CAFÉ EXPRESSO

Outubro 25 2011

 

 

Se calhar é muito infantil. Pensar em trabalho de equipa. Digo infantil porque quando era adolescente pouco mais era do que uma criança. Que adorava desportos colectivos. Sempre fui altamente competitiva e no entanto o fascínio pelo “vamos ganhar” não me largava. Era boa a ideia do “nós”. Continuo a achar que sim. Se calhar é muito infantil.

 

Tudo pode ser feito só por uma pessoa. Tudo dentro de um campo de uma determinada área. Tudo assim pode ser feito só por um que faz o mesmo que outros no mesmo campo da mesma área, tentando ser melhor ou só parecer. E é nestes termos que é possível competir. E competir é o que mais importa. Mesmo que os resultados fiquem abaixo do esperado. Dar não significa nada. Usa-se mais a palavra “colaborar” quando é mesmo preciso fazer alguma coisa com os outros. A ausência de entrega é quase permanente quando entra o “nós”.

 

Não era de competir que queria falar. Mas de entrega. Só falei nisso porque queria falar disto. Creio que a vida como corre treina as pessoas para o individualismo estúpido. Para o ensimesmamento. Para o egoísmo. Para a solidão. Para a doença. Lembro-me de ser miúda e de assumir sozinha o trabalho todo dos trabalhos de grupo na escola. Já pensei que fui em tempos uma arrogante nesses tempos. Por afinal me estar a armar ou isso.

 

Hoje, após algumas novas experiências vividas parecidas com essas, já percebo o que se passava na altura. Ninguém queria fazer nada. Era o que se passava. Tudo se puxava como se fosse para arrancar. As pessoas queriam as coisas mas não queriam fazer as coisas.

 

As coisas têm que se fazer. Senão inexistem. As pessoas são espertas e preguiçosas. Por isso acabam sempre a demonstrar uma grande falta de respeito pelos outros. Quando o resultado afecta a todos alguém tem que ser suficientemente estúpido para o atingir. Era o que eu era. Suficientemente estúpida. Para além de uma nota a dividir por todos, eu conseguia sempre um conjunto de olhares de aprovação dos outros. Era o que tinham para me dar. E eu não queria nada deles. Só a entrega que não tinham.

 

Não lhes era muito importante deixar-me convencida que era boa e que sabia. Porque eles só não eram tão bons porque não queriam. O que importava a todos era que a nota era boa e dividia-se por todos. Via-se bem os olhares de contentamento descansado. Saborear o resultado implicava também esquecer que alguém fez um esforço. É natural. Ninguém se lembra de um esforço que não fez. E todos acham que merecem quando participaram no que foi feito. Colaboraram. Quando é para o coletivo, a ideia é dar o menos possível e tirar o maior partido.

 

Há uma altura em que uma pessoa fica cansada. E questiona se vale a pena. Não sei o que vem antes. O cansaço e depois a pergunta? Ou a pergunta é que leva ao cansaço? Não sei. Sei que a pergunta com a resposta errada me faz perder a fé num projeto. Pois. Há coisas na vida que nos impedem de escapar ao trabalho de grupo e ao inerente interesse coletivo. Uma dessas coisas é, por exemplo, a vida a dois.

 

O que vale não é o que cada um vale mas o que quer valer. O que vale é a entrega. Não quanto se dá mas como se dá. E também vale a pena dar uma satisfação.

 

publicado por Cat2007 às 21:53
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bem sei bem sei. houve uma altura em que considerava que até o ato de "fazer amor" não exigia mais do que um elemento para ficar bem feito. ficava muito bem feito mas penso que o grau do "amor" diminuía, independentemente de passivos, ativos e ambos. suspeito que são dias e que nada é a preto e branco, mesmo num trabalho de grupo da escola.
noutra dimensão, lembro-me daquele filme horrível da queda de um avião nos andes em que os Sobreviventes comem cadáveres de outros passageiros para continuarem nessa categoria. um dos homens era na vida ativa um capitão de equipa, de rugby? cheio de iniciativa, de capacidades de liderança, fazia e acontecia. Naquela situação sinistra e de limite, o mesmo capitão fraquejou e foi apoiado e quase salvo por alguns dos elementos que costumava capitanear, por alguns a quem berrava antes "mexe esse cu". Não há morais nem simbologias encenadas porque é uma história real. foi assim que se passou por acaso foi...terá sido.
mas sobretudo Viva! este regresso ao espaço "melhor do que o expresso" para lançar todos e mais alguns estados de espírito, inclusivé o "Sad"....ah pronto e lembrei-me da música, mais do que previsível e com direito a link...assim houvesse flash player:

http://www.youtube.com/watch?v=k3JJ-_L70As&feature=related (http://www.youtube.com/watch?v=k3JJ-_L70As&feature=related)
Catarina a 26 de Outubro de 2011 às 11:22


E no entanto a entrega sempre acabou por acontecer.
Cat2007 a 26 de Outubro de 2011 às 12:05

Para acrescentar que já tenho flash. Obrigada pela satisfação. Afinal não faltou também.
Cat2007 a 26 de Outubro de 2011 às 12:09

meu cristo, mas sem auscultadores????? ao que isto chegou! amanhã levas uns na mochila com o lanche!
Catarina a 26 de Outubro de 2011 às 15:20

De facto sem som, mesmo. Mas como estavam as lyrics e eu me lembro da music...
Cat2007 a 26 de Outubro de 2011 às 17:03

cê tá ficando bahiana. é sempre fixe, o mute. dá imenso para dançar

usei este desenho pq nunca tinha usado. para experimentar como ficava, vê lá se gostas.
Catarina a 26 de Outubro de 2011 às 17:09

Eu gosto do desenho. Só não sei porque estou "ficando baiana".  Por exemplo, eu também nunca tinha usado este desenho. Vê lá se gostas.
Cat2007 a 26 de Outubro de 2011 às 17:11

"e eu mi lembro da music", disse baíana pq não me apeteceu dizer carioca.

ah esse desenho é o telefone fixo de casa. tou para sair lá para as 17.30, by the way. falta-me escrever sobre uma breve cena sobre o quénia, alô?e este?
Catarina a 26 de Outubro de 2011 às 17:15

Pois. Falamos pessoalmente. Esse é mais moderno e tal.
Cat2007 a 26 de Outubro de 2011 às 21:53

ai que disparate, foste lusófona, qual brasil qual quê. a construção da frase está certa, que disparate. correrias e vida a duas é no que dá.
Catarina a 26 de Outubro de 2011 às 23:09

"A minha frase favorita é a minha quando me sai bem"
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