CAFÉ EXPRESSO

Dezembro 15 2016
 
Resultado de imagem para maria joão pires

 

Fiquei a pensar que a fotografia do macaco no post anterior pode dar lugar às interpretações mais diversas e causar alguma apreensão sobre a relação do símio com o tema. O que sucede é que não sou grande coisa a escolher imagens e lembrei-me do macaco porque o meu amigo ali mencionado falou de calos no rabo do macaco, sendo que este era ele. Assim, confesso que detesto a foto em conjugação com o tema. Não obstante, não a vou retirar porque não sei o que haveria de pôr ali.

 

Ainda a propósito do tema da maturidade, gostava de deixar claro que, sendo verdade que aquela está ligada à idade, sempre é certo que não se trata de virtude de pessoas idosas.

 

Posto o que antecede, deveria agora falar de outra coisa qualquer. No entanto, para já, estou aqui a comer umas bolachinhas com cereais. E vou agora abrir um iogurte líquido. Na verdade, o meu almoço foi uma maçã. Daí que está tudo explicado.

 

Gostaria de falar um bocadinho sobre música. Ao dizer isto, ocorreu-me a Maria João Pires e Mozart. Uma conjugação perfeita. Há uns meses estive a estudar insistentemente alguns assuntos complexos, tendo contado com a ajuda de ambos aqueles. Sem dúvida que a música altera o estado de espírito. E não o estado de alma. Porque a alma é a energia vital e o espírito é a forma que essa energia assume dentro de nós. Inalterável em alguns, muito poucos, aspetos. Modificável em quase tudo. Mas isso, sendo verdade, não tem nada a ver com o facto de o espírito ter estados. Os estados do espírito são os seus humores, os quais são, por natureza, inconstantes. E é aqui que a música entra. Mas também podem entrar outras coisas designadamente gritarias, implicações e barulhos.

 

publicado por Cat2007 às 15:27
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Julho 24 2011

 

Caraças, não recuperou! Amy Winehouse. Morreu (http://www.publico.pt/Cultura/uma-vida-de-tropecoes-ate-a-queda-final_1504518). A vida não é definitivamente como Hollywood nos quer fazer crer. É jovem. Tem um talento incomparável. E tanto ainda para dar. Está na mó de baixo. Luta com problemas gravíssimos. Drogas duras e álcool. Uma imensa montanha para escalar. Por pouco não morre. Mas at the end, in extremis, escapa. E vai fazer dezenas de discos maravilhosos. Como o Back to Black que contém o fantástico Rehab escrito por ela. Parece que a letra é autobiográfica. Perante os factos ninguém duvida. At the end não escapou. Um dia ainda dou por mim a frequentar o King, o Nimas e a Cinemateca. Só.

 

Antes de mais, é capaz de ser justo dizer que Winehouse é o nome artístico de uma arrogante que por isso o terá escolhido. Imagino. Apesar de ser o nome de família. Bem entendido. Porque, na verdade, ela decide: “I’m gonna lose my babe/ So I always keep a bottle near”. Rehab é autobiográfico. Pois. Por isso dificilmente conseguimos afastar a ideia de uma morte inconscientemente anunciada pela própria logo a abrir o êxito. Aparentemente, Amy Winehouse acreditava que estava acima do vício. O erro classico do toxicodependente que não voltará. Veja-se:

 

They tried to make me go to rehab/But I said 'no, no, no'/Yes, I've been black, but when I come back/You'll know-know-know/I ain't got the time/And if my daddy thinks I'm fine/He's triedto make me go to rehab/But I won't go-go-go/I'd rather be at home with Ray/I ain't got seventy days/'Cause there's nothing/There's nothing you can teach me/That I can't learn from Mr. Hathaway/I didn't get a lot in class/But I know it don't come in a shot glass/The man said "why do you think you're here?"/I said "I got no idea./I'm gonna, I'm gonna lose my baby,/So I always keep a bottle near."/He said "I just think you're depressed,/Kiss me here, baby, and go rest."/I don't ever want to drink again/I just, ooh, I just need a friend/I'm not going to spend ten weeks/And have everyone think I'm on the mend/It's not just my pride/It's just 'til these tears have dried.

 

De facto, a vida não corre como um argumento do cinema americano de grande audiência. Assim, as coisas nem sempre acabam bem. Isto deixa uma pessoa indignada. A esperança vendida por Hollywood é um logro. Eu não queria. Pensei que apesar da estúpida declaração de intenções que escreveu (“pró rehab é que eu não vou”), não podendo, Amy podia mudar de ideias. Sou infantil e acho que ela não tinha o direito de nos fazer isto. Que era obrigada. Como se dependesse dela. Como se fosse obrigada a ter a força necessária. Quem tem um dom é especial. E não é só para cantar e compor.Tem de ser para tudo.

 

Sinto a baba a escorregar pelo canto da boca por causa da chupeta que não largo. Vou pensando que as pessoas que têm em si muito para dar aos outros deviam estar impedidas de morrer. Pelo menos não antes de darem tudo o que tinham para dar. Podia ser Deus a instituir esta proibição. Sim. Isto parece uma espécie de nazismo do kindergarden. Não sei. Sei que as crianças tendem a nutrir este tipo de sentimentos.

 

Em Outubro do ano passado escrevi sobre a soul music e o R&B, o campo de Winehouse. Dizia então o seguinte: “Entre ontem e hoje, ouvi cada música dos 5 cds [de uma coletânea chamda Soul Train]. Em conclusão, nunca mais perco esta minha mania de recorrentemente recorrer ao autoflagelo... Tantos rugidos a cheirar a álcool e metais revoltados a abrir, destruiram quase irremediavelmente o meu sistema nervoso. Acrescento ainda que o melhor que a Tina Turner fez na vida foi separar-se do Ike. Portanto, ainda bem que o homem lhe batia. Para a motivar a dar o passo decisivo, quero dizer.” (http://ogatogaga.blogs.sapo.pt/52306.html). Mas antes disso, noutro post, dizia que “Ela [Amy Winehouse] é mesmo talentosa. O disco dela é verdadeiramente genial. Os prémios que ganhou foram efectivamente merecidos. Compro o próximo, se ela não morrer antes de o fazer. Vê-la ao vivo está fora de questão porque ninguém pode garantir que ela apareça ou, aparecendo, que faça o que lhe compete. Fazer o que lhe compete, passa, em primeira linha, por não deprimir e assustar as pessoas.”  Acrescentei ainda: “E estou preocupada com ela. E REAB é uma boa ideia. Desde o inicio que se viu logo que era.” (http://ogatogaga.blogs.sapo.pt/26520.html).

 

A primeira vez que ouvi a música estava distraída a conduzir. Rehab. “Olha, este soul esgalhado não é esgalhado do género cacofónico. Acho que vou abrir uma excepção. Dado que a cabeça não me dói. Tiraram o ruído lateral. Assim sabe bem. Sabe ótimo.” Depois  pensei melhor. “Tiraram o ruído lateral? No no no. Não tiraram nada. A música é de agora. Mas… é de agora ou é uma versão actual de uma antiga que eu nunca tinha ouvido? Bem… é excelente. E esta voz… é um tipo, certo? Um tipo negro. Extraordinária voz. Perfeitamente integrada na música produzida pela feliz conjugação do som de todos os instrumentos utilizados.”.

 

Mais tarde venho a saber que se tratava de um original criado e interpretado por uma rapariga inglesa. Ia com uma namorada da altura ao lado. Mais uma vez no carro. Disse-lhe: “Ouve bem esta música. É genial. Não é menos do que isso. Genial!” Observo uns olhos esbugalhados e uma expressão vazia. “Não achas?” Os olhos eram esbugalhados. Não estavam. Era mesmo feitio. Senti-me impelida a insistir. Assim como quem quer trazer alguém para a luz. Espírito de missão, portanto. “Isto é um trabalho incrível. É uma mulher que está a cantar. E foi ela quem escreveu. A tipa conseguiu recrear o soul. Modernizou-o sem lhe tirar a essência. Não é retro. É uma originalidade. Uma recreação que é uma criação… Não estás a ver a importância disto?”. Não. Não estava. Desisti.

 

Posteriormente ainda tive de a aturar a fazer comparações com a Joss Tone no dia do Rock in Rio. A Joss Tone portou-se muito bem. E Amy foi o descalabro que se sabe. Mas o que é que uma coisa tem a ver com a outra? Bom, a raiz do country e da soul. Creio que lá muito para trás têm um pezinho em comum. Mas é só. De qualquer modo, aquela namorada nem isso sabia. E assim se começam os processos. Aqueles em que as namoradas começam a transformar-se em ex-namoradas. Mesmo quando ainda não está nada decidido.

 

Estava cheia de saudades da Amy Winehouse. Não percebo como foi ela fazer uma coisa destas. Ainda de chupeta na boca. Eu.

 

 

 

publicado por Cat2007 às 19:58
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Janeiro 22 2011

Pois o título diz tudo. Não vale a pena abrir, se não é o caso de partilhar deste amor. Nunca abrir a porta a elementos potencialmente enervantes. Este é o meu lema. Mas não é o meu caso neste caso.

  

  

 

publicado por Cat2007 às 15:26
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Janeiro 17 2011

  

natalia

 No jornal Público de 29 de Junho de 2010 foi feita uma espécie de biografia de Natália de Andrade(http://www.publico.pt/Sociedade/natalia-de-andrade-a-cantora-iludida-que-pensava-ser-diva_1444383?all=1).

 

Mas na verdade fiquei mesmo presa numa declaração da própria feita numa entrevista cujo excerto está publicado em http://nataliadeandrade.com.sapo.pt/entrevista/entrevista.html “Depois da minha mãe, eu sou a maior cantora lírica do mundo. Callas? Quais Callas, quais carapuça!”. Eis o segredo que fundamenta o fenómeno. A fórmula: paixão, crer e não querer saber. Creio.

  

Observe-se a "Quais Callas, quais carapuça!" a cantar a Habanera da Carmen de Bizet. É outro mundo dentro do mundo. Não o mundo de Natália, que é de um mundo claramente fora do mundo concebível.

 

 

 

 

Na verdade, a primeira vez que ouvi Natália foi numa discoteca. Uma discoteca com onda, segundo os conceitos gerais. A música estava tum-tum-tum/gbum-gbum-gbum/tum-tum-tum.

  

 

 

De repente o DJ muda tudo. Desliga as luzes. E mete alternativa a abrir: Natália de Andrade. Nem mais nem menos.

 

 

 

 

Tudo parado. Tudo a olhar em volta. E finalmente para cima. Quando as coisas nos ultrapassam tendemos a olhar para o ar à procura de uma explicação.

 

Fiquei a ver os ferros e os cabos e as lâmpadas do tecto. Enquanto a voz me penetrava o cérebro receptivo graças à vodka. As primeiras apresentações resultam sempre melhor sobre pessoas relaxadas. O álcool é um excelente relaxante.

 

Como sabemos, as perguntas que dirigimos para o céu raramente têm resposta. Porque a maior parte das soluções possíveis estão no ponto da sua origem. Na terra e em nós.

 

No termo do efeito surpresa, fiz então o que me mandava o bom senso. Baixei a cabeça e olhei para dentro. Senti-me a gostar muito do que se estava a passar.

 

Natália de Andrade escandalizava-me. Cantava Verdi. Na magnífica voz que tinha para cantar como cantava. No som do disco adivinhava-se a expressão, os gestos, a entrega. Ela. Absolutamente única. Portanto inimitável.

 

Creio que não é difícil ficar preso ao fascínio de uma raridade. A raridade da "voz de cristal portuguesa", como a própria informava.

 

 

 

 

Bravo! Bravo! Bravo!

publicado por Cat2007 às 16:34
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Janeiro 13 2011

Pardon, mais je l'aime.

  

  

 

publicado por Cat2007 às 01:08
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Dezembro 25 2010

Alguém me disse um dia que os "Queen" ou se amam ou se odeiam. Não sei de onde vem isto. Também não pode ser assim. O ódio tem imensa força. Creio. Talvez tanta ou mais que o amor. Se soubesse o que é exactamente o ódio poderia falar com certezas. Assim, sei lá do que estou a falar. Penso que, seja lá como for, isto é bom sinal. Não saber exactamente de que trata o ódio. Só pode fazer bem à saúde

 

Por outro lado, a que propósito se odeia bandas de música? Não é um bocado estúpido isso? É estúpido. Sim. Os cantores e os demais músicos não vivem na nossa casa. E os que vivem assumem uma particular forma de viver. Entram e saem em formatos portáteis ou pela rádio e televisão. É só fazer turn off. Ou basta atirar um disco pela janela.

 

No momento em que não for possível atirar um disco pela janela, devemos compreender que temos dentro de casa, a ocupar a nossa vida, uma "força de bloqueio". É viável chegar a odiar uma força de bloqueio. Imagino. Mas não é os Queen, ora. Para que se fazem tantas confusões então?

 

Quando era uma pessoa pequena ficava doida com "Os Marretas", caraças! Detestava. Agora sei que isso se passava porque aquilo não era coisa para a minha idade, e só havia dois canais de televisão. Depois, com o tempo, aprendi a amar. Talvez ao mesmo tempo que os Queen.

 

 

Mas não perdi a lucidez. Ninguém ama bandas de música.

 

 

 

 

 

 

Ninguém ama sapos de boneco manipulados por actores. Ninguém ama peluches de sapos de boneco que nada fazem na vida. A não ser a apologia de dinâmicas de shows de televisão que são um êxito. Eu tenho um "Cocas" original. Veio de New York town. Por vezes ajeito-o na minha almofada da cama. E coloco o braço por cima. Ponho o Tony Bennet a tocar. Eu ouço. Ele não.

 

 

 

Feliz Natal.

 

 

 

 


publicado por Cat2007 às 13:30
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Novembro 07 2010

 

 

Pergunta de desenvolvimento.

 

Com base nos conhecimentos que adquiriu nesta disciplina, comente de forma sintética o seguinte excerto:

 

"Agora eu vou cantar para... as pessoas de alma bem pequena, remoendo pequenos problemas, querendo sempre aquilo que não têm. Para quem vê a luz mas não ilumina as suas mini certezas, vive contando dinheiro e não muda quando é lua cheia. Para quem não sabe amar e fica esperando alguém que caiba no seu sonho. Vamos pedir piedade, Senhor piedade. Para essa gente careta e covarde."

in Blues da Piedade/ Cazuza.

 

Resposta:

  

A melodia não é encantadora, como a maior parte daquelas que o autor compôs não são. Porém, algumas são. E quando são, emocionam. No entanto aqui o que importa  são as palavras. Falar delas de forma sintética não é possível. Sintético era o Pessoa. E já está morto.

 

O comentário será feito com base nas emoções. Serão ditas as emoções desencadeadas pelo que o autor disse.

 

A alma é a energia da vida e o espírito é a forma interna que a vida assume, ao passo que o corpo consiste na configuração material da nossa existência (Mann, Thomas, "José e os seus irmãos").

 

As pessoas de alma pequena têm-na assim porque passam a maior parte das suas vidas a ocupar voluntariamente  as respectivas cabeças com pequenos problemas. Com impossibilidades várias. Eventualmente transitórias. Mas sucessivas. Logo infindáveis.

 

Só pensam em obter aquilo que não têm. A alma é do tamanho que é porque a forma dos seus espíritos apenas lhes permite pensar como pensam. Nas impossibilidades sobre promoções, aquisições e exibições. A alma está presa. Caiu numa armadilha montada para feras de grande porte. Agora está à espera que a levem para um circo ou para um zoo. Para a vida vulgar, portanto.

 

Vemo-las todos os dias sem pagar bilhete. São milhões. A sua energia sufoca-nos. Por isso é grátis como a poluição. E adoece-nos igualmente. Das vias respiratórias. Também tomamos Xanax por causa delas. Se tivéssemos de pagar bilhete, podiamos reclamar o preço dos medicamentos. No entanto, como o espectáculo é interactivo e somos, por isso, envolvidos no show, nenhum tribunal nos daria razão.

 

Há outros que vivem a pensar no que têm. Estão de olhos postos no deve e haver, bem como nos resultados liquidos. Mesmo que não tenham contabilidade organizada. Por não serem uma grande empresa. Ou por não serem empresa nenhuma. Por vezes levantam a cabeça. Mas desinteressam-se rapidamente da luz do novo cenário. Da luz mística da lua cheia nos dias em que ela aparece. Tão perfeitamente adequada a impulsionar paixões. Fecham a janela e abrem os papeis. Concretamente, os extractos das contas bancárias. São poemas de contabilista que concluem pelas "mini certezas". Alteram o estado do espírito. Dentro do significado dos números. Que não atinge a alma que pena, mas já não se agita. Está conformada. Flácida e sonolenta como os grandes felinos em cativeiro.

 

Não é arriscado dizer que qualquer dos tipos descritos não sabe amar. E afirmar também  que "gente" que se enquadra neles não está interessada nisso. Nisso do amor. Estes que se lixem, e vão de férias para Varadero.

 

Mas há os outros. De "alma pequena" que querem. Mal hajam estes. Pela descomunal distância entre o que são e aquilo que a sua carência deseja. Sonham mal. O mesmo que não sonhar. Mal hajam porque fazem o mal. E não importa se é por mera incapacidade. Os sonhos são por definição irrealizáveis. Segui-los leva-nos mais perto do melhor de nós. Faz-nos bem. Mas persegui-los... Uma perseguição aos sonhos é o que faz "quem não sabe amar e fica esperando que alguém caiba no seu sonho". Persegue os sonhos dos outros. Dos que sabem muito justamente sonhar. Amar. 

 

Quando levados, enredados, nestas falsidades obtusas e inócuas os sonhadores sofrem. Porém, no fim são sempre eles que acabam a dizer com o coração "obrigado por ter se mandado", conforme as palavras do autor do excerto em comentário. Mais uma melodia pouco emocionante onde, no entanto, o que contam são, como sempre, as palavras.

 

 

 

 

 

publicado por Cat2007 às 00:43
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Maio 11 2010

 

  

 

 

"Something in the way she moves...". Isto é dos Beatles, mas eu pretendo ignorar o facto. As músicas dos Beatles que eu adoro, nunca gosto quando são eles a cantar. É assim. Para mim, claro. Para os demais, é como os demais quiserem.

 

Por outro lado, o Tony Bennett canta isto, o "Something", como ninguém canta para mim. Não meti a vírgula de propósito. Podia ter escrito: o Tony Bennett canta isto, o "Something", como ninguém canta, para mim. Mas, se tivesse feito assim, não significaria que ele canta para mim. E era isso que eu queria dizer.

 

E porque cantará ele para mim? Em primeiro lugar, porque eu sinto assim. Em princípio, podemos sentir as coisas mais diversas. Aliás, não podemos sentir. Por definição, os sentimentos não podem ser impostos. Embora sempre possam ser provocados. Mas isso é outra coisa. Assim, é melhor dizer: uma pessoa sente as coisas mais diversas. No caso, e sublinhando, sinto que o Tony Bennett canta o "Something" para mim. Além do mais, também considero isto perfeitamente natural porque, quando ouço música mesmo a sério, nunca está ninguém comigo. Portanto, toca o "Something", e só estou lá eu. Logo, só pode ser para mim. Isto tem lógica. Não tem? Claro que tem.

 

Tenho de dizer que não há nada pior do que ir passando na vida por várias vidas, e ir deixando um livro aqui, um disco ali... Não posso com isto! E acontece-me, mesmo assim. É péssimo!

 

Tenho a Shirley Bassey a cantar o "Something", mas não é a mesma coisa. A mulher não canta o "Something" para mim. Creio que já escrevi por aqui que a Bassey só canta superiormente duas musicas. Uma delas chama-se "The greatest performance of my life". E não por acaso, a outra não me ocorre agora. Mas  ninguém mais devia poder cantar "The greatest performance of my life". Isto, se o mundo fosse feito à minha medida.

 

Porém, o que importa é que o meu disco do Tony Bennett com o "Something" ficou em algum lado há muito tempo. De vez em quando, lembrava-me disto. Do "Something" só para mim. E doía-me. A perda. Eu sou assim com os livros e os discos, também com a cola zero e o chocolate preto, embora noutro registo, claro, e com a roupa, ainda noutro plano.

 

Pronto já tenho o Tony Bennett a cantar o "Something" para mim de novo. Entretanto, passei a musica para o Iphone! Agora ouço sempre que quiser. Sempre que estiver sozinha.

 

Gosto de estar sozinha. O que é muito diferente de estar só, como se sabe. Só, não. Não gosto de me sentir só. E só em raros momentos da vida tal me sucedeu. É verdade: não há muito muito tempo, cheguei a sentir-me realmente só. Agora não. Paro já aqui para detectar um disparate. O disparate do "não gosto de estar só". Mas alguém gosta? Bem. Vou fazer uma pausa..............Pausa terminada. Prosseguindo, importa não confundir a tristeza com solidão e a expectativa com abandono. Solidão e abandono poderão ser sinónimos, se quisermos. Tristeza e expectativa, também. Mas, definitivamente, a dor, na maior parte dos casos, não é um sintoma de solidão. E, muitas vezes, é um sinal inequívoco de crescimento. Se for possível contornar com êxito o "síndroma de Peter Pan", chega-se ao ponto em que se percebe que crescer é bom. Essencialmente porque dá muito jeito. No fundo aprende-se a pôr convenientemente em prática aquele verso do Jorge Aragão "Levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima". E compreende-se muito melhor porque é que o Micheal Bublé anda a repetir o Sinatra quando canta o "That's Life". 

 

Neste momento estou a ouvir o "Brass in pocket" dos Pretenders. Gosto do refrão. Gosto realmente muito do refrão. Vejamos: "I´m gonna use my arms/ i'm gonna use my legs/ I'm gonna use my style/ I'm gonna use my fingers/ I'm gonna use my my my imagination/ Cause i'm gonna make you see/ There's no one here/ no one like me/I'm special/so special...". Não que eu própria me sinta especial no sentido mais imediato do termo. Antes, pelo contrário. Sei perfeitamente que não existem pessoas especiais, em termos objectivos. Somente dentro de perspectivas subjectivas. A musica é "up". Musica e letra. Pela energia da musica e letra. Pelo poder da voz daquela mulher também. Contudo, no sentido mais mediato e subjectivo do termo, ou seja nos termos da letra, i'm special. Disto não tenho dúvidas.

 

Agora vou falar no "Smile". Porque é o título muito propositado que eu escolhi. E deixei ali em cima no sítio próprio. Pois também recolhi o "Smile" para o Itelefone. Vou deixar aqui um bocadinho da letra. Só para que tudo, afinal de contas, faça sentido. Porém, antes, devo dizer que não sinto tanto que esta musica seja cantada para mim pelo Bennett. Há quem o faça muito melhor do que ele, designadamente o Sinatra. Portanto, o "Smile": "Simile though your heart is aching / Smile even though it's breaking ... Smile and maybe tomorrow / You'll see the sun come shining through for you...".

 

Devo referir que fiz esta descoberta fantástica. O Ipod do Iphone. Sempre lá esteve, como todos sabemos. Eu... bem, eu nunca tratei do caso devidamente. Queria, mas não tinha tempo, e tal. Eu nunca tenho tempo, e tal. Agora, com o bocadinho de tempo que não tinha, e tal. Fiz algumas coisas com interesse. Para mim, obviamente. Pois  ripei CD's meus e pesquisei música na internet. Encontrei! Verdadeiras surpresas. Não nos meus CD's, claro. A maior e melhor de todas, de todas as surpresas, tenho de dizer isto... foi a própria Lady Gaga. Exacto! Digo isto em choque ainda. Porém... a versão acústica do "Poker face" é something! Ela canta muito. Nada a fazer. Depois, há uma outra música... "Again, again", que começa assim: "You gotta gotta a lot of nerv coming here". Vale a pena ouvir. E não vale a pena dizer mais nada. 

 

Também enchi a aparelhagem do itelefone com a Nelly Furtado. Gosto dela. Muito. Sem surpresas. É linda de um bom gosto (divino?) raro. Tem um talento especialíssimo para compor. E uma voz ma-ra-vi-lho-sa! Haverá uma montanha de gente a discordar de mim. Certamente. E depois? Já passei essa fase. Agora estou mais numa de "Manos al aire".

 

Musica. Essencialmente, é do que tenho estado a falar. Ou talvez não. Talvez não. Por outro lado, sim. Há umas coisas que não se desenvolvem bem sem outras.

 

De qualquer forma, e para o que importa, eu e os auscultadores estamos inseparáveis. Mesmo durante as horas de trabalho. Diria mais, especialmente durante as horas de trabalho. E não é que o trabalho está a correr muito melhor? Outra descoberta!

 

No mais, estou de auscultadores neste momento também. É bom estar sozinha com esta companhia toda.

publicado por Cat2007 às 19:12
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Março 29 2009

 

 

 

Ontem fui ao Meco para ver se ía à praia. Tenho esta mania. Aos sábados os judeus descansam, eu vou para o Meco passar o dia todo (até à noite negra). Em termos latos, não se pode dizer que não tenha mesmo ido, mas, tecnicamente, não fui. Basicamente, tive que fugir daquela esplanada com vista para o mar porque fiquei com os ouvidos cheios de areia.

 

Uma hora depois estava nas Amoreiras a comprar o bilhete para ver o novo filme da Julia Roberts: "Duplicity". Ao intervalo estava de saída. Deste modo, não vale a pena acrescentar mais nada.

 

Por outro lado, se todas as pessoas tivessem o mesmo senso de humor, era excelente. Excelente para mim, que tenho imenso sentido de humor, e desejava que toda a gente compreendesse isto. Mas não. Acho que há diversos tipos de sentido de humor. Claro, provavelmente, não é o mesmo humor. Não temos todos o mesmo sentido de humor. É uma pena, insisto. Por exemplo, há quem se ria imenso com as piadas dos "Malucos do Riso" (SIC). Pessoalmente adoro o "Boston Legal" (Fox Crime) e a "Anatomia de Grey" (Fox Life).

 

É engraçado, eu que achava que não existia o filme favorito, a música favorita, o actor favorito, a série favorita. Acreditava que as pessoas só diziam estas coisas para se sentirem, e sobretudo, se mostrarem "special". E continuo a acreditar, de resto. Mas afinal, sempre  tenho que reconhecer que existem as séries favoritas.

 

Por falar em artes, estive a ouvir a Sherley Bassey (é um disquinho que tenho aqui). Um bocado metálica, a voz dela, concedo. No entanto, poderosa no ponto certo para me emocionar com "The greatest Peformance of my life" e "This is my life". Ninguém pode cantar estas duas coisas melhor do que ela. Já o "What's now my love" fez-me sentir saudades do Sinatra.

 

Nunca mais rodei os meus discos do Sinatra. Isto é grave. Estou-me a afundar. Literalmente. Não por causa do Sinatra, mas pela música que já me esqueço de ouvir. A música muda a vida das pessoas in a daily basis. Estou lixada, portanto... por enquanto e momentaneamente.

 

publicado por Cat2007 às 20:20
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Março 06 2009

 

Simone e Zélia Duncan

 

 

Imagino que a Simone e  Zélia Duncan sejam amigas. Hoje vou ao Campo Pequeno confirmar. Porém, estou um bocado preocupada porque, com excepção das touradas, nunca fui ao Campo Pequeno ver nenhum espetáculo musical. Claro, já me garantiram que estarão lugares colocados na própria arena, de forma que a minha terceira fila é um bom lugar. Um lugar onde se vem bem tudo. Estou a confiar. Enfim, Amigo é Casa, mas se for para ver ao longe, eu perfiro ir à FNAC comprar um DVD e ver em casa, pois claro. Estava para comprar bilhetes para a primeira fila, mas como a Marisa no Coliseu me deu cabo do pescoço, resolvi que era melhor não.

 

Segunda feira já tenho que ir trabalhar. Estou um bocado apreensiva. Perdi o hábito de me levantar cedo. Basicamente, é isso que me custa: acordar às 8 da manhã. Ninguém merece. No mais, nada mais me incomoda. Bom, na verdade, incomoda-me chegar a casa cheia de sono.

 

Agora terei de continuar a ler imenso quando chegar a casa. Em português, francês e inglês. Por incrível que pareca, é mais dificil ler em portugues. Em português não se inventa nada, o que existe são reproduções das ideias dos outros. Dos outros que são estrangeiros. Apenas tais reproduções têm de original um acréscimo de complexidade na forma de expôr, que dá um cansaço mortal.

 

Bom, mas isto também não é um grande assunto. Estou para aqui a falar destas coisas como quem está sem ideias para dizer mais nada. O que é verdade. De toda a maneira, devo acrescentar que sou um "bicho do mato". E esta é uma das razões pelas quais conduzo depressa demais. É como se estivesse a fugir das pessoas. Conclui isto na minha última sessão de terapia.

 

E este assunto leva-me de volta ao meu carro. Pois, não sei, afinal, talvez  fique com ele. Juro que me decidi mesmo pô-lo à venda. Mas tive um aperto no coração. Ainda não estou preparada para me separar deste autêntico sorvedouro de rendimento. Sou um bocado idiota, eu sei.

publicado por Cat2007 às 19:03
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