CAFÉ EXPRESSO

Dezembro 22 2010

 

Viver sem roupa, dentro de certas circunstâncias e determinados contextos e condicionalismos, ajuda à melhoria da nossa saúde física e mental. Porque esta melhoria está directamente relacionada com a plena integração das pessoas na natureza. Estar nu é estar integrado na natureza. Estar integrado na natureza faz bem à saúde física e mental.

 

 

É verdade. Veja-se o que está estabelecido na Lei n.º 53/2010, de 20 de Dezembro, que define o regime da prática do naturismo e da criação de espaços de naturismo. “Entende-se por naturismo… o conjunto das práticas de vida em que é utilizado o nudismo como forma de desenvolvimento da saúde física e mental dos cidadãos, através da sua plena integração na natureza”.

 

Como as exigências da vida em sociedade não permitem que se exercitem práticas saudáveis assim em qualquer lugar que apeteça, e apesar do valor da saúde em si, a lei tem de definir onde se pode andar nu em público. Podemos, portanto, andar totalmente despidos designadamente em “praias, piscinas, recintos de diversão aquática, spa, ginásios, empreendimentos turísticos, estabelecimentos de restauração ou de bebidas e demais espaços, que cumpram as disposições previstas na presente lei”. Já vou dizer que disposições são estas, mas para já…

 

Para além das praias, são também “lugares naturistas”, entre outros, as piscinas, os recintos de diversão aquática, os spa, os ginásios, os empreendimentos turísticos e os estabelecimentos de restauração ou de bebidas. Não sabia. Bem, sobre as piscinas já tinha lido qualquer coisa em tempos. Quanto aos demais places… hum… verifico que existem muitas coisas que eu não sei.

 

Apesar da falta de cultura geral evidenciada, informo, ainda assim, que não sei o que dizer. Por causa da apreensão. É que só me ocorrem argumentos de ordem prática ligados a questões de higiene, por exemplo. Igualmente, penso nos empregados dos spa e dos restaurantes. Também estão nus? E os instrutores de fitness nos ginásios? Por acaso, no caso dos ginásios, é obrigatório levar ténis? Pergunto por causa dos pesos livres. Podem cair em cima de uma unha do pé. Também há o problema de correr na passadeira. Tudo descalço? Bom, talvez se trate aqui de ginásios adaptados. Mas não acredito. Mesmo assim, o ridículo de estar nu com a toalha de treino ao ombro jamais poderá ser contornado. Embora a lei também não tenha esta função. A de acautelar o ridículo.

 

Bom, e sobre a promiscuidade sexual? Sabemos que aumenta as suas possibilidades na proporção inversa em que a dimensão física dos espaços onde se encontram várias pessoas nuas diminui. Não tenho nada a ver com isso. Estava só a dar nota para quem tenha interesse.

 

Por outro lado, não entendo como é que, por exemplo, ir vestido comer a um restaurante não é “uma forma de desenvolvimento da saúde física e mental dos cidadãos, através da sua plena integração na natureza”, se comer um peixinho gralhado sem roupa já é.

 

Trata-se apenas de um desafio lógico que aqui deixo. Nada mais. No mais, não sei para que se continuam a tecer considerações valorativas desnecessárias nos diplomas. Assim como quem quer justificar o que não percebe. Acontece imenso e irrita e cansa. Em primeiro lugar, se vem uma lei regular as coisas assim é porque as coisas já se passam de facto assim. Ponto. Não compreendo porque é tão difícil aceitar factos. Crus. Nus. E regular.

 

A nova lei diz ainda que as praias devem oferecer, “pelas suas condições naturais, a possibilidade de eficiente sinalização” e “estar a “distância suficiente, em regra não inferior a 750 m do mais próximo aglomerado urbano, estabelecimento de ensino, colónia de férias, convento ou santuário em que, ainda que de forma intermitente, seja celebrado culto religioso, exceptuando-se os casos em que a existência de barreiras visuais permite salvaguardar a privacidade destes espaços”. Já os empreendimentos turísticos, estabelecimentos de restauração ou de bebidas, piscinas, recintos de diversão aquática, spa e ginásios autorizados para a prática de naturismo”, devem estar “devidamente sinalizados nos respectivos acessos, através de afixação de indicação, escrita ou figurativa, de espaço de naturismo”. Conclui-se, assim, que certas formas de promoção da saúde das pessoas, como é o caso do nudismo, chocam a sensibilidade dos  cidadãos em geral e muito em especial a de alunos, professores, pessoal auxiliar da educação, membros do clero e crentes.

 

A lei não prevê regras especiais sobre a higiene e a segurança. Portanto, as questões atrás levantadas sobre fitness e restauração ficam sem resposta. Parece-me que a sinalização dos espaços é que é o traço mais importante de todo o diploma. O objecto essencial da regulação. Não sei. De resto, informo que a cena é muito turística. E se é turística tem a ver com o mar. Portugal e o mar. O Atlântico. Já por isso me lembrei do vídeo lá de cima.

 

publicado por Cat2007 às 16:09
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Setembro 27 2007
 
 

 
É importante saber isto. Ou, também, se há vida noutro planeta qualquer. E quanto custa o bilhete. Saber da temperatura das águas. Se o alojamento, para além do obrigatório conforto interior (que inclui, evidentemente, televisão, aparelhagem de som, telefone e computador ligado à Internet), tem jardins e piscinas. Se o ar condicionado funciona. A qualidade do SPA. Onde se pode ir beber um copo. E as possibilidades de arranjar sexo (o, até, de arranjar o sexo). E a praia é deserta? Mais importante: saber se as pessoas de lá só falam e actuam no estrito acordo da medida das nossas necessidades pessoais.
  
A busca do paraíso sem homens (homens e mulheres, claro) no sentido clássico do conceito (de homem – e de mulher, claro) parece impor-se. Porém, como é claro, o que queremos é fugir todos uns dos outros. Porque o inferno somos nós. O que é, do ponto de vista pessoal, totalmente inaceitável
Talvez, de alguma forma, assim se justifiquem as práticas nudistas. Uma tentativa de evasão. Porém, está bom de ver (literalmente) que os nudistas nada mais conseguem senão evadir-se das próprias roupas –  até porque nunca se esquecem de levar o jornal ou outro objecto de utilidade análoga, como um par de raquetes de Beach não sei o quê. No fundo, o que eu não compreendo é a razão de ser de estar nu na praia com um chapéu na cabeça.
 
Se não estamos noutro planeta, eu não concebo ficar nua na praia em estado de permanência (durante as horas em que lá esteja, quero dizer). De outro modo, não me vestiria para entrar no carro e voltar para casa. Deveria atravessar a ponte (sim, porque as praias de nudismo situam-se na margem sul do Tejo, como se sabe) e enfrentar nua o tradicional trânsito do”garrafão” 25 de Abril (ex-Salazar) igual à de S. Francisco, Califórnia. Devia, em seguida, sair nua do carro e entrar em casa. Posteriormente, vestir-me-ia para tomar banho. Em seguida despir-me-ia para sair. Poderia ir jantar fora e entrar pela noite de Lisboa (animada, por sinal), por exemplo, sempre nua. Voltando a casa, deveria vestir-me para fazer amor. Ora bem! Vestir-me para fazer amor. Aqui está um exemplo do fenómeno do eterno retorno! Nos velhos tempos, ou nos tempos dos velhos fazia-se amor vestido, afastando alguns tecidos para cima ou para o lado. Seria quase como uma espécie de reedição dos clássicos. Muito culto.

  

publicado por Cat2007 às 10:00
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