CAFÉ EXPRESSO

Outubro 06 2016

 

 

No 8.º ano a minha professora de Educação Visual mandou-me fazer uma descrição de um lugar, que agora já não recordo, e no fim disse-me bastante admirada: “tu escreves muito bem. Muito bem!”. Também fiquei admirada. “Onde aprendeste a escrever assim?”. “Leio muito. Gosto de ler. Se calhar é isso.” Já tinha ouvido uma professora de português dizer que “quem lê muito, aprende a escrever”.

 

Com aquela idade, treze anos, já tinha absorvido muitos clássicos da língua portuguesa, bem como alguns franceses e outros ingleses. Não que tenha percebido muita coisa. Especialmente os portugueses, como o Eça. No entanto, dele, já tinha lido os incontornáveis “Maias”, e “Tragédia da Rua das Flores”, a “Capital” e o “Crime do Padre Amaro”. Estavam lá em casa e eu peguei neles por curiosidade.

 

Há um romance, que se chama “A Rosa do Adro”, da autoria de Manuel Maria Rodrigues, que li numa noite. Passei aquela noite a ler porque queria saber o que, no princípio do século XIX, acontecia às mulheres da aldeia que faziam amor com homens por amor antes do casamento e toda a gente ficava a saber.

 

Escrevendo da forma que estou a escrever, e dizendo as coisas que digo, até parece que estou a armar em criança especial. Mas não. O meu irmão António leu o triplo do que eu li. E até com menos idade. Conseguiu ler, compreender e adorar a coleção do Aquilino Ribeiro, por exemplo. Lembro-me que peguei no “A casa grande de Romarigães” e não consegui engolir meia página. Agora, não sei se ele escreve muito bem. Mas que é muito bom a desenho, lá isso é.

 

Seja como for, aprendi a escrever. Os meus pareceres são bem escritos do ponto de vista da clareza e da estética. Isto é a minha opinião. Mas não os escrevo como faço aqui no blog. Em que arrasto ideias com as palavras, escrevendo com muitos pontos e e e mas e palavras repetidas, para ser mais fácil explicar. Nos pareceres faço frases extensas cheias de vírgulas. Por isso levo mais tempo a desenrolar as soluções. Além de que, mais importante de tudo, os raciocínios estão balizados por regras (jurídicas) que devem ser respeitadas no discurso.

 

A verdade é que não gosto de escrever como aparece nos pareceres. Como o squash estraga o ténis, os pareceres atrapalham-me a criatividade. Por isso passam-se muitos dias em que não escrevo nada no blog. Com efeito, quanto mais pareceres faço, menos ideias tenho para postar aqui.

 

Tudo o que para trás fica exposto (costuma utilizar-se esta fórmula nos pareceres) pode parecer um exercício de gabarolice extensível à família. E até pode ser que seja. Porque há sempre um lado de nós que é vaidoso e inseguro.

 

publicado por Cat2007 às 16:03
 O que é? |  O que é? | favorito
Tags:

"A minha frase favorita é a minha quando me sai bem"
pesquisar
 
stats
What I Am
comentários recentes
há "sinais" que não devemos negar :D
Se o tédio estiver instalado numa relação, então é...
o tédio pode estar na própria relação... ou não?
No entanto, de facto, não associei. Ninguém é infi...
achei graça foi associares a tua infidelidade ao t...
Já tinha saudades de ler o seu blogue.
Ok. Obrigada, querida.
Posts mais comentados
140 comentários
122 comentários
122 comentários
106 comentários
82 comentários
arquivos
2017:

 J F M A M J J A S O N D


2016:

 J F M A M J J A S O N D


2015:

 J F M A M J J A S O N D


2014:

 J F M A M J J A S O N D


2013:

 J F M A M J J A S O N D


2012:

 J F M A M J J A S O N D


2011:

 J F M A M J J A S O N D


2010:

 J F M A M J J A S O N D


2009:

 J F M A M J J A S O N D


2008:

 J F M A M J J A S O N D


2007:

 J F M A M J J A S O N D


Outubro 2016
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1

2
3
4
5
6
7
8

9

22




blogs SAPO