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CAFÉ EXPRESSO

"A minha frase favorita é a minha quando me sai bem"

CAFÉ EXPRESSO

"A minha frase favorita é a minha quando me sai bem"

A PAIXÃO PELAS COISAS QUE NÃO TêM PELE


Cat2007

09.08.07


 

Há uns tempos não há muito tempo ouvi o José Mourinho dizer que não considerava a hipótese de acumular as funções de seleccionador inglês e de treinador do Chelsea. Agora, neste preciso instante, me recordo quando foi isso. Estava o Eriksson para sair do comando técnico da selecção de Sua Majestade. Mas, mesmo assim (com este dado), não consigo lembrar-me em que mês foi isso. Pior, nem o ano. 2006 ou 2007? E, afinal, quando se deu a troca de treinadores? Aliás quem é o novo "Mister" da equipa de Inglaterra? Não sei. Basta ir pesquisar. Eu não vou porque se estivesse interessada nos factos não os tinha esquecido. Memória e emoções. É assim. O interesse do cérebro enviado em estímulos que se reflectem no pulsar do coração.

 

Mas porque não podia o José Mourinho acumular funções? Ah! Disto eu lembro-me bem. Porque não se sentia capaz de desenvolver muito bem dois projectos distintos, ainda que na mesma área de actividade. Que admirava alguns colegas que o conseguiam fazer. Mas ele não. Identifiquei-me. Não com o futebol. Com a ideia. Também sou assim. Se ele for também assim como eu penso que é porque eu sou, então, tudo tem a ver com a capacidade de entrega.

 

O amor não é eterno. Porém confere uma sensação extraordinária de eternidade. O amor tem um termo final aposto no compromisso assumido para sempre. Não é eterno, mas é exclusivo. Estou a falar daquele que é especial. Que agita as hormonas. Que remexe as ideias. Que inventa projectos. Que nos transforma o espírito no sentido do optimismo. Que nos perfura a alma todos os dias mais um bocadinho com o objectivo de chegar ao âmago da nossa própria vida. Que rejeita a pele e o cheiro de outra pele que não tenha senão aquele cheiro. Este amor, sim, este amor é exclusivo por imposição, independentemente da vontade. Há entrega porque se está definitivamente entregue a algo para que se foi voluntariamente, mas já não se fica nessa condição.

 

E se o caso não é de amor entendido no sentido clássico-habitual do termo? Se é apenas paixão sem a componente da pele com odores e fluidos ? O José Mourinho não ama todos e cada um dos seus jogadores. É um dado praticamente certo . Nem faz amor com o Estádio do Chelsea . É um facto incontornável. Nem tem devaneios de índole equivoca com as camisolas do clube. É mais que provável. Não pensa na multidão que lhe enche o Estádio em termos inconfessáveis. É cientificamente comprovável.

 

O caso é de paixão pela obra pessoal. Paixão por algo que tem de acontecer para que o possamos ver como um espelho onde nos viremos a mirar. Olhar para algo que é nosso e é brilhante reflecte em nós essa imagem. Isto justifica o empenho de uma vida em cada momento dela. Para alguns.

 

A maior parte de nós que é assim, pode morrer em vida de angustia, duvida, medo, dor. Ou seja, de frustração. A entrega é total perante a miragem da obra que há-de vir. Por isso não há disponibilidade para mais nada. E é certo que o reflexo, que se deseja tão dolorosamente nunca,  pode nunca vir  a brilhar. Porque o que alguém consegue produzir, dar vida, construir, fazer crescer, e se possa considerar brilhante, nunca depende unicamente de si. A obra tem inúmeros autores. Os outros são os que não vêm o tal reflexo. Mas estiveram lá. Para o bem e/ou para o mal. Estou certa de que, se o José Mourinho é como eu imagino que é porque eu sou assim, passou por muitos maus momentos e esteve quase a deixar de acreditar, tendo, até, pensado que isso lhe acontecia. E depois de tudo, será que ele gosta de ser como é? 

 

 

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