CAFÉ EXPRESSO

Setembro 17 2016

Madalena: Queres vir cá jantar amanhã?

Teresa: Quero

Teresa desligou o telefone num gesto leve. Depois sorriu como se tivesse muito pouca idade, ouvindo os disparos seguidos do coração.

Bateu à porta de Madalena pontualmente. Enquanto esperava que ela abrisse, sentia a sorridente intranquilidade que se lhe instalara no próprio sangue, espalhando-se por todos os recantos do corpo.

Jantavam sobre a mesa grande da sala. Seguravam a aparente placidez e o vagar de quem o fizesse todos os dias. Porém, o que havia era uma ansiedade feliz.

Teresa: E ela, onde está ela? A tua namorada?

Madalena: Não faço ideia, para dizer a verdade.

Teresa acusou um sobressalto.

Teresa: O que queres dizer?

Madalena: Não é bem uma relação aquilo que eu tenho com a Joana. É mais um caso de cama. Mas não te choques já. Não estou confortável. Não quero continuar com isto e já lhe disse várias vezes. Além do mais, é minha aluna. Estás a ver.

Teresa ficou um tanto confusa.

Teresa: Chama-se Joana, então. Vi-a. É muito bonita. Mas é tão nova, Madalena. Credo!

Madalena: Ah! Cruzaram-se no outro dia, não foi? Não sei como adivinhaste que era a minha namorada.

Teresa: A miúda sorriu-me de uma forma estranha. Como se fosse um homem a sorrir para uma desconhecida. Fiquei sem saber onde me meter. Depois vinha a entrar aqui para o prédio.

Madalena riu-se.

Teresa: Quando me disseste que tinhas uma pessoa pensei que fosse alguém da nossa idade e uma relação estável.

Madalena: Isso eu tive. Mas eu e a Ana... Acabou há cerca de dois anos.

Teresa: Chamava-se Ana?

Madalena: Sim.

Teresa: E porque me fizeste pensar que era uma relação dessas que tinhas atualmente?

Madalena: Eu fiz isso?

Teresa: Fizeste.

Madalena: Talvez.

Teresa: Para quê?

Madalena: Para te agredir, eventualmente.

Teresa: E porque achaste que isso me perturbaria?

Madalena: Porque é verdade. Perturbei-te ou não?

Sorriu.

Teresa: Sim. Mas não estava à espera que isso me sucedesse.

Madalena: Claro que sabias. Tu não amaste outra pessoa para além de mim.

Teresa: Sim. Não amei.

Madalena: A tua inconsciência é que me espanta. Continua a espantar-me. Como pudeste fazer uma escolha numa área da tua vida em que não tinhas opção.

Teresa: Ah isso! Vais voltar a isso. Pois claro.

Madalena: E não achas natural que falemos deste assunto?

Teresa: Não é isso. É que tu pões tudo nuns termos tão... Trágicos.

Madalena: Teresa, tu cometeste um erro gravíssimo. Para nós duas. Mas essencialmente para ti. Imaginaste ver dois caminhos numa estrada sem saídas ou acessos, para além do único sentido possível. E mesmo sem poder tu foste por onde quiseste ir. De encontro ao vazio.

Teresa: E achas que dei uma grande volta por lugar nenhum para no fim vir aqui parar? Aqui de onde sai?

Madalena: Infelizmente tu não saíste exatamente daqui. Hoje este lugar está perto do lugar do fim da tua volta. Mas eu não imagino qual é.

O coração de Teresa apertou-se ligeiramente. Baixou os olhos sobre o sítio onde ele batia.

Madalena: Logo no primeiro passo que deste iniciaste a separação. E também nesse passo, não posso deixar de lembrar, os teus pés pisaram sobre mim.

Madalena respirou fundo, criando um espaço no tempo do discurso. Cortou deste modo a si própria a possibilidade de prosseguir. Não estava afinal bem certa do destino a que conduzia a estrada por onde caminhou Teresa. Desejou que ela dissesse alguma coisa. Mas Teresa manteve-se calada. Olhava o mapa onde estava desenhado o seu caminho. Aquele de que falara Madalena. Tinha-o nas mãos sobre o colo. Por isso estava de cabeça baixa. Viu que lhe faltava um pequeno traço, sem o qual não se compreenderia bem o destino daquela estrada inventada. Percebeu que o mapa ficaria completo quando aquela conversa com Madalena terminasse. Nem que faltassem uma infinidade de conversas.

Madalena: Eu deixei-me estar no meu sítio. E depois segui a direção que os meus pés quiseram tomar. A única viável, claro. Não lutei contra nada. Embora perder-te tenha sido a maior desilusão da minha vida. No entanto, não poderia ser por causa da dor que me iria envolver com um homem. Bom, mas podia ter-me acontecido que tivesse ficado incapacitada de amar outra mulher. Sabes que já te perdoei?

Teresa sonorizou um suspiro profundo.

Teresa: Está bem.

Madalena: Bom, mas sobre a Ana, não queres que te conte?

Teresa: Quero, claro.

Madalena: Amei-a. Vivi com ela perto de 10 anos. O que te parece?

Teresa: Da minha pouca experiência, parece-me que se acabou é porque a certa altura acabou o amor.

Madalena: Sim. O amor acaba. Basta não saber como fazer.

Teresa: Quem deixou de amar?

Madalena: Talvez as duas

Teresa: Ai sim, ao mesmo tempo?

Madalena: Não. Na verdade, não. Quer dizer, pode acontecer que nenhuma das pessoas ame mas há sempre uma delas que reconhece primeiro do que a outra. Daí os problemas. No nosso caso fui eu quem deu conta em primeiro lugar mas foi ela quem saiu. Trocou-me por outra.

Sorriu.

Teresa: Ah pois.

Madalena: O que é?

Teresa: Imaginei que tinhas sido tu.

Madalena: Lembras-te quando andámos a cheirar cocaína naquela semana de férias.

Teresa: Sim. Perfeitamente.

Madalena: Como sabes, ao contrário daquelas coisas reles que se fumam, a coca não nos deixa zonzos, sonolentos e burros. Fica-se, antes pelo contrário, esperto, enérgico e corajoso. Se excluíres o facto de não conseguires estar calada, e o tremor das mãos, pode dizer-se que te sentes perfeita.

Teresa assentiu com a cabeça.

Teresa: Sim. Mas o que tem a cocaína a ver com a tua Ana, drogava-se?

Madalena: Não, credo! Ouve. Como sabes, das maiores ilusões que a coca te dá é que nunca te viciará. E é por isso que se vai continuando a consumir. Uma pessoa não se sente ameaçada. Bom, o que eu queria, enfim, era estabelecer o paralelo entre este processo e o processo da queda do amor vivido numa relação diária. As pessoas não sentem o perigo. Neste caso da morte, não do vício. Neste caso talvez fosse preferível o vício. O amor morre em resultado da irresponsabilidade com que as pessoas não o consomem. Não o provam. Não o vivem. Deixam-no estar. Sossegado e discreto. Por vezes, mexem-lhe para o sacudir. Ora bem, ora mal. Ora com afetos, ora com irritações e impaciências. E um dia o amor morre.

Teresa: Concretiza lá isso um bocadinho melhor.

Madalena: Deixa ver... isto não é fácil de explicar. Por exemplo, a má vontade. A má vontade é causada pelo ressentimento. Ao longo de uma relação as pessoas, por coisas que vão fazendo uma à outra, vão ficando ressentidas. São coisas pequenas e grandes. Embirrações por cansaço ou tédio, por exemplo. Depois ficam com má vontade. Já não querem fazer programas com a outra, tratam de boicotar-se mutuamente pequenos prazeres, etc.

Teresa: Bem, não sei de que espécie de história estás a falar. Em dois anos com o Diogo nunca vivi coisas dessas.

Madalena: Porque dois anos não é tempo suficiente. E depois não estavas apaixonada por ele. É muito importante estar-se apaixonado no inicio. Isso é que ajuda a criar ressentimentos. Porque existem ilusões e as consequentes desilusões.

Teresa: Quer dizer que o amor e a paixão nos torna mais suscetíveis ao ponto de nos transformar em seres mesquinhos, caprichosos e romanticamente apáticos?

Madalena: Em alguns casos sim. No meu caso sim. Mas neste campo o medo também joga. A má vontade, de certo modo, é uma defesa.

Teresa: Mas má vontade em relação a quê? Continuo sem perceber bem essa ideia.

Madalena: Olha, desde o boicote a uma ida ao cinema para ver o filme que o outro queria muito ver até à recusa do reconhecimento das qualidades da outra pessoa. E estas coisas fazem-se por medo e por falta de generosidade também.

Teresa: Portanto, isso não tem que suceder com todos os casais.

Madalena: Creio que não. Mas como disse, sucedeu-me.

Teresa: Compreendo. Mas falaste em amor vivido. O que queres dizer?

Madalena: Quero dizer que, por exemplo, o nosso amor não foi desses.

Teresa: Foi sim, ora essa!

Madalena: Não estou a falar da cama. Estou a falar do dia-a-dia. Da vida real. Por isso o nosso amor não morreu de um certo ponto de vista. Do ponto de vista que estou a falar.

Teresa: Não sei. Só existe essa forma do amor morrer, no triturador da vida do dia-a-dia?

Madalena: Não. Os amores não são todos iguais.

Teresa: Pois. O que sentias pela Ana, sendo amor, talvez não fosse um grande amor.

Madalena: Bebe vinho, Teresa, sabes pouco e falas demais.

Teresa: Tenho estado a beber e tu é que falas demais.

Madalena: Bebe mais. Precisas.

Teresa: Tu também precisas.

Riram-se.

Teresa passou as mãos pelas pernas. Teve a impressão de que tinha os músculos feitos em gelatina. Fixou o os cabelos de Madalena. Estavam “com certeza mais soltos”.

Madalena: Tu não viveste.

Teresa: Mais ou menos. Há mais coisas para viver para além dos amores. Mas estou de acordo que muitas vezes me faltou o tempero.

Madalena: E porquê? O Diogo morreu muito cedo. A tua mãe absolveu-te. O que te impediu realmente?

Teresa: Eu demorei muito tempo a entender a minha mãe. Não vi essa absolvição de que falas. O que me pareceu é que ela descansou quando finalmente me viu casada. Só muitos anos depois a compreendi.

Madalena: Que equivoco desastroso.

Teresa: Não sejas irónica.

Madalena: E tu não te armes em autista agora. Estou a falar da minha vida também. Foi um equívoco desastroso, sim!

Teresa: Lamento o sofrimento que te causei. Tu sabes.

Madalena: Não lamentas. Tu nem percebes bem. Se percebesses lamentavas. Explica lá por que razão, passados que foram os tais anos de escuridão na tua cabeça, não mudaste a tua vida e te mantiveste assim até hoje?

Teresa: Isso não importa.

Madalena: Importa, Teresa.

Teresa: Acredita em mim, não importa.

Madalena: Importa. Diz-me.

Teresa: O meu coração estava morto. Nunca mais me interessei por ninguém. Depois do que foi possível sentir por ti, acabou.

Madalena: Nada disso.

Teresa: Foi mesmo isso, Madalena. Porque nunca aceitas as coisas? Não. Não respondas. Deixa lá. Nessa altura já tinham passado mais de dez anos. Eu já não podia voltar atrás. A ti.

Madalena: Nem eu te quereria, como é evidente.

Teresa: Como é evidente. Mas não era isso que eu queria dizer. A única ideia de amor que eu tinha eras tu. A minha única vivência de um amor eras tu. Essa vivência estava totalmente alheada de mim. Como te disse, tranquei a ideia dela a sete chaves numa zona recôndita do meu espírito. Nessa altura, como que te chamei. Mas mal te ouvi. Estavas tão lá no fundo. Não me parecias já real. Quase podia na altura dizer que tudo o que aconteceu entre nós foi imaginado.

Madalena: Não. Não é isso. Tu não querias. Não suportarias viver uma vida dupla. Assim como te era impossível assumir-te. Simplesmente desejaste manter a respeitabilidade conquistada e ser coerente com ela. Tu és escrava de um certo tipo cruel de verdade.

Teresa: Não é nada disso. Se valesse a pena, se tivesse aparecido alguém com interesse, alguém que me afetasse, haveria de querer.

Madalena: Não é verdade. Nós podemos sempre evitar que aconteça.

Teresa: Contigo não foi assim. Aconteceu. Independentemente da minha vontade.

Madalena: Mas depois de mim tinha de deixar de ser assim. Porque só o primeiro amor é inevitável.

Teresa: Então, é como digo, nada mais vale a pena no amor para além do primeiro amor.

Madalena: Que infantilidade!

Teresa: Não sei se sou infantil nesta matéria. O que sei é que nunca mais me interessei a sério por ninguém. Por nenhuma mulher.

Madalena: A verdade, repito, é que não deste qualquer oportunidade para que as coisas te acontecessem.

Teresa: Tu não podes saber. Não acompanhaste a minha vida. Aliás, tu nem sequer sabias que o Diogo morreu. Nem que a minha filha era uma rapariga. Tu foste para Coimbra e nunca mais quiseste saber de mim.

Madalena: Isso era o que eu queria. Chegar a Coimbra e esquecer-me completamente de ti. Mas, já te disse, isso não foi possível. É verdade que pedi para não me darem notícias tuas. E os meus pais só quebraram esse compromisso pela morte da tua mãe. Mas não vamos voltar a essas coisas agora. Como estava a dizer, o nosso amor foi um grande amor. Mas, de um certo ponto de vista, não foi amor real.

Teresa: Como?

Madalena: Eu via-te como a criatura perfeita para mim.

Teresa: Pois. Eu também te via assim.

Madalena: Mas é precisamente ai que está o equívoco. Na verdade, eu recriei-te. Ou seja, fiz uma pessoa nova diferente de ti. Interpretei os teus sinais à minha maneira. Modelei-te a alma à medida das formas da minha. Esta Teresa era o meu amor. Aquele amor.

Teresa: Fizeste uma pessoa diferente de mim?

Madalena: Sim, Teresa. Fiz um novo ser que se alimentava de ti. Da tua imagem. Do teu cheiro. E do toque extático da tua pele. Sobretudo disso. Certamente que também pensava, via e sentia coisas do mesmo modo que tu. Mas não eram todas as que imaginava. A partir da paixão enorme que senti por ti, o amor aconteceu também porque eu construi, inspirada no teu modelo, a pessoa que me convinha amar.

Teresa: Mas como?

Madalena: É muito fácil fazer isto quando se vive uma primeira grande paixão. Espantosas sensações a rebentarem-nos na cabeça como fogo de artifício multicolor. O cérebro do tamanho do céu desfeito em infinitas estrelas. E o que te comanda? Os sentidos em completo estado de graça. E tu pintas a criatura que tens entre as mãos com as melhores cores que tens. Vives a tua era de boa vontade. A única.

Teresa: Tu gostas realmente de pensar assim. Construíste a pessoa que te convinha amar a partir de um modelo que sou eu? Ora, faz-me um favor Madalena. Faz-me um favor!

Madalena: É a verdade, Teresa.

Teresa: Pois se é verdade diz-me quando foi que descobriste as dissemelhanças entre o modelo e a obra.

Madalena: Ora, Teresa!

Teresa: Não, não Madalena. Não te maces. Eu sei quando isso aconteceu. Tu já disseste. Foi quando eu me casei, não foi? Foi aí que elaboraste aquele espantoso raciocínio: se ela pode viver sem mim, eu hei-de sobreviver sem ela. A partir de agora deixo de a amar. Como se as coisas fossem assim. A partir daí foi muito fácil para ti ver o modelo. Tão diferente da tua pintura. Não é Madalena? Que artificio maravilhoso!

Madalena: Estás a exagerar tudo. E que artifício? Não foi artifício nenhum. A pessoa que eu amava não seria capaz de fazer o que tu me fizeste.

Teresa: Seria, sim senhora. Tanto seria, que o fez. Tu amaste-me como eu era. Tu sabias como eu era. E afinal como era eu? Uma criança que tinha medo de assumir uma relação com outra. Uma relação homossexual. Tudo o que fiz foi por medo.

Madalena: Sim. Tu foste uma cobarde incapaz de enfrentar tais receios. É verdade quando dizes que eu te amei como eras. Mas não sabia como eras. Percebes a diferença? Construi-te, como disse e repito

Teresa: Muito bem. Então continua o que estavas a dizer.

Madalena: O quê?

Teresa: Diz-me o que acontece depois da primeira paixão. Quero saber. Não sei nada dessas coisas.

Madalena: Tenho a impressão que tu estás louca, Teresa. Além do mais, como podes dizer que não sabes nada dessas coisas? Eu fui a tua grande paixão. Depois de mim a tua vida continuou. De uma forma diferente da minha. Mas continuou. O que acontece depois da primeira grande paixão depende de cada pessoa.

Teresa: Mas estavas a falar disso. A sério, Madalena, conta. Quero que fales em abstrato. Não faças alusões diretas a nós. Ao nosso passado. Foi tão bonito. Fala-me do resto. Quero saber da tua vida depois de mim. Quero saber de ti. Da pessoa em que te tornaste. Dá-nos agora um pouco de tempo para descansar. Ainda há pouco me senti tão bem. E tu? Tu também. Eu vi. Fala Madalena. Conta-me sobre essas coisas que tu sabes.

Parecia-lhe a Madalena que Teresa fazia um discurso baseado num pedido absurdo. Inconcedível. Estava de pé a olhar para ela.

Madalena: Como queres que eu mude assim de estado de espírito?

Teresa: Começa onde ficaste. Eu lembro-me. Falavas do que acontece às pessoas depois da primeira paixão.

Madalena: Está bem, Teresa.

publicado por Cat2007 às 13:03
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Quando é que elas vão pá cama pah?!
Catarina a 17 de Setembro de 2016 às 13:59

No próximo capítulo.
Cat2007 a 17 de Setembro de 2016 às 14:02

"A minha frase favorita é a minha quando me sai bem"
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Sabia que fazia anos, tinham me dito, mas no meio ...
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