CAFÉ EXPRESSO

Fevereiro 08 2016

 

Na sexta-feira passada fui ao cinema à sessão que começou às 00.20h ali no Monumental. Não mais de seis pessoas para ver Carol, uma história de amor entre duas mulheres. Um dos homens que foi para ali sozinho saiu a meio do filme. Para além deste, havia outro que ficou até ao fim.

 

Carol ou o Preço do Sal. Se bem me lembro do livro, o filme é muito o mesmo que o livro. Carol não foge aos princípios da narrativa do Preço do Sal. A impressão com que fiquei quando li o livro há muito tempo atrás foi a de que tudo era muito contido. Falava-se da paixão mas ela não aparecia descrita. Tinha de ser subentendida.

 

No filme, igualmente, mostra-se que existe paixão mas ela não se vê. Repare-se que, por exemplo, ninguém entende que duas pessoas loucamente apaixonadas uma pela outra decidam fazer uma longa viagem juntas sem que antes tenham feito amor. Na verdade, não sei se fizeram amor ou não. O filme não deixa ver nem, sequer, adivinhar.

 

Creio que este é o defeito de Carol. E não é um grande defeito porque no resto é perfeito.

 

publicado por Cat2007 às 17:51
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ehehehe hoje vou discordar mesmo. ninguém faz uma viagem daquelas de carro sem que antes tenha feito amor? atãonão? mas acho muita graça a essa ideia. aquilo nos anos 50, tás a ver a cena, é como hoje.
então e as "amigas" tão intensas e platónicas? dão a volta ao mundo e só fizeram sestas. mas acho mais graça à tua ideia, confesso.
Catarina a 8 de Fevereiro de 2016 às 18:00

Nos anos 50 existiam demasiadas convenções. Uma delas era não fazer amor assim sem mais. Mesmo que houvesse muita paixão. Só que esta relação não é convencional. Portanto, espera-se que aonteca exatamente o contrário.
Cat2007 a 8 de Fevereiro de 2016 às 18:05

então mas a pessoa dos anos 50 leva com a notícia de choque na cabeça e comporta-se como se estivesse na sua praia? mas isso não acontece hoje. uma tipa descobre aquilo de si mesma e a cena vai desde suicidios a famílias numerosas da opus dei. falas disto como se fosse uma banalidade. pode ser uma maioria silenciosa mas se há coisa que temos visto é que lida muito mal com a cena. ora aquele casal nos anos 50, Carol e Therese, são uma revolução de coragem e afirmação. pergunto se hoje em dia há daquilo? nunca vi. as mulheres sempre foram cobardes nos afetos, independentemente de orientações. acho que podes tentar sair de ti para veres que o mundo hoje, para as mulheres, são os anos 50 menos o guarda-roupa. 
Catarina a 8 de Fevereiro de 2016 às 18:10

Mas a Carol estava na praia dela, ora.
Cat2007 a 8 de Fevereiro de 2016 às 18:20

Por acaso não estava. Estava entediada. A Therese é que a despertou da prisão em que vivia onde o único poder que tinha era o de classe. Não creio que alguma vez tivesse colocado o casamento em causa por causa de um amor. Vivia uma vida dupla e hipócrita. Era uma Praia fria e entediada.
Catarina a 8 de Fevereiro de 2016 às 18:22

Nisso, as orientações são todas iguais. Kilómetros de desilusões, tédio e solidão até se encontrar alguém com quem se quer realmente viver o tédio. Ela nunca colocou o casamento em causa, só com Therese.
Catarina a 8 de Fevereiro de 2016 às 18:24

Desculpa??? A Carol já se ía divorciar antes de conhecer a Therese
Cat2007 a 8 de Fevereiro de 2016 às 18:27

don´t be naife. vão Quase sempre divorciar-se como é evidente. a rutura que ela faz é bastante mais radical que um divórcio. 
Catarina a 8 de Fevereiro de 2016 às 18:29

Uma mulher que se divorcia pode permanecer uma cobarde afetiva. Carol faz tão mais do que isso! Projeta a voz para assumir um amor com direito a nome: Therese
Catarina a 8 de Fevereiro de 2016 às 18:31

É verdade. Por isso é que eu disse que o filme, à parte das questões da paixão visível, era perfeito
Cat2007 a 8 de Fevereiro de 2016 às 18:39

a cena simbólica do despertar dá-se praticamente no começo do filme ou no inicio do filme: Carol no armazém Grandellla detém-se no comboio, cruza o olhar com a funcionária Therese, surge-lhe ao balcão armada em enfadada e pergunta-lhe por uma boneca que está esgotada. Carol pergunta a Therese que outra boneca aconselha, qual foi a preferida dela. Therese responde que nenhuma, preferia um comboio. Carol acaba por oferecer um comboio à filha. Não substimes o impacto da aparentemente impávida Therese que acaba como fotógrafa num jornal, num mundo de homens. Tudo isto é tremendo, ainda hoje mesmo que de outra forma.
Catarina a 8 de Fevereiro de 2016 às 18:43

Xeque-mate.
Cat2007 a 8 de Fevereiro de 2016 às 18:47

sépia. xeque mate é um regicídio. 


Image
Catarina a 8 de Fevereiro de 2016 às 20:42

O que tu queres é continuar a conversa. Assim seja, então. Já te digo mais qualquer coisa.
Cat2007 a 8 de Fevereiro de 2016 às 21:01

não quero conversa nenhuma. sou pelo Fim da conversa 
Image conversar
Catarina a 8 de Fevereiro de 2016 às 22:22

Então, só para fim de conversa, dizer que Carol, com as devidas adpatações, é uma história atual.
Cat2007 a 10 de Fevereiro de 2016 às 18:06

Sim!
Catarina a 10 de Fevereiro de 2016 às 23:47

"A minha frase favorita é a minha quando me sai bem"
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