CAFÉ EXPRESSO

Abril 19 2012

 

 

Já não há paciência. Um país Portugal. O nosso. Uma situação económica e financeira vergonhosa. Uma organização social e política pouco menos que ridiculas. Uma sociedade civil mesquinha. Além do mais e como causa de tudo, uma crise prolongada nos valores e nos costumes. Portugal não são os políticos nem os lobbies, nem a Amália, nem o Benfica, nem a Liga Zon Sagres ou o FCP e Pinto da Costa. Portugal não é o folclore. Portugal é um território e um povo. O povo são as pessoas que todos os dias andam pelas ruas, entram nos automóveis e nos autocarros, tomam bicas nos cafés, saem do elevador, cruzam os corredores dos empregos, fazem filhos e sexo. Portugal somos Nós. E, como disse, parece que Nós não temos a noção. Verifica-se que está tudo a fazer o mesmo de sempre à espera que o mau tempo passe. Como se o principio "Abril águas mil sem problemas que já estamos na primavera" se aplicasse a tudo. Agonia saber que nós somos os responsáveis e que não assumimos qualquer responsabilidade. Aqui ninguém está na disposição de mudar. Porque imagina-se: o mau cheiro vem da casa do vizinho. Se calhar agora vem de Espanha, não?

 

publicado por Cat2007 às 21:04
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Abril 14 2012

 

 

 

Sinto o impasse. Algo me espera e eu, cansada pela turbulência alegre de parque de diversões  que há-de vir, estou aqui parada num descanso antecipado do meu sucesso. É por isso que não tenho vontade de sair para a noite e beber uns copos.

 

Uma pessoa pode viver assim uma vida inteira. No dia do seu funeral estarão algumas pessoas próximas. E será um fim igual ao de toda a gente. Deixará os resltados de imensos sucessos que teve e não compreendeu.

 

  

publicado por Cat2007 às 17:21
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Abril 13 2012

 

 

A impressão é quase uma certeza: os olhos não vêem como deviam ver. Não vêem claramente. Como também é por outro lado certo que tais olhos não se querem deixar ver. A verdade é que o rosto do homem que tem os olhos escondidos não precisa de olhos para que o vejam. É fácil observar que o homem que está de luto veste um fato muito elegante. Está de luto. O luto vem da morte e no entanto nota-se bem que é precisamente a morte que ele não quer ver. Veste-se com requinte e fuma com boquilha para parecer mesmo requintado, frívolo, superior, divorciado das menoridades... do que é realmente humano. Ele fuma de boquilha com desprezo pela vida e pela morte. Como se fosse outro e estivesse num patamar mais acima. Como se acreditasse na eternidade que é própria dos deuses. Uma classe material-espiritual de seres muito superiores à qual ele, por força de alguns dos seus marcadíssimos traços pessoais, acredita pertencer. Note-se que ele não vê a eternidade como vida. A eternidade não é vida nem morte. É outra coisa. Outro estado. É algo que se move num plano de beleza e de prazer permanentes. É isto que os seus olhos envoltos de escuridão vêm. É por isto que quem vê o seu rosto sente que tais olhos não vêm bem.

 

publicado por Cat2007 às 14:48
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Abril 13 2012

 

 

 

 

No objetivo de ser caridosos não tentemos fazer às pessoas o bem que elas não entendem como tal. Não ajudemos os outros por meios  solidários obscuros porque a solidariedade tem de ser transparente. Se queremos, temos de dar outro tipo de atenção às pessoas, procurando pelos seus problemas, ouvindo-as e comunicando na procura das soluções. Tudo o mais é arrogância e caridade católica. Uma falta de respeito.

 

publicado por Cat2007 às 11:39
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Abril 12 2012

 

 

 

Um amigo meu vive sozinho. Por este motivo foi convidado a falar sobre o assunto para uma respeitável revista. A sério. Mesmo respeitável. Aceitou e agora vai ser entrevistado. Achei muito cool. Eu também queria ser entrevistada neste contexto. Não que viva sozinha. Mas precisamente porque tal nunca me sucedeu. Apesar de já ter sido entrevistada. Entre outras, uma vez fizeram-me uma entrevista de rua sobre o Nesquik. Recordo-me que dei respostas muito injustas. O Nesquik é o meu favorito. Portanto, nunca me sucedeu viver sozinha. Era o que queria dizer. E tinha tanto para falar sobre isso. É uma pena não estarem interessados.

 

publicado por Cat2007 às 18:21
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Abril 12 2012

 

 

 

 

 

Creio que ser de esquerda é quase uma obrigação moral. E isto vale para as pessoas que votam em partidos de esquerda como para aquelas que elegem representantes da direita politizada. A única diferença está no seguinte: um esquerdista de direita não consegue contornar os solavancos e as consequentes agonias da incongruência.

 

De qualquer modo, duas coisas: tenho pena de não ter votado na Manuela Ferreira Leite nas penúltimas eleições e jamais votarei no PS se o candidato a primeiro-ministro for o Tó Zé.

 

Em síntese, estou-me nas tintas para os partidos, que isto aqui não é o universo da bola.

 

 

publicado por Cat2007 às 17:50
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Abril 12 2012

 

 

 

Dá-me ideia que, numa relação, o sexo higiénico não é muito diferente do papel higiénico no que toca às suas funções. Sobre o sexo não higiénico, creio que não há nada que se lhe compare.

 

 

publicado por Cat2007 às 17:29
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Abril 11 2012

 

 

 

Sobre os chamados “jogos de sorte e azar” ocorreu-me que é necessário deixarmos de dizer as coisas assim. É que não existem jogos de azar. Uma pessoa que perdeu ao jogo em caso nenhum tem azar. Por causa das probabilidades. Pese embora o malestar, perder tem toda a lógica, é muito natural e por consequência, do ponto de vista do equilíbrio emocional, revela-se muito saudável. Repare-se que o azar corresponde à verificação de um evento desagradável altamente imprevisível. Ora, isto jamais acontece no jogo. Por outro lado, quando alguém ganha nos “jogos de sorte e de azar” está numa situação positiva que desafia toda a lógica. Vive uma SS. Situação de sorte. Um momento de irracionalidade do tipo divino. Conclui-se assim que apenas existem “jogos de sorte”. Dizer que também são de “azar” não é inocente. Vem de quem ganha com o fenómeno. Pretende-se com a designação atribuir as culpas ao jogo pelas perdas do jogador. É uma ajuda para que este se sinta intimamente legitimado a voltar. E tentar a sorte.

 

Ou seja, um jogador, nem que seja o extraordinário Dostoievski que o era, é sempre, de uma determinada perspetiva de análise um perfeito retardado. É ler "O jogador" para confirmar.

 

 

publicado por Cat2007 às 14:25
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Abril 03 2012

 

 

Tenho impressão que faz mau tempo nos tempos mortos. Mesmo num dia com sol e ar refrescado. Os tempos mortos não são de ócio ou de liberdade mas de espera. De nada. Isto é como ficar de baixo de um alpendre sem chapéu à espera que a chuva passe.

 

publicado por Cat2007 às 18:49
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