CAFÉ EXPRESSO

Maio 16 2018

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No amor existe muito medo. Em princípio, toda a gente tem medo de amar. Não falo de paixões avassaladoras daquelas que podem provocar estupidas quedas voluntárias do Aqueduto das Águas Livres. Falo de amor. Daquele sentimento que entrelaça as vidas num projeto de vida que é eterno até à morte. Vivido até à morte. As pessoas que amam assim, têm muito medo de perder o que sentem. Porque o sentimento já faz parte da personalidade. Do caráter. O meu pai morreu em vida quando a minha mãe partiu.

 

A montante, é da projeção disto que se tem medo antes de embarcar na aventura sem retorno que é o amor real. Antes de embarcar, e com o barco já atracado em frente aos nossos olhos no porto, não quereríamos ir se soubéssemos que a viagem é sem volta ao mesmo lugar.

 

Nós não gostamos do desconhecido porque não o conhecemos e não sabemos como nos vamos conseguir comportar. Se vamos corresponder perante nós próprios e perante o outro às dificuldades e aos desafios todos novos, bem como à alegria e ao prazer ignotos.

 

É por isso que as pessoas vão inconscientes para o amor. Pensam, ali mesmo em frente ao barco atracado no porto, que o regresso se há-de dar no fim da viagem. De outro modo, não embarcavam.

 

publicado por Cat2007 às 18:18
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Maio 15 2018

 

 

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Tenho muito medo. Apesar de que, felizmente, nunca fui mordida ou, sequer, tocada. Mas tenho muito medo. É certamente porque rastejam, são viscosas, ultrarrápidas, agressivas e têm uns dentes pontiagudos de onde se solta um veneno eventualmente mortal. Claro que estou a falar especialmente das ditas perigosíssimas. Enfim, do género que só vejo na televisão ou no Jardim Zoológico. Em ambos os casos, sempre protegida. Acrescento, no entanto, que também tenho medo das outras que não são venenosas.Talvez sofra, portanto, de ...fobia. Que tem tratamento mas eu não me quero tratar. Por mim, podiam morrer todas.

 

Acabei, pois, de fazer um discurso de ódio. Às cobras.

 

publicado por Cat2007 às 16:43
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Maio 10 2018

 

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Surge-me a ideia de obsessão. Ideias fixas. Uma ideia fixa é uma ideia que se fixa no pensamento e não o abandona nem por nada. É verdade que sou um bocado assim quando estou envolvida em algum projeto que tenha decidido. Enquanto dure eu estou ali para durar. A pensar na coisa sem parar. Até tudo estar resolvido.

 

Não obstante, sempre é certo que quando as coisas acabam, tenho alguma facilidade em esquecer os projetos. O que se compreende porque me vejo esgotar no processo. Uma pessoa esgota-se quando dá tudo o que pode. E quando dá tudo o que pode, uma pessoa deixa de ter para dar. Pelo menos para aquele peditório. Resta-lhe o que lhe resta para outros.

 

Pensando bem, e posto o exposto no parágrafo anterior, talvez não seja obsessiva. Talvez seja dedicada em exclusividade. É verdade. Tendo para a exclusividade. Isto porque não tenho coração (logo) nem cabeça para me envolver em muitas coisas ao mesmo tempo. Assim, sou muito dedicada.

 

publicado por Cat2007 às 16:26

Abril 24 2018

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É muito comum dizermos que “todos temos os nossos problemas”. O que é verdade. Não obstante, tenho impressão que um problema existe ou não dependendo da perspetiva. A maior parte das vezes, o que temos é dificuldades ou desafios. Problemas, problemas são designadamente os graves de saúde, a perda de pessoas que nos são muito queridas ou aquelas questões do nível básico da pirâmide das necessidades de Maslow.

 

É por isso que não tenho paciência nenhuma para pessoas infelizes porque frustradas. 

 

publicado por Cat2007 às 13:09

Abril 04 2018

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Creio que se um copo está meio, não está cheio nem vazio, está meio. O que demais se diga refere-se a projeções. É certo que, quem vai com o copo a meio, pode achar que a bebida está a acabar ou, em sentido oposto, que ainda lhe falta muito para beber. No entanto, as coisas não são assim. As coisas são de tal modo que a verdade é que há meio copo para beber ou, se quisermos porque é a mesma coisa, há meio copo já bebido.  

 

Portanto, a atitude psicológica pode alterar os factos. Quer dizer, as coisas não são como são mas são aquilo que nós pensamos delas. E isto vale tanto para as coisas como para as pessoas.

 

Na verdade, quanto às pessoas nós não conhecemos a maior parte daquelas com quem nos damos. No entanto, temos uma ideia quase sempre muito bem formada sobre aquilo que elas são, embora, com toda a honestidade, não sejam. Ou seja, como as coisas, as pessoas não são aquilo que são mas são aquilo que nós pensamos delas.

 

Dito isto, importa saber se gostamos das coisas e das pessoas. Como disse, tudo dependerá do tipo de projeções que fazemos. Mais propriamente da nossa atitude psicológica. No fundo, daquilo que nos interessa ver e que se encontra quase sempre condicionado pelos nossos próprios interesses (desejos incluídos, como é evidente). E isto não significa que sejamos interesseiros. Creio que a coisa é muito mais condicionada pelos instintos do que outra coisa.

 

Mas a questão do copo tem a ver diretamente “com o ser positivo”. Portanto, com a ideia de ver “o lado bom das coisas”. Enfim, tudo coisas que eu não percebo. Por exemplo, a minha mãe morreu de cancro. Quando ainda não tinha morrido, via-se-lhe na cara a doença a batê-la aos pontos. Mas no dia em que morreu tinha realmente uma expressão vitoriosa. E eu, perante o facto, pensei: “venceu a doença, afinal”. E agora pergunto se este meu pensamento daquele momento preciso diz de mim que sou uma pessoa positiva.

 

Olhamos para as coisas pelo lado melhor que elas possam ter para sentirmos algum alívio quando sofremos ou para andarmos mais alegres quando não estamos tristes. Mas, como as pessoas, as coisas são o que são. Boas, más ou intersetadas, independentemente da nossa atitude psicológica perante elas.

 

Tenho para mim que não vale a pena fazer filmes, valendo apenas a pena fazer um esforço para tratar com a vida como ela é e saborear a vida como ela também é, tendo em vista ser feliz. Assim, sou positivista e não positiva, pois. 

 

publicado por Cat2007 às 17:31

Abril 03 2018

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O tédio surge quando nada acontece. Nada de novo, quero dizer. Tenho uma certa tendência para me entediar. O que é um handicap. De facto, não é suposto que aconteçam novidades por aí, se a rotina é a rotina. Assim, com o passar de algum tempo sobre as mesmas coisas, fico chateada.

 

Creio que há pessoas muito proactivas que estão sempre a inventar o que fazer para variar. Mas eu não sou assim. O meu departamento é mais do interior. Para mim as variações têm que se processar ao nível interno. Não é porque agora decido ir tomar um copo ao fim do dia com este ou aquele amigo que me torno numa pessoa mais satisfeita quando estou entediada. Quando os meus procedimentos internos estão invariáveis.

 

As novidades de que falo são, pois, estruturais. Quando me chega o tédio quero mudar a feição das coisas que faço. O mesmo é dizer que quero fazer outras coisas. Trata-se de uma alteração das matérias e dos contextos fundamentais.

 

Na verdade, não gosto de me propor a reinventar. Ou seja, detesto pegar na matéria entediante para lhe dar nova forma. Porque quando as alterações são apenas formais é natural que o mérito que as situações já não têm se imponha outra vez. Não gosto, assim, de reinventar porque, na verdade, as coisas não se transformam no âmbito destes procedimentos ilusórios. É que é tudo feito à conta de uma atitude pessoal que se altera e de acordo com a qual, ao invés de reinventar, se inventa apenas. Isto, no fundo, é como quando uma pessoa se arranja toda bonita e fica mais bem-disposta por causa disso. Já se sabe que depois passa quando a mudança é meramente exterior.

 

Isto que foi dito lembra o que se passa nas relações. Naquelas relações que já estão em penas e as pessoas, não se sabe bem porquê, não consideraram ainda a hipótese de se separar. Normalmente, se recebem conselhos, é-lhes dito para reinventarem a relação. Para fazerem fins-de semana românticos, etc. e outras baboseiras do género. Já me aconteceu isto. E o certo é que me dava um sono de morte quando chegava a hora H.

 

publicado por Cat2007 às 15:54
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Abril 02 2018

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Sou uma pessoa disponível. Costumo emprestar o ouvido muitas vezes. De outras vezes, mais do que isso, sou capaz de me prestar a alterar algumas rotinas (preciosas) da minha vida de acordo com necessidades alheias.

 

Tenho um âmbito alargado de disponibilidades. É por ser tão alargado que as pessoas que se julgam usuárias de mim pensam que não existem fronteiras ou limites.

 

Entendo a vida como uma experiência partilhada. Em que, precisamente, partilhamos. Damos e recebemos. Os meus limites estão na incapacidade que o outro tem de dar. Na verdade, as pessoas com quem me dou têm que me dar porque é assim que as coisas funcionam de uma maneira saudável. Pode não ser mais do que eu lhes concedo mas tem de ser o que eu preciso.

 

Sucede que, na maior parte dos casos, as pessoas só se expressam em generosidade quando lhes fazem sentir que de outra forma não dá para dar. Ou seja, se não dão também não hão-de receber. Mas este não é o meu caso. No meu caso, não costumo dizer nada. A não ser que basta quando de facto já basta.

 

Devo dizer que, no entanto, sou mais ou menos autossuficiente. Preciso de muito pouco que não consiga pelos meus próprios meios. Por outro lado, dispenso as mais das vezes os ouvidos alheios. Mas irritam-me os pedinchões por vocação. Porque estes não se lembram que têm que se lembrar dos outros. Ou seja, mesmo que não precise de muita coisa, gosto de saber que há disponibilidade para ser generoso comigo. Uma ou outra delicadeza cai-me bem, quero dizer. Não interessa, portanto, o que me dão. Importa-me mais que se importem comigo. Que haja a abertura para dar. Ainda que seja nada de especial.

 

publicado por Cat2007 às 17:57
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Março 28 2018

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Venho informar que, entre os dezoito e os vinte e um, entrei num processo que sucedeu e não teve comparação com qualquer outro de antes ou depois. Tudo se baseou em vivências demasiado intensas onde as coisas muito boas, ótimas, se misturaram com eventos e vivências muito maus, péssimos. De facto, foi um período vivido em que parecia que nada era pacífico. Nada era mais ou menos ou não extremado. E, naturalmente, eu não estava preparada. Mas sobrevivi, como se nota.

 

Assim, com vinte e dois anos já era capaz de adivinhar algumas coisas: adquirira a capacidade de antecipar com base na analogia das situações da vida. Portanto, sabia fazer algumas boas projeções.

 

A dada altura, uma amiga procurou-me com o intuito de fazer o exercício do desabafo (falar de coisas relacionadas com um caso amoroso). Relatou-me alguns factos. Tratava-se de uma situação em que a outra pessoa vivia e respirava o ambiente do ciúme por si própria criado. Assim, não queria amigos, familiares ou a própria cadela da minha amiga por perto.

 

Uma vez que, além do ouvido, me foi pedida opinião, aconselhei-a a terminar tudo sem mais delongas. Conselho não seguido, obviamente. Nestes termos, em pouco tempo, a minha amiga veio a sofrer todas as consequências que eu, antes do conselho, lhe indicara. Basicamente foi traída e sumariamente deixada sem prévia notificação.

 

De vez em quando ainda lembro o ar assombrado com que, posto aquilo, a minha amiga veio ter comigo para me perguntar: “Mas como é que tu sabias?”

 

Resta dizer que o amadurecimento é um fenómeno que acontece na mesma medida que o individuo soma vivências significativas em áreas ainda não experimentadas e as sintetiza dentro de si, alcançando, assim, espera-se, um patamar superior de conhecimento sobre si próprio, os outros e a vida em geral.

 

publicado por Cat2007 às 15:43

Março 20 2018

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Detesto esperar. Quando estou à espera sinto a impaciência a tomar-me o corpo. Prendem-se-me os braços. E parece que fico imobilizada. Deixo de fazer as coisas que não sejam as que respeitam às rotinas. Porque imediatamente começa a faltar-me a presença de espírito. Logo, a capacidade de pensar como deve ser.

 

Pronto. Estou à espera de notícias. Sobre coisas que fiz. Na verdade, são resultados. Quando esperamos resultados, colocamos tudo em causa. Pelo menos eu coloco. Tudo são as qualidades que pensávamos que tínhamos. As qualidades para o efeito. Para o efeito dos feitos que produziram os resultados que ainda estão por conhecer. E eu espero. 

 

Claro que estes processos só ocorrem atualmente porque uma pessoa, com o passar do tempo, à medida que cresce, que amadurece, perde a capacidade de ser alegre e tranquilamente inconsciente.

publicado por Cat2007 às 17:45
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Março 16 2018

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Quando pequena era extremamente sensível. Sublinho o extremamente. Tudo me perturbava imenso. Tudo o que não fosse sorrisos, brincadeira e beijinhos e fosse o contrário disto tudo. Assim, um dos factos mais marcantes da minha vida foi a questão de não querer chorar. Desde muito pequena que não queria chorar. Porque tinha uma anormal dificuldade em suster as lágrimas. Lembro-me de estar sempre a fugir para não me verem chorar.

 

Sucede que quando andava na primeira classe, fui gratuitamente agredida por uma miúda da quarta. Nessa sequência, dei-lhe uma tareia séria. Acontece que depois fiquei cheia de pena dela. Por causa da humilhação que lhe causei. Afinal eu era mais pequena do que ela e toda a gente viu. Andei por longo tempo a pensar no respetivo sofrimento. Tanto que sofri com ela. Pelo menos na minha imaginação. Até tive vontade de chorar.

 

Outro exemplo, na segunda classe tinha uma coleguinha negra. A Sara. Toda a gente lhe chamava preta. A Sara tinha uma avó branca. O que ninguém compreendia. Bem, mas, para o que importa, a Sara era a minha melhor amiguinha. Logo, considerando que tinha de fazer alguma coisa por ela, disse-lhe: “não ligues ao que as nossas colegas dizem. Tu não és preta, tu és castanha, percebes?” Ela quase se desfez em lágrimas. Mas aguentou. Aguentou tanto, que me pareceu que os olhos lhe iam explodir. Fiquei sem saber o que dizer. Mas ainda disse mais qualquer coisa. Não sei o quê. O que sei é depois que resolvi calar-me bem fundo. E ela já não quis dar-me a mão para irmos para o recreio. Senti tanta pena dela! E vergonha por mim. Andei então longo tempo a sofrer. Pelo mal que lhe causei. Não sei se, até, não chorei por causa disto tudo.

 

Noutra perspetiva, tinha uma prima mais velha treze anos. O que eu adorava a minha prima! Mas, enfim, ela era uma temperamental. Portanto, às vezes gritava-me por qualquer coisa que eu fizesse. O que literalmente me desfazia. Por causa disso, ia sempre chorar.

 

Perturbava-me esta vontade inusitada de chorar sempre e em qualquer circunstância. Tinha muita vergonha. Fugia para não ser vista, como disse. Assim, andava sempre a correr em fuga. Até que não aguentei mais. E iniciei um procedimento interior para me conter. Para aprender a fazer isso. E lá consegui ao fim de muito treino e angústias. Depois não sei muito bem. Só sei que, a partir de certa altura, já queria chorar e não podia. Porque não conseguia.

 

Se não me tivesse educado naquela altura, creio que hoje seria daquelas pessoas que choram no cinema só porque um pombinho partiu uma asa no filme, por exemplo. E creio que, até aposto que, seria uma pessoa mais feliz. Porque menos tensa. Sei disto porque, quando consigo chorar, sinto-me aliviada de quase tudo. A questão é que raras vezes consigo.

 

publicado por Cat2007 às 16:36
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"A minha frase favorita é a minha quando me sai bem"
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