CAFÉ EXPRESSO

Janeiro 17 2017

Foto de Catarina Veiga Miranda.

 

Alguém anda a dizer-me que tenho que ler três páginas de um livro. Três páginas que falam da abstinência do álcool. Por acaso tenho bastante curiosidade. É natural que tenha havido ataques de pânico. Tenho curiosidade em saber como outras pessoas, para além de mim (que há muito tempo tive disso), foram vítimas, lidaram e ultrapassaram crises de pânico.

 

Não estou a falar deste assunto para me por agora com considerações sobre o mesmo. Sobre o pânico. Apenas queria dizer que vou ler aquelas três páginas. Até porque acresce que vivi em tempos com uma pessoa que era alcoólica. Vou documentar-me mais um pouco. Embora seja certo que nunca assisti a uma crise de abstinência.

 

Não obstante o que fica dito, sempre é certo que não vim aqui para tratar de temas desagradáveis. Agora o que me apetecia era escrever sobre coisas divertidas. Certa vez, uma pessoa, que é fisioterapeuta num hospital, contou-me que lhe sucedia, por vezes, fazer manipulações a pessoas mortas. Por não ser possível aperceber-se do facto. Com efeito, eram pessoas que estavam nos cuidados intensivos. Creio que há qualquer coisa de divertido nisto.

 

Hoje de manhã passou no rádio do carro o Rehab da Amy Winehouse. Há muito tempo que não ouvia. Adorei. E fiquei a pensar (como é obrigatório) no lugar comum: o desaparecimento dela foi uma perda enorme.

 

A propósito, de manhã gosto de ir a ouvir umas pessoas que falam imenso e que dizem piadas sem graça nenhuma, bem como escolhem músicas (a maioria das músicas) que não me apetece. Creio que devia analisar isto. E analisando, concluo que me é necessário fazer o caminho para o trabalho já mergulhada numa realidade semelhante à que eu vou encontrar. Não que vá ouvir música ou alguma coisa do género. No entanto, o espírito é o mesmo.

 

Sempre detestei estar perto de gente mal-humorada. Não que tenha necessidade de estar perto de pessoas cheias de bom humor (embora aprecie bastante). Mas gente mal-humorada faz-me bastante diferença. Tendo a ficar desgastada. Logo irritável, como as crianças. Mas tento disfarçar, ainda assim. Na verdade, não vejo razão para não sermos sempre cordiais e bem-dispostos. Mesmo que as coisas não estejam a correr muito bem. Todos temos problemas. E todos haveremos de ter sempre problemas. Eu faço um esforço. Creio que, quanto mais chatices tenho, mais agradável me torno. O que faz todo o sentido. Quanto maiores os problemas menores as nossas capacidades para os resolver. Quando as coisas me fogem das mãos, dá-me para rir. É por causa do alívio de saber que não posso, logo não vou, fazer nada.

 

publicado por Cat2007 às 16:03
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Outubro 30 2007

 

 

Gostava de escrever umas coisas cheias de humor. Mas de tipo light . Não sei bem, porém, parece-me que o humor pesado dá mais vontade de rir. Vi, aliás, um filme fantástico que faz mais ou menos prova disto - o meu tipo favorito de filmes: comédias. Pois o dito filme tratava de uma senhora que matava toda a  gente que a incomodava, sendo certo que não tinha quaisquer escrúpulos em retalhar um corpo, se, por exemplo, tivesse que o esconder numa mala de viagem. Chama-se "Keep mum ", no título original. Do melhor. Mesmo!

 

Será que mum, se escreve assim: mum ? Ou é mumm ? Não. Deve ser mum. Bom, mas em português, o título é tão apatetado, que nem me lembro. Tipo aquele género para atrair alarves. Como se os amantes de comédia fossem todos espectadores de segunda. Ou como se a comédia fosse um género de terceira. Ou como se as pessoas muito cultas e inteligentes não pudessem gostar de comédia. Claro que eu não sou muito culta nem superiormente inteligente (sou apenas inteligente, concedo), e prefiro comédia. Mas isso não vem ao caso. Para o que importa, nenhum filme cómico alguma vez ganhou um Oscar da Academia. A menos que se considere "A vida é bela", como uma comédia. O que, a ser assim, também não tem grande relevo porque ganhou o Oscar para o melhor filme estrangeiro. O WorldOscar.

 

Eu defendo que o rapaz que fez a "Máscara" devia ter ganho o Oscar naquele ano. Só naquele ano. Porém, devia tê-lo ganho. A impressão que ficou é que não se dá o prémio máximo de melhor actor de cinema a um "clown", mesmo que ele divirta estonteantemente meio mundo. Ele, por seu lado, também disse logo que não havia problema nenhum. Que ia aprender a cantar para ser nomeado na categoria "melhor canção". Isto, claro, apontando para a edição do ano seguinte. Não sei o que se passou depois.

 

Gostaria só de deixar claro que o "Keep mum", nada tem a ver com a "Máscara". É de outro extracto. Mas que o Jim Carry foi bem na "Máscara", foi. E mais, eu gostei do filme. Por outro lado, o Robert de Niro devia ser proibido de fazer comédias. Não percebo se lhe pagam muito bem ou se ele é estúpido a ler argumentos. Provavelmente, tem pouco sentido de humor. Portanto, é estúpido. Não existem incompatibilidades entre uma coisa e outra. Quero dizer, entre ser um grande actor e, concomitantemente, estúpido.

  

Embora não pareça, isto leva-nos até ao Vinicius de Moraes. Gigante poeta que, como toda a gente sabe, era um enorme canalha. Quantas mulheres fecharam os olhos ardentes ao ouvir o som dos seus versos, e quiseram para si aquele homem ideal! Quantos idealistas pararam a ouvi-lo falar do Sábado, como um judeu arrependido.

 

Mas, voltando às mulheres do Vinicius - as que ele teve e as que quiseram tê-lo, todas as mulheres que o ouviram a sério: tenho um disco onde ele, como habitualmente, fala um bocado. A certa altura, neste disco, nesta faixa, diz qualquer coisa como isto: "a mulher verdadeiramente bela, tem de evidenciar uma ponta de sofrimento no olhar. E sublinha: "É, não há mulher verdadeiramente bonita sem sofrimento que se veja". Então, a mulher tem de ser sofrida para ser bela. Preferencialmente, sofrida de amor. De amor ou da traição do homem demasiado livre para lhe ser exclusivamente devoto. Tenho a certeza que todas as mulheres que amaram o Vinicius sofreram as consequências de ele não ser precisamente o que escrevia: "O amor é eterno enquanto dura". Ele criou e proferiu a frase que não era mais do que um auto-retrato. Saiu-lhe, talvez. Com sinceridade. Como ele era. Sincero e cândido. Maravilhoso bêbado! Infeliz. E deu-nos tanto. E deixou-nos tanto. Como a vida é estranhamente circular! As mulheres do Vinicius aproveitaram mais com ele, do que ele se aproveitou delas. Parece-me. Porque ele lhes terá mostrado pedaços de eternidade. Algo que ele só era capaz de imaginar, de fazer sentir, como o faz um voyer, mas não podia pessoalmente alcançar.

 

E o humor? Queria humor neste post por causa do "João" e do "Homem bom". Vejo-me a falar de amor. A ligação só pode estar no ponto em que um ou outro nos dão vontade de rir. E na questão do toque dos extremos. Ou seja, os extremos tocam-se. O riso e o choro, clarifico.

 

Por outro lado, é mais fácil ver o amor que o humor. Na verdade, na maior parte das vezes, quando não somos apanhados de surpresa, é preciso que nos convençam a rir. Fazer rir é muito difícil. Até porque o alvo está convencido de que não vai achar piada. Já o amor, está em toda a parte. Love is all around ". Pois, nas músicas, nos filmes, na publicidade e nas pessoas. As pessoas precisam de amar. Logo amam. Aquilo não é exactamente amor. Logo, ignoram o facto. Um gay deu um depoimento ao Daniel Sampaio onde confessava que tudo aquilo que sentia, nos cinco minutos em que se enfiava com um perfeito desconhecido, numa casa de banho de um centro comercial, constituiam substancialmente uma explosão de um amor enorme sublimado pela negação da sua própria orientação sexual. Daí ser tão viciante. Com certeza! Não me peçam, por favor, para ser compreensiva com coisas destas. Uma mulher leva todos os dias duas bofetadas e dois pontapés do marido. Para não ficarmos com um número par (quatro), que me incomoda (vá-se lá saber porquê), a mulher recebe sempre também uma cabeçada. Apesar de tudo, de tudo isto, não deixa o marido. Por amor. A sua auto-estima está ao nível do soalho. Logo, ama. Tenho pena, compreendo, mas custa-me a aceitar. É diferente do gay, não é? Em princípio, ele tem prazer directo. Não prazer retorcido. Enfim, ele só disse que tinha sexo. Acho que ninguém lhe batia. Assim, sou compreensiva com ela, e não com ele.

  

Por falar em sexo, reflectindo, descobri há pouco tempo que a idade está directamente relacionada com os preconceitos de índole sexual. Quanto mais novo mais conservador! Talvez toda a gente soubesse disto. Eu, por mim, não tinha visto bem a coisa. Mas é verdade. Pensei no meu próprio caso, e está tudo confirmado. Aos dezoito anos, a pessoa confunde um orgasmo com uma náusea. Aos dezoito anos, modernices, modernices, só mesmo nas roupas, nas musicas e em tudo que se possa lançar mão para parecer diferente. Logo, integrado. Aos dezoito anos, somos muito ignorantes. Logo, arrogantes. Aos dezoito anos, se tivermos algum tipo de substância aproveitável (belo físico, portanto), o prazer que damos, se damos, é aos outros. Mesmo sem querer, saber ou imaginar. E isto segue assim, quase igual até aos trinta. Depois, vem a revolução liberal. Ou seja, aos dezoito anos, estamos como a história até ao século dezoito. Depois disso, é o que se sabe. O liberalismo. O positivismo. A revolução tecnológica. A globalização. Enfim...

 

publicado por Cat2007 às 21:45
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