CAFÉ EXPRESSO

Março 13 2017
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Estava a pensar no sentido da vida. E, claro, ocorreu-me o filme: The meaning of life dos Monty Python. Basicamente este filme diz-nos que não existe um sentido para a vida. O que existe são objetivos de vida. E que são dois: procriar e ganhar.

 

Não existe Deus. Só o Big Bang. As pessoas nascem e morrem sem pedir. Assim, pelo meio, têm de viver. Viver é, portanto, uma imposição. Deste modo, não se concebe que as pessoas comecem por gostar de viver. Assim seria de pensar que, logo que ganhassem uma consciência, as pessoas poderiam suicidar-se em massa. Sucede que cada um nasce com aquilo que é designado por instinto de sobrevivência, pelo que estão impedidas de fazer uma coisa destas. E é também o mesmo instinto que lhes ordena que procriem. Procriar é um processo que tem como fim último eternizar os genes.

 

As pessoas sabem que, salvo qualquer incidente inusitado, têm que estar por aqui por muitos e bons anos, pois. E aqui não é um lugar fácil de estar. Porque existem outras pessoas e os recursos são escassos. Portanto, a vida concretiza-se no travar de num conjunto de batalhas sucessivas em busca das coisas que os outros também querem. Daí dizer-se que a vida é uma luta. Morrer e nascer custa a todos. Mas viver ainda é o pior e muito mais difícil para quem tem menos recursos. Porque está sempre metido em lutas desiguais e com os acessos cortados.

 

Enfim, lembrei-me deste filme porque estava para alugar no videoclube da televisão.

 

publicado por Cat2007 às 17:23
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Novembro 05 2016

 

Somos todos muito bons. Mas tão estúpidos que costumamos secretamente “comparar o nosso interior com o exterior dos outros”. As aspas aqui indicam obviamente que não estou a dizer coisas originais. Foi um amigo que falou nisto no outro dia. Trocávamos ideias sobre autoestima. “Pois, eu visito aqueles sites porno. E às vezes fico lá horas”, dizia ele. E eu: “ o que tem isso?”. E ele: “Sinto-me mal. O vício, sabes?” E eu: “Não vejo onde está o problema. Qualquer um se vicia numa coisa dessas. Por definição é assim”. E ele: “Mas há tipos, amigos meus, que lá vão e não ficam tão obcecados.” E eu: “Quem te disse?”. E ele ficou calado. Acrescentei então: “Esses gajos não te contam o que tu me estás a contar agora. Talvez se sintam tão mal ou pior do que tu. Mas como se riem quando falam do caso, imaginas que estão cool. Tu também lhes deves parecer cool. Porque não lhes dizes como te sentes. Também te ris para eles, claro”. E foi aqui que ele soltou a frase. “Pois. Comparamos sempre o nosso interior com o exterior dos outros”. Ora nem mais. Somos tão bons que mostramos o nosso exterior no nosso melhor. Que é para ver se os outros se sentem menos do que nós quando secretamente o comparam com o interior deles. Assim, podemos fingir todos que somos todos muito bons.

 

O processo descrito cansa-me. Estou farta de pessoas impecáveis e bem sucedidas. Como eu. Eu significa toda a gente. Gente que sabe sempre o que diz e faz, dizendo e fazendo sempre as coisas mais acertadas. Cansa-me o brilhantismo e a pertinência. Estou saturada de feitos cheios de qualidade e bom senso.

 

Por outro lado, fico impressionada com a crítica. Enquanto críticos, somos todos muito exigentes. Isto é porque fingimos que somos todos muito bons. A crítica finge que aspira à excelência. Como se fosse um motor para a melhoria das coisas. Porém, no que se repara é que a critica só serve para contrariar. As pessoas e os factos que nos contrariam.

 

Todos somos pessoas banais. E isto é muito bom. Só é má a parte em que não se aceita este facto. Por vezes fazemos coisas boas, mais ou menos ou excelentes. Por vezes temos mérito, pouco mérito, muito mérito ou mérito nenhum. Por vezes estamos cansados e só queremos ir para casa. A genialidade anda sempre acompanhada da estupidez pura. Por outro lado, a estupidez pura às vezes tem rasgos de génio. E isto  serve para qualquer um de nós, que temos mais probabilidades de fazer coisas estúpidas do que brilhantes e que, em geral, somos apenas produtores banais. Acredito na excelência dentro de cada um de nós. Se não andarmos a fugir da nossa autenticidade, ela acabará por surgir aqui e ali. Nem sempre estúpidos. Nem sempre excelentes. Nem sempre banais. Mas nunca melhores do que os outros em termos globais. Por muito que uma verdade destas doa a alguns, muitos, de nós.

 

Acresce que estamos sempre a qualificar e a agrupar as coisas e os factos em conjuntos e grupos. Quem não cabe num é metido ou mete-se noutro. Quem não encaixa em nenhum é metido no grupo que está contra ou é desqualificado por não ser suficientemente mau e vai para este grupo.

 

Há pessoas desonestas que por vezes não o são. Há pessoas honestas que roubam no supermercado. Fico contente com as duas coisas. Nem todas as piadas saiem bem. Nem todos os discursos são perfeitos. Há textos vazios. Cometem-se erros graves com influência nos destinos nacionais. Há muitas coisas boas e más produzidas por todos nós. Mas sobretudo, não há ideologia nenhuma. Se as pessoas tiverem valores e fizerem o melhor que podem, já não é nada mau. E o cansaço afecta toda a gente. Porque é que não podemos simplesmente fazer merda e pronto? É que fazemos. Todos.

 

publicado por Cat2007 às 22:00
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Abril 04 2015

 

Roubar é um dos sete pecados mortais. E também é um crime previsto e punido no Código Penal. Portanto, uma pessoa por roubar pode ir para o inferno quando morrer e pode ser judicialmente condenada em vida. Era nisto que eu acreditava quando era miúda. Por isso não era capaz de roubar. Mas a dada altura quis. Por causa da emoção da coisa. Hoje já não acredito em infernos nos Céus e duvido muito do sistema judicial. Mas já não quero roubar. A minha consciência não passa por uma ida à polícia (era o Eça que dizia que "a consciência dos portugueses é uma ida à polícia"). É, pois, a minha consciência que me impede. Não tenho medo da polícia nem de Deus nesta mtéria Tenho medo de mim. Da minha estrutura de valores que me orienta no sentido  do que está certo e do que está errado.

 

Quando era miúda, para aí com uns 11 anos, vinha sempre da escola com uma colega que diariamente roubava uma laranja numa mercearia. E nunca se passava nada. Como era possível ela não ter medo de ir para o inferno? Ou se fosse apanhada, não tinha medo que chamassem os pais? Os pais para mim é que eram a polícia. Não. Ela não tinha medo de nada. Era calma e eficaz. Tipo Ricardo Salgado. Já eu, que não fazia nada, ficava ali nuns nervos. Mas todos os dias passávamos e todos os dias ela roubava. E, como disse, não acontecia nada. Por isso comecei a duvidar das minhas crenças. E passei a andar tentada. Até porque ela dava mais ou menos a entender que eu era um bocadinho cobarde.

 

Por fim, a tentação apoderou-se de mim. E roubei. Claro que fui imediatamente apanhada. Comecei a ouvir uns gritos. Desatei a correr. Larguei a laranja (portanto, foi uma tentativa de furto e  não um furto consumado). Comecei a chorar. Continuei a correr. Até que ficou tudo calmo. Menos eu. Eu estava a tremer. Quando a encontrei mais à frente, ela ia a comer a  laranja dela. E estava chateada comigo por eu não saber fazer as coisas. Na verdade, senti-me um verme por não ter resistido à tentação. Queria lá saber de como se faziam as coisas. Achei-a logo ali uma espécie de tarada.

 

Quando cheguei  a casa, fui rezar e chorar mais um bocadinho. Pedi perdão a Deus pelo que tinha feito e jurei que não voltava a roubar na vida. Esperei assim livrar-me do inferno. Foi um diálogo entre mim e a minha consciência que me fez ficar em paz comigo. Porque o inferno é aqui e eu tinha acabado de o experimentar. Claro que não fui contar nada aos meus pais. Também não me ia entregar assim à polícia. Desde aí nunca mais senti a tentação de roubar nada. É obvio que não tenho competência moral para isso. 

publicado por Cat2007 às 11:47
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Abril 03 2015

Há uma senhora loura no facebook que somente  partilha as suas próprias fotografias em pose rodeada de sinais exteriores de riqueza. É só isto que ela vai fazer ao FB. Mais nada. E toda a gente vai lá dizer "linda", "fantástica", etc. Sucede que a senhora já não vai para nova. Aparenta ter boa figura. Mas nunca mostrou o corpo em fato de banho por isso não sei como está verdadeiramente. Seja como for, a cara não é bonita e está descaída. É de acrescentar que ela não costuma responder a ninguém. Pergunto-me porque razão vai tanta gente comentar as postagens dela. Aquele tipo de exercício que envergonha. Sim tenho vergonha alheia da mulher. E dos seus comentadores.  Olho para estas coisas e parece-me ver ali falta de amor. Incapacidade de amar. Solidão e vazio, portanto. E é uma vergonha para ela que eu, como os demais, consiga ver todas estas coisas que inspiram pena. 

 

Não são poucas as pessoas que conheço que desejam que os outros gostem mais delas. Mais de que elas alguma vez gostarão dos outros. Eu, como psicoanalizada, sei que estes fenómenos têm a ver com coisas da infância. Coisas que não correram tão bem como era devido. Mas não só. Uma amiga minha dizia que "a culpa é da mãe". Por isso, ela, como mãe, desistiu muito rapidamente de fazer análise. Talvez não precisasse muito. Porque senão tinha ficado. Na verdade, a culpa até pode ser da mãe e do pai e dos fenómenos da nossa infância. Mas há uma grande parte da responsbilidade que é nossa. Da generosidade que não temos. Da nossa fraca capacidade de compreender e perdoar. Do nosso egocentrismo. De todas as nossas características que nos fazem sofrer.

publicado por Cat2007 às 17:21
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Março 31 2015

 

O meu pai, que está internado no hospital desde domingo, disse ao meu irmão mais novo hoje de manhã: "Podes ir buscar o carro que eu vou ter alta. Só estou à espera que entreguem as minha roupas". Claro que depois de tudo confirmado com a senhora enfermeira chegou-se à conclusão que era mentira. Bem, mentira não era. Segundo o que o meu pai me disse, "eu pedi alta. Só que nunca mais me trazem a roupa". Não. Não está gagá. Está farto de estar ali. E sobretudo está convencido de que os seus pedidos são ordens que devem ser acatadas. Infelizmente as coisas, a maior parte das coisas, já não se passam assim. E portanto, vai lá ficar mais uns dias. Eu, pela minha parte, faltei ao compromisso de publicar aqui um post diário. Fiquei preocupada com ele. E não tive cabeça para mais nada.  

 

Mas estou de volta. Para dizer que D. Amélia foi lá ao gabinete, como é costume, para dois dedos de conversa. Primeiro perguntou se queriamos um café. Ninguém quis porque àquela hora já abarrotávamos de cafeína. Depois pôs-se a falar sobre o papel higiénico. Que a empresa de limpezas, sua entidade patronal, tinha lá ido entregar o papel. "Que não me peçam para carregar o papel. Porque eu não carrego. Tenho aqui uma cicatriz de uma operação à visícula que me dói muito quando muda o tempo". No mais, segundo D. Améllia, é uma questão de princípio. Os homens que trazem o papel é que o devem ir arrumar no local devido. É sempre bom fazer uma pausa com D. Amélia. Então eu, que estou com uma seca pesada de trabalho entre mãos, agradeço sempre uma interrupçãozinha.

 

Depois de almoço, fui a uma formação sobre classificação de doentes nos hospitais em regime de internamento. Notei que a formadora tinha uma voz demasiado rouca. Como se precisasse de espetorar. Aquilo fazia um bocadinho de impressão. No entanto, expressava-se muito bem e dominava a matéria. Para o que importa, retirei dali o conhecimento que precisava para os meus trabalhos. Foi útil, portanto.   

 

Antes disso fui com a minha colega à Versailles. Porque ela queria comprar um bolo especial de lá. Não se aguenta a Versailles à hora de almoço. Está cheia até à porta. E há imensas pessoas a comer de pé ao balcão. Desde quando é que se paga os preços da Versailles para estar ali assim? Aliás o serviço ao balcão desce ao nível dos snack bares mais rascas. Tudo a gritar. Os empregados a atrirarem com os pratos para a frente dos clientes. Um pandemónio. Mais tarde comemos o bolo a meias. Em mais uma interrupção do tal trabalho que já me pesa na alma. 

 

De fuga da Versailles ainda conseguimos evitar uma cigana que estava a vender óculos de sol. E eu hoje já senti calor nos pés. Estou preocupada porque ainda não troquei a roupa de verão pela de inverno. Daqui a um dia ou dois já não tenho nada para vestir. 

 

Este relato é sobre mais um dia vivido na minha vida. Quase igual a todos os outros. Como se verifica, nada de interessante se passou. Creio que é assim a vida de toda a gente, com as devidas adaptações e salvo as honrosas exceções. Estou farta deste dia. Estou farta deste post.

 

publicado por Cat2007 às 20:43
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Março 28 2015

 

Pois ontem não fui violada na Cova da Moura. Por causa disso acusaram-me de mentir. Por causa do título do post anterior. Em vez de ficarem alíviados. E eu só estava a querer provar uma ideia. Mas também não me vou pôr aqui agora a explicar o texto. Basta dizer que provei. O título é que importa. O pessoal realmente não gosta de ler. O pessoal curte as frases curtas de autores conhecidos. Assim o pessoal julga que se cultiva e não precisa de ler os livros. Isto é mais ou menos como ver o trailler de um filme e ficar convencido de que já se viu o filme todo. O pessoal não sabe o que não cresce emocional e mentalmente com esta atitude. 

 

Podia fechar o texto agora. Mas não sei. Há aqui uma sensação de que falta dizer qualquer coisa. Já sei. Não dá para escrever nada de novo. Porque escrevi coisas velhas acima. Coisas do dia de ontem. Por acaso não tenho o hábito de fazer posts sobre posts. Daí que não estou habituada. Agora como é que vou mudar de assunto? Não dá. Portanto, ontem não fui violada na Cova da Moura. É uma não notícia que fica para a história. 

 

No mais, para o que importa, hoje é sábado e estou aqui a ouvir a Janis Joplin. É fabulosa e não datada. Agora há um anúncio de um perfume com uma música dela. Creio que é da Dior. Normalmente os anúncios de perfumes são entediantemente belos. Este também é. Porém, torna-se interessante proque tem a Janis Joplin a cantar. É um contradição que funciona. Parece que aquilo fica mais real. 

publicado por Cat2007 às 11:24
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Setembro 04 2013

 

Andava a vender utilidades às pessoas que passam no jardim ao pé da Casa da Moeda. Naquele dia à hora de almoço eu estava ali sozinha e apetecia-me conversa. Por isso paguei 30 € por uns Ray Ban evidentemente falsos e por uma pulseira feia. Acredito que devemos pagar por aquilo a que atribuímos valor. E eu precisava de conversar. Há dias assim.

 

Graças às mensagens dos meus olhos consegui retê-la para além do tempo em que demorámos a fazer a transação. Falou-me logo abertamente da infelicidade a que se resumia toda a minha vida. Era inveja. Disse coisas assustadoras. Tinha poderes para ver tudo de mim através dos meus olhos. Eu ia dando graças a Deus por isso. Já estávamos sentadinhas no banco de jardim. Era boa a sensação.

 

Claro que ela queria 1000€ para me salvar. Mas isso não me incomodava. Perguntei se por acaso ela era feliz. Encheu o peito e disse que sim a sorrir radiosa. Depois, não sei porquê, revelou-me que os seus poderes não podiam ser usados em proveito próprio. Pois claro.  Eu achei que ela devia ter um casamento infelicíssimo. Vi nos olhos dela.  

 

De qualquer forma, informei que não tinha 1000€ para lhe dar. Não acreditou. Por isso continuou a conversar comigo. Esteve aliás a falar comigo até se convencer que não dava mesmo. Nem dinheiro, nem joias. Foi quando me abandonou. Pelo meio ainda lhe perguntei se sabia ler a sina. Disse-me que não. Só os olhos. Fiquei desmoralizada.

 

Há dias em que nos sentimos mesmo mal.

 

publicado por Cat2007 às 17:47
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Abril 12 2013

 

 

Tenho imensas dificuldades em fazer conversa. Porque, em princípio, não sei o que dizer. O que na verdade me apetece é estar calada a observar. Era bom que me deixassem observar. Mas não. As pessoas não gostam de ser observadas. E talvez também não tenham vontade de observar. Por isso falam e falam. Quase sempre sobre coisas desinteressantes. O que acentua o meu esforço. E define o nível de interesse que cada um tem pelos outros.

 

Dantes eu sofria do terror dos silêncios nestas circunstâncias. Por isso enchia-me de uma espécie de energia de reserva para falar e falar. Era capaz de agendar na minha cabeça um número razoável de assuntos para “puxar” de acordo com o tempo que a coisa deveria durar. E assim, na maior parte do tempo, quem falava era eu. Chegava a ser chata. E saia esgotada.

 

Agora não quero saber. Mantenho os assuntos enquanto os assuntos me mantêm a imaginação a funcionar. Ainda que em esforço. Na mesma. Mas depois até me posso calar e deixar emergir um silêncio. Paciência. Não sou só eu a ficar afetada. Noto que assim, no entanto, as pessoas me dão muito menos atenção.

 

publicado por Cat2007 às 17:54
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Outubro 04 2012

 

 

Estava aqui a pensar que hoje uma senhora, que muda, mudava o rolo da máquina registadora e nem sequer olhou para a minha cara de pessoa que está à espera e que já lhe tinha dito “boa tarde” sem resposta.

 

Depois a senhora veio atender-me. Como havia coisas que queria perguntar, comecei a fazer perguntas. E veio um senhor que pediu qualquer coisa, tendo sido imediatamente atendido. Calei as minhas perguntas e olhei para a senhora nos olhos após o que disse: “talvez seja melhor atender o senhor primeiro”. Senti atrapalhação na cara dela. Atendeu-o porque era mais rápido. Mas não fez bem. Até porque não me perguntou nada antes. Era uma mulher preguiçosa e desmotivada. Foi por isso que agiu com a má criação objetiva que descrevi. Talvez ganhe pessimamente. E isto completa o meu quadro dos pensamentos que corriam enquanto ela me arranjava o que lhe tinha finalmente conseguido pedir. Baixei os olhos enquanto isso. Abrandei a pose e desmontei um pouco a atitude interior. Ia fazer aquele olhar de superioridade moral. Afinal o que me saiu foi um obrigado neutro. Porque não lhe senti inferioridade moral.

 

publicado por Cat2007 às 15:57
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Julho 07 2012

 

 

Já sabia que congressos é para dormir. Durante. Ontem lá me levantei às cinco da manhã para ir para o Porto dormir num. Tinha que chegar às nove. Foi menos mau a parte da viagem. O motorista conduziu smooth e ainda conseguiu chegar quinze minutos antes.

 

Passei o tempo alheada. De vez em quando aterrava para anotar: “tenho que ficar com a documentação desta intervenção”. Era para estudar depois. É. Porque ouvir, como disse, nada. Ao fim de duas horas já estava a olhar para o programa e a decidir que as intervenções da tarde não tinham interesse nenhum. Estava arrasada em tão pouco tempo. No entanto, o que importa é o tempo psicológico.

 

Tentei convencer a minha colega. Mas ela tentava retardar a coisa por motivos diferentes dos meus mas igualmente por cansaço e tédio. Não queria regressar a Lisboa para trabalhar. Eu estou de férias e interrompi por um dia. Estava numa posição diferente. Lá chegámos a uma situação de compromisso. Sair pela uma da tarde. Eu tinha tentado o meio-dia. Telefonámos ao motorista e ficou tudo tratado.

 

O regresso foi o supremo pesadelo. Por causa da ansiedade. De tirar a roupa, tomar um banho e deitar-me a dormir pelo resto da tarde. Nunca mais chegávamos. Creio que tive até um ataque de catatonia. O certo é que o senhor C conseguiu entregar-me em casa às quatro e meia shout.

 

A verdade é que são quase duas da manhã e ainda não consegui dormir nada. Já que estava cá afinal, fui ver o pai. Depois às Amoreiras comprar tabaco para o cachimbo. A seguir vim para casa jantar mas como não havia nada, a coisa só se deu já perto das dez. Por fim, ainda fui buscar a chave de Vieira para irmos as duas amanhã.

 

Como “perdido por cem perdido por mil” é o mesmo e é verdade, resolvi escrever este bocadinho.

 

publicado por Cat2007 às 01:57
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