CAFÉ EXPRESSO

Julho 15 2009

 

Sempre tive medo de morrer de amor. Sempre. Tive algumas relações na vida. Algumas muito sérias. Elas sérias, eu nem por isso. Tinha de me concentrar em controlar os fluxos de sangue no meu coração e no cérebro. Estava muito séria nesta tarefa. Como me sentia culpada, cedia e concedia. Em muito e demais para mim. Mas isto não era mau porque me fortalecia as razões para a tarefa. O fim aparecia sempre no princípio, como se tivesse em mãos um projecto de arquitectura para a construção de um edifício fantástico, cujo projecto de execução eu haveria sempre de boicotar.

 

Tudo isto seria perfeito se eu não fosse uma pessoa muito carente e que, por acaso, até sabe amar. É por isso que me acontece sempre sair das relações a ser amada. Realmente, nem sei como consigo fazer estas coisas. Quero dizer, amar sem dar tudo, parecendo que mais não posso dar.

 Agora, e por mais alguns dias, ando a dormir com a mãe. Aproveitei que o pai não está em Lisboa. Meti-me na cama da minha mãe. Tal e qual. Isto porque acho que ela tem muitas culpas nesta matéria específica. Penso que sem saber, e não admitindo por isso a culpa, a mãe procura compensar-me de tudo. Tem sido um namoro pegado. Até colo ela me dá. Além de que me prepara sobremesas de fruta com imensa ternura. Já lhe disse que tem de ser só fruta, que eu não estou para engordar. As mães fazem tudo para engordar os filhos. É impressionante! Voltei àquela fase entre os cinco e os sete em que a mãe andava demasiado estrangulada para me dar atenção. Agora está a fazer tudo o que não fez.

Toda a gente pensa que a relação pai/filha é que é. A tal. A perfeita. A que funciona. Talvez até seja. Mas as mães… as mães lixam-nos. A nós, às filhas delas. A minha mãe é o amor da minha vida. Morrer de amor… só por ela mesmo.

 

publicado por Cat2007 às 13:38
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Não podem haver 2 relações mais diferentes do que a que existe entre mãe e filha e pai e filha.
Diga o Freud o que disser, e na maioria dos casos, as meninas passam a vida à procura de um homem que substitua o papá! Por isso, parece-me que a relação é sempre mais de fã-ídolo, ou seja, de admiração mas com alguma distância!
Com a mãe, a coisa é completamente diferente! Queremos "colo", mas ao mesmo tempo há aquela luta por marcar uma posição de independência, de auto-valorização em que, e falo por mim, às vezes nos esquecemos de que também a mamã precisa de colo!
Quanto a morrer de amor...a sensação às vezes é tão má que parece mesmo isso! Mas passa, e enquanto não passa...mamã, preciso de colo!
Beijocas Cat
Ana Luísa a 24 de Julho de 2009 às 14:36

Não podia estar mais de acordo.
Beijinho, Ana Luísa
Cat2007 a 27 de Julho de 2009 às 09:47

"A minha frase favorita é a minha quando me sai bem"
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