CAFÉ EXPRESSO

Maio 03 2011

Fui ver o “Rio”. Gostei. Mais para mais do que para mais ou menos. Faz-se cinema de animação assombrosamente bom nos Estados Unidos da América. Porém, fui para o “Rio” convencida a adorar. E não adorei. Era suposto adorar. O pano de fundo era o Rio de Janeiro. Porque não adorei? A coisa começa logo no inicio. Do filme. Fantástico inicio. Não podia ser melhor. Veja-se:

 

 

 

 

Mas o pior é que podia ser melhor. Mas que raio de música é esta? Parece brasileira. Tanto que as aves dançam perfeitamente num gingado de samba inconfundível. Está lá a bateria… a energia. Mas falta… Ah, a melodia não é autêntica! É americanóide. Empobrecida, portanto. A melodia falsa estraga a energia autêntica. Desde quando é permitido alterar o excelente para agradar a quem não tem o desejo de alcançar uma determinada dimensão cultural para além da sua própria? Falo do público americano.

 

Depois o filme prossegue e é mais do mesmo. Bom. Mas pouco brasileiro. Os brasileiros não são brasileiros. Está bem. Uma produção americana. Os americanos americanizam. Tudo o que podem. E o que não podem. Compram os monumentos dos outros para os plantarem nos jardins das suas gigantescas mansões. Como se fosse a mesma coisa. Nada a fazer. Não conseguem fazer melhor. Os americanos.

 

Muito ao meu estilo de quem está quase sempre a arriscar cair da ignorância abaixo, só a posteriori fui ver quem era o director do filme. “Carlos Saldanha!!! Quem é este tipo?. Fez a Idade do Gelo? Mas eu adorei a Idade do Gelo!” Carlos Saldanha é brasileiro. Nem mais nem menos. É brasileiro. E fez o “Rio”. Mas como? Não sei. Preciso de tempo para pensar. Entretanto, eis a prova:

 

 

 

Pronto. Vi e ouvi atentamente. E já pensei. Tenho a minha resposta. Carlos Saldanha é um brasileiro que parece esquecido do melhor do seu Brasil. Não sente o Rio. Olha para a cidade como um americano gosta de a imaginar num cartão postal. Fez um filme que, como ele diz "tem o Brasil como fundo de pano". A cidade "ficou muito legal". Teve "Pão de Açucar, teve Corcovado". O que não teve foi verdadeira "brasilidade", como o próprio prometia. Paciência!

 

publicado por Cat2007 às 20:33
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Estava a pensar ir vêr... e até ler o teu post as expectativas eram altas... O que nem sempre é bom.
Qdo se tem espectativas altas dificilmente se é surpreendido... só se for algo absolutamente, completamente fantástico!
Vida/Sara a 3 de Maio de 2011 às 22:27


Nãaaaooo! Vai ver. O filme é giro. A questão é não é bem o filme de animação fantástico sobre o Rio de Janeiro que se esperava. Mas é giro, repito. Aliás, o Carlos Saldanha é muito bom director, caraças!
Cat2007 a 4 de Maio de 2011 às 11:53

O filme é um festival de cliches sobre minha bela cidade mas eu só quis ve-lo mesmo pela Anne Hathaway...
Cat, me manda os dados por email. Where oh where?
Lee a 4 de Maio de 2011 às 06:41


É sim senhora. Bela cidade e um festival de clichés. Senti-me traída, se quer saber. O Carlos Saldanha, um excelente director de animação, sobre o Brasil, fez um filme pior do que a Idade do Gelo. Isto é que talvez não devesse ter acontecido.
Agora sobre os negócios: é assim,o rapaz quer o mais possível. Portanto, vc tem de me dar o preço para 6 meses, instruções paypal e depois, como o depósito desse lado,  é que compra e envia. Assim, quem tem de mandar e-mail és tu :). Desculpa a maçada e muito muito obrigada, babe.  
Cat2007 a 4 de Maio de 2011 às 11:59

Paipita, gostei deste txt. Muito. Porque também gostei do filme (por outros motivos). Acho que percebo perfeitam a tua crítica, como tenho a certeza que percebes que são os "defeitos" que apontas, a dita "americanização", que tornam o filme um produto "global". Ninguém está a ver as disneys e pixars deste mundo a e$treitar o público alvo em nome da genuinidade... Penso que é um pouco o que se passa, por exemplo, na chamada world music, pegar numa música local, dar-lhe uns retoques, torná-la mais audível/comercial e espalhá-la plo mundo... Claro, o produto final atraiçoa completamente as raízes, os puristas desprezam esse caminho, mas o género, seja ele qual for, alcança a visibilidade que nunca alcançou sem ser "deturpado". E na música, como no cinema, o "traidor" é sempre da origem, domina o género original...
Também não deixa de ser curioso que, nos géneros mais "abastardados", o regresso às raízes, esse, quase sempre seja feito por gente de fora: a melhor animação mais "brasileira" que conheço é feita por... japoneses (Michiko e Hatchin).
Dito isso, para mim, rio está entre as 4 ou 5 melhores animaçoes computodorizadas de sempre. Abertura + cenas urbanas, tudo que seja cidade, o desenho é assombroso. O tema (original) ajuda. Tão espectacular que aguenta uma história/argumento básica, muito fraquinha.... (essa sim, em tudo igual a todas as outras).
Bjo e APARECE!!!!!!!!! ; )
luis a 4 de Maio de 2011 às 14:47


Ui! E apareces tu. O sábio da animação e do cinema brasileiro na mesma pessoa. Muito obrigada pelas achegas. Assim, o texto fica mais completo. Tens razão em tudo o que acrescentas. Eu é que queria um filme feito à minha medida, não sei se estás a ver :). APARECEEEEE TU, SEU FDP!!!
Cat2007 a 4 de Maio de 2011 às 15:50


Concordo mas há que admitir que o filme foi bom!
Bikiney a 5 de Maio de 2011 às 20:10

Foi bom, sim senhora.  E foi bom ir ver contigo, Bikiney.

e comigo?
 

sim, de real o filme pouco tinha. gostava de ver a reação de Dilma a ver este filme, talvez não lhe servisse de grande inspiração para esmagar o crime organizado nas favelas e no rio. o filme é, todo ele, cidade maravilhosa elevada à 10ª potência animada. a perspetiva do post é pertinente mas a ideia carioca e fantástica funciona melhor como anestesia para o resto. não faz mal de vez em quando, acho.
Catarina a 6 de Maio de 2011 às 20:39

Primeiro aparece de chupeta... Sim também gostei de ir consigo. Por outro lado, vem cheia de agressividades à jornalista. Eu sei que adora o Rio e que gostou do filme. Para que está com coisas?
Cat2007 a 6 de Maio de 2011 às 20:42


Também fomos contigo, sim!
E foi muito bom!


Foi bom like a fammily, Bikiney
Cat2007 a 10 de Maio de 2011 às 11:05

Foi bom sim senhora!

Cat2007 a 10 de Maio de 2011 às 11:06

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