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CAFÉ EXPRESSO

"A minha frase favorita é a minha quando me sai bem"

CAFÉ EXPRESSO

"A minha frase favorita é a minha quando me sai bem"

A falta de "pinta" é um mal global


Cat2007

27.02.08

 

Antes de mais, é preciso dizer que aqui a base da conversa é generalista. Trata-se de seguir a regra. Falar da regra. Todos sabemos que as excepções não entram nos cálculos das medidas. Por exemplo, um problema social só deixa de o ser puramente, para entrar no campo das considerações políticas , quando afecta mais de 20% do universo das pessoas. Neste momento, também quero desconsiderar este número, e falar dos outros.

 

 Há um problema geral de falta de "pinta". Está tudo na moda. Todos têm o carro da moda, as jeans da moda, o telemóvel da moda, o corte de cabelo da moda. Mas a maior parte das pessoas não tem classe. Deve ser porque também não têm dinheiro, pensa-se. O dinheiro dá uma certa segurança às pessoas. E isso nota-se. Mas não. Não é o dinheiro. O dinheiro nunca deu classe a ninguém. Aliás, muitas vezes, acentua mesmo a falta de "pinta". Aliás, até serve muito para adensar a falta de educação. É a segurança que o dinheiro dá. O endinheirado, o rico ou o milionário, sentem-se seguros quanto à sua falta de gosto e ausência de educação de base. Claro que não estou a falar de toda a gente, comecei por explicar isso.

 

Na era da globalização, não ter classe é um problema que afecta a globalidade das pessoas. Devia, pois, ser tratado pelas tecnologias de informação, como tudo o resto. E só não é porque não consubstancia matéria pura de índole económica. Aliás, os problemas macroeconómicos têm, também, por seu lado, acentuado o problema da atitude rasca global. Mas é sem querer fazer directamente.

 

As pessoas não têm classe porque não sabem o que isso é. Mesmo que já tenham lido em qualquer lado. Eu acho que a moda e os modismos deixam a maioria das pessoas à beira do ridículo. A moda representa é conjunto de ideias sistematizadas (é, portanto, um sistema) impostas  que, mediante processos, que não são milagrosos, mas parecem, toda a gente come. Ou seja, a industria é poderosa, e sabe bem o que faz. Os jogadores de futebol esforçam-se imenso para andar na moda, por exemplo. Resultado: têm "mau ar". Outro exemplo, as teenagers e as pós teenagers (as teenagers veteranas , portanto) adoptaram as calças de cintura descaída e os tops. Resultado não têm o corpo da Naomi , e isso nota-se. Mais um exemplo, todos anseiam por ter um carro utilitário com ar condicionado, tecto de abrir, leitor de cd, GPS e pintura metalizada. Porque, presumem, tem "pinta". Eu acho que deve ser frustrante conduzir um carro destes. Andar por aí com um candidato excluído a topo de gama. Aceito que se tenha um porque os recursos não são igualitariamente distribuídos . O ridículo está, antes, em desejar muito estas coisas. Sonhar com elas. É, além disso (além de ser ridículo), uma postura medíocre. No fundo, o que as pessoas querem é dar uma exibição de que são "cool ", "in ", "open minded ", "loved ", e por aí fora. Por quererem tudo isto, não têm classe.

 

Ter classe é possuir uma concepção adequado do mundo e das coisas que giram em volta. É compreender que se vai na rua e que o mundo que também vai na rua se está na tintas para nós. Um Ferrari também não tem classe nenhuma, mas impressiona. Pessoalmente, fico impressionada com as dimensões e a baixíssima ) altura da criatura (criatura, sim, que para a cultura moderna um Ferrari é praticamente gente. Ou seja, é mais gente do que o próprio dono. O preço também me impressiona imenso. Não poderia comprar um. Mesmo que quisesse. No entanto, não me sinto minimamente suspeita quando digo que é um carro horrível. Mas impressiona. A questão é, por muito que impressione, a impressão não dura mais do que uns segundos. E depois passa. Está esquecido. E a vida continua.

 

Quero com tudo isto dizer que nós não somos mais do que aquilo que podemos transportar se estivermos nus. A saúde física e mental e um conjunto de valores suportados por conhecimentos que se consolidaram através um processo de aprendizagem sólida.  Projectar a personalidade no que de material temos é um erro. Há atentados terroristas, crashes " nas bolsas, incêndios , cataclismos, perda de emprego. Quem tudo tem, tudo pode perder. Muito ou pouco. Pior, quem tem nunca está satisfeito por causa disso. Os utilitários são trocados no prazo máximo de cinco anos, por exemplo. E os Ferraris nunca são o único carro dos seus donos.

 

Ter classe é assumir que se tem uma importância relativa para os demais e aceitar que se é muito importante para alguns. Compreender os limites da nossa liberdade individual e aceitar as diferenças nos exercício da mesma liberdade por cada um. É, assim, possuir uma postura natural de distanciamento face ao próprio ego. Ser natural e descomprometido. Concluindo, menti. Na verdade, o que queria era falar de uma minoria de pessoas que têm classe.

 

 

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