CAFÉ EXPRESSO

Maio 24 2017

Resultado de imagem para lâmpada fundida

 

Quando há amor, naturalmente, com o correr da vida, fazem-se projetos muito sérios em conjunto. Combinam-se coisas muito importantes para fazer. Acontecem factos decisivos involuntários que afetam as duas pessoas. É no meio de algum destes acontecimentos que pode suceder que os interesses de uma e outra se contraponham. E é aqui que a coisa se pode dar. É aqui que a confiança de uma pessoa pode ficar irremediavelmente abalada. Basta que, na busca da satisfação dos próprios interesses ou necessidades, a outra cometa uma deslealdade.

 

Ontem fui à praia no fim do dia. Então, na areia e com o mar à frente, corpo relaxado e o cérebro solto, falava-se de “quando uma lâmpada se funde”. Por causa de uma situação que aconteceu.

 

Toda a gente sabe que quando uma lâmpada se funde, é irreversível. Jamais voltará a dar luz, quero dizer. Há fenómenos que acontecem na nossa vida parecidos com o fim de vida das lâmpadas. Em que o nosso organismo como que se apaga para alguém que nos prendia. E os nossos olhos deixam de brilhar por causa dessa pessoa.

 

Pode ser um amor de romance. Pode ser um amor de família. Pode ser um amor de amizade. Tem é que ser um amor. Não é qualquer sentimento que possui energia imanente suficiente para provocar um (subsequente) apagão sentimental. Ou seja, um facto que sucede por dentro e é capaz de fazer eclipsar o amor de uma vez e para sempre.

 

Creio que é pela deslealdade que “uma lâmpada se apaga” no espírito outrora iluminado de alguém.

 

publicado por Cat2007 às 16:15
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Abril 24 2017

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Sinto um desprezo profundo por aquelas pessoas que não sabem, não querem ou não podem respeitar as relações dos outros. É um tipo de gente de quem eu quero distância. Não trato mal nem bem. Não trato. Ignoro.

 

Houve um período em que atravessei um mau período. Foi quando a minha mãe morreu. Assim, estive uns tempos em que não dei muito à minha pessoa. Limitava-me a estar presente. Mas calada porque triste. Fazia pouco. Inclusivamente fazia pouco amor.

 

Sei que apareceu alguém na internet que se interessou pela minha pessoa. Coisa que considero muito natural. Porque, evidentemente, não lhe desconheço as qualidades. Sobretudo uma sensibilidade e inteligência superiores (entre outras mas que só nós é que sabemos).

 

Basicamente o que aquele alguém dizia é que um dia eu iria ficar boa mas que o nosso momento já tinha passado. Um dia eu ia acordar, voltar-me de novo para a vida e procurar outro caminho.

 

Ora, na verdade, no que diz respeito ao que sinto, nunca estive desacordada. Aliás, foi isso que me manteve de pé durante o referido período de sofrimento profundo. Mais, depois de tudo, ainda amo mais.

 

Com efeito, as pessoas que querem meter-se nas relações dos outros falam sempre e sem exceção daquilo que não sabem. E, por isso, invariavelmente, enganam-se, vivenciado equívocos de asno.

 

publicado por Cat2007 às 12:28
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Abril 20 2017

Resultado de imagem para uma amor puro

 

Desde pequena que tenho para mim que só existe um amor na vida. Aquela pessoa que um dia conhecemos e que ficará connosco para sempre. Não obstante, já me apaixonei muitas vezes e não foi assim. Porém, das vezes que me apaixonei desejei sinceramente que fosse daquela vez. Por isso tive até casos que prolonguei para lá do razoável só por causa desta ideia da eternidade do amor que, como disse, sempre me acompanhou.

 

É claro que isto é um erro. Isto de nos mantermos em relações que estão moribundas porque todos os interesses já se esgotaram. Nestes casos temos pena. Pena de ver ruir um projeto. Resta-nos guardar o que demos e recebemos, o que aprendemos, o que evoluímos e seguir em frente. Seguir em frente é sair. Infelizmente.

 

Então, como que por magia, há um dia em que aparece alguém. Que começa a falar. E diz as frases e faz os gestos certos. Como se nos conhecesse de toda a vida, bem sabendo, não se sabe como, o que na vida para nós conta. E é nesse dia que percebemos que nos encontrámos em graça com o destino.

 

publicado por Cat2007 às 11:50
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Abril 13 2017
 
 
 
 
Resultado de imagem para amar

 

A importância do amor é que nos dá paz (prazer, compreensão, companheirismo e troca de ideias) e, por consequência, cabeça limpa. E nisto, nesta simplicidade, consiste a felicidade. Paz e cabeça limpa. É por isto que não precisamos do amor para viver mas necessitamos dele para viver melhor. Quando o amor não anda bem, o resto infeta-se realmente, sendo que o inverso não será verdadeiro se houver sabedoria. Por exemplo, se tiver uma discussão importante em casa, vou para o trabalho e o trabalho é uma tortura por causa da dor e da confusão mental que se instalaram devido à dor. Se, em sentido inverso, me acontecer uma chatice no trabalho, vou para casa e as coisas ficam relativizadas. Não que os problemas não subsistam. A questão é que, bem vistas as coisas, não são tão importantes assim. A sabedoria está, pois, em não ir implicar com a pessoa amada por causa das contrariedades do dia-a-dia que nos vão afrontando.

 

publicado por Cat2007 às 12:11
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Março 30 2017
 
 

Resultado de imagem para carta do tarot o mundo

 

Tive uma espécie de affair que aconteceu há alguns anos. A coisa durou cerca de três meses. Apenas. Depois eu saí para voltar à relação que tinha antes. Para quem eu, na altura, amava.

 

Volvidos oito anos, a pessoa do affair reapareceu a dizer que não me tinha esquecido. Mostrou-me uma carta de Tarot que era o Mundo. Creio que significava que um dia eu haveria de ser sua. A carta saiu no fim de uma tirada que alguém lhe fez, creio. Tinha-a guardado até ali.

 

Pela minha parte, e por razões que se prendiam com a total impossibilidade de corresponder à coisa, tive que desaparecer.

 

Passaram mais três anos e a pessoa voltou à minha vida basicamente para me mostrar a carta do Mundo, que ainda guardava, e pedir-me em casamento.

 

Considerei aquela uma atitude tão absolutamente deslocada que não tive coragem de oferecer um redondo “Não”. Pus-me a falar. Disse que não tinha maturidade para compromissos de tal monta, blá, blá, blá e ofereci a minha amizade.

 

Em resposta, quem transportava a carta do Mundo foi para a cama com a pessoa com quem eu vivia. E creio que com isso se curou de mim.

 

Portanto, eu tinha toda a razão.

publicado por Cat2007 às 11:51
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Março 03 2017

Foto de Catarina Veiga Miranda.

 

O meu pai está a morrer de amor. Por causa da minha mãe. A minha mãe deixou-o há quatro anos. Morreu. E ele nunca soube viver sem ela. Nos últimos tempos tinham fugido os dois para um refúgio onde eram felizes só os dois. O meu pai nunca traiu a minha mãe. Sempre soube respeitá-la. Até ao último momento. A minha mãe também nunca traiu o meu pai. Amavam-se. Amaram-se a vida toda. No início foi difícil porque era uma grande paixão. Discutiam imenso. E diziam um ao outro que se queriam deixar. E que, se não o faziam, era porque “tinham os miúdos pequenos”. A verdade é que ficaram juntos até ao fim. E depois, entretanto, descobriram formas de não discutirem tanto. Embora, no entanto, continuassem a discutir. Há amores assim. Que são para toda a vida.

 

Todos temos a mania de olhar para as pessoas de outra geração como se as pessoas de outra geração não soubessem amar. Como se fossem materialistas e comodistas, bem como escravas das conveniências. Como se as relações amorosas dessas pessoas estivessem destinadas exclusivamente à função da procriação e à acumulação conjunta de bens.

 

Mas as coisas não são assim. O amor não respeita a gerações. O amor também não se abate com a idade. O amor respeita a pessoas. Mas não a todas.

 

publicado por Cat2007 às 16:29
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Fevereiro 15 2017

Resultado de imagem para amor não correspondido

 

Existem aquelas atrações unilaterais que, pela força da imaginação e do sonho, se transformam em paixões de um sentido só. Havia uma miúda que sentia as coisas assim. Assim, desenvolveu uma paixão sem esperança cheia de esperanças de um dia alcançar o objeto amado. Deste modo, andou anos a seguir os passos da outra pessoa. Ou seja, andou literal e materialmente atrás dela, transformando-se evidentemente numa stalker. Quem me contou isto foi o objeto. Disse-me, no âmbito de uma brutal egotrip, que a encontrava em todo o lado nas horas mais inusitadas.

 

Creio que esta pequenina estória ilustra o conceito de amor não correspondido.

 

No mais, o que sucede são estórias em que as pessoas deixam de amar umas antes das outras. Casos em que existiram casos, relações. Quando o amor acaba, as duas pessoas não acabam com o amor ao mesmo tempo. É muito natural que uma delas fique a sofrer mais do que a outra por esta lhe faz falta. Havia uma mulher que sentia as coisas assim. Assim, esteve a sofrer, durante alguns anos, em função perda. No entanto, note-se, não esteve a sofrer por ainda gostar. É que os sentimentos alteram-se quando deixam de ser alimentados.

 

Creio que esta pequenina estória ilustra o conceito de dor no amor, a qual nada tem a ver com o amor não correspondido.

publicado por Cat2007 às 17:24
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Novembro 02 2016

A noite rolou sobre a manhã. Teresa ainda adormentada ouviu como se fosse ao longe os toques na porta. Ainda um tanto confusa, ponderou que teria de levantar-se para ir à sala saber o que Clara desejava. No entanto, não teve tempo para se mexer sequer. Escutou o tom jovial da filha do lado de fora.

Clara: Mãe, posso abrir?

Teresa: Calma.

Teresa respondeu ainda soporosa. Foi por isso que não pôde refletir apropriadamente sobre aquela novidade nas rotinas da Alameda. Levantou-se devagar. Vestiu o roupão e recolheu a garrafa de vinho e os copos. Tapou Madalena. E foi à porta.

Teresa: Filha, estás a quebrar as regras.

Clara: Sim. Mas não entrei no quarto, mãe. Apenas queria poupá-la a ter que ir lá dento. Creio que estava a dormir.

Teresa: Sim, filha, estava.

Clara: De qualquer maneira, não queria sair sem a avisar. Eu e a Joana vamos à praia. Voltamos no fim do dia. Importa-se que ela volte comigo, mãe?

Teresa: Oh, querida! Não me importo nada. Faço questão nisso, aliás. Prefiro que estejas aqui em nossa casa.

Clara: E a mãe e a Madalena, vão ficar em casa?

Teresa: Não. Vamos passear ao Chiado. Almoçar, fazer compras. Essas coisas.

Clara: E ela vai estar cá logo?

Teresa: Claro que sim.

Clara: Que bom mãe.

Sorriu abertamente e beijou Teresa nas faces.

Clara: Até logo, mãe.

Teresa: Até logo, filha.

Teresa voltou para dentro do quarto. Madalena ainda dormia. Aproximou-se dela e sentou-se ao seu lado na cama. Afagou-lhe os cabelos castanhos sedosos. Depois passou-lhe devagar com as pontas dos dedos pelas faces. Pelos olhos. E pela boca. Ela mexeu-se um pouco. E foi acordando lentamente. Abriu os olhos e beijou os dedos de Teresa.

Madalena: Bom dia, meu amor.

Sorriu-lhe.

Madalena: o que estás a fazer já levantada e vestida? Não estás cansada? Sou uma incompetente.

Teresa: Não estou vestida, querida. Estou nua. Pus apenas o roupão para ir à porta falara com a Clara.

Madalena estava já totalmente acordada. Espraiou-se na cama. Esticou os braços e as belas pernas que apareciam por partes por entre os pedaços de lençol enrodilhados.

Madalena: Foste à porta falar com a Clara? Mas não era suposto falares-lhe na sala?

Teresa: Sim. Mas ela quebrou a regra de propósito. E eu alinhei nisso. Porque concordo com ela. Essa regra é absurda. Parece que só existe para ser quebrada. Por duas vezes fomos apanhadas nesta casa a fazer amor. Porque dessas duas vezes a norma não foi respeitada.

Madalena: Talvez porque nunca fosse bem entendida. Quando as pessoas não compreendem as regras, dificilmente as interiorizam. Se as respeitam é porque automatizaram as condutas. Ora, isto é meio caminho andado para a violação das mesmas regras. Mas afinal por que razão a tua mãe instituiu uma coisa destas?

Teresa: Ela quis ensinar-me que as pessoas são mundos individuais e que, por isso, devem ter um espaço que é só seu. Foi um processo para me ajudar a alcançar a minha individualidade. E eu usei o mesmo método com a Clara. O que falhou aqui foi o tempo. Depois de eu ser crescida, não se justificava manter a norma. Assim, como eu já a devia ter abolido há muito tempo com a minha filha. Quando fomos surpreendidas pela minha mãe, eu já tinha vinte anos, como sabes. Se a regra tivesse caducado, ela teria batido à porta e perguntado se podia entrar, como a Clara fez há pouco. O mesmo sucederia com a minha filha quando nos apanhou.

Madalena: Graças a Deus, que essa regra foi para o lixo, querida linda. Não sei porquê mas isto parecia ter aqui um bocadinho ambiente de quartel. E tu parecias um sargento.

Teresa: Madalena, meu amor, tu vê lá as coisas que me chamas. Não comeces a provocar logo assim ao acordar. Porque eu posso fazer de sargento para ti.

Madalena: E isso seria má ideia?

Teresa: Eu sei que gostavas, querida. Mas agora vou buscar-nos o pequeno-almoço.

Teresa voltou com sumo de laranja, café e biscoitos de chocolate.

Teresa: Desculpa a pobreza, amor mas foi o mais rápido que consegui arranjar.

Madalena: Biscoitos de chocolate, Teresa? E o sacrifício que eu ando a fazer no ginásio?

Teresa: Também eu.

Meteu um biscoito na boca e aproximou-se da boca dela. Madalena trincou.

Madalena: Adoro chocolate.

Teresa: Bebe café para acordares, querida. Antes do Chiado. Preciso de ti mais um bocadinho.

Madalena: Então mete-te na cama. O que estás ai a fazer de roupão, sargento?

Teresa despiu-se e deitou-se ao lado dela.

Teresa: Trouxe cigarros.

Madalena: Que bom!

Teresa: Já sabia que ias gostar. Mulher derribada.

Madalena: Tu é que és decadente. Tens vícios.

Teresa: Tenho. Sou viciada nos químicos da tua pele.

Teresa cheirou-lhe o pescoço profusamente. Madalena expulsou um gemido. Teresa colocou-lhe um biscoito em cima do peito e arrancou-lho da pele com uma dentada. Madalena apertou-lhe o rosto com as duas mãos e beijou-a na boca.

Madalena: Tu és uma selvagem, mulher.

Teresa: Sou o que tu me fazes. Só sei fazer amor contigo. Nunca soube com mais ninguém.

Madalena: Nunca tiveste mais ninguém. Os homens não contam.

Teresa: Nem tu tiveste. Tu só andaste a desperdiçar-te.

Madalena: Fiz pela vida.

Teresa: Tarada.

Madalena: Por ti.

Teresa: Destapa as pernas. Quero ver essas belas pernas.

Madalena obedeceu. Teresa apalpou-a. Da ponta dos pés às virilhas. Depois ficou a olhar extasiada para o sexo dela. Madalena meteu-lhe uma mão no queixo e ergueu-lhe a cabeça.

Madalena: Quero olhar para esses belos olhos azuis que me cegam e para essa boca perfeita que me escandaliza.

Depois Madalena empurrou a cabeça dela para baixo. Teresa deixou-se levar. Entrou com a língua dentro dela. Depois saiu de dentro dela e tragou-a inteira com a boca toda. Como se quisesse aspirar-lhe a alma por ali. Tirar-lhe a vida. Numa atitude suicida, Madalena deixava-se ir, empurrando-se sempre mais contra ela. Teresa apertou-lhe as coxas com os dedos. Madalena agarrou-lhe os cabelos com as mãos. E foi aqui que se deu a explosão que desmanchou o corpo de Madalena. Quando Teresa subiu para a beijar, ela chorava copiosamente.

Teresa: Isso é tudo amor?

Madalena: Sim. Isto é tudo amor. Não te quero perder nunca mais. Sou tua.

Teresa: E eu sou tua, meu amor.

Madalena: Depois de eu parar de chorar e de tu me beijares e abraçares mil vezes, quero ir para o Chiado contigo.

Teresa abraçou-a, colando-se a ela de corpo inteiro. Beijou-a também. Tudo como ela desejava e Teresa queria.

Teresa: Sim. Vamos para o Chiado, meu amor.

 

                                                                         FIM

 

 

publicado por Cat2007 às 00:18
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Outubro 30 2016

 

Os amores do passado. Parece que está tudo morto. Noto que não tenho uma relação de amizade com uma única pessoa com quem estive. E já vivi com algumas. Coisas tão intensas. E agora parece que não aconteceu nada. Vinha aqui falar sobre isto porque me lembrei do tema. Mas afinal acho que é uma seca. Na verdade, não me interessa nem um bocadinho a vida de todas essas pessoas. Como também acho que  todas essas pessoas não se interessam pela minha vida. É a vida

 

Com efeito, a maior parte, não foram verdadeiramente histórias de amor. Não foram. Mas foram paixões. Algumas muito fortes. Não obstante, quando acaba a paixão é tudo terra queimada. E isso parece não ter importância nenhuma. Pois lá voltamos à estória de que não é possivel comer um bolo sem ao mesmo tempo o perder. Até a recordação dele se apaga rapidamente. Queremos outro quando nos der a vontde de comer.

 

O que fica são processos ou estágios de aprendizagem e de crescimento emocional.  É o nosso património. O que fica são as experiencias de desejos satisfeitos.  E de outros que não foram. Ficam-nos as nossas boas razões aprendidas para ter terminado casos. Ficam-nos as tampas que levámos com todas as respetivas consequências sobre o nosso ego. Tudo processos vividos no momento. Tudo degraus que subimos. Ficam-nos as experiências.

 

Mas não nos ficam as pessoas. Concordo com isto. Não acho que seja mais uma maldade da vida que é indiferente. As paixões consomem-se, consumindo-nos concomitantemente. No fim não há mais nada a fazer ou a dizer. É assim.

publicado por Cat2007 às 15:41
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Outubro 25 2016

Olharam-se com os olhos a lampejar. Aproximaram-se muito lentamente. E, de súbito, caíram nos braços uma da outra num abraço vigoroso. Depois afastaram-se devagar e ficaram frente a frente com as duas mãos dadas e aquele brilho no olhar.

Clara: Meu Deus, estou morta de cansaço!

Riu-se para ela.

Joana: Este dia foram vários dias.

Suspirou um sorriso.

Clara: Dói-me o corpo todo.

Joana: Vem cá.

Voltaram a abraçar-se de corpo inteiro. Ficaram por uns momentos assim. A descansar uma na outra.

Joana: Estalaste-me as costas com esse teu aperto.

Clara: E não te sentes melhor?

Joana: Sim.

Joana pousou a cabeça sobre o ombro de Clara e fechou os olhos. Clara afagava-lhe os séricos cabelos louros.

Joana: A tua mãe é uma mulher infernal. Como é que ela foi inventar este jantar?

Clara: Ou melhor, como é que ela foi convencer toda a gente a embarcar num jantar destes?

Foram para a casa de banho.

Joana: Sim, ninguém ignorava que se podia passar o que se passou.

Clara. Ninguém ignorava. E a minha mãe tinha a certeza de que as coisas iam correr mesmo assim.

Joana: Toda a gente se pôs a exorcizar os seus espectros. A amostrar os seus afetos. A destilar amor e raiva, ressentimento e dor.

Estavam já na cama. Integralmente nuas. Viradas uma para a outra com as pernas intercruzadas.

Clara: Pois foi. Por isso a nossa relação também esteve na liça.

Joana: Isso foi só no fim. E valeu a pena, meu anjo.

Clara: Já não tens mais pequenas travelas a picar-te?

Joana sorriu-lhe com meiguice. E tocou-lhe levemente nos seios com a ponta de um dedo como quem está a desenhar figuras.

Clara: Que bom.

Joana: Gostas, querida?

Clara: Não sejas atrevida. Estava a falar dos teus sentimentos.

Joana: Está tudo resolvido, amor. Foste eloquente e convenceste-me.

Sorriu-lhe.

Joana: Mas tu sabes.

Clara: Sei. E também sei que me amas. Eu amo-te sem reservas.

Apertou-lhe o ombro nu. Puxou-a para si e beijou-a na boca. Estreitaram os corpos um no outro.

Joana: Só tenho forças para fazer amor muito devagarinho. Toca-me muito devagarinho.

Clara: Muito devagarinho, querida.

Joana: Assim.

E Clara ficou a tocar-lhe assim e a beijá-la suavemente com intermitências regulares. Porque tinha que mergulhar de vez em quando para dentro do mar azul dos olhos dela.

Clara: E agora, querida, posso entrar?

Joana: Sim. Muito devagarinho.

Clara entrou muito devagarinho. E saiu muito devagarinho. E entrou devagar. E saiu devagar. E entrou. E saiu. E entrou. E saiu. E saiu. E entrou. E entrou mais. E mais um pouco. E saiu e entrou. E saiu e entrou. E ficou. Rodou. Saiu. E entrou. Joana esmagava a cara nos seis dela e de punhos cerrados dava-lhe pequenas pancadas no peito.

Joana: Não acredito que tu me estás a fazer isto. Eu não aguento.

Clara entrou. E ficou. E investiu. E saiu. Rodou-lhe o corpo e ficou em cima dela. Puxou os joelhos acima e precipitou-se num beijo estendido. Depois foi beijando devagar. Tudo o que sentia pelo corpo de Joana abaixo. Incessantemente. O corpo de Joana correspondia com o versejo adequado ao ritmo que aqueles beijos obcecados imprimiam. Até que, a dado momento, ao fim de um tempo, Joana explodiu. Foi um gemido dilacerante o que se ouviu. E, por fim, Joana ficou inerte como se tivesse perdido a vida.

Clara: Meu grande amor.

Joana: Cala-te, minha vadia desgraçada. Estou a morrer. Devias pagar por isto. Pensei que te doía o corpo todo.

Sorriu-lhe.

Clara: A tua pele, o teu cheiro e a tua voz são anestesiantes. Tu sabes.

Joana: Sei.

Clara: Como achas que está a correr a conversa delas?

Joana: Acho que está a correr mal.

Clara: Porquê?

Joana: Porque o quarto da tua mãe é aqui ao lado e eu não as ouvi chegar ainda.

Clara: Pois não, tens razão. Mas achas que elas se vão entender?

Joana. Acho que vai ser muito difícil. Porque têm uma herança muito tormentosa. Penso que isso vai pesar, como tem pesado, decisivamente.

Clara: Mas não vês nada ali que as ajude?

Joana: Vejo. O amor que existe e o perdão que já foi concedido.

Clara: Então têm uma hipótese.

Joana: Sim. Uma. Creio eu.

publicado por Cat2007 às 22:26
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