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CAFÉ EXPRESSO

"A minha frase favorita é a minha quando me sai bem"

CAFÉ EXPRESSO

"A minha frase favorita é a minha quando me sai bem"

AS FUNÇÕES DA INVEJA


Cat2007

17.03.21

Filipa Patão (@filipapatao) | Twitter

 

Hoje há um Benfica v Sporting em futebol feminino. É a final da Taça da Liga. Morro de inveja da Filipa Patão, a treinadora das futebolistas do meu Benfica. Porque gostaria de estar no lugar dela. Gostaria de ter feito o curso na Faculdade de Motricidade Humana e de vir a ser treinadora de futebol das meninas do Benfica. Isto sim, isto seria a realização total. Mas, na mesma medida em que tenho inveja da Filipa Patão, simpatizo muitíssimo com ela. Porque a minha inveja dá-me para gostar e admirar mais as pessoas que sabem e podem fazer o que eu não sei nem posso. Além disso, pelo lado prático da coisa, é sempre possível aproveitar as produções de tais pessoas. No caso da Filipa Patão, é com grande prazer vejo os jogos de futebol do Benfica feminino. Que joga muito bem.

 

A MINHA IMAGEM


Cat2007

16.03.21

 

2019: 'Joker' é o filme internacional do ano e um símbolo de luta

 

Não há dúvida que as pessoas se preocupam com a imagem que transmitem aos outros. Por isso, muitas vezes, omitem ou mentem mesmo. Porém, agora não desejo falar sobre o caráter, mas, antes, da aparência física. Ou seja, do físico, da apresentação e dos modos. E, claramente, também neste plano, é muito importante a impressão que causamos aos outros. Isto é factual, uma vez que vivendo nós em comunidade, a aceitação pelo grupo, pelos grupos, onde vamos entrando, é, como se sabe, uma componente crucial da sobrevivência pelo menos aparentemente equilibrada. Portanto, a nossa imagem depende muito dos papeis sociais que vamos representando. Não obstante, existe uma medida em que a construímos independentemente de tudo isto. A medida em que a forma com que aparecemos é feita somente para nós próprios. É que há uma certa conformidade entre o que realmente somos e a forma como nos mostramos e nos comportamos no trato social. Por exemplo, apesar de ser hoje uma boa jurista, o que eu queria mesmo era ter feito o curso superior de educação física. Daí que sou desempoeirada no trato e está fora de questão usar salto agulha ou gelinho nas unhas, além de que não sou muito amiga de vestidos ou de saias, bem como faço regularmente ginástica porque, independentemente do resto, faz-me sentir bem de saúde.

 

A ARCA PERDIDA


Cat2007

05.03.21

São estes os melhores restaurantes de praia perto de Lisboa

 

Cada vez é mais difícil vir aqui escrever. Porque o mundo, que está como está, não deixa por isso. Uma pessoa não é suficiente. Uma pessoa realiza-se no mundo, transformando-se pela aprendizagem de novidades que vêm com as experiências que vai vivendo, um em cada todos os dias, e partilha. Ler livros, ver filmes e ouvir outras músicas não é suficiente. Aliás, cada vez mais, parece que estes produtos já não são do mundo de cá, mas que provêm do interior de uma grande arca perdida. Tal é a distância entre a vida de que falam e este nosso designado “novo normal”.  Eu, que estou a ouvir o sambinha feito de uma nota só, uma peça muito popular da verdadeira música clássica brasileira, sou apanhada pelos respetivos ritmos tropicais, que cheiram ao sol de uma esplanada cheia de gente bronzeada a rir desmascarada, a qual pode ficar ali mesmo na praia do Meco, caso não desse jeito ir ao Brasil para a coisa ser ainda mais intensa. E é isto que temos, a saudade.

Assim, do que fica escrito comprova-se a minha incapacidade de dizer alguma coisa de novo, como de resto comçei por declarar.

 

TODA A GENTE GOSTA DE BATATAS FRITAS


Cat2007

19.02.21

 

Resultado de imagem para gente a comer batatas fritas

 

Eu que nunca gostei de fazer parte de mais nada que não seja da vida das pessoas que amo, sei muito bem que cada ser humano tem raiva, amor, doença, ódio, nasce, morre, quer ir longe na vida, precisa de comer e de roupas para vestir, procria ou não, é gay, homem ou mulher, lésbica, fala inglês ou outra língua qualquer, gosta de festa e de ternura, é viciado no jogos ou nas drogas, é assassino ou padre, é traficante, é político, é pobre, tem orgulho, é rico, é miserável, tem pele de cores diversas e toda a gente gosta de batatas fritas.

GOSTA DE SI?


Cat2007

10.02.21

Resultado de imagem para amor-próprio

 

“Gosta de si”? Perguntaram-me isto. Enfim… Mas… Bem, parece-me que o que está aqui em causa é o amor mesmo amor. E este amor mesmo amor tem a sua fonte no amor mesmo amor que os pais (ou quem lá esteve no mesmo lugar) nos deram desde que nascemos. As crianças são como esponjas no que diz respeito aos afetos. Absorvem-nos. Sobretudo pelo toque. Com efeito, não se pode meter uma esponja em lado nenhum que não venha logo embebida de um produto qualquer. Mas as crianças também são como caixas de ressonância, na medida que aumentam na sua própria consciência a ternura das palavras dos pais que são ternas. E também são como espelhos porque refletem com precisão a imagem dos olhares. De maneira que as crianças amam mais por tanto serem amadas, e bem assim aprendem a amar-se com a qualidade do amor que recebem.

 

SAUDADES DE LISBOA


Cat2007

01.02.21

10 sítios imperdíveis em Alfama - Lisboa Secreta

 

Tenho saudades de Lisboa. Ontem fui ao supermercado e usei duas máscaras. Tenho saudade de ir dar passeios na praia debaixo do sol de inverno. Apetece-me ir a uma casa de fados, lugar onde nunca fui. Gostava de ir ver o Sporting-Benfica de hoje, sendo que seria a primeira vez que entraria no Estádio de Alvalade (Alvalade XXI). Até tenho saudades de me sentar no meio da confusão da Brasileira do Chiado, ao pé de Fernando Pessoa. Tenho, aliás, vontade de viver Fernando Pessoa no “Livro do Desassossego”. Gostava que os Santos Populares fossem já no próximo fim-de-semana para ser insuportavelmente empurrada e pisada no meio daquela multidão. Quero conhecer mais gente, eu que sou reservada e recatada. Penso nas filas de ambulâncias à porta dos hospitais e tenho esperança de que tudo passe, embora não seja um sonho. Gostava que não morresse mais ninguém, por favor, o que claramente não vai acontecer. Quero subir e descer a Sé até não aguentar mais das pernas. Ficar cega pela luz do sol refletida sobre o Tejo e nos telhados dos prédios. Era bom andar de barco a ouvir o “Fado Falado”.  

 

SOUNDTRACK


Cat2007

06.01.21

Friday Fun: An #Electiongeek Playlist | Election Academy

Estou aqui a ouvir o João Gilberto acompanhado do Stan Getz: “Para machucar meu coração”. É lindo. Gosto especialmente da parte em que ele canta “foi tudo o que ficou, ficou“. Tenho o aquecedor debaixo da mesa colado aos joelhos. De manhã, quando sai para fazer os meus 5 km a pé, cheguei a concluir que o melhor seria dar meia volta para casa. De facto, no sabor daquele frio de quebrar ossos, fiquei quase rígida. No entanto, não. Prossegui. E fiz. Os 5 km. Tinha de ser. É que decidi suspender as idas ao ginásio. Tenho medo da COVID-19. Embora, claro está, não será por isso que estarei completamente protegida. Uma pessoa ainda vai ao supermercado, ao cabeleireiro, e tal. Enfim, pelo menos, ao local de trabalho físico não tenho de ir. O meu computador de casa tem instalado tudo o que é necessário. Agora está aqui a tocar “Heaven”. Que, segundo a respetiva letra, é um lugar onde nada acontece. São os Simply Red que estão a tocar a versão que fizeram da música dos Talking Heads. Creio que passou despercebido a muita gente, mas esta composição faz parte da banda sonora do filme “Philadelphia”. Gostei deste filme trágico. Bem, mas tudo isto vinha a propósito do frio e do calor. Na verdade, do tempo frio e dos eletrodomésticos. Quando comecei a falar do João Gilberto era para dizer que, espantosamente, a música dele combina muito bem com um aquecedor junto aos joelhos depois de 1 hora a andar ao frio. Assim, é verdade que estou a escrever sobre temperatura do ambiente. Da rua e de casa. São cinco da tarde não me apetece fazer mais nada senão andar para aqui a pijamar com uma soundtrack a envolver-me. É curioso que, agora que estou mesmo a acabar aqui, começou um “Samba de verão”. Parece-me um sinal de esperança. Não sei.

 

VERGONHA NA CARA


Cat2007

30.12.20

Como superar a tristeza de uma separação, segundo a ciência | Ciência e  Saúde | G1

 

É verdade que o amor e a paixão nos deixam em situações muito desagradáveis quando recebemos a notícia de que não somos amados. Repare-se que estou a confundir o amor com a paixão. É propositado. Porque, em estado de paixão, é mesmo nisso que as pessoas acreditam. Que amam.

Bem, a realidade é que normalmente não recebemos notícia nenhuma. Tenho anotado que as pessoas, a outra pessoa, podem, pode desejar aproveitar a situação. Na maior parte das vezes, porque há um momento em que ainda não se sente suficientemente corajosa para meter os dois pés fora da mesma. Não será mentir se disser que normalmente o amor acaba porque há outra pessoa. Do passado ou uma novidade. Mas há outra pessoa. As mais das vezes.

É claro que o período de indecisão do ser querido, que não será, em muitos casos, de incerteza, cria a dúvida confundindo decisivamente o desamado. E é por isso, e porque estão em dor, que as pessoas cedem e acedem a contextos emocionais caóticos e mais ou menos destrutivos.

Porém, em meu entender, salva-se quem, apesar de tudo, percebe que, por muito que se perca, não pode, não perde, a vergonha na cara. Foi o que disse a quem atualmente vive um processo destes.

 

O PUZZLE


Cat2007

29.12.20

Puzzle: origem, críticas e afirmação

 

Dá ideia de que estamos todos muito acomodados. Casados. Empregados. Com férias. Impostos e contas pagos. Nós. A classe média. Casas. Carros. Temos todas estas coisas. Esta situação. Tudo está perfeitamente encaixado. Vê-se o desenho geral. É assim nos puzzles. Porque é disso que se trata. De encaixar peças para chegar a uma imagem que já estava preparada. A nossa vida é assim. Dar cumprimento ao desenho. Ter o trabalho, fazer o esforço, de montar o puzzle da nossa vida, encaixando peça por peça. Porém, as peças não colam umas às outras. Só encaixam. Por isso é preciso não mexer no puzzle. Para não estragar. E é isto que se faz depois de completar o desenho. O supremo esforço de o manter perfeito. É nisto que se baseia a teoria do interesse. As pessoas movem-se essencialmente por interesse. Por este interesse. Proteger o seu puzzle.

 

SAUDADE: O SIGNIFICADO DE CERTOS LUGARES VAZIOS


Cat2007

22.12.20

 

Decoração de bolo de casamento feita em para de duas cadeiras de balanço Foto gratuita

 

Uma festa de família, como é o Natal, requer que, pelo menos, os pais e os filhos estejam presentes nas celebrações. Os meus pais já não estão por cá. Por isso há dois lugares importantes na mesa que ficam vazios. Uma vez que, por definição, passaram a inocupáveis. Uma pessoa, se resolve ficar, nem que seja por breves instantes, a pensar em vazios deste género, verifica imediatamente que tem qualquer coisa a menos a animar-lhe a alma. Deve ser a isto que se chama saudade.

Em pequena era uma surda odiadora de bonecas. Coisa por demais conhecida de todos. Ora, a minha mãe comprou, como presente de Natal, uma linda boneca quase da minha altura. Um tanto surpreendida, apanhei-me a pensar que àquela eu não ia arrancar a cabeça e os membros ou destruir-lhe as roupas. Sucede que, malgrado as minhas expetativas, a minha mãe foi entregar o brinquedo a uma amiga dela. Era para a filha. E eu assisti a tudo. Uma frustração! De tal maneira, que nem me lembro dos presentes que efetivamente recebi. Nunca tinha visto uma boneca tão grande. Fiquei a pensar nela ainda durante uns dias. E também nas razões que levaram a minha mãe a presentear de tal forma especial aquela miúda tão pouco entusiasmante. Nunca cheguei a saber. Por orgulho, não perguntei nada. E também nada me foi explicado. Claro que a minha mãe achou que não era um presente adequado para mim. Uma menina demasiado dinâmica. Agora porque foi dar uma boneca tão grande, a uma miúda, em meu entender da altura, parva, é coisa que nunca saberei.

Se conto esta pequena estória, e porque é verdade que esta foi a única vez que a minha mãe não acertou em cheio nos meus desejos. E tanto assim é que, já em adulta, recebi (embora não no Natal) um galo de Barcelos porta-guardanapos. Fiquei enternecida. Precisava mesmo de um porta-guardanapos. E o galo nada tinha a ver com as coisas que tinha na cozinha para decorar, pelo que ficava ali muito bem. Destacava-se como se fosse uma peça de arte extraordinária.

Com o meu pai o acento tónico colocava-se na ceia de Natal na parte não doce. Tinha de ser bacalhau. E feito do modo tradicional. Na altura não percebia bem isto. É que andávamos o ano inteiro a comer ceias de Natal. Com efeito, o meu pai comprava regularmente bacalhau ali na Rua do Arsenal. E era tanto, que enchia meia despensa. O prato favorito do meu pai, pois. Bacalhau cozido. Claro que, deste modo, as coisas para nós não eram tão divertidas. Nem para a minha mãe, que detestava a rotina. Era, aliás, também por causa desta rigidez dele que ambos se punham a discutir em alguns natais. Na verdade, para o meu pai o Natal não era uma festa. Tratava-se antes de uma celebração de cariz religioso. E porque não celebrar com o seu prato favorito? O bacalhau era o único prazer material que tinha nestas ocasiões. No mais, o mais importante era o que era mais importante na sua vida: estar com a sua mulher e os seus filhos. A família. Foi com o meu pai que eu aprendi a respeitar o Natal.  

 

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