CAFÉ EXPRESSO

Maio 16 2014

 

Uma vez perguntei: "Sentes paixão por mim?". E ouvi a resposta. "Neste momento não sinto paixão nem pela vida". Se fosse verdade. Isso da falta de paixão pela vida, eu haveria de conseguir suster aquele golpe fino que me atravessou o peito.  Mas não era. Havia muitos risos e contentamentos com uma loirinha. Havia ali pelo menos uma atração. Deixei-me cair sobre o sitio onde era suposto sentar-me. Tal a força da impostorice. Mal consegui levantar a cabeça deparei-me com uns olhos azuis bonitos que estavam a fixar-me. Pensei: "É que é para já". E foi.

 

Passe a mentira que me passaram, é verdade que existem momentos em que não há paixão pela vida. É quando o trabalho não nos interessa. É quando não nos apetece ir à praia num dia bonito de calor. É quando a solidão nos toma pelos cornos. E a comida não tem o devido sabor. É quando a ansiedade nos apanha por causa destas coisas - a ansiedade provoca uma sensação semelhante ao medo. E de repente uma pessoa sente medo sem saber de quê. O que por seu turno aumenta a ansiedade.

 

O amor não ajuda a partir este ciclo vicioso. O amor é principal o link com o nosso exterior. Na verdade, quase tudo o que temos no momento. Não é possível deixar de amar enquanto se sofre assim. Já passei por isso. Por isso sei muito bem. Entretanto, tendo o amor como certo, o que nos ajuda a voltar a sair para a vida é o organismo. O tempo sobre o organismo. A agir. E depois é tão bom viver o amor misturado com tudo o resto que ressurge. 

 

Portanto, quando nos dizem que não nos amam porque não amam a vida, é porque não nos amam de facto.

 

Há relações irrepetíveis. Para mim aquelas que eram bem escusadas. O conceito de irrepetível contém em  si o elemento fim. Cheira a passado sem magia verdadeira. Só é irrepetível o que acabou. E o que acabou não tem qualidade. Não é único. Porém, não quero renegar vivências felizes. Nem as causas das coisas. As causas para as coisas terminarem. Há histórias que são para ser vividas por um determinado período de tempo. Algumas são boas. Por isso são repetíveis. Podemos viver muitas histórias destas. Boas. O que não interessa é querer repetir histórias irrepetíveis. Vivências amorosas  no meio das quais a outra pessoa nos diz: "eu não estou apaixonada pela vida e por isso não estou por ti". No fundo, não se devem repetir mentiras. 

 

 

 

publicado por Cat2007 às 19:47
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Maio 13 2014

 

 

 

Este blog parece uma obra de uma egocêntrica. Poderia ser. O que seria grandioso em generosidade. Mas não é. É um mero veículo de transmissão de pontos de vista sobre coisas simples e pequenas coisas. Este blog serve para exteriorizar a ampliação que faço das coisas simples e da impressão que fica em mim das pequenas coisas. Por isso tenho de escrever a minha forma de pensar. Que é algo primeiramente sentido.

publicado por Cat2007 às 18:02
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Maio 09 2014

 

Hoje tirei um dia de férias. Estava a precisar mesmo de descansar. Ontem a minha terapeuta explicou-me que sou uma pessoa que tem uma história. Uma história que justifica um nível alto de ansiedade permanente. E depois disse: “A ansiedade cansa muito”. Eu concordei. Sentia o corpo todo partido.

 

Decidi então fazer duas das coisas de que mais gosto. Primeiro ouvir musica. Depois escrever.

 

Fui ao youtube e meti a tocar “Um barzinho e um violão” e agora estou já a ouvir “Casa de samba”. Estranhei mas a ansiedade baixou um bom bocado. Estranhei porque não estava à espera. É que era uma coisa que até doía. De qualquer forma não se foi toda embora. É que também tenho as hormonas enlouquecidas porque o período está para aparecer.

 

Queria escrever sobre o amor que sinto. Mas talvez eu não seja hábil para explicar as minhas emoções fundamentais. Provavelmente não estou habituada. A escrita serve-me essencialmente para arrumar as ideias. Os sentimentos estão arrumados. E são certos. Este blog não foi criado para fazer declarações de amor. Amo. Mas prefiro não confessar isso. É a minha privacidade. E no entanto, é verdade que me exponho aqui demasiado. Portanto, alguma coisa tem que ficar guardada num lugar seguro. Mas se fosse falar de amor, eventualmente diria qualquer coisa sobre o olhar. Toca-me um olhar brilhante e profundo. Mas não vou falar.

 

Escrevo mas faço muitas pausas. Tomo atenção à música. Olho para as minhas mãos. Andei a fazer testes de inteligência na internet. Todos os resultados revelaram que eu era acima da média. A minha terapeuta disse: “Não me surpreende nada”. Confesso que a mim também não. Sem modéstia. Porque isso não serve para grande coisa. Em termos de felicidade, quero dizer.

 

Estava a pensar que a musica que está a passar agora não me agrada. É um samba lento pouco criativo. Como é costume nos sambas do Martinho da Vila. Um chato. Felizmente já acabou. Está outro a tocar. De qualquer forma vou passar para um disco do Jorge Aragão. “Da noite pró dia”. É o máximo. Não costumo dizer as coisas assim sem mais. È o máximo. Mas é que já está a tocar e entrou uma alegria brilhante em mim. Só consigo dizer que é o máximo:

 

Foi Deus quem me mandou seguir teus passos/

Pensando bem a lua tem teus traços/

E o céu desaba em nosso corredor/

Esse é o nosso amor.

 

Isto é o máximo do ritmo nas palavras. Isto é tesão da vida

 

publicado por Cat2007 às 17:40
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Maio 06 2014

 

 

O amor é um sentimento muito profundo referente a duas pessoas. Em princípio é recíproco. Não. Não é em princípio. É sempre recíproco. O amor é aquilo que sentimos pelas pessoas que nos são estruturais. Pela família, claro. Também por um ou dois amigos, certamente. Por alguém que não é da família nem dos amigos, sem dúvida.

 

É deste último tipo que quero falar. Vou chamar-lhe tipo especial. Porque em princípio este é dos tipos o único que não nos acontece pelos laços de sangue ou pela convivência. Pacificamente. Antes pelo contrário, por este tipo é preciso procurar e lutar.

 

Fazemos amor sem saber o que é o amor. Só sabemos do desejo. E daquele extraordinário tipo de empatia que vem do desejo e que se chama paixão. Através da paixão estabelece-se uma convivência próxima muito pouco pacífica mas incontornável e feliz. Porém, um dia a paixão acaba e as pessoas ainda estão a conviver. Mas já não será por muito tempo. É um acordar doloroso. Neste caso, quem procurava o tipo especial enganou-se. E é capaz de sofrer um bocado. Quem não o procurava fica bem assim ou no vazio identificado com a ausência de dor.

 

Sempre que a paixão morre o amor não aconteceu. O que é preciso é entender a paixão.

 

publicado por Cat2007 às 17:11
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Maio 01 2014

 

 

Adoro Lisboa. A luz. As ruelas. O cheiro. O rio. O fado... Estou a ouvir a Mariza. É para me acompanhar. Se eu não gostasse tanto de Lisboa, gostaria menos da Mariza. Agora está a tocar “Há uma música do povo” do Fernando Pessoa. Parei para ouvir melhor o poema. E a música. “Sou uma emoção estrangeira”. Esta é a frase que me toca. Mariza sobe quando a canta. A musica é linda. Lembro-me de estar neste concerto fabuloso ao ar livre. Ali na Torre de Belém. Assustei-me com a recente paragem na carreira dela. Tive medo que se perdesse. Melhor, que a perdêssemos. Seria trágico. Mas este post não é sobre a Mariza. Já fiz um sobre ela. Não vale a pena repetir. Aguardo o seu regresso a sério. Com concertos e mais do que o Best of que acabou de lançar.

 

Passei por uma fase muito difícil recentemente. Um período sem vontade. Sem alegria. Estive muito tempo sem rir. Sem rosto. E sem música. Por isso escrevia pouco. Não encontrava nada em mim para dizer. É claro que se escreve a partir do que há dentro de nós. Mas não é possível fazê-lo sem o mundo. Sem o mundo dentro de nós. Mas eu fechara a porta.

 

Tenho uma senhora das limpezas lá no sítio onde trabalho. Uma vez fiz-lhe um pequeno favor. E agora ela já me ofereceu dois sabonetes. Um no Natal e outro agora na Páscoa. Eu não lhe ofereci nada. Só um pequeno favor, como disse. Quase todos os dias trocamos dois dedos de conversa. Ela nunca percebe muito bem quando não posso continuar a falar. Ás vezes entra-me no gabinete só para cumprimentar. E por lá fica a falar. Vejo que não temos muito em comum. E por isso, de vez em quando, sinto uma certa inveja dela. Acho-a melhor do que eu neste aspeto. Eu estou sempre a não querer incomodar. E privo-me de tantas coisas de que poderia gostar. Como privo os outros das minhas coisas que eles gostarão.

 

Sei que sou simpática e uma boa pessoa. Outrora já tive medo de ser assim. Porque me podiam magoar. Até que descobri que quem ganha é sempre quem mais amou. No sentido amplo do termo. Frase feita. Bem feita. Sei que não me fica bem estar aqui a dizer estas coisas boas de mim mesma. Até parece inconsciência. Falta de noção dos defeitos próprios. É quase inaceitável uma pessoa dizer que é uma boa pessoa quando pode magoar e magoa tanta gente. Mesmo sem querer e muitas vezes querendo. Não é fácil viver.

 

Daqui a pouco começa o jogo com a Juventus. Não posso perder. E não vou perder. Era bom que o mesmo acontecesse ao Benfica. Não perder. Confesso que não estou com muita fé. Notou-se cá como eles jogam. Acredito que lá ainda joguem melhor. Mas vamos ver como correr. Enfim...

 

A Mariza continua a cantar. Agora é a “Primavera”. Diz que é o seu fado favorito. Não é o meu. Fala de um amor que acabou. E que era preferível morrer. Os dois. Mas a vida segue. Com a solidão que não se desvanecerá. O amor é um milagre que se dá. Embora possa morrer. Sendo no entanto inesquecível. Concordo com isto. Embora a Primavera não seja o meu fado favorito, como disse.

 

Gostava de acrescentar que o “Gente da Minha Terra” foi escrito pela Amália.

 

 

publicado por Cat2007 às 19:38
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