CAFÉ EXPRESSO

Dezembro 29 2007

 

                                                                                            

 

Hoje subi a Rua Nova do Almada. Vi um rapaz. Chamou-me a atenção, de entre os vários com que me cruzei, mas que não vi. Era magro para homem. Usava o cabelo puxado por um rabo de cavalo. Demasiado puxado para homem. Vestia uma calças e uma camisa de corte muito moderno. Demasiado justas para homem. Segurava um cigarro entre dois dedos finos, de uma mão fina, sustentada por um pulso fino. Demasiado finos para homem. Compreendi que era gay. A evidência da sua orientação sexual surgiu aos meus olhos como um cobertura de chocolate para um bolo de chocolate. E foi por tudo isto que o achei ridículo.

 

Na Rua Garrett a fila para o Néspresso " era interminável. Não sei se o G. C. tem alguma responsabilidade nisto. Certamente, alguma terá, porém não toda. A máquina, e os pacotes, e as caixas, e as cores e as histórias sabem a chocolate. Eu não bebo café, mas tenho o vício do chocolate. Entre o chocolate preto e o café existem as suas semelhanças. Seja como for, não vou passar a beber café.

 

Se estiver em casa, fico a ver a "Operação Triunfo". Não sei bem se me deva envergonhar disto. Porque, enfim, aquilo tem um lado que me enfada, tem um lado que me distrai e tem um lado que me interessa. Assim, é complicado mudar de canal.

 

Na edição de ontem, a Ana Bola, considerou que uma das miúdas (a única que lá ficou, de resto) é basicamente uma cantora extraordinária em qualquer parte do mundo. Acrescentou, no entanto, que por exemplo, quando ouve a Mariza , sabe que é a Mariza que está a cantar. Se houve a Rita Guerra (que paralelismo é este?), também a reconhece. Já a Vânia (é como se chama a pequena) se canta, e estamos de olhos fechados, não é possível saber a quem pertence aquela voz. A Ana Bola acha que isto se deve ao facto de ela ainda não ter feito o trabalho necessário para que a voz se torne característica. Eu cá adoro a voz da Mariza, porém só depois de ela ter cantado várias vezes, é que me convenci que a voz era mesmo dela. Agora, reconheço-a de olhos fechados. E não é pelo tacto.

  

Por falar nisso, encontrei a Mariza num restaurante no outro dia. Foi jantar na mesa atrás da minha. Tenho muito orgulho em 99% do portugueses: a amostra que foi possível retirar lá no restaurante. 99% deixaram-na jantar em paz, recolhendo-se num ou outro olhar discreto que a Mariza merece. No entanto, surgiu um labrego que se levantou da sua mesa e foi ter com ela. Falou e falou. Claro que este homem representa menos do que 1% da população de comensais da ocasião. De qualquer modo, foi tão incomodativo que merece a pluralidade.

 

publicado por Cat2007 às 19:33
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