CAFÉ EXPRESSO

Setembro 24 2016

 

 

Hoje passei o dia a pijamar.

publicado por Cat2007 às 21:46
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Setembro 24 2016

Era sexta-feira. Teresa saíra cedo do escritório. Porque podia muito bem lançar trabalho para segunda-feira. Sentia o peito pesado e dores nas costas. Porque estavam tensas. Considerou que o melhor seria ir a casa mudar de roupa e sair para caminhar um pouco. Para se libertar.

Clara ainda não chegara. “Ainda bem. Não quero estar com ela hoje. Depois do que sucedeu ontem, nem sei o que lhe dizer”.

Libertou-se da camisa e do blazer e dos saltos altos. Enfiou uns jeans e umas botas castanhas de cano alto. Saiu par a rua. Foi para a Praça de Londres. Decidiu tomar um café muito perto de Madalena. Na Mexicana. Imaginava-a em casa. Mas ainda não era hora de a visitar. Antes, tinha que caminhar. Pensar um pouco. Tinha saudades físicas dela. Como todos os dias. Não queria discutir. “Hoje não”.

Terminou o café e dirigiu-se em passos descontraídos até à Avenida de Roma. Ia olhando para as montas distraidamente. Por vezes fixava-se nos vidros para se ver. Não estava segura da sua imagem. Toda a gente a achava anormalmente bonita. Mas ela não se via assim. “A nossa beleza são sempre os outros que acham. A beleza decisiva para a felicidade é aquela que é sentida por quem realmente nos importa. De resto, não decide nada e muito menos garante alguma coisa. A verdade, é que atualmente não me sinto bonita porque a Madalena diz que não me ama. E eu estou quase a acreditar”.

Caminhou mais um pouco. De costas para a Praça de Londres. Os pensamentos sobre o que sucedera na noite anterior com a filha impuseram-se-lhe. Não se reconhecia. O que tinha Clara a ver com o que ela andava a fazer? Naquela casa não se trancavam as portas. As rotinas era desassegredadas. Madalena não voltaria a cometer o erro de fazer amor com ela na casa da Alameda como há vinte anos atrás. Podia assim continuar com a filha nos mesmos rituais. Cada uma nos seus espaços íntimos. E os encontros nas zonas comuns da casa. Clara chorou. Não queria voltar fazer a filha chorar. Ela que só chorava por razões fortes. Como Teresa. Não lhe iria contar nada, afinal. Porque se lhe contasse alguma coisa, teria que dizer tudo desde o passado. Era muita coisa. A miúda não merecia. E não merecia também porque Teresa continuava incerta sobre o que desejava fazer da sua vida. Apesar de ser certo o amor que sentia por Madalena, não sabia se o queria viver assumidamente. Não sabia se queria mudar. Sem estas certezas, não podia contar nada à filha.

Atravessou a rua e voltou para trás em direção à Praça de Londres. Agora caminhava em passadas mais rápidas. Queria libertar-se das incertezas nos braços de Madalena. Talvez o amor que fizessem a ajudasse.

Madalena: Olá, querida.

Teresa: Tu dizes que não me amas.

Madalena: Vens para discutir ou vens para fazer amor?

Teresa: Venho para te atormentar.

Madalena: Não é preciso. Eu já vivo atormentada por tua causa. Mas se me quiseres atormentar na cama, parece-me bem.

Teresa: Estás tão segura de ti.

Madalena: Estou segura sobre as fórmulas químicas que aprendi.

Teresa: Gostas de brincar. Tornaste-te uma pessoa um bocadinho cínica. Consegues separar muito bem as coisas. A tua vida é a tua vida. Eu sou eu. E no in between aproveitas para me comer.

Madalena: De facto, vens para me queimar a cabeça apenas.

Teresa: Não. Venho para o teu corpo. Mas tenho raiva. Quero-te com raiva.

Madalena: Então faz-me com raiva.  

Teresa: És uma ordinária.

Madalena: Que disparate. Sou uma mulher adulta. Tu não.

Teresa: Cínica!

Madalena desnudou o tronco rapidamente.

Teresa: Aqui.

Madalena: Sim, aqui.

Madalena aproximou-se dela e mordeu-lhe a boca. Teresa investiu sobre ela ainda com mais raiva do que a que já trazia. Não se despiu. Empurrou-a contra a parede junto á porta da rua.  Baixou-se e puxou-lhe as calças para baixo.

publicado por Cat2007 às 14:04
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Setembro 24 2016

Clara: É verdade. Tu és uma mulher. E eu quero-te tanto.

Joana reanimou.

Clara: Um sentimento como este não surge pela razão e ultrapassa a vontade.

Os olhos de Clara estavam húmidos. Mantinha-se a olhar para o mar.

Clara: E agora que já matei um pouco da minha sede em ti, a boca seca-me. Preciso de mais. Já compreendi que nada há a decidir. Não há nada para pensar. Mas há opções, se quiseres. Ou vives o que sentes ou foges. Hoje eu já sei que, se foges, morres devagar. Se virares as costas, a Joana que tu és desaparecerá ao mesmo tempo que eu for desaparecendo da tua vida, afastando-me dos teus sentidos.

Joana estremeceu.

Joana: Desculpa. Que estupidez.

Clara: É claro que desculpo. O que posso fazer se tens medo? Sei que há muitas coisas que não percebes. E há tantas coisas que não percebo também… Claro que te desculpo. Também tive tanto medo.

Joana: Mas este medo que surge agora leva à falta de coragem. E a falta de coragem obriga à mentira como aquela que eu lancei: “Pode parecer muito e não ser nada”. Foi isto que te disse. Menti-te.

Clara já se virara na direção dela. Porém, mantinha-se de pé com os braços cruzados, fixando-a com gravidade.

Clara: O medo de sofrer é um dado. Mas é preciso dar atenção ao medo. Porque pode induzir-nos ao erro. Uma forma de errar é mentir. E mente-se por cobardia, na maior parte dos casos. Nós não podemos garantir que jamais voltaremos a errar. Ainda que o erro seja exatamente o mesmo. Se eu errar, espero que também me saibas ver e não duvides que te amo.

Joana baixou a cabeça. Não podia conceber que um dia podia ver Clara errar.

Clara: Leva-me para casa.

Joana: Já? Ainda estás magoada comigo. Não me perdoaste, afinal.

Clara falava-lhe com calma. Perdoei-te com certeza. Compreendo-te, como te disse. Acontece que estou estoirada. Não queres saber o que aconteceu hoje de manhã?

Encaminhavam-se para o carro devagar. Iam conversando.

Joana não respondeu.

Clara: Ontem à noite… ontem à noite fui uma fraca. A minha mãe está quase certa de que existe alguma coisa entre nós. E eu neguei tudo. Menti-lhe, como nunca lhe menti na vida. Chorei e tudo para a convencer.

Joana sabia quem era Teresa. Sabia que Teresa andava com Madalena. Teresa sabia por Madalena que Joana era lésbica. Que tinha havido um caso. O facto de Joana e Clara serem as melhores amigas, era aos olhos de Teresa um sinónimo de preocupação. “Já aconteceu, Dr.ª Teresa”. Joana não era defensora da ideia da verdade sobre todas as coisas. Não concordava com Clara nessa visão que lhe tinha sido imposta pela mãe com a educação. Há verdades que não devem ser ditas. Joana escondia muito conscientemente de Clara o que sabia. “A mãe dela é lésbica e anda com a Madalena”. Não lhe podia dizer isto. Porque não tinha competência para tal. Talvez mais tarde Clara não lhe perdoasse. “Talvez não perdoe logo. Mas depois há-de passar-lhe”.

Joana: Clara acorda, por favor. A tua mãe não sabe nada de nós. Tu é que estás com ideias de lhe contar. Porque mentir à mamã é uma grande traição. Como sabes tu que ela não te mente?

Clara: Ela não mente. A ninguém e sobretudo a mim. Sei tudo da vida dela. Sei que de vez em quando tem uns namorados e não vai dormir a casa. Ela nem precisa de me dizer quem são. Normalmente são estória fugazes. Não vale a pena. Nem costumamos falar disso. Olha, ainda agora, nesta altura, deve andar com alguém. Porque tem chegado muito tarde. Apesar de não ter passado ainda nenhuma noite fora. Mas casos com namorados não é o mesmo que o nosso caso. A partir de ti eu estou outra. Tenho que lhe dizer quem sou.

Joana que estivera de olhos baixos a ouvi-la falar, ergueu finalmente a cabeça.

Joana: Querida, ouve-me com atenção. Tu estás outra mas é porque estás a viver um amor. O amor muda as pessoas. Não é por ser uma relação lésbica. Tu não deixaste de ser quem eras por ser lésbica. Querida, tu és tão inteligente. Como é possível estares a fazer uma confusão dessas?

Clara: Não estou a fazer confusões. O amor é um dado novo. Se fosses com um homem eu também sentiria necessidade de lhe ir contar. Por ser amor.

Já estavam dentro do carro.

Joana: Confia em mim minha querida. Não lhe contes.

Clara: Eu confio em ti. Mas o que sabes tu do que pensa a minha mãe? Tens algum dado que eu desconheço?

Clara pensou um bocadinho.

Clara: Não, claro que não.

Joana: Tenho apenas um mau pressentimento.

publicado por Cat2007 às 12:39
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