CAFÉ EXPRESSO

Junho 22 2017
 

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Creio que o desejo consiste na vontade de fazer amor com uma determinada pessoa, a qual é precisamente o seu objeto.

 

Quando tinha dezoito anos era bastante bonita para a idade. O que me enchia de orgulho. E de soberba também. Deste modo, só me interessava por pessoas igualmente bonitas, desprezando as outras. No meu entendimento, a beleza era suficiente para tudo e a falta dela motivava-me para nada, como se aprendeu nos livros de estórias de príncipes e de princesas.

 

Nesta conformidade, apaixonei-me por uma beleza extraordinária. E encetámos uma relação. Naturalmente, fazíamos amor imensas vezes (ao dia e à noite). E fizemos pelo tempo em que o desejo durou. E foi, pois, assim que descobri que o desejo tem prazo de duração. E que, quanto mais se consome o seu objeto, mais depressa ele se esgota.

 

E, de facto, sucedeu que me sucedeu esgotar-me primeiro. Ou seja, a minha beleza deixou de fazer efeito mais depressa. Enquanto eu ainda fiquei (não literalmente) agarrada à coisa por mais algum tempo. Pelo tempo de ser substituída, no caso, por uma hipotética bruxa feia (e por isso inevitavelmente má, pensa-se).

 

Não obstante, mais tarde, e porque apareceu o Shrek, estive terrivelmente atraída (estar terrivelmente atraído significa ter vontade de fazer amor muitas vezes) por uma pessoa que, ao que constava, não era objetivamente desejável. Até me disseram que parecia uma cobra.

 

Portanto, no meu caso (embora me pareça que também em muitos mais casos), na atualidade, as pessoas só são desejáveis subjetivamente. Concretizando, para além da cobra, já senti muita vontade de fazer amor com pessoas que terceiros podem designar por smurfs (por serem baixas) e bolas de Berlim (por serem quase redondas).

 

publicado por Cat2007 às 15:57
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Outubro 09 2016

Teresa: Tens sentido falta do meu corpo e do prazer, queres dizer.

Madalena: Sim. Porque, embora eu naquela altura o desejasse, tu não me largaste a porta. Sinto falta do teu corpo e do prazer que ele me dá. Único. Muita falta. Nuca mais dormi como deve ser. E tem sido um desconserto escrever a tese.

Teresa: Eu também sinto falta de ti. De colar a minha pele à tua. Do teu cheiro. Igualmente, não tenho trabalhado nada de jeito.

Madalena aproximou-se dela. Levou-a pela mão para se sentarem juntas no sofá sangue-de-boi. Ficaram um pouco em silêncio viradas uma para a outra de mãos dadas e as cabeças baixas. Depois Madalena falou em voz baixa.

Madalena: Porque não disseste tu à tua filha que me amavas quando ela te disse que amava a Joana. Era tão simples. Para que foste repudiá-la? E não lhe contaste nada quando ela estava a ser sincera contigo? Para que vieste aqui agredir-me em seguida?

Teresa: Querida, tu sabes. Ela apanhou-me de surpresa quando eu ia contar-lhe de nós. Do nosso amor.

Madalena: Mas o que te sucedeu foi uma crise de homofobia. Tu ali só pensaste em ti. E quando vieste ter comigo, e me tomaste, foi com raiva. Como se a culpa da Clara ser gay fosse também minha.

Teresa: Naquele momento em que ela me contou, eu odiei-me por ser lésbica. Era como se a culpa de ela também o ser fosse minha. Uma coisa hereditária. Sei lá. E, obviamente, odiei-te. Porque eu sou lésbica porque te amo. Porque foste o meu primeiro amor da vida. O único até hoje. Porque eu não estive com outra mulher. Às vezes duvido que seja lésbica por estas razões. Por seres a única.

Madalena: Sim. Dá impressão que uma pessoa deixa de ter orientação sexual quando ama. Eu sinto o mesmo. Porque, apesar de não teres sido a única, foi só a ti que amei. E amo. Mas agora, as coisas que tu fizeste, este desastre que criaste, vai dar cabo de nós.

Teresa: Não fales assim. É óbvio que eu tenho de esperar pela Clara. Mas ela há-de chegar. Há-de compreender e aceitar. Depois, teremos a vida. A nossa vida.

Madalena: Vai ser tão complicado. Já falámos sobre isso. Para já, como te disse, ela vai acabar com a Joana. E tu vais ter que aguentar as consequências disso. Neste momento, a tua filha deve estar a sentir uma raiva muito grande de ti.

Teresa: Também já te disse que ela é muito melhor do que isso.

Madalena: Espero que estejas certa.

Teresa: Porque me largaste as mãos? Porque te levantaste?

Madalena: Porque este é aquele assunto que nos fere. Estou ferida. Tu não tinhas o direito de fazeres as coisas todas mal. Comigo, não. Porque me partiste um dia. Não tens créditos atualmente.

Teresa: Não confias em mim.

Madalena: Como confiar? Tu fazes sempre tudo para nos afastar uma da outra.

Teresa: Vem cá, querida. Esquece o trauma. Finge que não há passado. Vive hoje como se nós existíssemos apenas a partir do presente. O presente corre desde o dia em que nos voltámos a amar na cama e foi maravilhoso. Vem cá.

Madalena foi. Sentou-se ao lado dela e estendeu-lhe a mão.

Madalena: Mas o presente já está como está.

Teresa: Isso agora não importa.

Teresa aproximou-se dela. Tocou-lhe nos cabelos devagar. Passou-lhe os dedos pelos olhos e pela boca. Madalena inspirou e expirou com calma. Aclamara-se pelo efeito dos atos de Teresa. Abriu os olhos. E ficou presa naqueles dois lagos profundos cheios de pontes a atravessá-los. A custo saiu deles e reteve-se sobre a boca encarnada. Inclinou a cabeça para a frente. E beijou-a muito devagar. Foi talvez o beijo mais longo que deram no presente. Os corpos conformaram-se com as emoções que se iam soltando. Madalena subiu para cima de Teresa sem nunca lhe largar a boca. Esmagaram o vente. Os seios. Partiram as mãos. Apesar da roupa. Madalena soltou-se para lhe dizer baixinho.

Madalena: Tenho tanto medo de ti, mulher.

Teresa voltou a beijá-la. Madalena deixou-se cair naquele beijo. Mais uma vez longo. Depois voltou a afastar-se ligeiramente. Falava-lhe sobre a boca.

Madalena: Isto só me vai fazer mal.

Libertavam-se da roupa com muito vagar.

Madalena: Depois vais-te embora. E eu vou ficar aqui a atravessar um deserto enquanto te espero.

Teresa: Não vais esperar muito, querida.

Madalena: Talvez nem voltes.

Teresa: Cala-te. E não pares de me beijar. Se beijas não falas, querida.

Madalena foi tomada de uma fúria amorosa. Mordeu-lhe a boca. Teresa respondeu ao golpe. Mas com as mãos. Como sempre, perderam a razão e alhearam-se das razões que lhes que lhe recomendavam que parassem. Não pararam até que que os corpos se aquietaram de exaustão.

publicado por Cat2007 às 14:50
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Setembro 19 2016

Madalena: Desde quando me apareces aqui sem telefonar?

Teresa: Fiz mal?

Madalena: Tenho trabalho para fazer. Interrompes-me.

Teresa: Aposto que era isso que dizias à miúda.

Madalena: Apostas bem. Não me posso dar ao luxo de perder muito tempo.

Teresa: Mas não penses que me vais tratar da mesma maneira.

Madalena: Eu só estou a dizer que estava ocupada. De qualquer forma, contigo é muito mais fácil distrair-me do trabalho.

Teresa: Sim. Por tua causa também me distraio do meu. Hoje de manhã tirei o dia para ti. Não vou ao escritório.

Madalena: Pois. Decidiste não ir ao escritório, não telefonas e vens aqui ter comigo. És tu que decides a minha vida, agora?

Teresa: Não é isso. Pensei que também tinhas urgência em ver-me. Não telefonei para te fazer uma surpresa.

Madalena: Porque disseste que o que aconteceu entre nós não devia ter sucedido?

Teresa: Desculpa. No entanto, o que eu disse foi que o que aconteceu entre nós foi grave. No momento, estava só a pensar na minha filha. Na minha relação com ela. Mas não é só a relação com a minha filha que me importa neste momento. A nossa também me tortura. Depois de fazer amor contigo alterei-me. Estou mais frágil. Confusa. Deixei de me comportar como a pessoa que ela conhece. E por isso estou sem moral para continuar a ser o seu exemplo.

Madalena: Que confusões que tu arranjas. A miúda nem sequer sonha com o que te anda a acontecer. Além do mais, não percebo porque razão há-de ela imitar-te em tudo. Chegaste a falar com ela?

Teresa: Não. Tive medo de me trair a mim própria. Mas sim, ela imita em muitas coisas.

Madalena: Isso é doentio. Não se pode ter uma relação assim com uma filha. De qualquer forma não se imita a orientação sexual. Que ridículo.

Teresa: Talvez. Mas essencialmente não quis que ela sentisse vergonha de mim.

Madalena: Para ela tu tens de ser o máximo.

Teresa: Não é nada disso. Eduquei-a sozinha. Tive que ser um exemplo marcante. De força, de energia, de coragem… Para ela não se perder. Mesmo quando tudo isso me faltava às vezes.

Madalena: Que dramática, Teresa. Parece que a miúda te pesa.

Teresa: Não digas um absurdo desses! A minha filha é o maior amor da minha vida. Sem ela nem sei o que faria. Eu não quero que ela seja gay. É isto. Aquela Joana é agora a grande amiga dela. Tenho tanto medo.

Madalena: Medo de quê, mulher? A Joana não lhe vai dar a volta para a meter na cama. E mesmo que metesse, a tua filha não iria tornar-se homossexual por causa disso. Se ela não é homossexual. Não é pois não, Teresa? 

Teresa: Claro que não.

Madalena: Então descansa.

Teresa: Não posso descansar. Eu ainda tenho que lhe contar de nós. Não sei como ela poderá reagir e… Sabes, entre nós sempre se disse a verdade…

Madalena: Tens que contar? Não tens nada que contar. A verdade, mas qual verdade? Nós não sabemos nada de nós.

Teresa: Fomos para a cama. E foi maravilhoso.

Madalena: Sim. Isso há-de ser sempre, já percebi. Temos uma comunicação íntima própria que, apesar de tudo o que se passou, nunca se perdeu. É espantoso. O que não temos é um grande património juntas. Nem nos entendemos em coisas fundamentais. Além disso, tu não mudaste nada. Não estás preparada para viver nada.

Teresa: Estou preparada para fazer amor contigo novamente. O resto não sei. 

Madalena: Tu és heterossexualista e homofóbica, como já te disse. Nunca vais passar daí. O que queres é uma coisa parecida com o que tivemos em miúdas. Muita cama. Mas tudo às escondidas. Ora, eu já não tenho paciência para essas coisas.  Nem estou disponível para uma relação, caso fosse esse o teu interesse, que não é.

Teresa: De facto não te estou a pedir namoro. Claro que não estou preparada. Vivi 20 anos noutro registo. Não vou alterar a minha vida toda agora. É tudo muito difícil. E tens razão. Para já, não vou contar nada à Clara. Porque não vou mudar nada.

Madalena: Como na altura não contaste à tua mãe. Só que aqui eu compreendo. Uma filha não é uma mãe. Não é necessário destabilizá-la por algo que não vale a pena.

Teresa: Ir contigo para a cama vale imenso a pena.

Madalena: Sempre a mesma hipócrita.

Teresa: Não. É que não estou a conseguir racionalizar as coisas. Sei que te desejo de uma forma… Tenho fome de ti. Não quero pensar em mais nada.  Acho que devíamos continuar a fazer amor até as coisas ficarem mais claras. Até percebermos o que queremos uma da outra. Pode ser que nos cansemos. Ou não. Pode ser que decidamos ter uma nova oportunidade. Pode ser que fiquemos amigas. Para já sei que nos desejamos. 

Madalena: É verdade.

Teresa: Então vem.

publicado por Cat2007 às 18:02
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Setembro 17 2016

Madalena: Depois da primeira, uma ou outra paixão te pode submeter. Apenas não logrará os efeitos daquela. Sobretudo os destrutivos. Em primeiro lugar, porque não terá a seu favor o fator surpresa. O teu cérebro já não se deixará levar. E a ti falta a boa vontade. Agora tu testas tudo. Garantes-te a ti própria contra a ilusão. E foi assim com a Ana. Ela entrou dentro de mim às suas próprias custas. Nem tudo nela era brilhante ou luminoso. Nem tudo era como eu gostava. Mas muita coisa era.

Teresa: Mas nós nunca testámos o nosso sentimento na tal realidade deslizante que é o dia-a-dia. Na verdade, não sabemos se ele resistiria, ao contrário desse teu amor de segunda água. Tu disseste que me pintaste das cores mais que mais te convinham.

Madalena: Tu foste uma ilusão. Portanto, tu foste uma desilusão.

Teresa: Ora, isso de novo! Dizes que a Ana entrou em ti às suas próprias custas. Que nela nem tudo era brilhante ou luminoso. Nem tudo era como tu gostarias. Então o que quer isto dizer senão que a má vontade, pelo menos no teu caso, era anterior a ela?

Madalena: Mas eu disse isso. Que já não tinha boa vontade quando ela chegou.   

Teresa: Porque não aceitar que tu embarcaste no caso por necessidade? E é assim tão difícil ver que não estavas preparada para te entregar? Não tenho dúvidas que essa Ana tinha qualquer coisa. Poi se ela conseguiu fazer-se amar mesmo contra a tua vontade. Se nem tudo era como tu querias, brilhante e luminoso, e devia ser, então é porque te estava vedado ver. Amaste-a com um amor de baixa qualidade.

Madalena: Que atrevimento… Onde queres chegar?

Teresa: Que a dor que o teu ressentimento não deixou aniquilar te lixou. Quer dizer, em termos práticos, o teu ressentimento lixou-te. Se eu não vivi por umas razões, tu não o fizeste devidamente por outras.

Madalena: Realmente, ouvir isso de ti é uma ironia. Se isso tivesse acontecido seria por culpa tua. Mas não sucedeu, descansa. O que me ficou de ti não foi ressentimento mas lembrança da dor. No mais, Teresa, ainda assim vivi muito mais do que tu. Porque tu não viveste nada. E vivi com mais qualidade. Porque o que tu viveste foi uma agonia. Santo Deus, tinhas que dormir com o Diogo!

Teresa: É verdade, querida. Tinha que dormir com ele. Queres café?

Madalena: Quero. Vamos tomá-lo lá dentro. Na sala de estar.

Teresa: A sala de estar. Gostava muito dela. Mudaram muita coisa?

Madalena: Aqui pouca coisa mudou. Vem.

Sentaram-se. Acomodaram-se no mesmo maple de dois lugares de há vinte anos. Continuava com aquele aspeto muito macio, muito penetrável. Talvez ambas necessitassem de se sentir mais aconchegadas.

Cruzaram as pernas de forma que os respetivos joelhos apontavam direções convergentes. Os de Teresa estavam expostos por baixo da transparência de um par de meias da cor da pele. Madalena usava jeans. E sorria com a chávena e o pires de café seguros nas suas compridas mãos brancas cheias de veias muito azuis. Teresa olhou-as. Aquele conjunto de veias lembrava-lhe uma raiz de árvore nova. Aliás, as mãos de Madalena podiam comparar-se com as próprias árvores no outono. “As árvores nuas da Praça de Londres”. Talvez também por causa dos dedos. Longos e finos. Que se abriam, cortando espaços, amplos espaços, enquanto ela falava. Teresa deu conta dos próprios ombros doridos. A conversa que vinham até ali atravessando desgastara-lhe os músculos que agora sentia pesarem sobre os ossos. O corpo fora atravessado pelo tempo que se comprimira demasiado para passar. Aqueles vinte anos não representavam isso no momento. Há muito que as mãos de uma e de outra não descobriam nada firme onde tocar. Num determinado instante perfeitamente isolado de todos os outros, Madalena pousou sobre o braço de Teresa, apertando-o firmemente entre os dedos. Foi o momento em que repentinamente se calaram e correram os olhares para dentro uma da outra. O tempo parou. As bocas molhadas misturaram-se. O desejo pulsava intensamente, sacudindo-lhes o corpo. Levantaram-se ao mesmo tempo do sofá. As bocas prenderam-se ainda mais quando elas pressentiram que iam começar a voar. Colaram-se os corpos por força do impulso irresistível que as levantava no ar. Perderam-se das mãos trémulas que divagavam. Teresa ouviu-a dizer com nitidez.

Madalena: Vamos para a cama.

Teresa pode imediatamente aliviar-se da carga que trazia. Mas não de toda.  

Os espaços onde as palavras ficaram ausentes eram demasiado densos. Entraram no quarto e despiram-se. Materialmente distantes. A parede despida onde a cama baixa se encostava estava iluminada pela lua redonda, expondo-se. Elas olharam para lá. E no preciso instante em que apontaram o olhar o filme começou. Sob a luz da lua, a parede branca refletia nitidamente aquelas cores mudas mas cheias de vida. As imagens não tinham som. Mas compreendiam-se os gestos perfeitos, completos. E este filme que rodava dizia-lhe que o tempo quando quer pode parar. Que os seus vinte anos não chegaram a passar. Os que tinham e os que correram. Apertaram as mãos para juntas darem um passo em frente. Na direção do tempo colorido parado na parede branca sobre a cama do quarto de Madalena. Mergulharam lá, afundando deliberadamente os corpos que iam juntos. Confundiram as imagens com os braços e as pernas. A pele. Os fluídos. Os sorrisos inaudíveis. E por fim respiraram profusamente. Mas em silêncio.

E depois o tempo rolou, escapando-lhes afinal. Deitou-se sobre a cama. A lua entretanto mudara de posição. A luz despediu-se da parede e inclinou-se sobre a cama desfeita. O ar encheu-se dos sons ofegantes. O tempo rolou sobre elas e era novo e presente.

Madalena: Estás a sentir?

Teresa murmurou qualquer coisa com sentido afirmativo.

Madalena: E a gostar, querida. Estás a gostar?

Teresa não era capaz de responder. Não se concedia liberdade. Colou a boca à dela e prendeu-lhe a língua. Para a calar. Madalena investiu por isso ainda mais sobre ela.

Madalena: Eu perguntei se estavas a gostar. Tens de me dizer.

Teresa: Querida. Eu não vou aguentar… Cala essa boca linda, por favor.

Madalena: Sabes, já não me importa que tu morras. Não me importa porque hoje posso morrer contigo. Diz-me.

Teresa: Muito.

Madalena desceu com a boca até à zona molhada e mais quente do corpo dela. Aí desfolhou em agitação as páginas do sonho, procurando por muito tempo um pequeno capítulo de um livro. Da morte. Da libertação. Sem se cansar sugava-lhe o corpo para lhe engolir a alma toda inteira. Não podia parar. Não até ela se desfazer. Buscava a suprema felicidade de ficar com ela morta nos seus braços, A única forma de jamais a voltar a perder. E de morrer nos braços dela. Para não pensar que tinha de fugir-lhe. Depois abriu as pernas para a boca de Teresa entrar. Ao abrir sentiu o corpo que oferecia escorrer sobre o rosto dela. O tempo decidiu novamente parar por um pouco, ficando desta vez fora do passado, do presente ou do futuro. Pelo momento em que as gargantas se abriram no centro da tremenda explosão que se deu. Logo depois o tempo prosseguiu no seu ritmo muito próprio.

publicado por Cat2007 às 15:21
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