CAFÉ EXPRESSO

Maio 31 2016

 

Em geral, tenho simpatia pelas pessoas. O que significa que gosto de toda a gente. Não sou, portanto, aquele tipo de embirrar com este ou com aquela só de ver de passagem. Do género daquelas pessoas que se põem a dizer com certos laivos de histerismo: “não gosto daquela, não sei porquê”. Sempre detestei gente que faz precisamente este género. Na escola secundária havia muito. Na escola secundária, havia miúdas (sobretudo miúdas) que embirravam comigo só de olhar. Certamente não gostavam de mim sem saber porquê. Nem eu sei muito bem porque não gostavam de mim, aquelas miúdas.

 

Desconfio que atualmente as pessoas continuam com estas coisas. E se não são estas coisas, então é coisa pior. Mas todos temos que sobreviver no meio de idiotas. Porque enfim, não há pessoas perigosas. O que existem são exatamente idiotas que se relacionam entre si, tendo em vista prejudicar, sem desígnio, os outros. O que, por vezes, conseguem.

 

Não estou a falar disso porque esteja agora preocupada com nenhum idiota em particular. Sei que vivo no meio deles, estando vários perfeitamente identificados. Porque já se identificaram através de sinais. O segredo para contornar as atividades destas pessoas está sempre na nossa atitude. Temos sempre que atuar corretamente. Tanto no trabalho que fazemos. Como nas relações com os demais (idiotas incluídos). Trata-se de lhes retirar a moral com força moral e competência.

 

Nem sei bem porque estou a falar disto. Não percebo porque vim parar aqui. Se o que eu queria falar é da simpatia que tenho pelas pessoas.

 

publicado por Cat2007 às 18:16
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Maio 30 2016

 

Não é que a coisa me afete muito. Mas irrita-me ao ponto de estar aqui a escrever sobre o tema. Hoje alguém teve a distinta lata de me levantar a voz e abordar-me com maus modos. Comecei, num primeiro momento, por gerir a situação diplomaticamente. Não obstante, resolvi imediatamente que a coisa não se voltará a repetir. Para tanto, acabaram-se as simpatias e as complacências. Mudei imediatamente de atitude. E, logo que pude, dei um primeiro e esclarecedor “coice”. Não foi nada de especial. Apenas fui especialmente fria e distante, deixando claro no tom e nas palavras que “a partir de agora isto daqui vai ser assim como o gelo”.

 

Devo dizer que não me sinto nada melindrada com situações de quase-rotura. Houve tempos em que estive mais de 6 meses sem trocar palavra com uma colega de gabinete (o que no caso constituiu mesmo uma rotura). E andava toda contentinha. Pelo menos não tinha que aturar as conversas dela. Agora não é preciso chegar a tanto. O que é preciso é fazer o que já fiz. “Desenvolver-me”. Ou seja, deixar de estar envolvida em termos. Em termos porque o envolvimento também não era assim tão intenso.

 

Por outro lado, a reação do outro lado foi inesperada. Ou nem tanto assim. Excesso de simpatia. Não há pachorra.

 

Este pequenino episódio leva-me a outras considerações. Que têm a ver com aquela coisa das pessoas acharem que são como são. Voltando ao exemplo dado, hoje fui mal abordada porque esta pessoa (como a grande maioria das pessoas) acha que é como é. E que deve ser aceite como é pelos outros. Que têm de compreender que ela tem bom fundo mas mau feitio. Ora, eu não compreendo nada disso. Nem quero. Porque creio firmemente que as pessoas têm de mudar. Se precisam, mudam. E nós estamos cá para ajudar à mudança.

 

Se, pelo contrário, as pessoas não mudam, sofrem. E podem acontecer-lhe coisas bem mais desagradáveis do que perder uma amizade cordial.

 

Para as pessoas que são como são eu tenho um tipo de resposta. A que descrevi. Um virar de costas. Este é o tipo de resposta que eu tenho para oferecer às pessoas que são como são.

 

publicado por Cat2007 às 18:57
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Maio 29 2016

 

 

 

Hoje fartei-me de trabalhar. Foi o dia todo nisto. Nem um passeio. Nem uma música. Nem um beijo. Apenas tomei café. E acariciei o cão. No entanto, amo. 

 

  

publicado por Cat2007 às 02:02
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Maio 27 2016

 

Hoje é um dia sem história. E começar assim é imprimir a ideia de que isto aqui é um diário. Porque dá ideia que venho para aqui contar o que me acontece no dia. Tenho dias. Tenho dias em que faço isso. Mas, em regra, não é sobre isso que isto trata. E hoje também não é um desses dias. Até porque aqui é mais a coisa do olhar. A minha forma de olhar. Eu gosto da minha forma de olhar. Por isso construi este espaço.

 

A forma de olhar confunde-se com o olhar ou com o olhar para alguma coisa. Com efeito, posso dizer que gosto do meu olhar. Porque é atento. Relativamente às pessoas a quem dou atenção. Normalmente, olho para o que sentem as pessoas. Quando não estou a olhar para as pessoas é porque quero mudar de assunto. É porque não estou interessada no que, naquele momento, as pessoas estão a sentir.

 

Falo de sentimentos. Sentir é a expressão de viver. Assim, temos sentimentos sobre lápis, por exemplo. Ou telemóveis. Ou formigas. Ou sobre a conta da luz. Ou sobre o trânsito que está péssimo. Quando falamos com os outros estamos a sentir sobre as coisas objeto dos assuntos de que falamos. É aqui que eu posso virar o olhar, como disse. Por não estar interessada na forma de sentir sobre o objeto da pessoa que está a falar comigo. Também tento mudar o assunto enquanto mudo o olhar. Para ver se o novo objeto me prende a atenção. Mas nem sempre consigo alterar o objeto. Se assim for, mantenho o meu olhar alheado. Embora não deixe de ir falando.

 

publicado por Cat2007 às 18:40
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Maio 23 2016
 
 
 

Há pessoas de quem tenho saudades. Gente que deixei de ver. Não se trata de amores. Falo de amigos. Dos amigos temos sempre saudades. Eu tenho saudades da Rita. A Rita lembra-me o Verão. Se a Rita ler este post, o que é até bem provável, vai saber que é ela. A Rita era uma boa amiga que eu tinha. E tenho, apesar de não ver. Se a Rita precisar de mim, eu cá estarei para o que ela precise. Seja como for. 

 

Ao contrário dos amigos, não tenho saudade dos amores passados. Mesmo que hoje não tivesse um amor presente. Não faz sentido ter saudades dos amores passados. Isso seria estar pendurada. Nas pessoas. O que não é saudável. As pessoas do passado ficam para trás. E nós vamos para a frente. Como nós ficamos para trás. E elas vão para a frente. Deus nos livre que não fosse assim. Ninguém quer fantasmas atrás da porta. O que importa das pessoas do passado foi o que elas nos ajudaram a crescer. Voluntaria ou involuntariamente. E isso fica.

 

As pessoas do passado só trazem saudades dos sítios. Tenho saudades de Barcelona, por exemplo.

 

O que gosto mais em Barcelona, para além do Gaudi, é da energia das pessoas. Parece que o mundo inteiro se reuniu em Barcelona nas Ramblas. O mundo inteiro mas sem incluir gente da política, é claro. É mais aquele mundo inteiro de calções. Numa cidade que não tem um único prédio degradado.

 

De Barcelona, do apartamento do Gaudi (La Pedrera), trouxe um bela bengala para o meu pai. 

 

Voltarei a Barcelona, como sempre. Mas talvez desta vez vá de carro. E, até lá, pare em outros sítios de que terei saudades depois. Do amor presente não tenho saudades também. Mas isso é por razões óbvias. 

 

publicado por Cat2007 às 19:04
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Maio 22 2016

 

Serve o presente para vir dizer que estou a trabalhar em casa e que isto é uma saturação. Veja-se a horas a que termino por hoje. Amanhã vai ser por toda a manhã. E isto vai ser assim todos os dias até dia 20 de junho. Depois é parar, crendo que, aí, parar não será morrer mas, antes pelo contrário, renascer. 

 

Nem era para estar aqui a escrever nada. Mas deu-me esta vontade de informar. Deve ser alguma tentativa de tentar partilhar a coisa. Como se assim todos estivessemos a trabalhar. Se todos estivessemos a trabalhar, eu sentia-me mais acompanhada.

 

No mais, ainda não estou com sono. Estive a beber cola zero até agora. Tenho este vício.

 

Comprei um disco da Mariza. Nem o plástico lhe tirei ainda. Não estou em fase de contemplações. 

 

Às vezes também compro roupa nova que não visto durante uma data de tempo. Porém, adoro comprar roupa nova. O mais esquisito é que nem costumo experimentar. Se calhar, o prazer está na apropriação e em gastar dinheiro. 

 

Se for agora para a cama, e irei (não agora agora) vou acender a televisão na Fox Life para ver o que estiver a dar. Habituei-me à Fox Life. E agora não tenho paciência para os outros canais. O que deve ser um erro. Estou certa de que ando a perder filmes e séries do melhor. Seja como for, sempre é certo que eu basicamente vejo televisão com o intuito de dormir. Por isso tanto faz. 

 

Bem, tenho de ir. Ver a Fox Life. 

 

 

 

publicado por Cat2007 às 00:55
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Maio 20 2016

 

De quando uma pessoa se sente reduzida à sua insignificância. Quando é que estas coisas sucedem? O Pessoa, num dos seus poemas, afirmava-se farto de semideuses e revelava que muitas vezes não tomava banho. É preciso não esquecer que o Pessoa era um génio. No fim do poema, conclui-se que o pessoal, em geral, basicamente mente.

Para começar, mente logo na postura. Lembro-me da minha mãe. Para fazer o contraponto. Tive sorte com a mãe que tive. Para começar, era franca e fiável logo na postura. Porque ela não queria ser mais nada para alem daquilo que dentro de si própria havia. Mas deixemos a minha mãe de lado, esperando eu, no entanto, ser um resultado da sorte que disse que tive.

E vejamos o poema porque com o poema fica tudo dito.

Façam favor:

 

Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil, Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita, Indesculpavelmente sujo, Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho, Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo, Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas, Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante, Que tenho sofrido enxovalhos e calado, Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda; Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel, Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes, Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar, Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado Para fora da possibilidade do soco; Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas, Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho, Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia; Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia! Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam. Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil? Ó príncipes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses! Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado, Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca! E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído, Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear? Eu, que venho sido vil, literalmente vil, Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

 

publicado por Cat2007 às 18:37
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Maio 19 2016

 

Se isto fosse um diário, eu agora começava a dissertar sobre a sequência de acontecimentos consequentes aos acontecimentos de ontem. Diria que, afinal, as más notícias esperadas foram ótimas, que já não estou febril e que hoje tenho umas sandálias impecáveis postas.

 

Relembro que ontem dizia que cometeria uma tentativa de suicídio emocional se as coisas não corressem bem. Mas tendo corrido tudo muito bem, afinal, o que não posso é fazer o contrário. O que é o contrário de uma tentativa de suicídio? Se for uma tentativa de homicídio, tenho de dizer que não me faz sentido tentar matar alguém só porque fiquei muito bem-disposta. A verdade, porém é que o antónimo de suicídio não é homicídio. E vice-versa. Creio, aliás que não existem antónimos para estas duas palavras. Portanto, a minha pequenina referência não faz sentido.

 

Repare-se que estou a encher texto. Só porque não quero explicar porque me sinto bem. E não quero. Mas não é por nada de extraordinário. Não quero porque dá trabalho descrever emoções. Para se descrever uma emoção, é preciso entendê-la. O que não é fácil. Repare-se que não estou a falar de raciocínios prévios mas contemporâneos. Pensar enquanto se sente.

 

Posso dizer apenas que me apetece sorrir e que aprecio os raios de sol que brilham, sendo certo que o vento que sopra me é indiferente. Posso dizer que os pensamentos estão em ordem e que as ideias fluem. É este o bem-estar que me envolve.

 

Afinal, isto parece um diário. Só por hoje.

 

publicado por Cat2007 às 16:04
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Maio 18 2016

 

Estou um bocadinho febril e rebentei uma tira de uma sandália. Hoje não está a ser um bom dia, portanto. Estou com a cabeça um bocado parada e o pé a arrastar. Também espero uma notícia. Em princípio má. Mandei um e-mail de manhã e disseram-me que só haveria novidades no fim do dia. Mesmo assim, não deixei de estar em contacto. Sempre a ver se a má notícia chegava.

 

A falta de cabeça, a sandália e a má notícia que não vem… deixaram-me num estado de… Não sei. Ainda estou a tentar compor esta ideia. A ideia do estado em que estou. Para já pensei que eu própria fosse mais... mais qualquer coisa a mais, que pelos vistos não sou. Na verdade, um simples estado febril está a deixar-me impaciente e irritada com tudo. Não consigo colocar energia colorida na alma para receber a má notícia, por exemplo. A sandália é o que menos me aborrece. Porque vou para casa de carro e estou escondida atrás de uma secretária. Tem sido chato é quando tenho que passar pelos corredores quando vou fumar um cigarro. Felizmente agora já não fumo muitos. Pelo que passei apenas duas vezes pelas pessoas com o pé neste estado durante a tarde. O sucedido sucedeu à hora do almoço. Sobre a má notícia, já estou mentalizada. Como se vê. Mas ainda assim não estou preparada para ela. Quando as coisas têm a ver com as minhas capacidades, se as minhas capacidades são postas em causa, eu faço uma espécie de tentativa de suicídio emocional. E vou fazer uma quando receber a má notícia. Depois recomponho-me. Daqui a um dia ou dois estou recuperada.

 

Agora, que dei comigo para aqui a escrever, ocorreu-me que tudo pode ser por causa da má notícia que não chega. A expetativa. Não a espera. A espera só me está a desgastar. A expetativa é que está a deixar-me febril e a obrigar-me a rebentar sandálias. Acho que andei hoje de tarde à hora de almoço de um modo tenso. Daí o estrago. A febre também foi subindo ao longo do dia. Mas repito não é da espera é da expetativa. Ou seja, é da expetativa que vai aumentando por causa da espera. Afinal, é da espera e da expetativa. Pronto. Odeio esperar, na verdade. Por causa da expetativa.

 

Hoje está a ser um mau dia. Até a escrever se vê isso. O voltar atrás nas ideias. Um texto cheio de incertezas. É como eu estou. Na incerteza. E agora que disse isto serei obrigada a dizer que a má notícia pode não ser. Pode ser uma boa notícia. E eu estou na incerteza. Por isso é necessário ter certezas. Estar certa de que é uma má notícia o que virá. Na verdade, o pior de tudo é a incerteza. E enquanto ela dura, não dá para ir a lado nenhum. Se for uma má notícia, pode vir o suicídio de que falei. Mas depois as coisas resolvem-se. É só deixar o tempo e a cabeça já certa atuarem. A incerteza prende e isola. Eu não suporto uma coisa destas porque tenho claustrofobia.

 

publicado por Cat2007 às 18:44
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Maio 17 2016

 

 

Tenho de alterar as minhas férias já marcadas e aprovadas. Para tanto, terei de entrar em contacto com o Núcleo de Pessoal daqui. Por falar em núcleo de pessoal. Sempre é certo que quando há pessoal que se junta se forma um núcleo. Duro. Ou não. Estável ou instável. Permanente ou passageiro.

 

Uma pessoa está sempre inserida em núcleos. A questão é a extensão e a diversidade. Eu gosto do meu restrito núcleo de pessoas de quem gosto que não são família. E gosto do meu núcleo familiar.

 

Além disto, mas que já não tem a ver, posso ser enquadrada no grupo dos semi bichos-de-mato. Que, por definição, é um grupo de pessoas sem núcleo, lá está. Porque estão afastadas umas das outras, não interagindo (os semi bichos-de-mato não interagem entre si).

 

Quando estive internada no hospital uma data de tempo (por causa do acidente de carro que mais parecia de mota, dada a quantidade de gesso que tinha espalhado pelo corpo), todos os dias esperava a visita dos meus núcleos. Que vinham sempre. Era uma alegria vê-los. E o meu dia ficava preenchido com a companhia daquela gente quentinha, conversadora e sorridente. Sucedeu, porém, que, um dia, o meu primo apareceu com a namorada nova. Senti imediatamente que estava obrigada a fazer-lhe uma visita. Porque, na verdade, tive que fazer imensa cerimónia e perguntas de circunstância. Não há nada pior do que as “visitas”. Seja num hospital, seja em que sítio for.

 

É melhor explicar. Estas coisas dão-se com o passar pela vida. Uma pessoa aprende. De temperamento, sempre fui aberta e sociável, gostando sinceramente de todos. Estava em vários núcleos de diversas espécies e gostava muito. Ainda sou assim. Mas controlo-me. Anda uma miuda lá no ginásio a tentar criar um núcleo "para conversa enquanto treinamos" que já me enerva.

 

A propósito do meu temperamento, vou contar umas coisas que costumavam acontecer-me (e que já não sucedem, obviamente). 

 

Na escola secundária uma menina, que eu mal conhecia de vista, veio convidar-me para ir a um chá dançante no Colégio Militar. Eu disse-lhe que sim e fui. Mais tarde, uma colega de turma, daquelas com quem eu não me dava de uma forma mais próxima, convidou-me para passar o Fim-de-Ano com os amigos dela. E eu fui. Das duas vezes, foi uma seca mais ou menos inesperada. Porque, além do mais, eu era uma otimista. 

 

Também tive uma gorda, que, para o cúmulo, usava saltos altos na escola, que se colou a mim e passei a ser a sua melhor amiga (embora ela não minha). Andei o ano letivo todo a aturar as coisas que ela inventava sobre um namorado que não tinha e a fazer visitas ao bar a todos os intervalos. Porque a gorda tinha que comer bolos. Felizmente, no ano seguinte, a gorda seguiu o seu percurso para outra turma. Já não sei se foi porque chumbou.

 

Igualmente, apanhei com outra gorda. Esta era loura e vestia-se como um rapaz. Andava apaixonada por mim e portanto achou por bem fazer-me um cerco. Todos os dias me esperava à porta da escola com um poema escrito em inglês. Como eu era muito cool, disse-lhe que não podia ser namorada dela mas que, se ela quisesse, seria a sua melhor amiga. E assim foi. Durou dois anos tal amizade. No fim, a gorda estava toda ressabiada porque não conseguiu aquilo que secretamente nunca deixou de desejar e deu-me um chuto no rabo de surpresa. Magoou-me, by the way.

 

Enfim, a vida foi andando, e fui tendo outras coisas que podia aqui contar. Mas que não vale a pena.

 

Para o que importa, o problema concreto é que uma pessoa não se pode dar com toda a gente. Pelo menos eu, que dou de mim. Quando dou conta, estou a pensar na pessoa, a preocupar-me com ela. A abrir caminho. A dar o corpo (ou melhor a cabeça) às balas.

 

Para as pessoas dos meus núcleos, tenho os caminhos todos sempre abertos. Podem secar-me as vezes que quiserem. Podem pedir o que lhes der na gana. Podem aparecer e ficar pelo tempo que lhes apetecer. Podem falar sem nexo. Podem chatear. E eu posso dizer Não. Não tenho que "visitar" ninguém.

 

publicado por Cat2007 às 15:55
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