CAFÉ EXPRESSO

Outubro 16 2010

 

De há uns dias para cá que não faço outra coisa senão espetar com músicas no Facebook. De facto. Não faço outra coisa. Nos meus tempos livres, claro. Mas digo assim porque quero dizer que só sei fazer bem uma coisa de cada vez. Esta é, aliás, a razão pela qual a maior parte das coisas que eu faço não tem a qualidade que devia ter. Vou verter umas lágrimas. Zzzzzz. Triiiimmmm! Ops! Afinal adormeci. Confesso: sou muito exigente comigo mesma. Tempo de sorrir agora. ................ Já sorri.

 

 

Ando como um copo de plástico com tampa cheio de líquido lá dentro. Só não digo que estou como um shaker porque não me sinto a abanar. Antes pelo contrário. É mais uma sensação de Tupperware (é assim que isto se escreve?). Creio que existem copos de plástico com tampa da marca Tupperware. Isto se for assim que se escreve. Caso contrário, não há copos destes. A figura de estilo, a metáfora, é paupérrima. Eu sei. Mas não me sinto mais poética. Ora, poética é a minha deixa. A deixa que eu precisava. Para falar das minhas músicas publicadas na rede social. Porém, vou deixar a deixa uns segundo. Só porque preciso de dizer uma coisa muito importante. Acho que é melhor fazer parágrafo.

 

Já no novo parágrafo. Então, tenho muito gosto no gosto que alguns (não muitos) dos meus amigos no Facebook revelam no que toca à identidade com os meus gostos. Gosto muito de partilhar tudo o que seja um gosto. Dar prazer é um prazer. No entanto ou coevo (coevo quer dizer o mesmo que no entanto... ridículo! Coevo lembra um coelho que gosta de covas. Hum...), tenho de confessar que não publico my songs no Facebook com espírito de partilha. Mas com alma de Adam Smith.

 

Um parêntesis. Será preciso explicar a teoria da Mão invisível agora? Ainda que seja, não o vou fazer. Por pura preguiça, recomendo uma pesquisa rápida no Google e  uma leitura atenta  do Raymon Barre ou do próprio tio Adam. Para quem não está a ver. Não? Porque não? A informação não enche o cérebro no sentido de o fazer explodir, embora haja quem credite nisso. Antes, o esforço intelectual desata imensos nós no raciocínio. Funciona quase como um óleo ou um lubrificante (é como se queira), por um lado, e como uma máquina de musculação, por outro. Embora, sobre este último ponto, eu não saiba se é correcto dizer que o cérebro pode ficar tonificado. Porque não é um músculo. É um órgão.

 

Órgão, pois. Podia já voltar à música através deste link. Mas não. Ainda não terminei o meu pequenino apontamento sobre a questão anterior. É preciso dizer ainda que o que cansa não é estudar os assuntos. O que realmente desgasta é a obrigação de tratar assuntos sem interesse, os maus métodos para abordar as questões interessantes e a falta de fé no interesse das questões que têm mesmo o maior dos interesses. E tudo isto que acabo de dizer pode ser visto numa perspectiva tabelar. Por exemplo, quem perceber as teorias económicas liberais, vai querer saber das keynesianas, depois das neoliberais e finalmente vai compreender que também na economia não vale a pena ser fundamentalista e que a crise do modelo português se verifica porque Portugal não tem  modelo nenhum de governação. Sim. Parece chato. Mas garantidamente não é. Além de que o conhecimento básico sobre estas questões poupa-nos ao ridículo de falarmos como um taxista com necessidades de desabafar, um puro adepto de futebol ou um jogador habitual de bingo. Isto é muito importante  num contexto em que estamos mesmo à beira da bancarrota e os cafés se enchem de gente que come pasteis de bacalhau e dá opiniões sobre a alta finança.

 

Informo que estou a encher o Face com as coisas que me apetecem ouvir neste momento e em cada momento que as coloco lá. Tenho em casa quase todas. Mas nem sempre estou em casa. Algumas tenho em DVD, mas uma minoria delas. É muito fácil abrir a página e escutar vendo. Uma e outra. Um pouco de uma e mais um bocadinho de outra. Repetir. Isto. É isto! Fica tudo muito ali à mão. Também  o processo de recolher e publicar é muito útil. Porque desencadeia emoções. Tudo começa numa emoção. Depois vem outra. E mais outra.  E mais e mais. Fico toda emocionada, afinal. É que as emoções são assim como as cerejas.  

 

No seu conjunto, tudo isto se refere a um exercício de descompressão. De quê? Da entrega total. Da minha entrega total e sem reservas ao trabalho. Neste momento estou muito apaixonada pelo meu trabalho. E por mais dois trabalhos, para além da minha actividade profissional principal. Mas que estão relacionados com ela. Todos os frutos do meus peditórios  são recolhidos e investidos nestas actividades. Disse apaixonada, mas não é a mesma coisa, como é evidente. Por isso reparo em mim um tanto vazia. Como que despojada das chamadas vivências emocionais puras. Aquelas que arrebatam. Simplificando, e deixando-me de tretas, estou naturalmente carente. A boa notícia é que a coisa é voluntária. Hierarquia das prioridades.

 

A música, como a leitura e a escrita sempre me fizeram viver. Vibrar. Os amores também. Muito mais, claro. Nada como um amor agora. É o que me apetece dizer. E fazer. Então um amor com música e leitura... Mas não pode ser. Decido. Não agora. Depois. Prometo. Agora não, que não confio em mim agora. Informo. Sou uma desvairada irresponsável. Tenho a certeza. Revelo. Tenho provas. Que vou guardar. Sou uma cedente e concedente. Capaz de deixar tudo por amor. Uma incapaz, portanto. Tenho testemunhas. Em tempos, devia ter sido inabilitada. Obrigada a andar com um tutor à perna. A minha familia só não me processou por causa do amor por é composta por um conjunto de corações moles.

 

Poética era a deixa. Afinal passaram muito mais do que alguns segundos e não fiz apenas um  parágrafo. Nunca mais apreendo o senso da disciplina! Pois, exacto, a disciplina. Já ia divagar outra vez. Por isso, disciplinadamente, vou voltar à palavra-deixa que já ia deixar de novo. Poética.

 

Poeta era a Florbela Espanca. Publiquei o Fanatismo cantado. Minha  alma de sonhar-te anda perdida/Meus olhos andam cegos de te ver. Foi assim o meu primeiro amor. Entre outras emoções, revivi nestes dias os momentos em que me foi lido este poema dos Sonetos. Lido sem roupa. Dentro de uma cama. Quanto tempo ficou esta cama por fazer? Não estou segura da resposta. Só  da violência daquela paixão que se manteve única até hoje. A minha questão da altura permanece. Why did you have to be a heartbreaker?

 

Porém, não vou contar agora aqui cada história cantada das minhas paixões encantadoras e dos meus desencantos.

 

Boa noite.

 

publicado por Cat2007 às 02:38
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Gosta de Florbela Espanca? Será que percebi bem? Credo...
N a 16 de Outubro de 2010 às 16:48

Sim, sim. Gosto muito de alguns Sontos. E especialmente do"Fanatismo". Como gosto, credo!
Cat2007 a 16 de Outubro de 2010 às 23:29

Ops, queria dizer Sonetos. Lol!
Cat2007 a 16 de Outubro de 2010 às 23:30

Mas em relação ao título, era capaz de deixar tudo por amor, mas por amor a si própria, certo?
N a 16 de Outubro de 2010 às 16:57

Errado! Percebeu muito mal. Mas não lhe atribuo culpas. Não me conhece de parte nenhuma. Como resulta evidente do seu comentário. Falta-lhe, de facto, a informação necessária para chegar às conclusões mais acertadas. No entanto, pergunto-me para que se há-de estar a interessar? Enfim.. boa noite.
Cat2007 a 16 de Outubro de 2010 às 23:34

muito giro....fez-me sorrir.... às vezes penso que seria interessante conhece-la pessoalmente.... para ver realmente como é....mas depois rapidamente chego à conclusão que é melhor não.... não por si, naturalmente.. mas por mim... Prefiro "ouvi-la" por esta via.... já o disse.noutra ocasião.... gosto muito da sua escrita.... muito mesmo..
Maria a 17 de Outubro de 2010 às 20:55

Maria,
Agora quem a quer conhecer sou eu. Não seja cobarde. Venha lá :)
Cat2007 a 17 de Outubro de 2010 às 21:15

Quando se fala de cérebro normalmente a palavra é irrigação. E sim, andam por aqui uns liquidos, uns fluídos, umas coisas cefálicas... se o tonificar fôr no sentido de "velocidade" creio que sim. Ficamos mais despertos ou retire-se-lhe o d. Agora no meio de um texto aparentemente "leve" levar com um Adam Smith, quer dizer, eu divaguei para as chicletes, para o chico fininho e ía por aí alegremente, até que a mão invisivel fez um ring a bell, e lá me veio o Keynes, o Marshall e aquele Martinez que um dia quis esquecer... Jesus que tonificação!
Alexandra a 21 de Outubro de 2010 às 20:50

Pois é assim. Os meus textos são apenas aparentemente leves. Nunca confie em mim.
Cat2007 a 22 de Outubro de 2010 às 01:10

Eu sei que não são leves.... nada mesmo.... por isso gosto.... ou tb por isso...
Maria a 22 de Outubro de 2010 às 18:47

Maria,

Faz-me sorrir.
Cat2007 a 23 de Outubro de 2010 às 03:29

Não se preocupe. A minha arte de estatelamento só funciona uma vez sob as mesmas circunstâncias. De resto, é um prazer.
Alexandra a 22 de Outubro de 2010 às 19:23

Alexandra,
Não estou preocupada. Sei que as pessoas adultas sabem tomar conta de si. Espalhar, todos nos espalhamos. Depois de estarmos em pé, a cotação da queda desce por aí abaixo.
Grande beijo. :)
Cat2007 a 23 de Outubro de 2010 às 03:34

A tua escrita pessoal parece-me sempre a sweet revenge da tua escrita profissional. Refiro-me só aos posts soltos. Os capítulos do azul não. Esses são de um rigor que arrebata. Ler a tua paixão pelo teu trabalho enche-me de alegria mas jamais acreditaria que deixarias tudo por amor por uma razão simples:este post data de 16 de outubro de 2010. Não seria exequível.
Catarina a 16 de Outubro de 2016 às 12:54

É. Sem dúvida. A minha escrita pessoal é uma libertação da escrita profissional. Sempre tão articulada e enquadrada por normas. Aqui eu escrevo como me apetece e transgrido. Nas regras básicas da gramática. Na verdade, em outubro de 2010 não deixaria nada por amor porque não tinha amor nenhum.
Cat2007 a 16 de Outubro de 2016 às 13:00

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