CAFÉ EXPRESSO

Novembro 20 2009

 

 

 

 

HÁBITOS NOTURNOS

 

Quando era pequena, e até ao fim da adolescência, costumava ir para a cama uma hora antes do sono para pensar de luz apagada sobre os meus problemas. Era assim que os resolvia, e adormecia, por fim, perfeitamente esclarecida sobre tudo o que havia para fazer. Por este processo podia manter a calma e o controle sobre as coisas. Tudo estava muito bem organizado. Assim, eu era uma criatura muito independente.

 

TEMPESTADES

 

Gosto do barulho da chuva pesada que cai continuamente. E dos trovões. Há uma certa sensação de limpeza profunda que me envolve nestas situações. Há um certo alívio. Como se o lixo e outros detritos fossem inapelavelmente arrastados para longe, ocorrendo a possibilidade de começar tudo de novo.

 

ACÇÃO

 

Mesmo que não tenhamos culpa sobre os eventos negativos, isso é um dado pouco relevante porque temos sempre que ter a capacidade de combater os seus efeitos agindo. Talvez a objectividade seja o instrumento racional mais útil que se pode ter.  Agir libertando o fundamental do acessório e, dentro do fundamental, fazer as escolhas que se impõem.

 

ACIDENTE MORTAL

 

Foi com um certo prazer que reflecti sobre o meu acidente mortal. Para mim, apenas potencialmente mortal. Para outros, mortal de facto. Ontem revi o choque, o sangue, as seringas, os tubos e o tribunal. Tenho orgulho em mim porque fiz tudo muito bem. Desde o momento em que percebi que ia ser abalroada por um monstro branco desorientado, até ao dia da audiência, onde convenci o colectivo de juízes de que o homem era  inapelavelmente culpado. Pelo meio há um dreno espetado no meus pulmões que tenho alguma dificuldade em esquecer. Creio que foi o que mais me doeu.

 

O SURDO E A ESTATISTICA

 

Recordo Beethoven, o surdo, para sustentar o profundo desprezo por probabilidades. Probabilidades são representações sobre possibilidades. Logo, não acredito na estatística, mas nos comportamentos mais adequados. Beethoven escrevia música. Isto é o comportamento adequado para um surdo que, mais do que tudo, quer compor.

 

PONTO DE CHEGADA

 

O melhor movimento que podemos fazer é aquele que nos faz chegar mais perto de nós próprios.

 

AUTORIA

 

Todas estas frases são minhas. Boas ou más, são originais. Mercem que se lhes atribua algum valor por isso. Ainda que seja um valor residual. Ou seja, aquele que eu lhes confiro. Muito obrigada.

 

publicado por Cat2007 às 14:23
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