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CAFÉ EXPRESSO

"A minha frase favorita é a minha quando me sai bem"

CAFÉ EXPRESSO

"A minha frase favorita é a minha quando me sai bem"

JORGE ARAGÃO


Cat2007

23.06.07

  

Jorge Aragão ao vivo.

 

Não sei quando ao certo, mas foi há algum tempo. O Canal GNT ainda fazia parte da grelha da TV Cabo. Eu via muito. Agora temos o Canal Record . Já bati o record de vezes em que passei em zapping por ele e não parei um segundo. Assisti na GNT a um desempenho em duo entre a Alcione e um senhor chamado Jorge Aragão. Não sabia quem era. Ignorante! Fiquei chocada! Quem é este homem? "Jorge Aragão, Jorge Aragão, Jorge Aragão, Jorge Aragão, Jorge Aragão". Isto era eu a decorar. No dia seguinte fui à FNAC. Não havia. Como assim?

 

Eu explico:

 

Letras de Jorge Aragão   

 

Aquarela Do Brasil

Brasil, meu Brasil brasileiro
Meu mulato inzoneiro
Vou cantar-te nos meus versos
O Brasil, samba que dá
Bamboleio que faz gingar
O Brasil do meu amor
Terra de Nosso Senhor
Brasil! Brasil!
Pra mim... Pra mim...
Ô abre a cortina do passado
Tira a mãe preta do cerrado
Bota o rei congo no congado
Brasil! Brasil!
Deixa cantar de novo o trovador
À merencória luz da lua
Toda a canção do meu amor
Quero ver essa dona caminhando
Pelos salões arrastando
O seu vestido rendado
Brasil! Brasil!
Pra mim... Pra mim...
Brasil, terra boa e gostosa
Da morena sestrosa
De olhar indiscreto
O Brasil verde que dá
Para o mundo se admirar
O Brasil do meu amor
Terra de Nosso Senhor
Brasil! Brasil!
Pra mim... Pra mim...
Ô esse coqueiro que dá coco
Oi onde amarro minha rede
Nas noites claras de luar
Brasil! Brasil!
Ô oi essas fontes murmurantes
Oi onde eu mato a minha sede
E onde a lua vem brincar
Oi, esse Brasil lindo e trigueiro
É o meu Brasil brasileiro
Terra de samba e pandeiro
Brasil! Brasil!
Pra mim... Pra mim...

 

 

 

 

Você Abusou

Você abusou
Tirou partido de mim, abusou
Tirou partido de mim, abusou
Mas não faz mal
É tão normal ter desamor
É tão cafona sofrer dor
Que eu já nem sei
Se é meninice ou cafonice o meu amor
Se o quadradismo dos meus versos
Vai de encontro aos intelectos
Que não usam o coração como expressão
Você abusou...
Que me perdoem, se eu insisto neste tema
Mas não sei fazer poema
Ou canção que fale de outra coisa que
Não seja o amor
Se o quadradismo dos meus versos
Vai de encontro aos intelectos
Que não usam o coração como expressão
Você abusou...

 

Volta Por Cima

Chorei
Não procurei esconder
Todos viram, fingiram
Pena de mim não precisava
Ali onde eu chorei
Qualquer um chorava
Dar a volta por cima que eu dei
Quero ver quem dava
Um homem de moral
Não fica no chão
Nem quer que mulher
Lhe venha dar a mão
Reconhece a queda
E não desanima
Levanta, sacode a poeira
E dá a volta por cima

 

É claro que eu estava convencida de que na Fnac havia tudo. Mas não. Afinal os responsáveis pelas aquisições lá do sitio  têm uma política do tipo mais conservador, digamos assim. Que atraso! Aposto que em Paris, por exemplo, não é assim. Aliás, tenho a certeza. Qualquer loja da Fnac em Paris tem o último grande potencial êxito do maior cantor aborígene da Austrália nas prateleiras para quem quiser comprar na hora. Fico com a impressão de que as Internacionais quando se instalam em Portugal se quedam imediatamente infectadas pelo talvez vírus do nacional provincianismo.

 

Se o povo de cá não conhece o Jorge Aragão, quem de direito e de obrigação tem de compreender a sua própria missão no caso. Ou seja, tem de o dar a conhecer. Foi muito aborrecido para mim não poder comprar um  disquinho que fosse de um dos maiores compositores/cantores de samba de sempre. Pelo amor de Deus! A Aquarela do Brasil sempre é a música que eu - não sendo brasileira e estando aqui a dizer o que me apetece sem grandes rebates de consciência -  sinto que devia ser o hino do Brasil. E, não sendo, não deixa de o ser porque deixa o Brasil mais perto de quem a houve. Mais reconhecido. Mais apreciado. Por outro lado, qualquer brasileiro que ouça aquilo e não se reconheça na sua terra, não é um brasileiro é uma mandioca.

 

É claro que o hino do Brasil é mesmo a "Garota de Ipanema".  O maior êxito da música clássica brasileira. Só, talvez no aeroporto de Riade (capital política da Arábia saudita) é que nunca se ouviu tal coisa. Mas isso não é por não conhecerem a música, mas porque as colunas de som lá instaladas estão todas ocupadas a reproduzir o som que é feito pelos senhores que rezam em grupo na mesquita local (entenda-se por mesquita local a mesquita do aeroporto).

 

Bom, mas eu  eu podia comprar a Aquarela do Brasil" na voz de quem eu gostasse mais. Sucede que eu já tinha isso cantado pela Gal . Por outro lado, nem imaginava de quem era a música. Está visto. Também podia ter trazido o "Você abusou",  mas... não sabia quem era o Jorge Aragão. Por fim, a "Volta  por cima", está aqui num disco da Bethânea . E eu nem vi quem a tinha escrito.

 

O que sei é que não sabia nada. Ouvi o homem a cantar com a Alcione . Quando ele apareceu em palco fiquei perturbada com o timbre e o tom da voz quente e romântico, gingado, malandro sério, rouco de prazer pela cachaça tomada em doses recomendáveis e aberto pelo sorriso permanente: e aquela presença de rei de grande corpo abençoado sentado em cima da vida como a vida gosta: sem lhe pesar, mas, ao contrário, enchendo-a da leveza da simplicidade autenticidade e do talento puríssimo . E a Alcione ainda informou que tinha sido ele quem tinha inventado aquela maravilha que ambos cantavam no momento. Para mim, tudo isto  foi o quanto bastou para seguir à caça dele. Pois fui à Fnac e não o encontrei.

 

Mas por ser verdade que quando se fecha uma porta se abre sempre uma janela (passe o acto medíocre do uso da máxima), eu passei as minha férias com o Jorge Aragão. Ora a cantar. Ora a compor. Eu não gosto nada de Albufeira. Mas atravessei-a, penetrei-a e embrenhei-me nela quase diariamente. É que fiquei num sítio tão perto que parecia que não fazia sentido ir a outro lugar comer, beber, ir às compras, jogar ténis.

  

Desagradável. Pelo menos não fiz o passeio aciganado junto à praia.  No entanto, comprei um pólo Lacoste totalmente falso a uma cigana muito simpática que me deixou em plena praça central de Albufeira com as camisas todas na mão enquanto ia a um esconderijo buscar um S. Estava preocupada com as acções da ASAE . Não lhe fossem confiscar o material todo. Cada vez gosto mais de ciganos. Pelo menos, das mulheres ciganas. De uma outra vez enchi uma velha senhora cigana de beijos. Só por ser afável e linda com os seus olhos azuis da verdadeira cor do Mediterrâneo.

 

 

A questão é que o Jorge Aragão transformou Albufeira num local aprazível e sensual. Inimaginável! É como diz a Sandra de Sá na Casa de Samba:  "Grande Jorge Aragão chegando na área! Se derrubar é pênalte !". Pois é. Titular indiscutível da selecção brasileira.

 

Quem me abriu a janela foi a Lee.  Perdão, a Ana Maria. Falei-lhe no caso e ela, no seu jeito generoso de ser enviou-me uma série de coisas inestimáveis. Entre elas lá estavam o cd e o dvd do Jorge Aragão e o Show completo da Casa de Samba.  Sinto-me muito orgulhosa de ter esta amiga do Rio de Janeiro. Tenho vaidade nisso. Nem toda gente se pode gabar de ter uma Amiga carioca. Não sei se me faço entender.  É que ela é tão carioca e nós temos tanto em comum! Creio que isto pode ser um sonho bom de qualquer bom português. Eu gostava de ser uma boa portuguesa. Talvez eu ame o Brasil e isso possa ser um bom princípio para começar a ser uma boa portuguesa. Gosto da Ana por ser quem é. Mas ainda bem que é brasileira do Rio de Janeiro. Assim a nossa amizade fica diferente e ainda mais especial. Por vezes, ela percebe-me melhor do que eu própria. De outras vezes, percebo-a eu a ela. Seja como for, nunca alguém foi capaz de me chegar tão facilmente.

 

É claro que a Ana é um tanto desfocada. Mandou os discos e, naturalmente, ficou à espera da minha reacção. Depois, ficou toda contente. Creio que disse qualquer coisa como que bom que tinha conseguido (não sei o quê) para o outro lado do Atlântico. Portanto, não percebeu que eu é que estava grata pelas coisas sensacionais que ela me mandou e que são feitas no seu país. Não sei se ela acha que alguém tem que ser convencido a gostar daquilo que é absolutamente superior. Ou, pior, não estou certa que ela compreenda que toda a gente percebe o que vale a cultura brasileira e que os seus expoentes são património cultural mundial. Enfim, como disse, ela é um tanto desfocada, além de complexa.

 

A Ana é uma das pessoas mais inteligentes e sensíveis que alguma vez conheci. Estou muito grata pela amizade que ela me tem. Por mim não passará um dia em que não me lembre dela. Acho que ela também não vê muito bem isto. Deve ser por causa do Atlântico ou, talvez, falta de óculos. Ou, então, eu é que sou um par de lentes de distorção.  Adorável criatura carioca pura tola Ana Maria do Rio de Janeiro. Miss Lee.

 

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