CAFÉ EXPRESSO

Junho 02 2008

Escultura representando um anjo

 

Responsabilização. Faz-se sobre as pessoas em relação às coisas que elas não fizeram bem, mas deviam. Está delimitado o âmbito. Mais do que isto é abuso. Menos do que isto é laxismo. O sentido de justiça é o princípio que rege a matéria.

 

Como diz, e bem, a Joss Tone, todos tem os o direito de errar. "The right to be wrong". Errar é, aliás um exercício de grande utilidade. O erro liberta o espírito de embaraços supréfulos e é um dos mais eficazes instrumentos de aprendizagem. Sobretudo porque não há quem não erre. Não errar é desumano. Por isso seria um absurdo proclamar "no right to be wrong".  

 

O que importa é medir os danos. É preciso responder pelos danos. Na medida certa. Ou seja, a medida do pagamento tem de ser igual ao montante dos prejuízos. Assim mesmo. Se mais. Sem menos. Com certeza que os danos morais e as expectativas legítimas estão aqui incluídos. São contabilizáveis. Embora de conta difícil. Porém, não impossível.

 

Pedir desculpa é bom. Faz bem à contraparte, mas se for só isso é um facto de baixa produtividade e de nenhum interesse. Pedir desculpa é só a primeira parte. O primeiro acto. O acto que fica sem sentido se não for seguido pelos demais correspondentes.

 

E voltando atrás, os erros pagam-se em função dos danos. É natural que este processo implique dor. Temos pena. Mas temos mais pena de quem pede cabeças. Eu sou contra a pena de morte. Porque o princípio aqui em causa é o da justiça. Justiça sem humanidade não faz sentido. Humano é o erro. Não pode ser tão irreversível como a morte.

 

 Não há nada pior do que desejar a queda de um anjo. Só porque ele pôde voar durante tanto tempo, e nós não. Porque isto não é justo. Logo, não é humano. Porque é irracional. E um ser racional só pode ser humano. Pelo menos, até a Ciência nos fornecer dados novos. Nós rezamos aos anjos. Só os humanos rezam. Nos termos dos dados científicos conhecidos, certamente. Rezar é viver um estado ansioso que aspira ao alívio. Nós rezamos aos anjos. Também aos santos. Nós também rezamos aos santos. Não é justo que os queiramos fora dos seus altares. Se eles não estivessem nos altares, nunca lhes rezaríamos. Porque não eram santos. Nem anjos. Então, se eram, são. Não é justo dizer que um anjo não é anjo e que um santo não é santo, só porque caiu. O anjo não tem culpa que nós imaginássemos que a sua queda era impossível. Nem que, depois de tantos pedidos que lhe fizemos, não sejamos capazes de lhe dar a mão para o ajudar a levantar.

publicado por Cat2007 às 20:54
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Quando penso em erro, penso em perdão. Mas não acredito no perdão. O perdão seria a antítese do karma,e eu acredito no karma. Acredito nele como uma lei física, sem moral ou julgamento. Ao menos, sem "moral e julgamento" compreensivel por nossa atual capacidade de julgar o outro. Já tive algumas discussões filosóficas rasteiras (como toda discussão filosófica que euzinha consigo ter, of course) e não consigo entender o perdão Divino, por exemplo. Perdão pra mim é não precisar expiar uma culpa. Alguém perdoado na esfera legal, não cumpre a pena, então por que eu tenho que pedir perdão a Deus e a meus pares se vou ter que pagar pelo erro de qualquer maneira, arrependida ou não. Seria o perdão a capacidade de "aprender" ou "pagar" por um erro e se redimir? Se for isso, tudo bem, mas pra mim não é perdão. Na esfera não Divina, o perdão também não existe mas nem por isso podemos viver sem sua premissa. As coisas nunca podem voltar a seu estado anterior mas as novas coisas não precisam seguir o mesmo caminho roto. O perdão, ainda que não exista, nos ilude o suficiente pra acreditarmos em um novo começo, e isso, pensando bem, é uma coisa boa de se ter.
lee a 5 de Junho de 2008 às 02:15

Se reparares, eu não mencionei, nem por uma só vez o perdão. Falei de justiça, pura e simples. Do erro, puro e simples. Das consequências do erro, puras e simples. E de como detesto que se ultrapassem os limites racionais de todos estes princípios.
Cat2007 a 6 de Junho de 2008 às 16:36

Eu vi. Mas pensar em erro me leva a isso. Se você acredita no karma, como eu, vê que a injustiça é um conceito impossível. Mas não vá achando que por conta disso eu desconheça a frustração de não ver a justiça aplicada de modo a que entendamos que é a reação à ação anterior.
Tá dificil conciliar o que eu penso com o que eu sinto sem me alongar, o que também esbarra na minha ultra preguiça de ultimamente. Deixa pra llá. Eu entendi o que você quis dizer.
lee a 6 de Junho de 2008 às 19:25

Preciso de saber o que é o "Karma". Diz-me

Karma pra mim é o que eu entendo que ele é. Se for outra coisa, não me importa. Pra mim, ele é o conjunto de ações executadas por você em todas as suas vidas. Como na lei de ação e reação. Tudo que você faz ou causa se reverte para você mesmo. Tanto o negativo quanto o positivo. Como quando reencarnamos, não lembramos do que fomos, apenas sentimos, não sabemos se nossa ficha está "limpa ou suja", e ainda que melhoremos nossa rep sheet, nada garante que não tenhamos dívidas desconhecidas cujas faturas ainda estão por vir.
lee a 7 de Junho de 2008 às 19:44

Ah! Agora percebo a tua concepção de perdão. O perdão não faz sentido se acreditarmos que cada pessoa tem um Karma. E também a justiça faz igualmente pouco sentido. A questão é que, ainda que se considere a possibilidade da reencarnação, é muito complicado viver a vida actual sem, pelo menos, o sentido de justiça aplicada as coisas que acontecem aqui e agora.
Cat2007 a 7 de Junho de 2008 às 23:49

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