CAFÉ EXPRESSO

Maio 17 2016

 

 

Tenho de alterar as minhas férias já marcadas e aprovadas. Para tanto, terei de entrar em contacto com o Núcleo de Pessoal daqui. Por falar em núcleo de pessoal. Sempre é certo que quando há pessoal que se junta se forma um núcleo. Duro. Ou não. Estável ou instável. Permanente ou passageiro.

 

Uma pessoa está sempre inserida em núcleos. A questão é a extensão e a diversidade. Eu gosto do meu restrito núcleo de pessoas de quem gosto que não são família. E gosto do meu núcleo familiar.

 

Além disto, mas que já não tem a ver, posso ser enquadrada no grupo dos semi bichos-de-mato. Que, por definição, é um grupo de pessoas sem núcleo, lá está. Porque estão afastadas umas das outras, não interagindo (os semi bichos-de-mato não interagem entre si).

 

Quando estive internada no hospital uma data de tempo (por causa do acidente de carro que mais parecia de mota, dada a quantidade de gesso que tinha espalhado pelo corpo), todos os dias esperava a visita dos meus núcleos. Que vinham sempre. Era uma alegria vê-los. E o meu dia ficava preenchido com a companhia daquela gente quentinha, conversadora e sorridente. Sucedeu, porém, que, um dia, o meu primo apareceu com a namorada nova. Senti imediatamente que estava obrigada a fazer-lhe uma visita. Porque, na verdade, tive que fazer imensa cerimónia e perguntas de circunstância. Não há nada pior do que as “visitas”. Seja num hospital, seja em que sítio for.

 

É melhor explicar. Estas coisas dão-se com o passar pela vida. Uma pessoa aprende. De temperamento, sempre fui aberta e sociável, gostando sinceramente de todos. Estava em vários núcleos de diversas espécies e gostava muito. Ainda sou assim. Mas controlo-me. Anda uma miuda lá no ginásio a tentar criar um núcleo "para conversa enquanto treinamos" que já me enerva.

 

A propósito do meu temperamento, vou contar umas coisas que costumavam acontecer-me (e que já não sucedem, obviamente). 

 

Na escola secundária uma menina, que eu mal conhecia de vista, veio convidar-me para ir a um chá dançante no Colégio Militar. Eu disse-lhe que sim e fui. Mais tarde, uma colega de turma, daquelas com quem eu não me dava de uma forma mais próxima, convidou-me para passar o Fim-de-Ano com os amigos dela. E eu fui. Das duas vezes, foi uma seca mais ou menos inesperada. Porque, além do mais, eu era uma otimista. 

 

Também tive uma gorda, que, para o cúmulo, usava saltos altos na escola, que se colou a mim e passei a ser a sua melhor amiga (embora ela não minha). Andei o ano letivo todo a aturar as coisas que ela inventava sobre um namorado que não tinha e a fazer visitas ao bar a todos os intervalos. Porque a gorda tinha que comer bolos. Felizmente, no ano seguinte, a gorda seguiu o seu percurso para outra turma. Já não sei se foi porque chumbou.

 

Igualmente, apanhei com outra gorda. Esta era loura e vestia-se como um rapaz. Andava apaixonada por mim e portanto achou por bem fazer-me um cerco. Todos os dias me esperava à porta da escola com um poema escrito em inglês. Como eu era muito cool, disse-lhe que não podia ser namorada dela mas que, se ela quisesse, seria a sua melhor amiga. E assim foi. Durou dois anos tal amizade. No fim, a gorda estava toda ressabiada porque não conseguiu aquilo que secretamente nunca deixou de desejar e deu-me um chuto no rabo de surpresa. Magoou-me, by the way.

 

Enfim, a vida foi andando, e fui tendo outras coisas que podia aqui contar. Mas que não vale a pena.

 

Para o que importa, o problema concreto é que uma pessoa não se pode dar com toda a gente. Pelo menos eu, que dou de mim. Quando dou conta, estou a pensar na pessoa, a preocupar-me com ela. A abrir caminho. A dar o corpo (ou melhor a cabeça) às balas.

 

Para as pessoas dos meus núcleos, tenho os caminhos todos sempre abertos. Podem secar-me as vezes que quiserem. Podem pedir o que lhes der na gana. Podem aparecer e ficar pelo tempo que lhes apetecer. Podem falar sem nexo. Podem chatear. E eu posso dizer Não. Não tenho que "visitar" ninguém.

 

publicado por Cat2007 às 15:55
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Janeiro 18 2016

 

Não gosto de trocas de afetos com qualquer um. Nem que me façam favores que eu não peço. Não me venham dar nada, por favor. Não costumo pedir favores. Nem quando é devido que o faça. Detesto que me toquem. Muito menos que me abracem.

 

Mas há umas pessoas que se põem a fazer estas coisas e uma pessoa não tem como as impedir. Porque são umas intrusas profissionais. É aquela gente que quer provar a toda a gente que tem “um coração enorme”. Como que a quererem dar tudo a todos. Porque são seres humanos assim. Muito humanos. Ora, todos sabemos que quanto mais humano se é menos qualidades se tem. Eu nunca duvidei disso.

 

Quando nos aprecem almas com este tipo de generosidade, não raro damos por nós a sentirmos a obrigação de contribuir com qualquer coisa. Um elogio, um sorriso rasgado ou, pior, com uma alteração qualquer de planos.

 

É assim que eu me sinto quando vou à Bela do Namur lavar o cabelo. Já o disse, para cortes e cor é a Guida da Lúcia Piloto das Amoreiras. Mas assim para estas coisas mais ou menos inócuas a Bela serve muito bem.

 

A Bela beijava-me em cheio e abraçava-me ao esmagamento. Uma vez pegou na tesoura e mexeu-me nas pontas. “Estou a dar saúde ao seu cabelo, minha querida”. Comecei por entrar em pânico. Mas afinal ela só mexeu em partes mínimas. “Isto é considerado corte. Mas não lhe vou levar nada por isso. Fica só entre nós”. E lá fiquei eu com o peso de ter que lhe agradecer, elogiar, sorrir. E tudo isto me pesava à morte. Por isso, muitas vezes, não me apetecia lá ir.

 

Fui à Guida e no dia 31 e apareci no sábado lá na Bela. Mostrou-se irritadiça. Beijos frios. Má disposição. Nunca me tinha esticado o cabelo tão bem. Porque não deu de si. Não deixou cair sobre mim a “magia do seu toque pessoal”. Só me faltava isto. O expectável.

publicado por Cat2007 às 18:22
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Março 08 2012

 

 

 

 

Tenho impressão que os “golpes baixos” são uma importação do boxe. Dá-me ideia de que não se pode bater abaixo da cintura. Pessoalmente, detesto boxe. Mas gostei do “Touro enraivecido”, com exclusão das cenas de ringue. Veja-se que até num evento feroz por definição a lealdade deve prevalecer. Também acho que é fundamental. A lealdade. Uma pessoa deve saber sempre ao que vai, como poderá ir e quais os lugares onde tem possibilidades de chegar. No fundo, as regras principais do jogo. Mas se, na esmagadora maioria dos casos, a lealdade tem que  concretizar-se em regras, é certo que não é uma qualidade natural ao ser humano. Facto que todos devemos lamentar sentidamente.

 

 

publicado por Cat2007 às 18:06
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Março 01 2012

 

 


 

Hoje dizia-me R, uma colega:  "você é uma jurista muito diferente de mim. Aprofunda as matérias e é extremamente rigorosa. Já eu, vejo a solução, sei que é assim e depois tenho pressa em resolver a questão. Não consigo perder o tempo que você perde". Ela falava e eu ia sorrindo por dentro. Respondi-lhe: "Sabe, o seu problema é que, partindo da solução é muito mais difícil encontrar os argumentos que a fundamentam. Porque no processo simplificado do seu raciocínio passou por eles depressa demais". Não lhe disse, mas sou essencialmente como ela. 

 

Não lhe disse porque acredito que é melhor assim. R há-de chegar à conclusão a que eu cheguei. Entretanto, está em dor com o dossier que tem na mão. A transposição de uma diretiva comunitária. Pois. Trabalho de fundo, lá está.

 

A conclusão a que eu cheguei. Parar de me querer livrar de tudo muito depressa. Como quem anda a fugir e não pode parar. Sentir o confronto inexistente. O medo de não saber explicar. Tudo tem a ver com o treino sobre as emoções reprimidas. Auto-repressão. Há um dia na vida em que se deixa de pensar nos processos de sentir para não sentir. Depois há como que uma infeção generalizada a todos os aspetos da vida, uma vez que foram infetados todos os elementos do ser.

 

Prefiro que R me veja como alguém que a pode ajudar a reverter a situação.

 

publicado por Cat2007 às 23:09
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Janeiro 27 2011

Epah! Andava a passear pela net e encontro estes dois patetas. A Marta e o Mickey. Os meus amigos. Em entrevista sobre cozinhados. NCR!!!

Não resiti e rapinei tudo.

 

A primeira foto foi tirada na praia de Albufeira num Inverno. Eu sei porque estava lá. Mesmo ao lado do Miguel.

 

  

Quarta-feira, 2 de Maio de 2007

O nosso Inquérito: Marta Esquível.

Nome: Marta Esquível , aliás “Maria Lúcifer” ou “SqueeveWonderfull”.
Cozinha muito frequentemente? Hoje em dia não.
Quando começou a cozinhar? Foi em 1980; em Londres; em casa de Harold Pinter.
Seguiu algum curso? Só ultimamente frequentei um curso.
Há alguém que considere seu mestre? O meu Cozinheiro Jaime que conheço desde que nasci.
Livros de cozinha favoritos? Hummm. Habitualmente não leio. De qualquer forma sempre que posso passo os olhos por receitas, mas não me servem de nada. Faço tudo a olho.
Qual é o prato que mais gosta de cozinhar? Caril .
O que cozinha mais frequentemente? Caril.
Costuma aproveitar os restos de um prato que cozinhou e com eles fazer um novo prato? Tenho desde Burros, Cavalos e Cães. Tudo se aproveita. Não sobra nada.
O que é que tem sempre na sua dispensa (inclui frigorífico e freezer)? Condimentos. Neste momento trazidos de Marrocos. Muitas latas de anchovas.
Tem um utensílio que considere “pessoal” ou “favorito”? Facas. Adoro facas.
Costuma consultar sites da internet dedicados a temas culinários? Não.
Quais são as suas lojas favoritas para produtos alimentares e equipamento de cozinha? Antigamente era a mercearia do Sr. António ( Lapa ); agora é nos meus vizinhos agricultores que tenho os meus fornecedores favoritos.
Prato favorito? Fui educada a gostar de tudo; salvo mioleira, enguias e sarda.
E petisco? Cadelinhas.
Prato português favorito? Não tenho favoritos. Como de tudo quando como. Quando como, como tudo.
Restaurante favorito? É complicado responder porque há vários factores que me impedem de eleger um. Para mim, para além da qualidade gastronómica, o factor Humano é o mais importante.


Experiência gastronómica inesquecível: Com Merryl Streep em casa de Harold Pinter, onde mandei servir como entrada uma Sopa Alentejana, com coentros frescos ( pensem só, em Londres… em 1980 ) que arranjei em Portobelo Road. Merryl Streep com grande sorriso primaveril rasgou o almoço com a expressão: What an exquisit flavour… mal sabia ela que era a sopa dos pobres uns anos antes em Portugal.
A última vez que jantou fora, em que restaurante foi? Bica do Sapato. Divertidíssimo. Foi no aniversário do António Verdial, e, para meu grande espanto depois de tantos anos longe de Lisboa, o Zé Miranda veio dar-me um beijo.
Ódio (culinário, é óbvio) de estimação: Fazer doces.
Conselhos ou normas de sabedoria? Duas gotas de limão.
Há alguma pergunta que gostaria que lhe fizéssemos? Vai investir em mais lojas como a sua em Portugal? Não. A Sha é única. E quem a conhece nas Amoreiras, sabe do que estou a falar. Investir em Portugal jamais.
Uma das suas receitas favoritas:

Caril de Galinha à Moçambicana

Faz-se um refogado; cebola, alho, azeite, tomate e pimento.
Metem-se as especiarias; quatro cabeças de cravinho, três paus de canela; raspas de noz moscada.
Mete-se a galinha já cortada aos pedaços. Junte um molho de coentros que retira no final.
Deixa-se refogar por cinco minutos.
À parte, depois de um litro de leite fervido, adicione ao leite coco ralado e deixe descansar. Depois de retirar o leite do coco adicione a uma pequena parte duas a três colheres de sopa de pó de Caril. Junte o resto do leite a esta mistura e adicione à galinha.
Tempere com sal a gosto.
Agora o meu grande segredo, que jurei ao Jaime nunca dizer, … hummm…por isso não digo.
Adicione duas malaguetas se quiser vingar do seu convidado.No caso de não ser das Áfricas, Indias, Ásias e Américas …do Sul.
Deixe cozinhar.
O Arroz que vai servir de acompanhamento dever ser basmati ou agulha, aproveitando parte do coco que sobrou para a cozedura. Coloque no final da cozedura um molhe de coentros picados.
Acompanhe com chutney e pepino com yogurte ( sobrenatural ).

Uma receita de “restos”:
  
Se não tiver cães das ex-colonias pode fazer umas empadinhas.
Na foto: Marta com Miguel Sá Fernandes.

O nosso Inquérito: Miguel Sá Fernandes (com algumas opiniões de Marta Esquível).


Nome: Miguel Sá Fernandes.
Cozinha muito frequentemente? Sim, três, quatro vezes por semana.
Quando começou a cozinhar? Quando fui viver para Londres sozinho, aos dezoito anos.
Seguiu algum curso? Foi o curso da vida.
Há alguém que considere seu mestre? As minhas tias inglesas. Ensinaram-me o básico da cozinha. A Marta insiste que foi ela que me incentivou a cozinhar, a Rita Oulman, segundo ela, pode confirmar isto, mas não me parece ser verdade.
Livros de cozinha favoritos? O Pantagruel e uma revista chamada “The Week” que tem sempre receitas.
Qual é o prato que mais gosta de cozinhar? Pratos de forno.
O que cozinha mais frequentemente? Pratos de forno também, porque é “pôr no forno e toca a andar”.
Costuma aproveitar os restos de um prato que cozinhou e com eles fazer um novo prato? Muitas vezes.
O que é que tem sempre na sua dispensa? Vinho branco e restos de pratos congelados.
Tem um utensílio que considere “pessoal” ou “favorito”? Uma pêra para chupar o molho dos pratos no forno e regar o que esteja a cozinhar.
Costuma consultar sites da internet dedicados a temas culinários? Não.
Quais são as suas lojas favoritas para produtos alimentares e equipamento de cozinha? O Lidl e o “Novo Regresso”, na Azóia.
Prato favorito? Leg of Lamb.
E petisco? Peixinhos da Horta.
Prato português favorito? Um bom Cozido à Portuguesa.
Restaurante favorito? As velhas tascas de Lisboa, as que ainda existem.
Experiência gastronómica inesquecível: Uma vez que ia apanhando um tiro num jantar em casa da Marta Esquível.
A última vez que jantou fora, em que restaurante foi? “O Tropical do Meco”. Foi bom mas muito barulhento.
Ódio (culinário, é óbvio) de estimação: Fast food.
Conselhos ou normas de sabedoria? O único que me ocorre é: Se vive no Meco fuja da Marta.
Uma das suas receitas favoritas:

Frango com limão

Unta-se o frango com manteiga, sal e um pouco de colorau. Põe-se um limão picado com um garfo dentro do rabo do frango. Pre-aquece-se o forno forte. Vai ao forno durante quinze minutos e depois baixa-se a temperatura e coze até ficar pronto regando várias vezes com o molho.

Uma receita de “restos”:

Faço sempre caril com os restos.

(Na foto: Miguel Sá Fernandes e Marta Esquível. Nota: Lembro-me muito bem do jantar em que por engano MSF quase ia apanhando um tiro: era uma perna de borrego feita no forno de lenha que estava fantástica. A Marta pode não ser grande atiradora mas é uma cozinheira de mão cheia - JGV)
publicado por Cat2007 às 23:07
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Outubro 06 2009
BDSM collar side.jpg

 

 

Hoje é dia de escrever aqui. Porque posso. Tenho tempo para isso. Há que tempos que não tinha tempo. Agora tenho. Por isso sou obrigada a fazer aqui qualquer coisa. Porque, por alguma razão boa, não quero deixar isto morrer. Imagino que seja uma razão boa. Poderia agora começar para aqui a dizer que razão é essa. Mas como não sei exactamente qual é, deixo apenas que me dá prazer. E não posso adiantar mais nada. Para chegar mais longe teria que começar para aqui a escrever por associação de ideias até chegar a alguma conclusão. Não estou para isso.

 

Sem ter tempo, tenho tido tempo para fazer tudo. Mas tenho gerido tudo muito mal. Acho que aquele toque masoquista da minha personalidade é que define os meus lances. Ando sempre a insistir em tornar a minha vida sempre um bocado mais difícil. Sempre a impor-me sacrifícios. Sempre a dizer-me que não posso respirar em paz. Queria qualquer coisa que já devia ter. Como não tenho, castigo-me. Porque acho que a culpa é minha. E falo em termos abstractos agora. Porque não estou para expôr os meus problmas. Não posso vir para aqui falar dos meus problemas. Digo apenas algumas coisinhas. Mas não desbafo.

 

Sou contra o desbafo. Desbafar é peixeirada. É andar para aí a falar da vida pessoal sem um objectivo definido, a não ser criar proximidades de um modo artificial.

 

As pessoas não querem a verdadeira proximidade. Querem outra coisa qualquer. Talvez fingir que não se sentem sós. Creio que não se pode criar uma proximidade real com alguém com essa facilidade toda. E muito menos com várias pessoas. Primeiro nasce o afecto. Depois cresce o afecto. Seguidamente, consolida-se o afecto. Por fim, é ocupado um lugar fundamental na vida de alguém e na nossa. Nada disto é plural ou colectivo. Quer dizer, tem que ser feito com uma pessoa de cada vez. E exige disponibilidade e dedicação. A este processo dá-se o nome de amizade.

 

Não tenho visto nascer muitas amizades por ai. Nem poucas. Se calhar não ando atenta. Porvavelmente sou pessimista. Logo, só reparo em relações frívolas e superficiais entre as pessoas.

 

Acho que as pessoas devem conversar umas com as outras numa base de regularidade. Aí aproveitam para trocar ideias, aprender umas com as outras e resolver os problemas que vão surgindo. Convém não se porem com ar de alunos e professores à vez nestas coisas.  E sobretudo escusam de estar a dizer que estão com este ou aquele problema.

 

Os grandes desgostos ou os menos grandes, as coisas que nos lixam a seério são para partilhar com as pessoas que nos amam e que, por isso, são igualmente gravemente afectadas. Mas, neste caso, não se trata de desbafar. Neste caso trata-se de amar.

publicado por Cat2007 às 13:55
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Agosto 14 2008

 

 

 

Uma revisão consiste num acto de rever algo para verificar se está tudo bem ou para relembrar matéria dada. Rever uma determinada pessoa, constitui por si só uma revisão, como é evidente;  e pode obrigar a fazer revisões.

 

Em tempos, quando eu achei que o meu sentido da moral andava muito em alta, quebrei alguns relacionamentos. Sobretudo com amigos de quem gostava. Foi um espécie de "limpeza santa" (género guerra santa) que eu levei a efeito na minha vida. Saberá o santo Deus porquê. Talvez acreditasse na altura que iria ganhar o Céu. Enfim, uma coisa muito à Velho Testamento. Algo que devia ter a ver com uma necessidade de purificação, ou coisa que o valha.

 

Basicamente, tudo tinha a ver com dores pessoais; com fragilidades próprias. Logo, com emoções adoecidas. E uma recusa em aceitar que as pessoas são defeituosas e frágeis, tal como eu. Ninguém vira as costas a ninguém de quem já gosta porque foram cometidos erros. É um erro. Além do mais, atitudes destas têm sempre por base julgamento do mais parcial que pode haver. O nosso. É por isso que, malgrado as costas viradas, se continua a gostar. Gostar não é uma escolha,  gostar de alguém acontece.

 

Agora ando a recuperar os meus amigos, que, incrivelmente, estão disponíveis para isso. Mesmo sabendo, eu nem sei o que me deu no passado. Tantas desculpas para fazer disparates. Uma pessoa tem que ter "cabedal" para dizer o que não gostou. Parece-me que ninguém fala deste tipo de sentimentos com medo de cair no ridiculo. Eu, pelo menos.  

 

Enfim, é bem verdade que continuo a não gostar de falar de sentimentos. Dos meus (dos dos outros, adoro!). Quando me abordam nessas matérias, tenho por hábito pôr-me a coçar o cotovelo. É uma manobra de diversão como outra qualquer. De resto, compreendo que não vale a pena pensar que não há um bom bocado da vida que é asolutamente individual, independente e solitário. Com efeito, para além dos actos do nascimento, da morte e das idas à casa de banho diárias, o exercíco de viver tem momentos desprotegidos. Outrora, esperava dos outros impossibilidades humanas. Aliás, como também procurava fazer os impossíveis.

 

A base dos relacionamentos é o afecto. E o afecto coloca tudo no sítio. No que toca às relações, quero dizer. Eu desvalorizava o afecto, pensando que os valores rígidos de uma moral inventada para conveniências domésticas é que era bom. I was wrong. But  i´m still very good of course.

 

publicado por Cat2007 às 13:09
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"A minha frase favorita é a minha quando me sai bem"
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