CAFÉ EXPRESSO

Janeiro 13 2016

Na sexta-feira passada fui ao teatro ali da Rua da Escola Politécnica para ver uma peça chamada Quarteto escrita por um autor alemão e representada por Ivo Canelas e Crista Alfaiate.

 

O espetáculo Quarteto, de Heiner Müller, é inspirado na obra Les liaisons dangereuses, traduzido para o português como “As ligações perigosas”, de Pierre Choderlos de Laclos. Em cena, dois atores interpretam os quatro personagens principais da trama, num jogo cênico onde as trocas vão desvelando os jogos de sedução e poder

 

Detestei. O texto era cheio de emaranhados mentais a arranjar explicações para estados emocionais mirabolantes. Tudo tinha a ver com as Ligações perigosas mas em péssimo. Por várias vezes tentei seguir as palavras nas frases para ir em busca do seu significado. Ficava sempre a meio do percurso. Pensei que era burra. Até que, já depois, perguntei a outrem se conseguiu. Também não. Senti um certo alívio. Primeiramente tinha achado que só eu é que não gostara por, no mínimo, não ter capacidade de concentração. De qualquer modo, devia ter logo desconfiado que não era assim porque ao meu lado dormiam.

 

O que há a assinalar nesta peça é que havia imensa gente à espera de desistências. O teatro estava tão cheio que foi preciso ficarmos no chão em cima de uma almofadinha que nos providenciaram para o efeito. Nós e um casal com alguma idade de ar saudável.

 

Entretanto, vem lá de cima um tipo incomodar (incomodar-me): “Dá-me licença, por favor?”. Ele queria ir falar com o elemento masculino do tal casal. “O senhor foi meu professor. Eu estou sentado numa cadeira. Ofereço-lhe o meu lugar para não ficar aí no chão”. E o mais velho “Muito obrigado. Não estou a ver, não. Falamos no fim”. O outro insistia “O senhor professor deu-me aulas no mestrado de qualquer coisa do ambiente na universidade que eu não percebi do Porto. Eu dou-lhe o meu lugar”. Resposta: “Falamos no fim, falamos no fim”. E o chato retirou-se.

 

Não sei o que pensar desta cena. Há quem diga que foi uma delicadeza do rapaz. Eu, antes pelo contrário, não acho.

 

publicado por Cat2007 às 17:11
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ao meu lado dormiam.  



acho o máximo gente que dorme a sono solto durante uma peça de teatro que se desenrola praticamente em cima do cérebro de quem assiste porque num espaço pequeno, talvez
Catarina a 13 de Janeiro de 2016 às 17:32

Também adoro pessoas assim.
Cat2007 a 13 de Janeiro de 2016 às 17:41

"A minha frase favorita é a minha quando me sai bem"
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