CAFÉ EXPRESSO

Fevereiro 08 2017

Resultado de imagem para sair do armario

 

Estou para aqui a tentar escrever por tentativas. Já tentei por três vezes e três vezes apaguei. É que não me apetece aprofundar estruturando na escrita o que me vai no pensamento. Quando eu andava no estágio de advocacia, foi-me dito que eu escrevia bem e que isso era sinal de cabeça limpa. Intimamente, não concordei com isso. Escrever é um exercício de construção de um texto. O texto é composto de ideias e, se é Direito, basta organizar o saber. E assim se obtém uma peça jurídica. Portanto, cabeça limpa só se for quanto aos conceitos jurídicos. Aliás, quem me disse isso foi uma excelente advogada. Que, por sinal tinha a cabeça bastante confusa, à parte do Direito.

 

O meu problema, o meu problema em escrever agora, tem a ver com a necessidade sempre atual de dar corpo ao texto, conferindo-lhe alguma profundidade e um senso moral e sintético. Creio que não vou conseguir fazer isto se pegar num tema.

 

Por acaso tentei, das vezes em que apaguei, falar sobre o fenómeno de sair do armário mas não fui bem-sucedida. Só me saía que concordo com os gays e lésbicas que não querem sair do armário. Porque ninguém é obrigado a assumir para o mundo que é homossexual. Assim como também é certo que ninguém é obrigado a fica dentro do armário. Creio que toda a gente é livre de fazer o que muito bem entende nesta matéria, se não vive nos USA nos dias de hoje, que é como quem diz de Trump.

 

A questão é que não tenho vontade de prosseguir com o assunto. Até ia falar de uma lésbica que interrompeu o chá da mãe com as tias para (re)afirmar isso mesmo, que era lésbica. Ora, se as senhoras estavam a falar de outros assuntos, a que propósito se interrompe as pessoas para fazer uma declaração destas? A verdade é que, como ninguém deu muita importância ao facto, a afirmadora veio então declarar que era budista. E foi aí que a mãe lhe perguntou porque razão “não era de uma religião aqui mais perto por causa do exercício do culto."

 

Enfim, não estou capaz de escrever nada de jeito.

publicado por Cat2007 às 17:13
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Setembro 13 2011

 

 

A homossexualidade confunde. Tenho impressão que toda a gente, incluindo os próprios gays. No post anterior atendi ao cónego Joaquim da APC que afirmava a existência de “graus de homossexualidade”. Já o vídeo abaixo trata de um casamento entre homossexuais. Entre um homem gay e uma mulher lésbica. Daí o título: “Casal Gay”. Mais á frente ainda vou lembrar a eventual existência de “outros tipos de orientação sexual”, segundo a argumentação dos juristas da Presidência da República para o Tribunal Constitucional (http://ogatogaga.blogs.sapo.pt/45203.html).

 

Vamos por ordem. Sobre a ciência do referido cónego está tudo dito. Passemos então imediatamente ao “Casal Gay” do Herman.

 

Pois a Lena e o Paulo casaram. A mulher começa por confessar o seguinte: “Eu descobri há muito pouco tempo que sou lésbica… desde que comecei a ganhar dinheiro. Porque até lá era só fufa. E um dia conheci o Paulo.” Por sua vez, o marido revela que o que mais o prendeu na Lena foi o irmão, o Zé Tó. “Mas depois rapou os pêlos das pernas e eu desinteressei-me. Até que vi a Lena em fato de banho.” Mais à frente Lena informa: “Eu tenho uma menina que trabalha numa grande superfície. Estamos juntas há 3 anos.” E Paulo acrescenta que ”Eu tenho um menino que anda na Obra do Padre Rodrigues”, sendo que Lena completa: “É trolha… Aliás ele ganhou o prémio de melhor Sherley Bassey no Lugar às Novas. Isto apesar de ter uma maçã de Adão maior do que a cabeça do Piu-Piu”. Por fim, em resposta à pergunta sobre se eram felizes, a mesma Lena decide que “Não sei. Vai ter que perguntar a eles.”, confessando ainda que o seu maior sonho é ter umas mamas maiores para o Paulo.

 

 

 

 

Fartei-me de rir. Tenho que dizer. Aliás, mantenho-me com o Herman e não abro. Actualmente parece que só eu e a minha mãe. É o que me basta, no entanto. No mais, repito, a homossexualidade  confunde os próprios gays. Imagino que é isto que o Herman quer dizer.

 

Mas felizmente há mais gente a fazer humor em Portugal. E eis-nos de volta ao requerimento da Presidência da República ao Tribunal Constitucional no âmbito do pedido de inconstitucionalidade do diploma que veio a aprovar o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Neste requerimento argumenta-se que, para se poder considerar o princípio da igualdade previsto na Constituição, seria necessário “densificar previamente o conceito constitucional de orientação sexual” para saber se não existiriam “outras formas possíveis de orientação sexual”. Repito: isto saiu da Presidência da República. Pode qualificar-se, entre outras coisas, como um momento de humor involuntário pela estupidez quase cândida que irradia. Certo? Creio que sim. No mais, repito, a homossexualidade confunde os próprios gays e os demais. Imagino que é isto que a Presidência da República quer dizer.

 

Prossigo então sem mais adjectivos e inerentes delongas para a resposta do Tribunal Constitucional a esta questão concreta. E foi assim: ”Não vindo esta argumentação desenvolvida e não se vislumbrando que concretas formas de orientação sexual se tem em vista e que possam assumir foros de relevância no espaço público em ordem a justificar a consideração pelo legislador, não estão reunidas as condições que o Tribunal aprecie este argumento.” Mais: “A esta questão de constitucionalidade não interessam todas as diferenças e variações que possam existir nas manifestações hetero e homossexuais e respectivas consequências jurídicas, mas tão somente que duas pessoas do mesmo sexo possam desposar-se". É capaz de ser também humor involuntário. No entanto, provoca a plenitude do riso em virtude do elevado nível de inteligência que evidencia. No mais, parece que a homossexualidade não confunde o Tribunal Constitucional. E é um prazer ter isto para dizer. Estou com o TC e não abro. Acredito que a minha mãe também.

 

publicado por Cat2007 às 23:59
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Setembro 11 2011

“A declaração de nulidade de um casamento em que um dos cônjuges é homossexual depende do "grau" em que se encontra, disse hoje o presidente da Associação Portuguesa de Canonistas (APC).” 

 

 

 

 

Vou comentar detalhadamente algo que não merece objectivamente quaisquer comentários. Há dias assim em que nos apetece considerar sobre a estupidez, desenvolvendo para tanto um esforço estúpido. Vamos lá então. Saiu no Diário de Notícias de ontem e pode ler-se em http://www.dn.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1987302.

 

A APC “… é uma associação privada de fiéis, com personalidade jurídica canónica e civil, que cultiva e promove o estudo e a aplicação do Direito Canónico.” Esta organização “(…) foi fundada numa reunião de 40 canonistas de todo o país, realizada em Fátima, em 23 de Fevereiro de 1990.”, nos termos do que vem esclarecido em http://www.portal.ecclesia.pt/instituicao/pub/60/seccao.aspjornalid=60&seccaoid=582.

 

Portanto, o que está aqui em causa é a possibilidade de anulação do casamento católico. Pode parecer que não. Mas é importante deixar isto claro, dado que a Igreja Católica não tem descansado um segundo sobre a matéria do casamento civil e, actualmente sobretudo, do casamento civil homossexual. Assim como que a defender o direito institucional de se meter na cama dos indivíduos. De qualquer forma, a culpa é também muito de quem tem dado confiança para o efeito às instituições e representantes católicos. Lembro a este propósito e a título de exemplo que, no período prévio à aprovação do diploma sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo, um dos debates mais importantes que aconteceram na televisão contou com a presença de um padre. Refiro-me ao que sucedeu no programa “Prós e Contras” do Canal 1, apresentado pela Fátima Campos Ferreira. Ainda gostava de saber de quem foi a ideia. Da apresentadora, da produção ou foi mesmo o senhor padre quem ligou a pedir para ir?

 

Mas, voltando ao princípio, se o que está em causa é o casamento católico, não temos nada a ver com isso. Nós os outros, os que não têm nada a ver com isso. A Igreja tem direito a reflectir e a exprimir para dentro. Regras, princípios, forma de organização, programas de acção, celebrações, sacramentos, nulidades e anulações de procedimentos, etc. O que entender. Na casa da Igreja entram os que de lá são e os que são convidados a entrar. É assim em todas as casas. E esta era a primeira razão que justificava um não comentário às considerações da APC ao “graus de homossexualidade” para efeitos da anulação do casamento católico.

 

Por outro lado, já a Dolly Parton dizia que era a favor do casamento (civil) homossexual porque achava que os orientados nestes termos também deviam sofrer, nunca se referindo a cerimónias comoventes passadas dentro de uma qualquer igreja. Percebo. Queria ela dizer que o casamento é uma coisa muito séria, sendo ainda certo que os efeitos civis que se misturam com as questões pessoais das duas pessoas que resolvem envolver-se a tal nível é que realmente contam. E o que eu acho, para além de concordar, é o que disse. O casamento católico é um ritual cerimonioso que não significa praticamente nada à medida que a prática do casamento se vai desenvolvendo ao longo da vivência de duas pessoas no tempo. Duas pessoas que casaram na igreja e que podem até ter chorado comovidas perante as imagens e alegorias que decoram o templo ao som das palavras de um padre e dos cânticos encomendados. As estatísticas dizem que é provável que se divorciem. No entanto, o divórcio não está previsto no Direito Canónico, mas no Civil. Quer dizer, talvez os católicos não merecessem o direito ao divórcio, devendo eventualmente contentar-se com a anulação.  

 

E pronto. Já chegámos ao tema da anulação do casamento católico. A anulação baseada no “grau de homossexualidade mais grave”. Um tema que não merece comentários, como comecei por dizer. Vou então tentar comentar, portanto.

 

"A orientação que temos é que deve ser feita uma perícia psiquiátrica" para aferir se se trata "de uma homossexualidade prevalente ou exclusiva, ou algo de acidental", precisa o cónego Joaquim da Assunção Ferreira, que coordenou o VII Encontro Nacional sobre Causas Matrimoniais, que terminou hoje em Fátima.

 

Não sei o que significa "A orientação que temos é que deve ser feita uma perícia psiquiátrica". Talvez o cónego Joaquim se tenha pronunciado mal ou seja gralha do jornalista. Creio que se percebe a ideia. Fazer uma perícia psiquiátrica à orientação sexual das pessoas casadas pela Igreja. Bom, se estas pessoas não tiverem nada contra, não vejo porque não. Agora tenho dúvidas sobre a exequibilidade técnica do procedimento. Este tipo de “perícia” existe? Ponto. Está bem. Existe se é um exame psicológico cujos resultados devem poder demonstrar se uma pessoa é homossexual ou não. Claro que isto depende da boa vontade do examinado. É que se não depende, nunca ouvi falar em análises ao sangue para o efeito. No mais, “homossexualidade acidental” é uma coisa que deve ter a ver com um acidente. Um dia alguém, inadvertidamente, está a fazer “coisas” com uma pessoa do mesmo sexo. Depois do facto, tenta ser mais cuidadoso para não ter mais acidentes. É isto? Não sei. Vou ver o resto para perceber também os demais conceitos envolvidos.

 

Joaquim da Assunção Ferreira explica que há uma escala e que os últimos "graus" tornam a pessoa em causa "incapaz de realizar funções conjugais". Em causa estão os "graus" em que as pessoas são "predominantemente homossexuais, os só acidentalmente heterossexuais e os exclusivamente homossexuais".

 

Pois os graus. Nunca tinha ouvido falar. Eu uma psicoanalisada. Não percebo. Sei que há heterossexuais e homossexuais e que os bissexuais são aquelas pessoas que levam mais algum tempo que as demais a definir-se emocionalmente na matéria (sim, esta parte dos bissexuais é polémica, I know). Assim, as “predominâncias” do cónego nada têm a ver com orientação mas com a possibilidade que todos têm de, na prática, praticarem a sua sexualidade como decidirem. Ou seja, a orientação não depende da vontade, já a sua prática sim.

 

Pelo contrário, os "exclusivamente heterossexuais, só acidentalmente homossexuais, predominantemente heterossexuais" e os que são "igualmente uma e outra coisa" podem ser considerados como aptos para "desempenhar perfeitamente os papéis e os fins do matrimónio".

 

Portanto era o que eu estava a dizer acima. Que o cónego parece não viver neste mundo. Apto para "desempenhar perfeitamente os papéis e os fins do matrimónio" está qualquer um. Como está o próprio cónego Joaquim. Tudo depende da disposição. Que o diga um querido amigo gay que viveu 4 anos com uma mulher, tendo sido, nesse período, totalmente “casto” no que aos homens respeita. Revelou-me que aquilo era um gozo. Sexual, quero dizer. De qualquer modo, aproveito para dizer que me parece um tanto redutora esta visão dos “papeis” e dos “fins do matrimónio”. Afinal as coisas não se resumem todas ao sexo, caramba! E os padres parecem não ser capazes de falar de outros assuntos, Santo Deus!

 

Afinal, "a pessoa pode não ser um heterossexual puro, mas, se algumas tendências pouco significativas existirem, esse matrimónio certamente que se manterá", desde que o indivíduo assuma que "a obrigação dele é viver em castidade [homossexual] e corrigir", argumenta o cónego, que é também vigário Judicial do Tribunal Diocesano de Lamego.

 

O presidente da APC opina que "há a possibilidade em medicina de correção, mas não tem sido muito eficaz" porque "a natureza é muito forte", acrescentando que "o psiquiatra pode medir-lhe o grau [de homossexualidade] e receitar algo [medicamentos] que lhe permita recusar essa tendência que o próprio mostre vontade de eliminar".

 

Chegada aqui, já só vale a pena pensar na “medicina de correcção” e nos “medicamentos” para tratar o problema da orientação homossexual de grau elevado onde a “natureza” se impõe de uma forma muito acentuada à vontade da pessoa que quer actuar pelo lado do bem. Bom então o que é tenho a dizer é que… Zzzzzzzz!!!!

 

publicado por Cat2007 às 18:47
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Junho 21 2011

 

As pessoas dizem que Paulo Portas é homossexual. Não sei porquê. Ana Gomes comparou-o de um modo bastante confuso a (Dominique Gaston André) Strauss-Kahn, por vezes abreviado por DSK. Se ela se soubesse explicar bem talvez se tivesse percebido onde queria ela chegar. Mas Ana Gomes explica-se sempre muito mal. Tão mal que até chateia. Porém, é verdade que Ana Gomes não disse que Paulo Portas é homossexual. Penso que talvez pelo menos isto seja importante para o líder católico assumido do partido como menos votos da nova coligação AD. No mais, Ana Gomes fartou-se de chatear com comparações incompreensíveis. Se fosse comigo ficava chateada. Gosto de perceber os modos como me insultam e porquê. Por outro lado, no caso do insulto público, creio que é importante que o público entenda. Enfim, sou pela transparência.

 

Como disse, diz-se que Paulo Portas é homossexual. Eu não sei se é. Nunca vi nada nem ele me disse. Pois não nos conhecemos. Mas e se fosse. Se fosse é uma hipótese que se coloca porque muita gente diz que sim. E sendo sim ele é presidente do CDS e agora Ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal. Já não sei se é CDS-PP. Acho que já não é PP. É só CDS. Não importa.

 

O CDS não importa é um partido que defende, entre outros princípios, a continuidade da estrutura tradicional da família. Marido, mulher e filhos. Sem divórcio. Sem abortos. Se Paulo fosse gay, seria um enorme patriota, um católico invejável e um homem com um espírito de missão devastador. Inquestionavelmente devastador de si próprio. No mais e com menos e ainda a propósito, é de acrescentar que um homossexual pode e, para certas pessoas, deve ser um heterossexualista convicto. Pois são esses os ensinamentos.

 

Tudo tem a ver com a força dos valores. E com a coragem para enfrentar o sofrimento e a força para não sucumbir. Se PP fosse gay, estaria a sofrer muito por todos nós. E evidentemente não praticaria o acto pecaminoso jamais. Porque ama Deus e também a verdade.

 

Assim sendo, por tudo o quanto fica dito, devo concluir que Paulo Portas não é homossexual. Porque claramente ele não é assim tão bom. Mas isto, como é evidente, sou eu para aqui a escrever.

publicado por Cat2007 às 19:05
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Abril 02 2011

Encontre-se um gay no vídeo abaixo. Eu não consigo. Só vejo transexuais. Preciso de ajuda. Nitidamente. No mais que se pode dizer, prefiro não dizer nada. Para não ser redundante.

 

 

 

 

publicado por Cat2007 às 02:57
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Março 12 2011

 Nº 358 10 Mar  a 16 Mar 2011

 

 

A revista Sábado publicou esta semana em destaque um "Relato na Primeira Pessoa", de Teresa Pinto, advogada de 38 anos. Neste artigo é descrita "a vida amorosa de uma bissexual" em alguns trechos de romances vividos (http://www.sabado.pt/epapper/)

 

No fim, Teresa revela que é homossexual mas que a sua experiência reflecte a vida de uma mulher bissexual. E, quanto a mim, é este o ponto mais interessante de toda a história. Porque em Dezembro de 2010 eu escrevi neste blog um texto sobre o mesmo tema (http://ogatogaga.blogs.sapo.pt/55730.html). Reedito agora alguns extractos. 

 

"Ser bissexual é como apanhar um barco que flutua num rio situado no meio de duas estradas paralelas... Começo por assinalar que os barcos só se apanham quando não há alternativas melhores. As estradas de que falei têm nomes. Heterossexualidade (HT) e homossexualidade (HM). Assim como o rio que, evidentemente, se chama bissexualidade (BI)."

 

"... não existe a bissexualidade. A terra firme da orientação sexual é a heterossexualidade ou a homossexualidade. A bissexualidade é um passeio de barco que nos faz bem para arejar ou para nos recompormos. Podemos fazer a viagem sempre que quisermos. Normalmente, ela acontece quando precisamos. Mas, como disse, não tem consistência. Porque as coisas não se passam em terra firme."

 

Ou seja, na minha opinião, não há bissexualidade que sempre dure. Porque a bissexualidade não é uma orientação sexual. Antes, é um estado de coisas emocional passageiro. Dure lá o tempo que durar.

 

 

  

publicado por Cat2007 às 04:31
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Janeiro 25 2011

Link:  AZUL - CAFÉ EXPRESSO

 

 

 

publicado por Cat2007 às 03:12
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Janeiro 03 2011

 

 

Não sei se o meu computador teve um cena de homofobia crítica. Ou se fui eu quem cometeu aqui um erro. A verdade é que o conteúdo deste post... apagou!

 

Tentarei repor as mesmas ideias por palavras diferentes. Noutra altura. Agora vou entrar em depressão. Com licença.

 

publicado por Cat2007 às 16:16
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Dezembro 15 2010

 

 

Olá. Sou Teresa Médica Trintona Bissexual. Não, não é o meu nome completo. Para já trata-se de uma forma péssima de apresentação.

 

Creio que as pessoas não deviam começar assim quando chegam ao pé das outras. Mas é mesmo isto que todos fazem. Não como eu estou a fazer, claro. É, antes pelo contrário, sem dar nas vistas. Portanto, não dizem. Nunca dizem assim. Procuram dar a entender. Ridículo! Todas as exibições, porque o são, têm de ser assumidas. De outro modo, é um contra-senso. Pois. As pessoas adoram viver na contradição, desde que não sintam que é assim que vivem.

 

Portanto, digo que sou médica. Desejo afrontar a hipocrisia e revelar toda a falta de vergonha na cara. A minha. Mas faço uma declaração não hipócrita. Declaro que vivo como os outros. No desejo de alcançar integração social perfeita através do estatuto. Já consegui. Sim. Há muito que alcancei a integração social perfeita através do estatuto. Valha-me aqui a minha declaração não hipócrita.

 

Por quem sou? Bem, eu sou por mim e por aqueles que amo. Para além dos que amo, também sou humanitária. Daí que sou por toda a gente. Mesmo por quem não está de boa fé. Sou Teresa. O problema é que, no meio de tudo isto, Teresa perde-se. Qual é a importância de um nome quando se tem um estatuto? O nome só completa o estatuto e tem a importância que tem somente para os efeitos práticos das questões práticas evidentes. Isto soa a um leve tiro no pé. Não soa?

 

Olá. Sou Teresa Médica Trintona Bissexual. Trintona. Porque informo? Para dizer que sou bonita, ora! Tenho de o dizer porque aqui ninguém vê. É importante dar o quadro completo para aqui. Toda a gente sabe que uma mulher não pode ser bonita antes dos trinta. Bom, nem uma médica a sério, claro.

 

Uma sub-30 com potencial de interesse ainda aproveita mal a vivência dos orgasmos e sofre insuficientemente de amor. É por isso que não percebe uma série de coisas fundamentais. Aquelas que se notam no olhar incontornavelmente interessante das trintonas interessantes. A real beleza feminina só aparece depois dos trinta. Sublinho. Como acontece às flores que amadurecem e deixam de ser ternos botões. É quando fazem os trinta anos contados em anos de vida das flores.

 

Neste ponto estou a pensar em rosas. Por serem óbvias em matérias sexuais. Mas as rosas não me entusiasmam. Assim como as demais flores. Acho-as decorativas. Pode ser em casa, no jardim ou no campo. São decorativas. E entediantes quando oferecidas. Vale então a pena dizer em síntese que as flores são decorativas e entediantes. Agradeço que não me ofereçam flores.

 

Olá. Sou Teresa Médica Trintona Bissexual. “Bissexual? Como? Oh, diabo! E isso é sério? Não quer dizer lésbica? Ah, não, claro que não. Boazona como é, não pode ser lésbica. As lésbicas são deprimentes. E principalmente muito feias. Disse que era uma trintona interessante, não disse? É a mesma coisa que boazona e não se fala mais nisso. Bissexual. Pois. É, quando muito, uma devassa muito cool”.

 

Parece-me que decadência dos costumes é facilmente confundida com o chamado espírito aberto. Melhor, com o ser moderno e prá frentex. Já que tenho de falar com alguma verdade sobre a minha orientação sexual, declaro que sou bissexual. Para não cair radicalmente da aceitação abaixo. Mesmo assim arrisco. A perder um pouco da minha respeitabilidade profissional. Ninguém quer ser operado ao estômago por um médico cool. Teme que, entre outras coisas, o tipo beba demais. É muita festa, muita orgia e por aí. Imagino.

 

Do que fica dito vale a pena dizer que não vale a pena dizer o que significa Teresa. Ninguém se importa. Para aqui interessa a minha bissexualidade. Porque sou médica, bissexual e o título é esse. O que é ser bissexual?

 

Devo explicar. Ser bissexual é como apanhar um barco que flutua num rio situado no meio de duas estradas paralelas. Parece poesia, isto. Mas não é. Começo por assinalar que os barcos só se apanham quando não há alternativas melhores. As estradas de que falei têm nomes. Heterossexualidade (HT) e homossexualidade (HM). Assim como o rio que, evidentemente, se chama bissexualidade (BI).

 

Até aos 16 anos a minha vida correu sempre por HT. Desconhecia por completo o caminho HM. E nem sequer jamais reparara que passava um rio ao lado do meu caminho. Do de todos nós, para ser mais exacta. É que a estrada HT é enorme, larguíssima. Tão larga e extensa que ocupa todo o horizonte da vida que a vista pode alcançar.

 

Nestes termos, deve ter havido uma cheia monumental naquele dia em que uma miúda da minha idade me olhou pelos olhos dentro com os seus lindos olhos azuis, fazendo-me um apelo muito concreto. Só sei que senti a água a chegar-me aos tornozelos. E não estava a chover.

 

Que confusão! A necessidade de perceber de onde vinha tanta água fez-me entrar num processo de busca. Sem alternativa caminhei em direcção ao rio. E foi assim que dei pela sua existência. Espanta-me como tudo continua a parecer tão poético. Assim da forma como vou escrevendo. Paciência.

 

Verifiquei que o rio era estreito. O nome soube-o logo ali. BI. Estava escrito numa espécie de placa. Bem sinalizado, portanto. Mas era tão estreito que se via a outra margem. A outra estrada marginal. A HM. Soube depois. Não ali. Naquele momento voltei para trás. Não gostei da quantidade de barcos de passageiros que por ali circulavam. Pareciam cacilheiros. Nunca tive a ambição de viver em Cacilhas. Hum… de costas voltadas. Pois. Por um tempo.

 

Pronto. Mas os olhos azuis da miúda atrevida hipnotizaram-me. Tornei-me irresponsável pelos meus actos. Um dia apanhei o barco. Não para fazer uma travessia de uma margem para a outra. Aquela viagem era para subir e descer o rio. Tipo aquele passeio que se faz no Douro.

 

Durante dois anos, fartei-me de embarcar. Primeiro foi a menina de olhos azuis. Depois foi uma colega de turma de olhos castanhos. Por fim, uma desconhecida de olhos verdes. Apanhava o barco até elas. Depois, voltava a terra firme em HT. Porque era onde a minha cabeça me mandava estar. Clarifico que, durante este tempo não fiz sexo com ninguém. Só aproximações físicas intensas sem nunca lá chegar. Tinha medo. De enjoar talvez.

 

Até que um dia… um dia, enganei-me no bilhete. Era para atravessar. Não reparei bem. Devia estar distraída com certeza. Vai daí o barco foi mais ou menos a direito e aportou do lado de lá. Num porto de HM. Chamava-se Trump’s. Azar. Apaixonei-me pela mulher mais bonita do mundo. Que ficou presa na beleza dos meus 18 anos de primeiro ano da faculdade de medicina. As probabilidades de sucesso para nós eram ínfimas. Confirmou-se.

 

Foi uma paixão que nos tomou. A nossa vida resumia-se a fazer amor sempre que possível. Ou seja, sempre. Vida dura, pois. Que endureceu mais um bocado quando ela começou a exagerar com a porra da cocaína. Deixou-me. Não. Deixei-a. Como é evidente. Era isso ou nunca vir a ser médica. Portanto, era isso ou andar metida nos médicos para sempre.

 

Dei por mim a sofrer tanto, que comprei resolutamente um bilhete. Estava interessada em apanhar o barco BI muito depressa.  Para fazer rapidamente a travessia para HT. Logo que aportei procurei a cama do primeiro homem civilizado que me apareceu. Adormeci a meio do sexo porque estava cansada. Foram apenas uns segundos, espero. Ainda hoje não estou bem certa. Quando abri os olhos, o tipo estava a chorar. Pensei que não me faltava mais nada. Um homem a chorar! Eu a querer pirar-me das tipas e vem um gajo chorar só porque eu adormeci durante a penetração. Fiquei indignada com a vida.

 

Mas creio que, de certa forma, namorámos. Ele oferecia-me túlipas. E dizia coisas engraçadas. Resolvi ficar menos de meia dúzia de meses. Muito menos. Para aí um par foi o que fiquei. Cama só mais uma vez. E só porque tinha de o compensar. Não queria traumas da masculinidade. Por causa da disfunção sexual. Coitado. Podia vir a sofrer disso mais tarde.

 

Retornei depois a um amor adolescente. Fui para a cama com o meu primeiro namorado. O João. Um homem lindo. Masculino. Que entretanto já estava casado. Mas tinha de ser. Primeiro porque os homens sensíveis e amaricados são insuportáveis. Piores do que as mulheres. Muito piores. Dão túlipas às pessoas. Depois porque nunca tínhamos feito aquilo a sério.

 

Foi tão bom como com uma mulher. Jamais esquecerei essa noite inesperada. Aconteceu no meio de um passeio junto ao rio. Não era inédito passearmos junto ao rio e conversarmos imenso. Uma ironia que não posso deixar de assinalar. Ficámos cúmplices para sempre desde o nosso passado e gostávamos um do outro como de ninguém. Ainda hoje é assim. Sem sexo, obviamente.

 

Porém, naquela noite, foi a noite toda no meio da rua. Em vários sítios. Dentro de um contentor inclusive. Não me cansei. Não adormeci. Amei-o. No dia seguinte, estava esgotada. Não tinha mais emoções para ele a esse nível. Não me apeteceu repetir. Dei por mim vazia. Não sei porquê. Ser tão bom como com uma mulher talvez tenha sido também o problema. Sem querer, ele ofereceu-me o bilhete para mais um passeio pelo rio. Faz sentido.

 

Durante algum tempo, a minha vida foi o rio BI. Com mulheres tinha casos de namoro. Com homens sexo apenas. Observe-se que, a partir de então, os regressos eram sempre a HM e nunca mais a HT. Com todos os homens tinha que sair a meio da noite. A coisa acabava, e lá vinha a minha frase clássica. Tenho de ir. Era muito curioso. Ficavam invariavelmente com aquela cara de mulher usada. Paciência. Não me apetecia acordar para um pequeno-almoço cheio de intimidades. Nunca repeti com o mesmo.

 

Com mulheres não é possível fazer sexo sem um envolvimento. Mete nojo. Com homens, tudo é possível. Sobretudo sexo sem complicações. Quero dizer, é muito melhor fazer com um homem de quem não se gosta do que com uma mulher nas mesmas circunstâncias. Mas quando a paixão me toma, sou sempre tomada por mulheres. E, neste caso, o bom que é não tem comparação. A verdade é que, depois do João, nunca mais foi tão bom com um homem como com uma mulher.

 

Aqui chegada, verifiquei que afinal já tinha vivido com três mulheres seguidas e não ia com um homem para a cama há mais de uma década. Nem me apetecia. Ora, ora. HM. Pois então. Era o plano onde se situava a minha vida afectiva. Logo, a minha orientação sexual.

 

Tratei de resolver isto com um terapeuta. Conseguir aceitar. Era fundamental para a minha estabilidade. Ainda acreditei que chegássemos a um resultado diferente. Porém, não. Era HM. Ponto final. Acabei por ficar tão segura disto que me é possível agora olhar calmamente para o rio e ver os barcos a passar.

 

Na minha opinião as mulheres são chatas. Sou homossexual. Nada a fazer. Mas as mulheres são chatas. Nada a fazer igualmente. Não me entendo dentro daqueles planos de emotividade falseada. Ciúmes, cenas, perguntas, subvalorização do intelecto, incapacidade de teorizar. As mulheres que eu tive a sério gostam da ideia dos mineiros chilenos presos a 700m da superfície. Socorro!

 

Admito a culpa. Talvez tenha escolhido pessimamente. Não sei. Estou para ver. A questão é que, agora que conquistei a calma de saber quem sou, gosto de olhar para os homens. Admiro-os. Pela simplicidade de processos no estar na vida. A honestidade. Também sei que há muitos tão sexy como o João. Não me importava nada de dar mais um passeio de barco. Porque as mulheres não me impressionam nada neste momento. Ir a BI para voltar a HM. Penso que é assim que as coisas se passam.

 

Em conclusão, não existe a bissexualidade. A terra firme da orientação sexual é a heterossexualidade ou a homossexualidade. A bissexualidade é um passeio de barco que nos faz bem para arejar ou para nos recompormos. Podemos fazer a viagem sempre que quisermos. Normalmente, ela acontece quando precisamos. Mas, como disse, não tem consistência. Porque as coisas não se passam em terra firme. Não é possível passar a vida toda a bordo de um barco que flutua. Nem para um marinheiro experiente.

publicado por Cat2007 às 16:03
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Maio 20 2010

 

 

 

Portanto o Presidente da República não vetou. O diploma do casamento entre pessoas do mesmo sexo, quero dizer. Tinha apostado que sim. Portanto, perdi uma aposta. E, agora, só por isso, tenho que estar aqui a escrever sobre a coisa. E sobre a coisa não me apetecia nada escrever. Dizer que nao me apetecia, que é como quem diz, não me apetece, não basta, porém. Porque perdi a aposta. Então, pronto, num pequenino apontamento: se a crise financeira não fosse tão ameaçadora para a economia nacional, ele tinha vetado nos termos que eu referi. Entre a coerência de um puritano e o bom senso de um economista, Portugal ficou concentrado nas questões fundamentais. Ainda bem.

 

Ainda bem que a discussão sobre o casamento homossexual não vai ser alimentada. Como já disse noutra sede, o casamento só interessa verdadeiramente a quem se vai casar. Não importa debater publicamente aquilo que, por definição, é privado. Era importante ver reconhecido a certo grupo de cidadãos um direito que os restantes têm. Era, mesmo elementar. Por uma questão de justiça. Porque não existem cidadãos de primeira e cidadãos de segunda. Deixemos, então, o ex-cidadãos de segunda em paz. A reflectir sobre as decisões que, a partir de agora já podem tomar. Casar ou não casar. Coisas da vida privada.

 

publicado por Cat2007 às 00:32
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