CAFÉ EXPRESSO

Março 08 2017

Foto de Catarina Cabral.

 

Nos países anglo-saxónicos, os doutores são apenas os médicos. Já no Brasil, por exemplo, doutor é qualquer um que tenha muito dinheiro, licenciado ou não. Em Portugal, doutor é qualquer pessoa que tenha uma licenciatura.

 

Mas a verdade é que, quando uma pessoa termina a sua licenciatura, basicamente sabe muito sobre aquilo que estudou (pelo menos é o que se espera) e muito pouco sobre a vida. Relativamente ao curso de Direito, o que não se sabe, desde logo, é trazer o direito para a vida. Ou seja, não se sabe fazer nada, não estando sequer pronto para ir para uma caixa de supermercado.

 

Logo que terminei a licenciatura, entrei para uma sociedade de advogados antes dos prazos estabelecidos na Ordem para início do Estágio. Assim, estive a aprender com antecedência um bocado sobre como se articulavam as coisas. Os livros com a vida e a vida com os tribunais.Com efeito, os tribunais também não são a vida, devo dizer.

 

Nos tribunais não se aplica o direito à vida. Aplica-se o direito às provas. E é por isso que só por acaso é que se faz justiça em tribunal. Isto foi-me logo ensinado. “Em tribunal, ganha quem tiver as melhores armas, e não quem tem razão. As armas são as provas. E as provas não demonstram a realidade dos factos, como vem escrito no Código Civil, antes revelam os factos que é possível demonstrar na precisa forma em que a demonstração é feita”.

 

Porque as pessoas temem sempre a injustiça que se faz nos tribunais, bem como a demora dos processos, tentam sempre chegar a um acordo. Ontem foi feito um acordo extrajudicial que beneficiou mais uma das partes. E este acordo foi conseguido porque se chamou insistentemente senhor doutor a uma pessoa que não tinha uma licenciatura. É também certo que se utilizou a expressão “o abraço do urso”. Ora, o abraço do urso “se aperta esmaga”. Quem acabou por ser convencido que podia ser esmagado, cedeu. Quem cedeu foi o “senhor doutor”.

 

publicado por Cat2007 às 12:22
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Junho 27 2012

 

 

Para o comentador, esta reforma devia ser "feita em tempos de vacas gordas".

 

 

Apesar da simpatia, há muito que o professor Marcelo Rebelo de Sousa me entedia solenemente,envergonha ou deixa perplexa. Pelas coisas que diz, pelos mil livros que anuncia semanalmente (muitos são folhas verdadeiramente arrancadas às árvores), pelo folar que uma vez ofereceu em direto ao Júlio da TVI, pela capa da Única do Expresso onde apareceu com uma corôa de rei na cabeça e com uma pose a condizer que só visto

 

Pois designadamente MRS está cada vez mais especializado em fazer comentários banais sobre todos os assuntos, independentemente da importância dos temas.  E portanto, vem dizer hoje que a reforma do mapa judicial "é tardia e veio na pior altura": http://noticias.sapo.pt/nacional/artigo/reforma-do-mapa-judiciario-e-tar_4132.html. Assim sendo, ninguém percebe porque acrescenta que é "necessária", sendo que a altura só é má porque "as reformas fazem-se quando há dinheiro". 

 

Não necessita comentários.

 

 

publicado por Cat2007 às 15:24
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Novembro 08 2009

 

Quando iniciei o estágio de advocacia, alguém muito competente instruiu-me nos seguintes termos:

 

1 - Em tribunal não há justiça. Ganhas ou perdes, se tens, ou não, as melhores armas e as sabes usar. Para nós e para os nossos clientes, o que importa é ganhar. A verdade e a justiça não interessam. Se acontecerem é um acaso. E nesse caso, óptimo, desde que ganhemos, pois está claro.

 

2 - Nós não estamos aqui para nos envolvermos com as pessoas. É muto importante não desenvolver afectos pelos nosso clientes, caso contrário perdemos a objectividade e acabamos a prejudicar toda a gente.

 

3 - Todos os clientes chegam aqui cheios de coisas para dizer. Por um lado, estão com problemas, e querem desabafar,  por outro, acham que têm que enunciar detalhes que consideram muito importantes e, por fim, vêm ainda com algumas sugestões na manga para nos guiar no nosso trabalho. Bom, têm exactamente cinco minutos para dizerem isto tudo. Findos estes, colocamos o nosso relógio em cima da mesa, e esclarecemos quanto custa uma hora de consulta e em seguida lembramos que não estão no padre, no psicoterapeuta ou no astrólogo. Depois começamos nós a fazer as perguntas que interessam. Indicamos os factos que precisamos que existam, ainda que não existam exactamente, e pedimos provas para eles. Terminamos a conferência dizendo que, a partir daquele momento, devem esquecer o problema porque este  passou a ser nosso, e não deles.

 

Por mais anos que viva, não me esquecerei destas coisas. São verdades incontornáveis. Não é frieza nem mercenarismo. É, antes pelo contrário, lealdade profissional. Esclarecendo, um juiz não é um ser todo-o-poderoso que pode julgar como muito bem entende. Está amarrado à lei e às provas. Por muito que tenha feeling, jamais vai decidir com base neles. Portanto, ou há provas ou adeus. Não vale a pena ir chorar para tribunal. 

 

E tudo isto porque em breve poderei voltar a ser advogada...

 

Daqui para baixo fica um enorme espaço em branco que não se nota. Era para ter sido preenchido com as coisas mais que eu ia dizer. Mas não disse. 

 

publicado por Cat2007 às 14:34
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