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CAFÉ EXPRESSO

"A minha frase favorita é a minha quando me sai bem"

CAFÉ EXPRESSO

"A minha frase favorita é a minha quando me sai bem"

NARCISO, O IDIOTA


Cat2007

27.03.08

 

 

Exitem várias versões da estória. Mas o elemento comum a todas é o fim. No fim, Narciso morreu no limite de um longissimo exercíco de auto-contemplação extasiada. Abdicou do resto para além de si. Da vida. Morreu de lindo que se via. De lindo que se julgava. Não comeu. Não dormiu. Não fez mais nada para além do dia em que viu o seu próprio reflexo, e se encantou.

 

Todos percebemos que beleza que justifique isto não existe. Por um lado, não existe porque não existe. Porque a beleza é nada para além de um conceito altamente subjectivo. Quem acha, acha. Quem não acha não acha. Para o mesmo. Narciso só achava que era a mais bela das criaturas. Qualquer um de nós poderia sempre discordar sentidamente dele. Por outro lado, ainda que existisse o que não existe, subsiste o sentido que não faz a obsessão do indivíduo por si próprio (recuso-me a chamar a isto amor) ao ponto de lhe consumir a alma e a vida.

 

Simplificadamente, o narcisismo consiste na incapacidade de ver e sentir as realidades que transcendem a individualidade. O seu fundamento reside numa profunda falta de afecto. A necessidade obriga à concentração do ser sobre si mesmo. Porque está concentrado em si, o sujeito observa demasiadas vezes o seu reflexo. Ora, o reflexo é apenas uma imagem superficial do ser. É a ela que o narcisista está preso. Por isso, só desce nas profundezas da água quando deixa de ser e de sentir. Quando morre. Submerge. E vai ao fundo. Só quando morre, e já nada faz sentido. Até lá, até ao fim, sofre. Muitíssimo!

 

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