CAFÉ EXPRESSO

Outubro 17 2017

Resultado de imagem para roupeiros modernos

 

Hoje vou mais cedo para casa porque tenho lá uma profissional que vai tirar medidas para construir um roupeiro até ao teto, e onde se encaixa a cama, dentro do meu quarto. Chateia-me isto. Não queria que a mulher lá fosse. Uma pessoa não está à vontade. Tinha vontade de me descalçar e ir lanchar para o sofá já em pijama. Ver televisão e não me preocupar com nada.

 

Assim não. É preciso fazer sala. Oferecer-lhe o que beber. Da primeira vez que lá foi perguntei-lhe se queria vinho branco. E ela: “é a primeira vez que um cliente me oferece vinho branco”. Não percebi. Talvez não seja conveniente beber enquanto tira as medidas às coisas.

 

Por outro lado, já estou contente apenas com a expetativa do roupeiro que somente fica pronto em novembro. É que não tenho mais onde arrumar a roupa. E agora que fui ao Norte e comprei mais umas pazadas dela, estou sem saber para onde me virar. Além do mais, o desenho do dito móvel é espetacular, pelo que o quarto vai ficar muito bonito.

 

É de acrescentar que a referida senhora tem medo de cães. Ora, eu tenho dois, sendo que o mais pequeno decidiu que quer estar sempre ao pé dela. Por vezes trocam ideias. O cão mete literalmente o nariz nos papéis e ela fala-lhe, explicando que “não sou muito de fazer festas, sabes?”. Mas vai tolerando o pequeno animal, enquanto fica mais um bocadinho nervosa a cada minuto que passa.

 

Pois, como referi, ela vai lá hoje daqui a um bocado. E eu tenho que ir.

 

publicado por Cat2007 às 16:26
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Outubro 16 2017

 

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Tenho para aqui isto tudo parado. Na verdade, tudo se deve à falta de inspiração. E a falta de inspiração tem na raiz a ausência de um estímulo.De qualquer maneira, também não disse bem. Nem tudo é falta de inspiração. Porque tenho trabalhado imenso.

 

Quando se trabalha muito não há tempo para muitas pausas. E eu escrevo normalmente nas pausas do trabalho. Embora, algumas vezes, também me ponha a encher o blog quando estou em casa. Mas é raro. Uma pessoa sai do trabalho um bocado alérgica aos computadores. Por isso, se quero entrar na net, só mexo no meu telefone. Ora, no telefone não dá muito jeito escrever posts do género daqueles que eu publico aqui.

 

Bem, vou trabalhar.

publicado por Cat2007 às 17:15
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Outubro 04 2017

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Mudar. Em algumas situações é impossível mudar. Por exemplo, os caracóis não mudam nada. E se mudarem de casa morrem ou já estão mortos.  

 

Para as pessoas em geral, mudar só é bom quando é óbvio que fará bem. De resto, não é grande coisa. Pelo menos em prespetiva. Com exceção da doença muito grave, acredito que todas as mudanças trazem coisas boas. Mas isso só se vê depois. Quando for feito o balanço de perdas e ganhos. Antes de mudar seja o que for ou seja para o que for que não seja obviamente bom, o que existe é desconfiança.

 

É que há todo um mundo particular cheio de coisas conhecidas. Não interessa se algumas são menos más e outras são menos boas. O que importa é que já sabe mexer com elas. Que estamos adaptados a elas. Há rotinas. Não é confortável mudar rotinas. As rotinas são trilhos que marcam um caminho orientado. As pessoas não gostam de perder o trilho. Porque se desorientam. E mesmo que não se desorientem têm medo de se desorientar.

 

A verdade é que na vida tudo se altera constantemente. Lenta ou bruscamente. De forma visível, ou não. E que não há outro remédio senão mudar. A sensibilidade, os padrões, as conversas, as ruas, os carros, a escova de dentes e o pijama.

 

A propósito de mudança ou de imutabilidade, há quem fale em traves mestras da personalidade. Como se fossem pilares indestrutíveis ou imutáveis do espirito. Na verdade são apenas aspetos sublinhados da personalidade. Que podem não mudar durante muito tempo e por isso sustentarem a nossa  maneira de ser. Mas se for mesmo preciso também eles mudam. É uma questão de sobrevivência. Porque, aliás, quem não muda, não se adapta e quem não se adapta morre, como diz o ditado. 

 

publicado por Cat2007 às 13:42
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Outubro 03 2017
 

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Não tenho dúvidas que sou uma preguiçosa. É por isso que trabalho tanto. Sou capaz de trabalhar um número infindo de horas seguidas sem me cansar. Sinal de que estive maior número de horas sem fazer nada. Gosto de fazer nada. E isto inclui pensar.

 

Agora ando para aqui no trabalho a fazer só as coisas básicas. É porque está calor. Mas também é porque se acumulou muita coisa. Ou melhor, acumularam-me muita coisa. Depois, por causa disso, não me apetece pegar em nada. Claro que aumentando a pressão, que já se faz sentir, terei que levar tudo em frente.

 

Enfim, é sempre assim comigo quando me atiram muitas coisas para cima ao mesmo tempo. Fico contrariada. É automático.

 

publicado por Cat2007 às 16:31
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Setembro 28 2017

 

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Não gosto de trocas de afetos com qualquer um. Nem que me façam favores que eu não peço. Não me venham dar nada, por favor. Não costumo pedir favores. Nem quando é devido que o faça. Detesto que me toquem. Muito menos que me abracem. 

 

Mas há umas pessoas que se põem a fazer estas coisas e uma pessoa não tem como as impedir. Porque são umas intrusas profissionais. É aquela gente que quer provar a toda a gente que tem “um coração enorme”. Como que a quererem dar tudo a todos. Porque são seres humanos assim. Muito humanos. Ora, todos sabemos que quanto mais humano se é menos qualidades se tem. É da Bíblia.

 

publicado por Cat2007 às 17:26
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Setembro 25 2017
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No dia de hoje tenho necessidade de saber o que é uma pessoa materialista. Na verdade, instalou-se em mim um certo complexo de culpa. Já explico porquê.

 

Uma vez que não estou bem certa do conceito não filosófico de materialismo, vou ali procurar ajuda ao Google e já venho…

 

De volta com uma das muitas definições que encontrei, venho expô-la. É a seguinte: Modo de vida voltado completamente para os bens materiais e para os prazeres que eles proporcionam”. Não sei se concordo com o “completamente”. Creio que basta estar maioritariamente voltado.

 

Em face da definição dada, questiono-me se gostar de coisas boas numa base permanente é ser materialista. Parece que não. Apenas é materialista quem prefere com nitidez as coisas às pessoas, sendo certo que um dos grandes prazeres dos materialistas é a exibição dos bens.

 

E não gostar de coisas boas não é ser completamente irracional?

 

Por mim, e para começar, acredito que não interessa onde se está (desde que não seja na Líbia) mas com quem se está. Sim. Acredito nesta máxima alheia. Assim, é melhor não estar num hotel de seis estrelas com o Cavaco Silva, por exemplo. De facto, é preferível estar num banco de jardim a ver o Tejo com alguém de quem se gosta (não é preciso ser o namorado ou a namorada) sem ter dinheiro para tomar um café numa esplanada. E esta é uma das razões pela qual não acredito na prostituição. No lado positivo da prostituição, quero dizer. De qualquer maneira, se se puder juntar o contexto ao afeto, tanto melhor.

 

A questão é que ontem comprei um telemóvel topo de gama. O topo do topo de gama. Porque é lindo e faz coisas muito interessantes e úteis. A verdade é que o comprei para finalmente me libertar de um topo do topo de gama de há cerca de dez anos atrás que já estava a ensarilhar.

 

Podia ter comprado um topo de gama anualmente durante aquele tempo, uma vez que, como se sabe, todos os anos são lançados novos modelos no mercado. Mas eu não acredito nisso. Ou acredito tanto nisso como no outro lado da prostituição. Que é precisamente a chulice. Quer dizer, não acredito no lado positivo de ser chulado, pelo que este topo de gama ficará comigo pelo tempo que durar. E, como é um topo de gama, vai durar muito, havendo a oportunidade de ser muitas vezes ultrapassado por novos tipos que se irão multiplicar.

 

Nos termos expostos, devo concluir que sou uma materialista resistente. Mas uma materialista ainda assim.

 

publicado por Cat2007 às 16:29
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Setembro 22 2017
 
 

Resultado de imagem para criança com um coração

 

Eu tenho uma marca de infância. O meu pai, o amor da minha vida, deixou, a certa altura e abruptamente, de se comportar como tal, passando ao oposto. Na verdade, o que ele teve foi uma fase com muitas chatices. Por isso deixou de poder designadamente contar-me histórias e levar-me aos baloiços, além de que nunca mais me comprou o “Super Maxi” do domingo. Sofri muito. Ponto. Assim, tenho um modelo de relação afetiva na memória das minhas emoções que me diz que os amores felizes terminam sem aviso e sem cuidado. Por outro lado, a boa notícia é que já não acredito nisso.

 

publicado por Cat2007 às 17:46
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Setembro 21 2017

Resultado de imagem para pessoas a falar

 

Desde pequenos que sabemos que não devemos falar com estranhos. No meu caso, a minha mãe passava a vida a apresentar-me maioritariamente a senhoras que me eram estranhas. Senhoras que me beijavam, sorriam e riam e também falavam sobre mim à minha frente em voz um bocado alta, bem como me faziam sempre várias perguntas pessoais. Portanto, desenvolvi uma certa alergia a estranhos ao ponto de não querer falar com eles.

 

No entanto, há pessoas que nos são estranhas mas que têm um certo tipo de personalidade que as faz, pelo menos, parecer interessantes. Uma pessoa olha para estas pessoas e como que advinha que dali vão sair novidades. Coisas que não é costume serem ditas pelo comum dos demais. Com estas pessoas o diálogo é fluído. E há sempre assunto (ou seja, existe capacidade de diálogo, apetência para trocar ideias e à humildade para perceber que é verdade que aprendemos uns com os outros). Estes são os estranhos com quem eu acho que devo falar e gosto muito.

 

Tais pessoas não se confundem com outras que têm sempre assunto porque vivem a vida com uma espécie de espírito de missão e julgam, por isso, que vão ensinar muita coisa a muita gente. Para tanto, também fazem designadamente perguntas pessoais, à imagem das senhoras estranhas da minha infância. Com esta gente acho que não devo falar pois, quando isso sucede, sinto-me nomeadamente como se estivesse a ser sonoramente beijada nas faces.

 

Fora as interessantes e as missionárias atrás focadas, há depois aquelas pessoas com quem temos que falar. Porque, por hipótese, ficaram à nossa frente durante um almoço e não brilham nos termos expostos nem nos querem evangelizar. Estas são muito difíceis. Porque, por exemplo, na sua maioria, leem Paulo Coelho. Ora, eu não tenho conversa para quem lê Paulo Coelho por falta de habilitações. E quem diz Paulo Coelho, pode referir puericultura. Igualmente não estou habilitada. Portanto, acredito que os estranhos não querem falar comigo.

 

 

publicado por Cat2007 às 16:25
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Setembro 14 2017

Resultado de imagem para injustiça

 

Sobre as pessoas que não são tratadas com justiça. É importante falar um bocadinho sobre elas. Ser justo é dar a cada um o que é seu. De bom ou de mau.

 

Lembro-me de ser pequena e andar na escola. Nessa altura, era uma miúda com qualidade. Percebia tudo. Sabia a matéria toda. Com efeito, dominava completamente os assuntos. Quando ia ao quadro, fazia verdadeiros brilharetes.

 

Por outro lado, tinha uma letra feia e andava sempre com a bata suja. Com efeito, existiam outras meninas que eram exemplares do ponto de vista do asseio e da organização dos cadernos. Também tinha sempre o cabelo bem penteado, ao contrário da minha pessoa.

 

Ora, a bata andava suja porque era branca e eu tinha que andar sempre aos saltos no recreio. Parecia mal penteada porque o meu cabelo estava sempre naquela fase em que não é curto nem comprido. A minha letra era feia porque sou canhota. E os cadernos apresentavam-se desfeiteados porque algumas folhas se rasgavam quando tentava apagar alguma coisa.

 

Pois, pese embora o facto de ser de longe a melhor aluna da turma, a verdade é que não era a melhor aluna da turma. Na verdade, os resultados dos meus testes não coincidiam com os conhecimentos que tinha. Assim, a minha pontuação era sempre a terceira ou a quarta.

 

De facto, tomava nota de que havia um grupo restrito de meninas que gostavam de rodear a professora sempre que era possível. E que, esta, a professora, lhes distribuía sorrisos ora ternos ora divertidos. Falo das referidas meninas com o cabelo bem penteado, ao contrário da minha pessoa. Os resultados dos testes destas meninas também não coincidiam com os respetivos conhecimentos das matérias. Eram muito superiores.

 

Eu via aquilo. Aquilo de rodear a professora. E não via mal nenhum nisso. Na verdade. Até achava engraçado. Mas eu não. Eu não tinha nada de especial para dizer à professora. O que é que uma miúda pequena tem para falar com uma mulher adulta? Não sabia. Por outro lado, também não sentia grande necessidade em receber aqueles sorrisos todos.

 

Os efeitos da injustiça são nefastos sobre a autoestima, o sistema nervoso e o ânimo das pessoas.

 

publicado por Cat2007 às 17:35
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Setembro 13 2017

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Basicamente, um agradador é uma pessoa que faz fretes. Tudo para ver os outros agradados. E os outros são mesmo os outros. Portanto, ninguém que tenha especiais méritos ou mereça por aí além atenções especiais. O agradador escolhe o ser humano como alvo das suas simpatias. Não que nutra simpatia pelas pessoas, apenas é muito simpático e prestável numa perspetiva de dar (atenção) para receber (essencialmente afeto). Assim, é muito normal ver um agradador a ficar a tomar conta dos filhos dos outros, a suportar visitas indesejáveis, a aturar conversas que não lhe interessam.

 

Disse a aturar certo tipo de longas conversas subordinadas a determinados assuntos que não lhe interessam. Disse e repito porque esta é sem dúvida a tarefa mais importante da vida de um agradador.

 

No entanto, não deixa de ser verdade que os outros, os menos carentes, os mais escorregadios, os mais avisados, também são apanhados. Porque a vida é mesmo assim.

 

Como se sabe, as pessoas andam cada vez mais necessitadas de atenção, pelo que tentam por todos os meios captá-la. Ora, como as pessoas não conseguem abstrair-se dos seus próprios umbigos, convencionam que os assuntos que lhes interessam constituem matérias também do interesse dos demais.

 

Sem prejuízo, é também verdade que o problema está igualmente na forma como cada assunto é abordado. Com efeito, há pessoas que têm visões monótonas, sonolentas e cinzentas das coisas. São como contabilistas a olhar para as flores dos jardins, tentando enquadrá-las na realidade do POC.

 

 

publicado por Cat2007 às 17:16
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