CAFÉ EXPRESSO

Junho 22 2016

 

Gostava de escrever alguma coisa com alguma piada. Mas sei que não vai acontecer. Há pouco estava um tanto melancólica e travada de pensamentos. E fui ouvir umas sinfonias de Mozart. Fiquei mais bem-disposta. Entretanto, o disco acabou e resolvi colocar Chopin nos meus ouvidos. Neste momento estou com Chopin nos meus ouvidos. E acabou-se a boa disposição. São os Noturnos. Até estou a ficar um bocadinho angustiada. No entanto, já passou para ai uma meia hora e eu não tiro o disco. Parece que gosto de sofrer. Porém, agora que estou a dizer isto, e vejo a estupidez, decido que vou já tirar e voltar às sinfonias. Só um momento. Pronto. Já está. De facto é outra coisa. É para cima. Plena de energia. Faz lembrar o sol e passeios ao sol e a rir. Se não fosse o Mozart, eu não estaria aqui a escrever. Como se depreende do que atrás ficou dito. De qualquer forma, não tenho muito mais a dizer por agora. Pelo que vou ficar por aqui.

 

publicado por Cat2007 às 23:31
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Fevereiro 12 2016
 
 

 

Pois comprar discos. Continua a apetecer-me. Como o SPM ainda não passou. Porém, creio que uma coisa não tem a ver com a outra. Querer discos novos é desejar novas aventuras. Porque a música altera as emoções. Uma pessoa precisa de uma banda sonora para a vida. Senão é tudo como nos filmes do Manoel de Oliveira. Que têm música mas parece que não. Nos períodos em que nos esquecemos de ouvir música tudo parece mais monótono e chato. Era isto que eu queria dizer quando me referia aos filmes do Manoel de Oliveira.

 

No carro é sempre melhor ouvir música pop conciliadora. Esta é aquela que entra logo no ouvido e tem uma melodia atraente com uma voz bonita. Não pode ser uma grande seca como a maior parte das músicas das bandas com nomes estranhos que são convidadas para os festivais de verão, tipo Summer Fest não sei o quê 2016. Estou, portanto, a falar dos festivais do próximo verão. No meu carro funciona muito bem a Valerie da Amy Winehouse, por exemplo. Sobretudo quando ando sem capota. Coisa que também ficará para o verão.

 

Já música clássica é preciso ter cuidado. Em princípio, não ouvir. Uma vez vi um tipo num descapotável preto enorme super topo de gama a ouvir uma peça que podia ser de Chopin, embora não um dos noturnos. Entenda-se que o homem estava sem capota. Parado num sinal que nunca mais abria a verde. A música estava alta. Uma vergonha. Hoje em dia, quando penso nisso, ainda me questiono se vi e ouvi bem. Parecia um sonho.

 

Sobre o jazz no carro, também não é muito aconselhável. É preciso ver que uma pessoa é logo transportada para um bar e um par de copos. Fica-se numa dualidade de sensações. Por um lado, é necessário estar alerta para enfrentar com sucesso a violência do trânsito. Por outro, apetece deixar ir, embalando nos sons, soltando amarras.

 

No outro dia ouvi um senhor do futebol a dizer que “o Homem é dialético. Tem o seu interior e o seu exterior”. Chamavam professor ao homem. Se a dialética é, numa das suas aceções mais comuns, um debate de ideias diferentes, onde um posicionamento é defendido e contradito logo depois, conclui-se então que o Homem é constituído por duas ideias (o interior e o exterior) que estão sempre em debate para ver quem é que tem razão.

 

Para o que importa, está resolvido que no carro, pelo menos durante a semana, é para ouvir pop, sendo ainda certo que, durante a semana, não se anda de descapotável a caminho do trabalho ou do trabalho para casa. O descapotável também é dialético porque pode ser com capota ou sem capota.

 

publicado por Cat2007 às 17:48
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Outubro 21 2013

 

 

Quando se está com a cabeça pouco viva é mais difícil escrever. É claro que não é a cabeça que abranda. São as emoções que se desajeitam. As emoções são muito poderosas e é por isso que, uma vez, desajeitadas se enrolam e se sobrepõem umas às outras formando um grande nó.

 

Quando há nós é uma chatice. Uma pessoa quer puxar pela linha e ela para inapelavelmente num certo ponto. Temos que parar nós também para ficar ali a desenrolar aquilo. Assim sucede também com as emoções.

 

Esta semana no Expresso o Padre Tolentino Miranda escreveu sobre o perdão. O texto dele andava à volta da necessidade de perdoar para nosso próprio bem, entendendo que quem nos fez mal tem muitas atenuantes.  As suas fraquezas. Como nós temos. O texto era ótimo mas sem novidades.

 

Eu acredito no perdão que vem com o tempo. Com o tempo, as nossas emoções vão-se alterando e a nossa versão da realidade vai sendo mudada. Com o tempo é natural e humano acabar por perdoar. Com o tempo, perdoar não dá muito trabalho. No fundo este é o perdão do Padre Tolentino. Deve ser este, quero dizer. Teria que reler o seu texto agora para me certificar.

 

Não há nada melhor do que uma boa música e pouca gente num sítio onde quem nos serve seja invisível.  Eu cá, não tenho ouvido música nenhuma. É claro que a música do rádio ou da aparelhagem do vizinho não conta. Repito, portanto, que não tenho ouvido música nenhuma. Eu gosto do jazz dos meus discos.

 

publicado por Cat2007 às 18:12
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Julho 16 2012

 

Senhoras e Senhores, à parte a pequena parte chauvinista, eis:

 

 

 

 

Chorei
Não procurei esconder
Todos viram, fingiram
Pena de mim não precisava
Ali onde eu chorei
Qualquer um chorava
Dar a volta por cima que eu dei
Quero ver quem dava
Um homem de moral
Não fica no chão
Nem quer que mulher
Lhe venha dar a mão
Reconhece a queda
E não desanima
Levanta, sacode a poeira
E dá a volta por cima

 

É só isto.

publicado por Cat2007 às 15:59
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Novembro 13 2011

 

É que eu gosto especialmente. Estava lá. Gosto da forma como se interpreta esta "Loucura". E mais coisas.

 

 

 

publicado por Cat2007 às 19:53
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Maio 19 2009

 

 

 

 

Mas porque é que todos nós temos Amália na voz? O que quer isto dizer? Cantamos todos bem? Dentro de cada português existe um grande fadista? Porque não damos todos espectáculos em Paris, Milão, Tóquio ou Nova Iorque? O que é um fadista? Quem é Amália? Onde é que está a graça? A Graça, por acaso, fica perto de Alfama. Amália nasceu em Alfama. Não foi? Eu sinto-me mais perto de Portugal quando vou a Alfama. Acho que tenho que ir lá muito mais vezes do que vou.

 

O que é ter Amália na voz? É difícil. Ando por aqui às voltas, e só consigo imaginar uma resposta. Ter Amália na voz é ser português porque Amália era o maior exemplo disso. Nova dificuldade. O que é ser português? É melhor voltar à Amália. Esta mulher enorme! Nós, portugueses, somos enormes? Talvez, embora baixotes. Mas a Amália. É enorme. Tão grande que até nos ultrapassa na capacidade de entender o que é só para sentir.

 

Creio que se, porventura, fosse possível ninguém saber o nome de Amália, ela seria de uma enormidade atroz, ainda assim. Amália era o talento apuradíssimo na pessoa. Pronto.Eventualmente, sei o que quero dizer daqui em diante. Mas tenho que ir ali pôr um disco a tocar. Da Amália. É que não me quero enganar em nada. O que não é possível. Não. Antes do disco, tenho que dizer o seguinte: Amália não era fadista! Amália poderia cantar superiormente qualquer coisa.

 

Amália era do mundo. E esta é a primeira componente da definição do ser português. Não sei porquê. Porque somos assim. Talvez seja do Atlântico, aqui estendido à nossa frente, juntando os mundos sem querer. Não sei porque somos do mundo. Promíscuos. Não compreendo a nossa lucidez verídica. A real indiferença ao diferente. O desejo de meter sonhos e almas  na misturadora. Não sei porque somos tristes, carentes, pequenos e frustrados. Invejosos! Amália não era assim. Era só triste. E carente. O que serve para estabelecer perfeitamente a identidade  entre nós e ela. Mais a língua. O português. E o Atlântico. E Alfama.

 

Estou a ouvir o disco. De momento, ela canta a Gaivota. De facto, isto não é fado. Não pode ser só porque se impõe ali a guitarra portuguesa, tão perfeita e sempre aflita. Não se ouve um único tom "agimbrado" a sair daquela voz impossível. Da voz de Amália. Não deve ser fácil ser assim tão dotado. Percebe-se a sua infelicidade.

 

Não sei se alguém alguma vez falou nisso, na sensualidade que transpira do canto de Amália. Nunca ouvi uma conversa destas. Talvez não estivesse atenta. Alguém já deve ter falado nisto. Há certas coisas que ela canta que não poderiam ser sexualmente mais envolventes do que um ambiente de cabaret. Há picante e há pecado. Há decadência e ternura. Promiscuidade. Não é a música. Não são as palavras. É a voz. É o poder a imensidão de um espírito que, sem querer e crer se auto transcende, cria e se espalha. É a sexualidade. A vida. Uma luz fosca num candeeiro requebrado. Um cigarro. Uma bebida. A pele. As mãos. A sexualidade. A vida. Tudo na voz de Amália.

 

Ela dizia que era fadista. Ela sabia o que era o fado. Definia-o como um estado de alma consonante com todos os sentidos e com o mar cheio de sal. A voz de Amália é um barco onde navega uma pega alemã. Um personagem feito por Dietricht. Amália é um Fassbinder mais completo. Se Amália é fadista, então ela mudou o fado. E, assim, eu já gosto muito.

  

publicado por Cat2007 às 16:46
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Maio 19 2009

 

 

 

 

 

 

 

Quando era pequena não gostava de fado. Nada! Como qualquer criança saudável. Aliás hoje, se tivesse um filho de 7 ou 8 anos e o apanhasse a ouvir fado com enlevo, creio que entraria em pânico, assim para começar

 

Em princípio, o fado é uma grande chatice choramingas ou, então, musiquinha de faca na liga. E, depois, se é cantado, como costuma ser, por umas vozes rufionas de mãos nos bolsos ou se sai de gargantas desafiadoras de mão à cintura e chinela no pé, bom... (do fado de Coimbra e do fado dos pró-aristocratas, tipo toiros e garanhões na lezíria, não vou falar porque não me apetece).

 

As crianças gostam de música. Arrisco-me a dizer, de quase todos os géneros de música. Porém, de fado...não. As crianças não gostam de fado. Como disse, eu não gostava de fado. Creio, mesmo que ficava nervosa, impaciente, talvez, até, instável, quando ouvia fado. As crianças que vão cantar à Grande Noite do Fado são, para mim, um mistério incontornável. Já os adultos, enfim...

 

Recordo a propósito, no momento, o fabuloso Vasco Santana aos gritos na Canção de Lisboa: "abaixo o fado! Morra o fado!", e etc. Como eu me diverti! Achei que ele estava a sério. Parecia a sério. No fim (do filme) ele cantou o "Fado da Anatomia" (creio que é assim que se chama) e eu, mesmo pequena, achei aquilo, de algum modo, bonito. Talvez tivesse acreditado que não era fado. E talvez, de certa forma, não fosse. É que não era monótono nem melancólico-depressivo.

 

Na altura, não avaliei. Mas é bem evidente que o Vasco Santana não era um grande cantor (como não o são a maioria dos fadistas). Já a Hermínia Silva, até o poderia ser (uma grande cantora), mas não era extraordinária ao divino. Era apenas divinal. No mais, o Santana não é recordado como fadista (o que é muito justo) e a Hermínia é a grande fadista do faduncho . Mas grande. Sem dúvida. Esta mulher, teve o enorme talento de tornar o faduncho audível e apreciável. Para mim. Muito apreciável. No mais, a Hermínia não é recordada como actriz (o que faz todo o sentido).

 

publicado por Cat2007 às 16:39
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Junho 01 2008

  

 

Até hoje estou incrédula com o espectáculo da Amy Winehouse no Rock in Rio. Inesquecível! Estava mesmo para escrever sobre isso. Porque estou realmente incrédula, como disse. Mas, afinal, não me apetece. Ela é mesmo talentosa. O disco dela é verdadeiramente genial. Os prémios que ganhou foram efectivamente merecidos. Compro o próximo, se ela não morrer antes de o fazer. Vê-la ao vivo está fora de questão porque ninguém pode garantir que ela apareça ou, aparecendo, que faça o que lhe compete. Fazer o que lhe compete, passa, em primeira linha, por não deprimir e assustar as pessoas. Eu fiquei muito deprimida e assustada. Agora tenho muita pena da Amy Winehouse. E estou preocupada com ela. E REAB é uma boa ideia. Desde o inicio que se viu logo que era.

 

publicado por Cat2007 às 18:55
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