CAFÉ EXPRESSO

Novembro 21 2010

 

Mas para dizer a verdade, tenho este hábito de dizer e fazer en passant. Porque tudo o que me sai é sempre melhor. Nada de ficar muito parada a pensar sobre as coisas. Sobre os objectos da acção. Nunca é tão bom. De tão boa qualidade. O melhor de mim está na inspiração. Segundo a minha opinião, claro. Estou sempre a dar a minha opinião. Mais nada. Portanto, o meu en passant, podendo ser um clássico, nada tem de clássico.

 

A propósito da inspiração, é bom inspirar o fumo de um cigarro e expirá-lo já sintetizado  pelos pulmões. E que importam para aqui os danos causados pelo processo? Tudo o que se faz na vida que importa causa danos. Temos de aprender a aceitar e a conviver com isto. E dizer as frases que as nossas avós diziam, como esta que acabei de dizer. Acresce que gosto de expirar pelo nariz também. Inspirar pela boca e expirar pelo nariz. Estou a explicar a respiração. Quando se nada. É assim como disse. Não, nunca dei aulas de natação. Apenas falo nisto para estabelecer uma relação inesperada que existe. Nadar faz bem à saúde. Fumar faz mal à saúde. O pessoal diz que é assim. Eu saio do meio do pessoal para dizer que não. Fumar faz bem à saúde. Sou uma sacana que faz rir.

  

Uma vez li na carta astral que tenho o dom de estabelecer relações impossíveis de imaginar pelo pessoal. E que,  quando as faço, nos planos em que as faço, é muito difícil não me darem razão. Para quem consegue ser genuinamente honesto, claro.

  

A minha lógica é quase metafísica. E só não se confunde com a ilógica porque nunca me perco no raciocínio. Domino-o, antes pelo contrário. Os resultados dos meus testes de QI são assustadores. Só a minha mãe não se assusta com eles. A metafísica é, nos termos do dicionário, o seguinte: "1. Domínio da filosofia que se ocupa do ser enquanto ser, isto é, dos princípios essenciais do ser e do conhecer". Devo concluir que, em parte, sou um domínio da filosofia. "2. Conjunto de reflexões que visam a explicação racional da realidade, partindo da experiência, mas ultrapassando-a, de forma a chegar a realidades que a transcendem". Devo concluir que, em parte, sou um conjunto de reflexões. "3. Busca do sentido ou significação do real e principlamente da vida humana". Devo concluir que, em parte, não sou uma busca. Não faz sentido. Busco. É isso. "4. Teoria do absoluto". Devo concluir que não faço a mínima ideia do que é o absoluto. Creio que se enganaram aqui. Pois a Porto Editora. Deviamos ter conversado antes. "5. Abstracção". Devo concluir que ok. Está bem. "6. Subtileza no discorrer". Devo concluir que isto não tem qualquer significado. "7. Estudo das  coisas consideradas como estáticas e independentemente umas das outras". Devo concluir que isto parece uma coisa dita en passant clássico. E só por isso não posso criticar para me manter coerente. Também tenho os meus en passant que não são um clássico.

  

Os pontos 3 a 7 da definição causaram em mim um certo malestar. Estragaram uma estética que eu queria. "Devo concluir que, em parte, sou". Isto era para  dizer até ao fim. Não me deixaram. Não gosto que me façam  isto.

  

A carta astral. Já li a minha. Não me lembro de nada. Só desta parte de que falei. Deram-me a carta astral sem eu a ter pedido. Li sem me conseguir concentrar naquilo. Depois guardei por um tempo. Acreditei que a poderia ler um dia com mais atenção. Finalmente, conclui que estava a enganar-me a mim própria. Os meus meus papeis estavam num caos por causa das inutilidades em papel que lhes tinha juntado. Deitei fora a carta astral juntamente com outros estudos e observações que não interessam a ninguém.

 

Houve uma altura na vida em que fiz visitas a um astrólogo. Em verdade o confesso. E um tanto envergonhada também. Andava preocupada com o trabalho. O mesmo é dizer que andava preocupada com o dia em que o dinheiro me poderia faltar. No entanto, tudo mentira. Andava realmente preocupada com a minha integridade espiritual e não sabia bem como resolver o assunto. Nestas circunstâncias é fácil convencerem-nos a ir à banca. Lá fui ver a bola de cristal materializada num baralho de Tarot.

 

 

No fim de tudo, o astrólogo era uma bicha muito bem casada com a sua Maria Helena. O que dizer disto? A ponte sobre o Tejo não está mais cheia em dia de semana. A bicha que habitava este homem era substancialmente mais extensa do que a que formam os carros diariamente sobre o rio. Disse-me banalidades e previu o meu futuro a seis meses, salvaguardada a possibilidade de tudo mudar se a minha acção no mundo se alterasse. O amor estava condenado.

 

Achei tudo um absurdo. Não havia nenhum amor na minha vida. O que vivia estava condenado nem sequer a morrer porque não existia nessa forma específica a que se dá o nome de amor. No fim, com as fotos de família que lhe mostrei a pedido, pediu-me encarecidamente que o meu irmão mais  novo fosse lá consultar-se. Porque não podia continuar com a mulher. A Inês não o compreendia. Era um Homem! Precisava de sexo. Perguntei-me pela Maria Helena. Não lhe disse mais nada a não ser: "O meu irmão já foi uma brasa, mas agora está gordo". Ouvi um grito: "Isto é um HOMEM PERFEITO. UM HOMEM A SÉRIO!". Tive que me pirar dali rapidamente.

 

Hoje queria saber o meu futuro. Se decidisse amar a fundo. O que me aconteceria? Mas não estou interessada em ouvir falar mais do apelo ao sexo. Do meu irmão mais novo. Que até já está definitivamente separado. Valha-me Deus!

 

Gosto do fado da sina da Herminia. Gosto das ciganas. Do romantismo da venda de produtos de contrafacção. Por vezes compro alguns. Porque o que muda ali na essência é mesmo o nome que não é aquele. De resto, tem tudo imensa qualidade. As ciganas são lindas, além do mais. Tenho uma na feira de Vieira do Minho. Vejo-a todos os anos em Outubro. Os olhos dela são azuis. Limpou-me as calças com guardanapos de papel que tinha guardados. Deixei cair chocolate quente dos churros. Parecia que tinha ali os guardanapos à espera que eu exibisse o meu lado desastrado. Comprei-lhe um blusão azul marinho nesse dia. Porque valia a pena. Se ela me lesse a sina do amor, acreditava imediatamente. Hoje aqui e agora. Não percebo porque nunca me perguntou. Se eu queria que me lesse a mão. Eu acredito nos ciganos.

 

Estou com aquela impressão de cliente de banca de astrólogo. Amor, saúde e dinheiro. As clássicas questões que agitam o  pessoal. Quem é o pessoal? Toda a gente qualificada de um modo despreocupado. En passant. Não há problema. É sempre fácil de ver que o pessoal não mete toda a gente. En passant? Não há crise, pois.

publicado por Cat2007 às 20:53
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Janeiro 02 2009

 

Eu. Esta sou eu. Metade de eu. A minha metade-cara. O meu lado esquerdo. Apresento-o porque sou canhota. De óculos escuros porque não me conheço muito bem. Mostro metade porque existe a outra. Metade, claro. Eu estou com vontade de mim. Por isso mostro eu. Escrevo sobre eu.

 

No "Tarot", eu sou uma Rainha de Copas. Se eu acreditasse no "Tarot". Como não acredito, esqueci-me do significado da Rainha de Copas do "Tarot". Fizeram-me um lançamento de "Tarot". A eu. Foi excelente, segundo os ditames cósmicos-energéticos das "cartas". Eu fiquei bem disposta. É sempre bom ouvirmos aquilo que queremos. No fim deste ano, todos vão ouvir falar da Rainha de Copas. É o que diz o cosmos. Tudo por causa da minha tese de mestrado.

 

Agora eu, que já andava um bocado preocupada com a tese estou muito mais descansada. Pena que, de ontem para hoje, já me esqueci porquê. Não importa. O que eu preciso é de andar mais descansada. Que é para ficar mais confiante. Sou muito desconfiada de mim. Porém, e ao que consta, a Rainha de Copas acertou em cheio no tema da tese. Ela é uma mulher poderosa e sabe, portanto, o que importa no reino. O tema da minha tese tem impacte. Ainda bem que foi ela quem escolheu. Eu, cá por mim, tive apenas um bocadinho de sensibilidade. E meti-me numa carga de trabalhos. Porque não vai ser fácil. Sei isto sem ter que perguntar ao "Tarot". Bem, mas no fim de tudo, como resultado final daquele excelente lançamento, apareceu a imperatriz. Portanto, a rainha de copas vai tornar-se imperatriz. Sabedoria, poder máximo, tudo quanto há. Enfim... É bom começar o ano cheia de boas ilusões. Contudo, como se trata apenas disso, de ilusões, só mostro a minha cara a metade. E de óculos escuros.

 

publicado por Cat2007 às 14:21
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