CAFÉ EXPRESSO

Agosto 14 2008

 

 

 

Uma revisão consiste num acto de rever algo para verificar se está tudo bem ou para relembrar matéria dada. Rever uma determinada pessoa, constitui por si só uma revisão, como é evidente;  e pode obrigar a fazer revisões.

 

Em tempos, quando eu achei que o meu sentido da moral andava muito em alta, quebrei alguns relacionamentos. Sobretudo com amigos de quem gostava. Foi um espécie de "limpeza santa" (género guerra santa) que eu levei a efeito na minha vida. Saberá o santo Deus porquê. Talvez acreditasse na altura que iria ganhar o Céu. Enfim, uma coisa muito à Velho Testamento. Algo que devia ter a ver com uma necessidade de purificação, ou coisa que o valha.

 

Basicamente, tudo tinha a ver com dores pessoais; com fragilidades próprias. Logo, com emoções adoecidas. E uma recusa em aceitar que as pessoas são defeituosas e frágeis, tal como eu. Ninguém vira as costas a ninguém de quem já gosta porque foram cometidos erros. É um erro. Além do mais, atitudes destas têm sempre por base julgamento do mais parcial que pode haver. O nosso. É por isso que, malgrado as costas viradas, se continua a gostar. Gostar não é uma escolha,  gostar de alguém acontece.

 

Agora ando a recuperar os meus amigos, que, incrivelmente, estão disponíveis para isso. Mesmo sabendo, eu nem sei o que me deu no passado. Tantas desculpas para fazer disparates. Uma pessoa tem que ter "cabedal" para dizer o que não gostou. Parece-me que ninguém fala deste tipo de sentimentos com medo de cair no ridiculo. Eu, pelo menos.  

 

Enfim, é bem verdade que continuo a não gostar de falar de sentimentos. Dos meus (dos dos outros, adoro!). Quando me abordam nessas matérias, tenho por hábito pôr-me a coçar o cotovelo. É uma manobra de diversão como outra qualquer. De resto, compreendo que não vale a pena pensar que não há um bom bocado da vida que é asolutamente individual, independente e solitário. Com efeito, para além dos actos do nascimento, da morte e das idas à casa de banho diárias, o exercíco de viver tem momentos desprotegidos. Outrora, esperava dos outros impossibilidades humanas. Aliás, como também procurava fazer os impossíveis.

 

A base dos relacionamentos é o afecto. E o afecto coloca tudo no sítio. No que toca às relações, quero dizer. Eu desvalorizava o afecto, pensando que os valores rígidos de uma moral inventada para conveniências domésticas é que era bom. I was wrong. But  i´m still very good of course.

 

publicado por Cat2007 às 13:09
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O que eu poderia comentar sobre o assunto seria somente para seus olhos. Só vou dizer que mesmo com a perda da ilusão da amizades invencível, ainda assim, o que sobrou é precioso o bastabte para se guardar com carinho.
lee a 15 de Agosto de 2008 às 03:15

Eu gostava de saber desse comentário (não aqui, claro)..
Cat2007 a 18 de Agosto de 2008 às 12:28

"A minha frase favorita é a minha quando me sai bem"
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