CAFÉ EXPRESSO

Julho 29 2017

Resultado de imagem para boneca loira

 

É um facto que em pequena detestava fazer redações. Porque as professoras pedidoras davam sempre um tema. E os temas eram sempre uma idiotice, se encarado do meu mais intimo  ponto de vista. “A minha primeira boneca ”; “Na praia com os amigos”, “Como foram as férias grandes”… Quer dizer, os temas apelavam à idiotice. As crianças limitavam-se a escrever, por exemplo que “a minha primeira boneca era muito linda. Tinha os olhos grandes azuis e cabelos loiros. O vestido dela também era muito lindo porque tinha flores de muitas coras. Eu levava-a comigo para todo o lado. Também costumava adormece-la como se faz aos bebés. E dava-lhe comida à boca. Mas o que eu gosto mais é de a vestir e despir. Agora a minha primeira boneca esta guardada dentro do meu armário de bonecas onde tenho mais mil”.

 

Eu, pela minha parte, também adorava despir os incompreensíveis vestidos das bonecas e cortar-lhes os cabelos. Depois, arrancava-lhes a cabeça e atirava ao meu irmão António, o meu melhor amigo, para ele apanhar. Também é certo que, malgrado o meu pouco jeito para as artes plásticas, sempre gostava de pintar a cara da boneca com canetas de filtro. Quanto ao corpo, era desmembrado e também servia para arremessar por partes. Portanto, divertia-me imenso a brincar com bonecas. Apenas suspeitava que não podia contar estas coisas numa redação. A minha vida não cabia em redações da escola primária. Desde pequena que sei o que é a vida. E a vida passa muito por ter que andar a fingir.

 

Não obstante, a minha aversão às redações da escola primária, desde sempre senti que é uma sensação boa esta de ter um espaço em branco. Porque dá uma vontade imediata de preencher. Com desenhos ou com letras. Eu sempre fui uma incapaz no que toca às artes incluídas na educação visual, como disse. E sempre, por outro lado, gostei de compor frases. Curiosamente foi uma professora de educação visual que me fez o maior elogio de sempre quanto à escrita. Era preciso descrever um espaço, e eu escrevi. Estávamos no 8.º ano. Ela mostrou-me, pois, o quanto estava agradavelmente surpreendida. Nunca mais me esqueci. Sobretudo por causa da ironia. Então a professora de português não me dizia nada e vinha a de desenho dizer aquelas coisas com aquele tom de admiração positiva? Que estranho! Seja como for, a partir daí, passei a andar mais segura.

 

publicado por Cat2007 às 11:42
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