Uma recreação que é uma criação… Não estás a ver a importância disto?”. Não. Não estava. Desisti.

 

Posteriormente ainda tive de a aturar a fazer comparações com a Joss Tone no dia do Rock in Rio. A Joss Tone portou-se muito bem. E Amy foi o descalabro que se sabe. Mas o que é que uma coisa tem a ver com a outra? Bom, a raiz do country e da soul. Creio que lá muito para trás têm um pezinho em comum. Mas é só. De qualquer modo, aquela namorada nem isso sabia. E assim se começam os processos. Aqueles em que as namoradas começam a transformar-se em ex-namoradas. Mesmo quando ainda não está nada decidido.

 

Estava cheia de saudades da Amy Winehouse. Não percebo como foi ela fazer uma coisa destas. Ainda de chupeta na boca. Eu.

 

 

 

publicado por Cat2007 às 19:58
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Julho 19 2011

 

 

 

Com as devidas adaptações e aplicando-se também aos senhores.

 

"Cruel razão! a moda começa por ter isto de absurda: é que não é ela que é feita para o corpo - é o corpo que tem de ser modificado para se ajeitar nela. Ela vem de fora, pintada no figurino, feita à fantasia burguesa de um desenhador de armazém: e aqui, depois - é necessário reformar o corpo, obra do bom Deus - para o acomodar ao figurino, obra do jornal das damas: de modo que para sustentar o chapéu deforma-se a cabeça, para obedecer ao puff torce-se a espinha; para dar razão às botinas Luis XV desconjunta-se o pé; para seguir a altura das cintas, destrói-se o busto. Nunca como hoje, sob o domínio da burguesia, se desprezou, se deteriorou o corpo humano (...)

 

(...) hoje mais do que nunca se glorifica a beleza: o corpo é o fim, a lei, a conciência. Somente não se aceita o corpo que a natureza dá - e procura-se aquele que se vende nos armazéns.

 

A moda destrói a beleza e destrói o espírito. Um figurino decretado e seguido - mata as originalidades do gosto. Santo Deus! um caixeiro desenha a lápis, em Paris, um certo corpete, umas certas mangas - e todas, magras e gordas, as loiras, as trigueiras, as ágeis, as débeis, as altas e as pequeninas, se introduzem, se alojam, se metem naquele molde, sem se preocuparem se o seu corpo, a sua cor de cabelos, o seu perfil, a sua altura, o seu peito, condizem, harmonizam, vão bem com o molde decretado e com o modelo vindo pelo correio. Abandonam-se servilmente ao figurino, abdicam a sua originalidade, o seu gosto, o seu engenho, o seu talento. Tornam-se imitadoras e copistas. Aceitam uma banalidade em seda e um lugar comum com folhos. Agacham-se humildemente no gosto das ruas.

 

Uma senhora que não inventa, não cria os seus vestidos - é como um escritor que não acha, não inventa as suas ideias. ter a toilette do figurino é fazer como os merceiros que têm a opinião da sua gazeta. Desabitua o espirito da invenção, da expontaneidade, da altiva liberdade. Torna a alma passiva, aceitando como um terreno estéril e neutro as ideias e as opiniões alheias. É uma confissão tácita de que se não tem espírito nem fantasia. O figurino é a redução da originalidade a uma obediência ... é aprender a elegência de cor, para a ir recitar na rua; é a maneira barata de ter gosto de encomenda (...)"

 

Ortigão, Ramalho e Eça de Queiróz: "As Farpas", págs 416-417, AIND, 2004. 

 

publicado por Cat2007 às 13:59
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Julho 18 2011

 

Uma pessoa está uns dias de férias. E a primeira coisa que lhe acontece é regressar a Lisboa. Se mora em Lisboa. Está claro. Resolvi voltar quando ainda falta uma semana para regressar ao trabalho. É melhor assim. Ando por aqui sem obrigações enquanto me vou habituando à ideia do que é inevitável. Talvez vá mais uns dias à praia. Aproveitarei também para me deitar o mais tarde possível. Só porque os horários de trabalho são contra o meu relógio biológico e eu preciso de andar bem comigo. Pelo menos de vez em quando. O nosso day in day out só nos contraria. Sempre a fazer o que não queremos no ritmo que não desejamos. Muitas vezes me pergunto se não serei uma bela egocêntrica. Já várias pessoas me deram o toque. Agora estava a olhar para o parágrafo anterior e pensei que talvez sim. Eu. Eu. Eu. Não sei. Talvez. Talvez não. Talvez um bocadinho. Talvez um bocadinho como todos nós. O estilo deste blogue não me deixa sair deste registo. Do que eu acho das coisas. Das minhas. Das dos demais. Estamos todos linkados. Por uma razão ou por outra. Eu falo do que eu acho. E quando me meto ao barulho, não me faço melhor do que ninguém. Porque não acredito nisso. Em pessoas melhores do que outras ou as outras. É tão óbvio isto. Não é? Não há pessoas melhores. Há gente que se acha melhor nas atitudes que adopta para o mundo. Ou seja, pessoal que anda a representar a sua superioridade. Depois lá por dentro sabe Deus. Obviamente. Queria dizer que sou uma mulher de Fé. Acredito em Deus, sim senhora. Também sou católica, calha bem. Já li a Biblia quase toda. Assim como quem lê um romance. É verdade. Descobri imensas coisas interessantes. Por exemplo, a maior parte das máximas que usamos quotidianamente assim de um modo meio distraído estão quase todas escritas no Velho Testamento. Por exemplo: "olho por olho, dentre por dente". O Novo também tem várias. Foi Cristo quem disse para não dar "pérolas a porcos". Se fizesse agora um esforço de memória ia lembrar-me de uma dezena delas. Ah! Tenho aqui mais uma: "vender-se por um prato de lentilhas". É do Velho e tem a ver com a exploração de uma situação de fraqueza alheia. Por um prato de lentilhas, um tipo em estado de necessidade cedeu a parte da sua herança ao irmão. Foi este quem se aproveitou da fragilidade do primeiro. No meio de tudo isto o que não consigo mesmo é ir á missa. Pouca coisa que ali é dita e feita me faz sentido. E odeio a parte em que temos que nos saudar em "nome de Cristo". Talvez seja um bocadinho autista, não gostando assim de ser tocada. Especialmente por estranhos. Se for um beijo no meu pai ou na minha mãe, também me incomoda. Lá em casa nunca fomos muito de beijos. Porém, gosto muito das coisas que o Padre Tolentino Mendonça diz. Sei delas a ler. Nunca falei com ele. Ora, isto... enfim... também nos leva de volta a Cristas. Diz que é o seu mentor ou qualquer coisa do género. Está na entrevista que deu à Unica do Expresso. Tinha pensado não voltar a dizer nada sobre Assunção Cristas. É que não me irrita assim tanto. Embora, por acaso, logo que a vi e ouvi com alguma atenção, lembrei-me imediatamente de algumas coisas da escola primária. Mais concretamente das meninas que estavam sempre ao pé da professora. Assim, escrevi um post sobre ela e raspei-lhe num anterior. Mas não me apetecia acrescentar. Encerrar Cristas e pronto. Era o que me apetecia. No entanto, lá veio ela outra vez. Agora lembrou-se de acabar com as gravatas dos homens lá do Ministério. Diz que é para poupar no ar condicionado. Não resisto então a sublinhar mais uma medida extraordinária deste executivo. Eventualmente a mais extraordinária de todas. Na mesma linha de anteriores ideias para poupar nas despesas do Estado. De facto, já tinhamos visto a cena das viagens em turística e qualquer coisa que tem a ver com os carros oficiais. Vimos. Porém, o que sentimos não se consubstancia em qualquer medida política mas no recurso a um instrumento muito comum para resolver problemas quando o tempo é curto, a preparação é duvidosa e os projectos não estão em execução: uma taxa especial de imposto. Desta vez sobre o subsídio de Natal. Como diz o Ricardo Costa, no Expresso desta semana, viagem como quiserem, vistam-se como bem entenderem, usem lá os carros... mas por favor apresentem medidas políticas como deve ser. Tem razão. Não tem? Sobre o assunto, resta-me dizer que não sabia que as mulheres do Ministério da Agricultura usavam gravata. Isto é muito importante. Quantas mulheres são? Mais do que os homens? Em numero equiparado? Eu nunca usei uma gravata em toda a minha vida. Cristas usa gravata? Eu ligo o ar condicionado. Apesar de não usar gravata. Cristas não usa gravata mas não liga o ar? Os tipos também não vão meter mais casacos? Mesmo em camisa, deixam de ter calor? Vai-se poupar o quê? Isto lá é forma de entrar num Ministério? Toda a gente sabe que o marido de Cristas e os filhos foram andar de bicicleta para a Praça do Comércio no primeiro dia de trabalho da mulher? Foi para que ela os visse da janela do gabinete. Isto não é ridículo? Mas o homem não tem mais nada que fazer, por exemplo? Para mim Cristas acabou. Penso que é melhor não perder mais um minuto com ela. Consta que é muito trabalhadora. Que trabalhe, se faz favor! Por fim, nunca mais são as eleições na Alemanha. Isto é uma chatice. A Europa ainda se afunda antes disso, caraças! A Ângela não tem estatura. Vale a pena dar o exemplo desta mulher. Uma mediocre. Porque podia ser um homem mediocre. Estas tragédias são perfeitamente normais. Mediocres no poder em contextos chave. Sejam homens ou mulheres. Por isto estou de acordo com a Maria de Belém. É preciso quotas para as mulheres em cargos políticos. Se forem mediocres não são mais nem menos que os homens mediocres que os ocupam. Sarkozy é um bom exemplo. Portanto, a mediocridade é uma caracteristica comum aos dois géneros. Não há razão para se insistir na discriminação. Agora podia falar um bocadinho de mim. Mas não vale a pena. Vou mas é rezar e pedir a Deus que me ajude a tentar ser melhor todos os dias. Sinto esta obrigação.

 

 

publicado por Cat2007 às 16:52
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Julho 07 2011

Hoje faço anos. Vale a pena dizer quantos? Talvez. Sou Caranguejo. Não sei verdadeiramente o que isto significa. Mas há sempre quem ache que se esclarece uma série de coisas com este género de informação. Espero então que sim.

 

Hoje faço anos. Deveria começar a falar um pouco de mim. Em princípio. Creio que é o meu dia. Não é? Não. É o dia de toda a gente que está viva. E há muita gente que nasceu hoje. Na verdade, não gosto muito de falar directamente de mim. Porque não sei ao certo o que dizer.

 

Hoje faço anos. Por outro lado, é dia do funeral da Maria José Nogueira Pinto. Sinto muito a sua morte. Ontem o Ribeiro e Castro emocionou-me. Quando começou a falar dela e acabou com a voz embargada.

 

Maria José Nogueira Pinto era uma pessoa da política diferente para o limpo. Detestei as posições dela nas questões do aborto e do casamento gay, por exemplo. No entanto, a convicção e a coerência com que se bateu por elas fez-me sentir o mais sossegado respeito. Por outro lado, a saída de Maria José da subsecretaria de estado da cultura no tempo de Santana Lopes e do CDS pouco depois da chegada de Portas encheram-me de admiração. Entre outras coisas. Finalmente, como é possível ter aguentado de pé até ao fim? É um facto que as árvores morrem de pé, passe o cliché. Nogueira Pinto não merece clichés. Porém, é verdade que as árvores são essenciais. Designadamente por causa do oxigénio. Maria José Nogueira Pinto morreu. E vai faltar algum oxigénio na política portuguesa. E em mais alguns contextos, obviamente.

 

Ah, é verdade. Hoje faço anos. E? 

publicado por Cat2007 às 13:06
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Julho 03 2011
 
 

Vá-se lá saber porquê, o Expresso destacou Assunção Cristas na Única desta semana. Do princípio ao fim da grande entrevista, eis o que mais me prendeu:

 

“Os meus pais diziam que eu sabia gerir muito bem o meu lugar, encostava-me às mais velhas quando dava jeito e aos mais novos quando era conveniente.”

 

“Depois soube-se quem eram os ministros e o Tiago [marido] foi dizendo ao ouvido de cada um: a mãe vai ser ministra. Eles ficaram todos satisfeitos.”

 

“Mas para eles a mãe é o máximo, ser ministra é a coisa mais natural do mundo.”

 

“Vou à missa, comungo, digo aos meus filhos que a coisa mais importante para fazer ao domingo é ir à missa e que tudo o resto vem a seguir.”

 

“Íamos [Cristas com seus pais] ao meio-dia aos Jerónimos e eram umas missas muito, muito, muito chatas. Tínhamos de aguentar uma hora, direitinhas, e eu ia supercontrariada. Mas hoje olho para trás e acho que foi muito formativo.”

 

“Rezo todos os dias com os miúdos, e depois rezo sozinha e agradeço a Deus aquilo que tenho.”

 

“Ser católico é antes de mais aprender a dizer sim muitas vezes.”

 

“A passagem da Bíblia em que Maria diz sim ao anjo sem saber bem ao que vai é uma coisa que os católicos aprendem desde pequeninos.”

 

“Eu procuro interiorizar isso. No referendo ao aborto quando me dizem que é preciso participar na campanha do não… a minha primeira predisposição… é dizer que sim.”

 

“Acabei por responder ao Paulo Portas [quando foi convidada para entrar para o CDS] que… não sabia se ia gostar, se tinha jeito, mas que aceitava entrar à experiência (…). Era. Entrava como estagiária e logo via”.

 

“As pessoas gostam de ver pessoas diferentes, e ser mulher na política ainda é ser diferente.”

 

Valha-me Deus!

publicado por Cat2007 às 13:15
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Julho 01 2011

 

Como referi noutro lado, o CDS, que agora nos governa, é um partido que defende, entre outros princípios, a continuidade da estrutura tradicional da família. Marido, mulher e filhos. Sem divórcio. Sem abortos. Sem FIVs. Assim, não sei como encaram os cedeésses os problemas da interrupção espontânea da gravidez, das doenças sexualmente transmissíveis, da impotência, da esterilidade, entre outros.

 

Não sei mas posso imaginar. Por exemplo, perder um filho em gestação sem querer deve ser uma grande fatalidade e pode representar algum sinal de Deus. Algum recado divino. Ou mesmo castigo. Não sei. Sei que o Deus católico é importantíssimo para o partido de PP.

 

Como sabemos, o catolicismo é na prática uma prática religiosa que culmina as mais das vezes na adopção pelos crentes de discursos e comportamentos um tanto contraditórios. Compreendo. A adopção do Novo e do Velho Testamento. Dois livros que se contradizem em tudo o que é fundamental. Nada a fazer.

 

Nisto os judeus são muito mais coerentes. São do “Velho” e não têm chatices. O Deus é irado. O Deus é justo. O Deus é castigador. O Deus é cruel. O Deus é compensador. O Deus é Todo-Poderoso e faz todos os milagres a que se aspira. Pois é o Deus é como é e os judeus aceitam-no como Ele é. Cheio de defeitos e virtudes, parece-me.

 

Mas aos judeus não parece. Que o seu Deus tenha defeitos. Aparentemente, aos judeus só aparecem virtudes quando a proveniência é a que é. Celeste. A ira e a vingança, por exemplo, se são de origem divina, são boas.

 

E já agora, a ira é um dos sete pecados mortais. Creio que os sete foram concebidos ainda no Velho. É claro que isto não tem importância nenhuma porque as normas são para os homens vis e defeituosos. Não para o Criador. A ira divina é divina. É portanto o que se conclui.

 

Fora os rituais, não sei muito bem quais são as diferenças filosóficas entre judeus e católicos. Não estudei muito bem o assunto. Falta de tempo. Seja como for, as diferenças deviam ser óbvias para os meros observadores não estudiosos. Pois se é isso que são os crentes na sua essência humana antes de serem crentes. Ou talvez não. Eventualmente, as ovelhas humanas dos rebanhos religiosos pastam em torno dos templos onde não há relva por causa da fé e não pela razão ou mero conhecimento das coisas como elas são.

 

Bom, mesmo sem saber exactamente quais são, eu digo que há diferenças. Penso que tomar em consideração as palavras de Jesus Cristo constitui uma diferença substancial. Os judeus renegam Cristo. Os católicos acreditam nos supremos castigos de Deus por mau comportamento humano ao mesmo tempo que estão sempre a lembrar que o Nazareno aconselhava a não responder a uma agressão com outra. “Dar a outra face”. Quem lê o Novo Testamento na parte em que trata da vida deste homem contranatura ou antinatural fica com a impressão de que ali viveu um verdadeiro comunista como Marx nunca foi. O individualismo humano (cujos sintomas são, entre outros, a hipocrisia, a vaidade, o materialismo, o egoísmo, a inveja e a frustração) é exposto a ridículo suavemente mas sem redenção. Demonstra-se claramente que era bem melhor que não fosse assim. Que as pessoas não fossem como são.

 

Não percebo então como é que o CDS pode simpatizar minimamente com um personagem destes. Cristo. Não Cristas.

publicado por Cat2007 às 16:02
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