CAFÉ EXPRESSO

Setembro 13 2011

 

 

A homossexualidade confunde. Tenho impressão que toda a gente, incluindo os próprios gays. No post anterior atendi ao cónego Joaquim da APC que afirmava a existência de “graus de homossexualidade”. Já o vídeo abaixo trata de um casamento entre homossexuais. Entre um homem gay e uma mulher lésbica. Daí o título: “Casal Gay”. Mais á frente ainda vou lembrar a eventual existência de “outros tipos de orientação sexual”, segundo a argumentação dos juristas da Presidência da República para o Tribunal Constitucional (http://ogatogaga.blogs.sapo.pt/45203.html).

 

Vamos por ordem. Sobre a ciência do referido cónego está tudo dito. Passemos então imediatamente ao “Casal Gay” do Herman.

 

Pois a Lena e o Paulo casaram. A mulher começa por confessar o seguinte: “Eu descobri há muito pouco tempo que sou lésbica… desde que comecei a ganhar dinheiro. Porque até lá era só fufa. E um dia conheci o Paulo.” Por sua vez, o marido revela que o que mais o prendeu na Lena foi o irmão, o Zé Tó. “Mas depois rapou os pêlos das pernas e eu desinteressei-me. Até que vi a Lena em fato de banho.” Mais à frente Lena informa: “Eu tenho uma menina que trabalha numa grande superfície. Estamos juntas há 3 anos.” E Paulo acrescenta que ”Eu tenho um menino que anda na Obra do Padre Rodrigues”, sendo que Lena completa: “É trolha… Aliás ele ganhou o prémio de melhor Sherley Bassey no Lugar às Novas. Isto apesar de ter uma maçã de Adão maior do que a cabeça do Piu-Piu”. Por fim, em resposta à pergunta sobre se eram felizes, a mesma Lena decide que “Não sei. Vai ter que perguntar a eles.”, confessando ainda que o seu maior sonho é ter umas mamas maiores para o Paulo.

 

 

 

 

Fartei-me de rir. Tenho que dizer. Aliás, mantenho-me com o Herman e não abro. Actualmente parece que só eu e a minha mãe. É o que me basta, no entanto. No mais, repito, a homossexualidade  confunde os próprios gays. Imagino que é isto que o Herman quer dizer.

 

Mas felizmente há mais gente a fazer humor em Portugal. E eis-nos de volta ao requerimento da Presidência da República ao Tribunal Constitucional no âmbito do pedido de inconstitucionalidade do diploma que veio a aprovar o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Neste requerimento argumenta-se que, para se poder considerar o princípio da igualdade previsto na Constituição, seria necessário “densificar previamente o conceito constitucional de orientação sexual” para saber se não existiriam “outras formas possíveis de orientação sexual”. Repito: isto saiu da Presidência da República. Pode qualificar-se, entre outras coisas, como um momento de humor involuntário pela estupidez quase cândida que irradia. Certo? Creio que sim. No mais, repito, a homossexualidade confunde os próprios gays e os demais. Imagino que é isto que a Presidência da República quer dizer.

 

Prossigo então sem mais adjectivos e inerentes delongas para a resposta do Tribunal Constitucional a esta questão concreta. E foi assim: ”Não vindo esta argumentação desenvolvida e não se vislumbrando que concretas formas de orientação sexual se tem em vista e que possam assumir foros de relevância no espaço público em ordem a justificar a consideração pelo legislador, não estão reunidas as condições que o Tribunal aprecie este argumento.” Mais: “A esta questão de constitucionalidade não interessam todas as diferenças e variações que possam existir nas manifestações hetero e homossexuais e respectivas consequências jurídicas, mas tão somente que duas pessoas do mesmo sexo possam desposar-se". É capaz de ser também humor involuntário. No entanto, provoca a plenitude do riso em virtude do elevado nível de inteligência que evidencia. No mais, parece que a homossexualidade não confunde o Tribunal Constitucional. E é um prazer ter isto para dizer. Estou com o TC e não abro. Acredito que a minha mãe também.

 

publicado por Cat2007 às 23:59
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Setembro 11 2011

“A declaração de nulidade de um casamento em que um dos cônjuges é homossexual depende do "grau" em que se encontra, disse hoje o presidente da Associação Portuguesa de Canonistas (APC).” 

 

 

 

 

Vou comentar detalhadamente algo que não merece objectivamente quaisquer comentários. Há dias assim em que nos apetece considerar sobre a estupidez, desenvolvendo para tanto um esforço estúpido. Vamos lá então. Saiu no Diário de Notícias de ontem e pode ler-se em http://www.dn.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1987302.

 

A APC “… é uma associação privada de fiéis, com personalidade jurídica canónica e civil, que cultiva e promove o estudo e a aplicação do Direito Canónico.” Esta organização “(…) foi fundada numa reunião de 40 canonistas de todo o país, realizada em Fátima, em 23 de Fevereiro de 1990.”, nos termos do que vem esclarecido em http://www.portal.ecclesia.pt/instituicao/pub/60/seccao.aspjornalid=60&seccaoid=582.

 

Portanto, o que está aqui em causa é a possibilidade de anulação do casamento católico. Pode parecer que não. Mas é importante deixar isto claro, dado que a Igreja Católica não tem descansado um segundo sobre a matéria do casamento civil e, actualmente sobretudo, do casamento civil homossexual. Assim como que a defender o direito institucional de se meter na cama dos indivíduos. De qualquer forma, a culpa é também muito de quem tem dado confiança para o efeito às instituições e representantes católicos. Lembro a este propósito e a título de exemplo que, no período prévio à aprovação do diploma sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo, um dos debates mais importantes que aconteceram na televisão contou com a presença de um padre. Refiro-me ao que sucedeu no programa “Prós e Contras” do Canal 1, apresentado pela Fátima Campos Ferreira. Ainda gostava de saber de quem foi a ideia. Da apresentadora, da produção ou foi mesmo o senhor padre quem ligou a pedir para ir?

 

Mas, voltando ao princípio, se o que está em causa é o casamento católico, não temos nada a ver com isso. Nós os outros, os que não têm nada a ver com isso. A Igreja tem direito a reflectir e a exprimir para dentro. Regras, princípios, forma de organização, programas de acção, celebrações, sacramentos, nulidades e anulações de procedimentos, etc. O que entender. Na casa da Igreja entram os que de lá são e os que são convidados a entrar. É assim em todas as casas. E esta era a primeira razão que justificava um não comentário às considerações da APC ao “graus de homossexualidade” para efeitos da anulação do casamento católico.

 

Por outro lado, já a Dolly Parton dizia que era a favor do casamento (civil) homossexual porque achava que os orientados nestes termos também deviam sofrer, nunca se referindo a cerimónias comoventes passadas dentro de uma qualquer igreja. Percebo. Queria ela dizer que o casamento é uma coisa muito séria, sendo ainda certo que os efeitos civis que se misturam com as questões pessoais das duas pessoas que resolvem envolver-se a tal nível é que realmente contam. E o que eu acho, para além de concordar, é o que disse. O casamento católico é um ritual cerimonioso que não significa praticamente nada à medida que a prática do casamento se vai desenvolvendo ao longo da vivência de duas pessoas no tempo. Duas pessoas que casaram na igreja e que podem até ter chorado comovidas perante as imagens e alegorias que decoram o templo ao som das palavras de um padre e dos cânticos encomendados. As estatísticas dizem que é provável que se divorciem. No entanto, o divórcio não está previsto no Direito Canónico, mas no Civil. Quer dizer, talvez os católicos não merecessem o direito ao divórcio, devendo eventualmente contentar-se com a anulação.  

 

E pronto. Já chegámos ao tema da anulação do casamento católico. A anulação baseada no “grau de homossexualidade mais grave”. Um tema que não merece comentários, como comecei por dizer. Vou então tentar comentar, portanto.

 

"A orientação que temos é que deve ser feita uma perícia psiquiátrica" para aferir se se trata "de uma homossexualidade prevalente ou exclusiva, ou algo de acidental", precisa o cónego Joaquim da Assunção Ferreira, que coordenou o VII Encontro Nacional sobre Causas Matrimoniais, que terminou hoje em Fátima.

 

Não sei o que significa "A orientação que temos é que deve ser feita uma perícia psiquiátrica". Talvez o cónego Joaquim se tenha pronunciado mal ou seja gralha do jornalista. Creio que se percebe a ideia. Fazer uma perícia psiquiátrica à orientação sexual das pessoas casadas pela Igreja. Bom, se estas pessoas não tiverem nada contra, não vejo porque não. Agora tenho dúvidas sobre a exequibilidade técnica do procedimento. Este tipo de “perícia” existe? Ponto. Está bem. Existe se é um exame psicológico cujos resultados devem poder demonstrar se uma pessoa é homossexual ou não. Claro que isto depende da boa vontade do examinado. É que se não depende, nunca ouvi falar em análises ao sangue para o efeito. No mais, “homossexualidade acidental” é uma coisa que deve ter a ver com um acidente. Um dia alguém, inadvertidamente, está a fazer “coisas” com uma pessoa do mesmo sexo. Depois do facto, tenta ser mais cuidadoso para não ter mais acidentes. É isto? Não sei. Vou ver o resto para perceber também os demais conceitos envolvidos.

 

Joaquim da Assunção Ferreira explica que há uma escala e que os últimos "graus" tornam a pessoa em causa "incapaz de realizar funções conjugais". Em causa estão os "graus" em que as pessoas são "predominantemente homossexuais, os só acidentalmente heterossexuais e os exclusivamente homossexuais".

 

Pois os graus. Nunca tinha ouvido falar. Eu uma psicoanalisada. Não percebo. Sei que há heterossexuais e homossexuais e que os bissexuais são aquelas pessoas que levam mais algum tempo que as demais a definir-se emocionalmente na matéria (sim, esta parte dos bissexuais é polémica, I know). Assim, as “predominâncias” do cónego nada têm a ver com orientação mas com a possibilidade que todos têm de, na prática, praticarem a sua sexualidade como decidirem. Ou seja, a orientação não depende da vontade, já a sua prática sim.

 

Pelo contrário, os "exclusivamente heterossexuais, só acidentalmente homossexuais, predominantemente heterossexuais" e os que são "igualmente uma e outra coisa" podem ser considerados como aptos para "desempenhar perfeitamente os papéis e os fins do matrimónio".

 

Portanto era o que eu estava a dizer acima. Que o cónego parece não viver neste mundo. Apto para "desempenhar perfeitamente os papéis e os fins do matrimónio" está qualquer um. Como está o próprio cónego Joaquim. Tudo depende da disposição. Que o diga um querido amigo gay que viveu 4 anos com uma mulher, tendo sido, nesse período, totalmente “casto” no que aos homens respeita. Revelou-me que aquilo era um gozo. Sexual, quero dizer. De qualquer modo, aproveito para dizer que me parece um tanto redutora esta visão dos “papeis” e dos “fins do matrimónio”. Afinal as coisas não se resumem todas ao sexo, caramba! E os padres parecem não ser capazes de falar de outros assuntos, Santo Deus!

 

Afinal, "a pessoa pode não ser um heterossexual puro, mas, se algumas tendências pouco significativas existirem, esse matrimónio certamente que se manterá", desde que o indivíduo assuma que "a obrigação dele é viver em castidade [homossexual] e corrigir", argumenta o cónego, que é também vigário Judicial do Tribunal Diocesano de Lamego.

 

O presidente da APC opina que "há a possibilidade em medicina de correção, mas não tem sido muito eficaz" porque "a natureza é muito forte", acrescentando que "o psiquiatra pode medir-lhe o grau [de homossexualidade] e receitar algo [medicamentos] que lhe permita recusar essa tendência que o próprio mostre vontade de eliminar".

 

Chegada aqui, já só vale a pena pensar na “medicina de correcção” e nos “medicamentos” para tratar o problema da orientação homossexual de grau elevado onde a “natureza” se impõe de uma forma muito acentuada à vontade da pessoa que quer actuar pelo lado do bem. Bom então o que é tenho a dizer é que… Zzzzzzzz!!!!

 

publicado por Cat2007 às 18:47
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Setembro 05 2011

 

Pedro Marques Lopes. Que seca! No “Eixo o Mal”. Quase nunca falta. Ao contrário da Clara Ferreira Alves cuja falta se nota muito quando falta. Também acho que ela falta demais. Só falta mencionar o Daniel Oliveira e o Luís Pedro Nunes. E assim fica completo o grupo de “paineleiros” do programa em causa.

 

Gosto muito. Nunca ali é dito nada de novo. Não há notícia. Porque também não é um programa de notícias. Mas de comentários. Creio que a ideia é comentar criticamente as coisas da actualidade com conhecimento, inteligência e humor de vez em quando mordaz.

 

Se eu não disser que é por causa da Clara Ferreira Alves que vejo o show, minto. Domínio da realidade, pertinência e inteligência na análise, e a demonstração bem medida de um enorme desdém pela mediocridade que nos faz rir são algumas das qualidades que ela exibe. Eu deixo-me levar com imenso prazer. Em resumo, se ela um dia deixar de aparecer eu nunca mais vejo aquilo.

 

O Luís Pedro Nunes tem imensas dificuldades na expressão oral. Parece que está sempre em luta para descobrir a palavra certa que queria dizer, respira muito mal e faz sons esquisitos.Com isto tudo sucede-lhe muitas vezes não ser capaz de concluir uma ideia. Porém, gosto dele. Gosto nele de tudo isto que disse. Até porque me diverte. Embora às vezes seja chato. Mas é humano. E mais, por outro lado, acontece que, de vez em quando, este homem faz observações acertadíssimas e revela ainda, noutras ocasiões, que tem de facto moral.  

 

Também gosto do Daniel Oliveira. Raramente me faz rir, é certo. Mas sabe perfeitamente o que diz. Muitas vezes me acontece ficar completamente esclarecida. Ainda ontem foi ele quem informou que o Guilherme Silva do PSD tem “duas caras”. Ou seja, quando está na Madeira participa no tradicional folclore de Alberto João com empenho análogo ao do próprio. E quando está em Lisboa mostra a outra face. Aquela mais consentânea com aquilo que todos nós muito justamente pensamos de grande parte dos actos do líder do Governo daquela região autónoma. Fiquei naturalmente chocada.

 

Já o Pedro Marques Lopes, que estava a dizer que Guilherme Silva era um ótimo deputado continuou no mesmo registo e ainda acrescentou que a “culpa era dos madeirenses”. Sim é uma observação sem nexo e sobretudo desvaliosa. E Pedro Marques Lopes quando não está a fazer este tipo de observações desvaliosas, está a dizer banalidades. Mas banalidades no âmbito de uma espécie de jogo que anda a jogar sozinho. Um jogo onde estupidamente tem as cartas viradas para fora mas finge imaginar que ninguém repara. Vai para ali como se fosse falar muito mal do PSD e acaba invariavelmente a dizer o melhor. É sempre isto. Nunca muda. Gosta desta aparência de verticalidade, imparcialidade, e outras coisas acabadas em “ade” de que não me lembro agora, só me ocorrendo, não sei porquê, obesidade. Além de que fala sempre num detestável tom de superioridade. E como se tudo isto não bastasse, interrompe toda a gente, excedendo largamente o tempo que lhe está destinado. Normalmente faz cair gravemente a qualidade do programa por causa disto. Mas o que é isto?

publicado por Cat2007 às 20:38
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