CAFÉ EXPRESSO

Junho 20 2016

 

 

A esperança é um sentimento muito parecido com a fé. Porém, apenas aparentemente. A fé é uma crença irracional na produção de um evento de muito difícil concretização. A esperança difere da fé no ponto em que, sendo utilizados mecanismos racionais, ela como que fica manchada por laivos de pessimismo realista. Por isso, a fé pode levar a crença ao ponto de esta incidir sobre a possibilidade de produção de milagres. Enquanto a esperança exclui o milagre do seu espetro. Acresce que a esperança se baseia num não acreditar que constitui precisamente o oposto da crença que dá substancia à fé. Porque a esperança é uma expetativa sobre uma possibilidade diminuída de facto ou considerada diminuída.  

 

Em face do exposto, devo referir que no meu viver regular e contínuo sou uma pessoa de esperança. Racional e pessimista, portanto. E, no entanto, acredito em Deus.

 

publicado por Cat2007 às 00:07
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Fevereiro 25 2016

 

Há muitas pessoas que ficam voluntária e convictamente preocupadas por antecipação (sofrem por antecipação) em relação aos acontecimentos futuros previstos como negativos. O objetivo é que os mesmos não se produzam. É como se a preocupação fosse um instrumento que fizesse mover as coisas num certo sentido. Como se o sofrimento se confundisse com a fé. Que, como sabemos, “move montanhas”.  

 

Acresce que a pessoa também pode querer estar pronta para “o que aí vem”, sofrendo por antecipação. É como se, andasse a treinar para uma prova. No dia do acontecimento, estará preparada. Se nada acontecer, então viverá dias de alívio. Até que surja uma nova preocupação.

 

Andar preocupado é muito questionável. Porque não é pela preocupação que a coisa se dá ou não se dá. As coisas acontecem. Há percursos e motivações para os acontecimentos. E fatores que não entram nesta equação, como é o caso da preocupação, não mudam nada no processo.

 

Perante isto, mais vale ter fé, crendo que tudo vai correr pelo melhor. Porque a fé consiste em acreditar num Poder Superior capaz de nos proteger e de mudar o jogo a nosso favor. Caso tal Lhe seja pedido com fervor.

 

Pode questionar-se a utilidade da fé, afirmando que não resulta. Mas é bom não esquecer que a fé produz sempre alívio ao crente. E, neste sentido, ela resulta.

 

Eu cá gostava de ter mais fé.

 

publicado por Cat2007 às 18:15
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Novembro 19 2009

 

 

 

 

 

Há sonhos que se realizam pela entrega. Há sonhos que nascem da entrega. Há sonhos que morrem pela falta de entrega. O que interessa são os sonhos postos em prática. A entrega à tentativa. O medo pode impedir a entrega ou impulsioná-la. Pelo medo também se podem realizar sonhos. Não interessa exactamente que eles aconteçam. É bom. Deseja-se isso. Mas importa sentir-lhes o sabor pela prática. É realmente necessário praticar os sonhos. Fazer o que não se quer. Descobrir o que sonhamos. Ou encontrar caminhos. Agarrar o medo e usá-lo impunemente.  Os sonhos são as nossas principais fontes de vida. E existem para que se acredite neles.  A fé e a energia. É tudo o que temos. O resto é comprar sal para temperar a comida. Subsistência. O que é triste.

 

publicado por Cat2007 às 13:14
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Agosto 09 2009

 

 

 

 

Perdoar deve ser dos actos, atitudes ou factos que mais leveza podem trazer ao espírito de um ser humano qualquer. Porque perdoar erradica a dor. Não causa amnésia. Quer dizer, não faz esquecer o sucedido. Porém, isso não tem importância nenhuma. Porque o peito começa imediatamente a  flutuar e a cabeça a viajar por onde quer, depois de uma estadia numa espécie de cadeia de pensamentos solitários, escuros e mal alimentados. Enquanto não perdoamos, fazemos riscos nas paredes para sabermos em que dia estamos. 

 

Perdoar é o resultado de uma atitude perfeita e puramente cristã. Cristo perdoou os seus juízes e os seus carrascos. E Judas! Como é que ele conseguiu? Conseguiu naturalmente, claro. Era Cristo. Melhor e mais inteligente do que qualquer um de nós. Nados e criados antes e depois dele. É por isso que o calendário ocidental  não tem uma nova contagem desde o dia do meu nascimento.

 

De qualquer modo, pergunto-me se Cristo conseguiria sentar-se de novo à mesa com Judas. E confidenciar com ele. E incumbir-lhe missões. E sorrir-lhe com um brilho nos olhos. E abraçá-lo ternamente. Creio que sim. Cristo conseguiria isto tudo. Porque era filho de Deus. Um santo. Um protegido. Um homem que sabia que tudo acabaria bem. Para Ele tudo acabou bem. Morreu. Cristo sabia o que era a morte. Estava perfeitamente seguro de que a morte é uma coisa excelente. Especialmente para pessoas da sua excelência.

 

Nós não sabemos nada sobre a morte. Só uma fé tremenda nos pode fazer acreditar na maravilha que há-de ser. Assim, poderíamos, até, suicidar-nos á conta de tamanha fé. Mas não. Não temos direito a tirar a nossa própria vida. Ela não é nossa. Pertence a Deus que no-la concedeu. Deus vai tirar-nos a vida quando entender que é assim. Que a missão que nos destinou está cumprida. Por isso, designadamente meteu dentro de nós aquilo a que chamamos o instinto de sobrevivência. Estes são mais ou menos alguns princípios da fé, creio eu.

 

O perdão só tem caminho dentro do nosso peito quando aceitamos que é perfeitamente natural que o perdoado nos volte a fazer o mesmo mal que já nos fez. Ou coisa parecida. Perdoar é ficar em campo com um ar tranquilo e contemplativo. Com um leve sorriso nos lábios, que nos vem de uma tranquilidade profunda. Perdoar é também compreender e aceitar que, tarde ou cedo, teremos que perdoar de novo. É que há erros que por serem só isso não têm estatuto para requer perdão. Já as outras atitudes, as que são pessoais, efectivas, estruturais e constituem um padrão de comportamento. Essas... enfim, os seus autores gostariam de ser perdoados. Ou, talvez não. Depende do carácter, ou da falta de carácter, de cada um. Na verdade, perdoar é uma questão própria daquele a quem compete dar o perdão. Porque a dor maior é sua. Simplesmente.

 

Todos os demais actos de absolvição servem sobretudo para erradicar a raiva, a dor e o ressentimento que se alojou no peito. Tudo isto a seguir a seguir para longe. Do perdoado. Bem se vê não se trata aqui do perdão cristão. Chama-se a tal natural atitude meramente humana de sobrevivência humana governada pelo instinto vital. Cristo não precisava de nada de ninguém. Cristo só tinha uma missão: dar. Pelo contrário, nós precisamos de tantas coisas. Precisamos de receber. Dava-me imenso jeito ser uma santa agora. O que não sucede. Assim sendo, em primeiro lugar viro as costas e espero que o tempo atenue a dor. Quando esta dor passar a ser um sentimento menor na minha vida, vou ser compreensiva e perdoarei tudo. Apenas tal perdão não terá qualquer sentido útil no que diz respeito à situação actual. Portanto, não é, nunca será, perdão, volto a referir.

 

Eis o retrato de uma espécie de "Ground Zero". Mas alguém acredita que as novas torres do novo "World Trade Center" serão as mesmas? E as pessoas que morreram vão ressuscitar e voltar aos seus afazeres do inicialmente rotineiro dia 11 de Setembro? E as respectivas famílias? Ao que pude apurar, o novo WTC vai ser fantástico. Completamente diferente e muito mais seguro. Vai ter o esperado Memorial. As vitimas serão recordadas para sempre porque estão mortas. As torres gémeas já não existem.  São lembradas para serem esquecidas. Vão nascer umas gémeas novas, que nem clones são. O Memorial, atenua a dor. A reconstrução serve para fugir do "Ground Zero". Nova Iorque, que ficou alterada, será outra ainda mais uma vez. Nada voltará ao que era dantes. E, que eu saiba, ainda ninguém veio manifestar o seu perdão a Bin Laden. 

 

Do que fica dito a lição a retirar é: lutar para sobreviver, atenuar os danos e reconstruir para seguir em frente. Para a frente. De outra maneira. Só um lunático acredita naquilo que já não existe. Agora, também é verdade que, antes de mais, é preciso sair debaixo dos destroços, se o caso é ter ficado soterrado. o primeiro esforço tem que ir todo nesse sentido. É uma luta entre a vida e a morte, portanto.

publicado por Cat2007 às 00:45
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