CAFÉ EXPRESSO

Janeiro 29 2008

 

 

 

Nada de novo. Neste assunto. Quanto a mim. No blog. Quero dizer que já falei sobre isto. Quero dizer também que suspeito não adiantarei nada de novo. Pois está bem. E depois?

 

Quando era uma liceal era, para além disso (para além de ser uma adolescente a frequentar o liceu) muito sensível à diferença. Não queria nada ser diferente. Como nenhum adolescente quer. Nisso eu não era diferente de ninguém. Os adolescentes querem ser iguais entre si. Ou uns iguais aos outros. E querem ser diferentes dos pais. Portanto, os adolescentes querem se integrar. Têm horror à diferença.

 

Lembro-me de alguns liceais diferentes lá no meu liceu (gosto de dizer liceu, e não escola secundária. Senão eu era uma secundarial , e não uma liceal). Uns porque eram obesos. Outros porque tinham óculos. Uns porque eram amaricados. Outros porque eram demasiado feias. Uns porque fumavam charros. Outros porque ficavam grávidas. Uns porque tinham um aspecto freak-pobre . Outros porque eram maria-rapaz. Uns porque eram "marrões". Outros porque não jogavam nada. Uns porque... Outros porque... Os demais, que eram a maioria, não tinham destes porque. Eu era assim. Igual a todos para não ser diferente porque. Porque se eu tivesse algum porque que se notasse, os demais se afastariam de mim porque.

 

Os adolescentes não suportam que se afastem deles Os seus pares. Os outros adolescentes. Porque os outros são todo o seu mundo de invenções. Na adolescência, todos imaginam que cortaram com os pais. A sua família é o mundo. O mundo dos adolescentes. Ninguém quer ser expelido desta atmosfera. O mundo dos adolescentes é o único mundo que existe para os adolescentes. É, portanto, um milagre sobreviver à fase da adolescência.

 

Em boa verdade, a diferença existe para todos. Cada pessoa é diferente. Malgrado o esforço de integração. Somos todos diferentes uns dos outros. E isto não tem que ser uma coisa boa ou uma coisa má. É um facto. Um facto que não significa nada para além do significado que tem.

 

As pessoas tendem a confundir diferença com especialidade. Especialidade para bom. Não especialidade para mau. No entanto, as maiores especialidades são de índole culinária. A especialidade está muito mais nos resultados dos actos do que na essência das pessoas. A especialidade só pode ser identificada numa produção ou, então, ser uma ideia relativa. Uma ideia relativa ou a ideia que alguém faz de alguém. O meu vulgar pai é muito especial para mim, por exemplo. E não há forma de eu ver nele uma pessoa vulgar. Ele  é especial. E, talvez, só eu é que veja a coisa assim. Bom, a especialidade não infecta, pois, toda a personalidade de uma pessoa, por um lado, e pode, não existir para além dos olhos amáveis de alguém, por outro. Ou seja, objectivamente, não existem pessoas especiais. Só produtos ou sentimentos.

 

Por outro lado, repito, existem pessoas diferentes, que não se vestem ou actuam de maneira muito diferente dos restantes membros da colectividade. Estas, as que parecem diferentes, são só um pouco mais cobardes do que as outras. Tal qual as que parecem muito iguais a toda a gente. Também são mais cobardes. As outras, a maioria, são diferentes como as mais cobardes, mas são menos cobardes. Todas as pessoas são diferentes umas das outras. E isto não tem nada de especial.

 

publicado por Cat2007 às 19:50
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Todos queremos nos destacar mas nunca de uma maneira que nos exclua de nosso grupo social. Quanse tudo que fazemos na vida é em busca de aceitação e afeto. Ô gentinha sem sal, essa raça humana...
Lee a 17 de Fevereiro de 2008 às 23:00

Claro que isso é uma generalização muito bem observada. Acredito, porém, que existem muitas pessoas sem tanta sede de afecto e de aceitação. Gente que sabe tomar conta de si própria, que assume o controlo da sua própria vida. Enfim, os independentes. Tenho inveja deles.
E tenho saudades tuas
Cat2007 a 18 de Fevereiro de 2008 às 14:25

"A minha frase favorita é a minha quando me sai bem"
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