CAFÉ EXPRESSO

Março 01 2012

 

 

 

 

 

Esta coisa dos amores e das paixões é muito esquisita. Pelo menos no meu caso. Andava a ver os "mails" por causa do carro novo e eis que me aparece, com mais de dois anos de idade, o seguinte : "E tu, muitas, mesmo muitas vezes, olhavas para mim do nada, fazias um silêncio profundo e dizias: sei que não te faço feliz, estou a tirar-te energia. Um dia vais deixar de me amar. Não tenho nada para te dar. Não gosto da minha vida, não sirvo para nada, faço-te mal. Estas e outras frases saiam de ti vezes sem conta". Bom, isto era alguém a escrever-me sobre o que alegadamente eu andava a dizer. A quem escreveu isto, claro. Encontrei porque andei a marcar emails novos, com enviados, com spam, com lixo, com outros, enfim. Encontrei porque andava ali um bocado perdida dentro da caixa do correio.

 

Passo a veia poetica da autoria (a existir e para quem a encontre) e centro o pensamento no conteúdo para assumir que é verdade. Embora já não me lembrasse que era assim. Que as coisas eram assim. É verdade, sim. Eu andava com esta cantiga do embala. Embora, sinceramente, não tivesse intenção de embalar ninguém. O problema era não amar e pronto.

 

Mas como não amar e pronto e ao mesmo tempo viver como se sim e pronto? Uma pessoa assume compromissos grandiosos e depois ou cumpre ou sente-se verdadeiramente canalha. Um compromisso grandioso dentro deste género é aquele que nos faz sentir vontade de fugir para o Brasil por causa da Judiciária que vem aí. Assim como quem está para ser apanhado numa fraude milionária sem redes governamentais ou pró-poder a servir de amparo.

 

Quer dizer, uma pessoa diz o que não deve e mete-se onde não pode. Por vezes não é possível dizer eu "amo-te". É que nem toda a gente percebe que não é assim e faz fé nisso. Deste modo, uma pequena fraude pode assumir proporções gigantescas, dependendo das circunstâncias. Depois de dizer eu "amo-te" surge uma expetativa que assusta. Na cabeça sempre o mesmo pensamento a passear em bicos de pés:"Mas eu disse que isto era para toda a vida? E será que agora não posso sair daqui para toda a vida?" Como é óbvio, uma vez que não se ama, a extensão do medo depende muitíssimo do que a outra pessoa vai fazendo ou dizendo. O medo e o compromisso podem ser do mesmo tamanho. Ambos grandiosos. A grandiosidade vem do aspeto trágico da questão.

 

No entanto, a verdade aparece por um dos diversos lados do discurso: "Não tenho nada para te dar. Não gosto da minha vida." Só não percebe quem não quer. E se não quer, o tipo incriminador da fraude não está preenchido. Pelo menos juridicamente é assim que a coisa deve ser vista.

 

publicado por Cat2007 às 18:16
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you are half a muppet half a woman a escrever sobre A.C. em D.C. 
e se juridicamente é assim é porque não deveu ser assim?
Catarina a 1 de Março de 2012 às 21:21

esclarecendo melhor: não estando no dominio jurídico e levando em conta que alguém não quis perceber tamanha terrível declaração, a fraude foi cometida ou não?
Catarina a 1 de Março de 2012 às 21:26

Do ponto de vista da moral, que estravaza os limites da possibilidade de regulação jurídica, mesmo assim creio que não cometi uma fraude amorosa. É veidente que as emoções são prejudiciais à lucidez  e portanto, quando dizemos a uma pessoa "eu amo-te" talvez seja natural que ela queira acreditar. Porém, quando a coisa é só conversa, cama e pouco mais, com o tempo e last but not least com declarações como "não tenho nada para te dar", bom...
No mais, apenas acrescentar que d. C. é outra coisa, como sabemosImage
Cat2007 a 1 de Março de 2012 às 22:37

não é fácil racionalizar tudo o que se diz num cenário amoroso e a mesmissima declaração pode não significar o mesmo em diferentes contextos. parece vital que as duas partes do contrato amoroso, na senda jurídica, tenham perfeita noção desse contexto. não tendo, surgem os enganos e nos 2 sentidos. 
tb não é liquido que as emoções sejam sempre prejudiciais à lucidez, já a falta delas é de certeza.
sobra-me para dizer que tenho algumas cenas para te dar e que, infernal ou paradisiaca, adoro a minha vida e receber uma florinha vermelha.
Niamey a 1 de Março de 2012 às 22:52

Respondo com uma pergunta: estar na coisa com o chamado espirito de missão doesen't ring a bell to you?

 
Cat2007 a 1 de Março de 2012 às 22:57

ca porra pá com a niamey, engano-me no clic mas sou eu mesma pontus.
estar na coisa com espírito de missão? se rings a bell? ringa sim, a bell da depressão.
Catarina a 1 de Março de 2012 às 23:11

enfim... és tao ridiculo... ainda tas aki?
Isa_ a 2 de Março de 2012 às 00:14

Isa, ridiculo? Desculpe, mas quem? Eu só vejo aqui mulheres.
Cat2007 a 2 de Março de 2012 às 00:17

"A minha frase favorita é a minha quando me sai bem"
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